OS SEM PROPOSTAS
Em tempos de “Ficha Limpa” tem político querendo fazer valer a sua ficha “limpada”, outros alegando não haver mancha alguma em sua ficha e alguns, pasmem, reclamando que nem ficha têm...
... Hã? Isso mesmo! Têm candidatos alardeando nas ruas e no programa eleitoral que estariam “nascendo agora”, “direto da fábrica”, novinhos em “folha”, “cheirando a tinta”, “zerinhos da silva” (ops, este sobrenome é pesado e está em voga, mas aqui não está nenhum interesse em vinculá-lo a ninguém!)... Blá, blá, blá... Só nos falta aparecer alguém reclamando que sua ficha foi extraviada, seqüestrada, furtada, roubada... Ah, me poupem!
Bem, para essa salada de “Ficha Limpa”, ficha suja, ficha “limpada”, ficha... Propomos, semana passada, que o eleitor entre na briga. O mais poderoso ser em tempos de eleição, o verdadeiro juiz eleitoral, com sua arma infalível (o voto), pode triturar todas essas fichas e reciclar nossa classe política, transformando a Política com “P” maiúsculo no legítimo caminho para a democracia e em verdadeiro instrumento de bem-estar social coletivo. Como? Está na essência de nossa crônica daquela semana (com o título “Voto Limpo, em tempos de Ficha Limpa”): VOTO LIMPO NELES!
Mas prometo ainda voltar ao assunto “Ficha Limpa” (sob a ótica da Lei Complementar 135/2010), tão logo surjam as primeiras decisões no âmbito do STF Supremo Tribunal Federal (o tutor e zelador das questões constitucionais nacionais), eis que o TSE Tribunal Superior Eleitoral (órgão máximo no julgamento de lides eleitorais no país) já começou a barrar candidaturas “fichas sujas” e a retirar a maquiagem de algumas fichas “limpadas” por alguns TRE Tribunais Regionais Eleitorais (os “xerifes” eleitorais nos estados). Aguardemos!
Agora, voltemos ao título acima.
Precisamos ficar atentos para saber o que desejam os candidatos além, é claro, de se eleger.
Se depender do conteúdo explicitado desde os discursos das convenções até o que se vê e ouve nos programas eleitorais gratuitos ainda não se sabe o que pensa a maioria de nossos candidatos, nem o que estes pretendem fazer com um eventual mandato eletivo.
São preocupantes os sinais. Um candidato a suplente de senador, por exemplo, questionado em uma entrevista sobre suas idéias para a campanha do candidato de sua aliança ao governo de um estado, saiu-se com essa pérola: “primeiro muito respeito, segundo respeito, terceiro respeito...”. É a confirmação de que de onde menos se espera é que não sai nada mesmo. Não sei se dou gargalhadas, se choro ou se recorro ao meu bom Deus!
De outro candidato, apenas vaga referência às suas prioridades na educação, saúde e área social. Coisa muito institucional, só por encomenda!
E por aí vai. Entra campanha e sai campanha e os candidatos parecem estar concorrendo a algum concurso. Alguns se candidatam às vagas nas assembléias estaduais, outro às de Brasília e tem ainda tem aqueles que brigam pelos palácios governamentais, sem se aterem que para tanto precisam mostrar seus projetos para ganhar o voto do eleitor.
Como ideologia é coisa do passado e os partidos políticos propriedade de grupos defendendo seus interesses em primeiro lugar, sem participação popular, o cidadão pouco pode esperar de tais representações políticas.
Resta-nos aguardar se algo mudará após este novo processo eleitoral (ainda adormecido no berço da propaganda gratuita no rádio e televisão).
|