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Agora Santa Inês - LITERATURA LITERALMENTE

LITERATURA LITERALMENTE

Olá sobreviventes desta nau chamada Literatura! Hoje é sábado e é dia de nos deliciarmos com os “escritos” inexoráveis dos nossos poetas, poetizas, escritores e sonhadores de um mundo mais límpido, romântico e feliz. A felicidade pode sim está, em ler um soneto, uma poesia ou um artigo que em algumas centenas de caracteres nos leva a viajar....viajar....viajar!  Eu, que desde os meus 7 (numeral mesmo)  anos de idade, sonhava em ser um “escrevinhador” já não me lembro quantos folhas de caderno gastei nos primórdios de minha adolescência e juventude, como também não lembro quantas laudas já escrevi desde a minha primeira fase adulta até a terceira idade que vivo intensamente agora, pelas Graças de Deus. Isso não vai ao caso. O que me move mesmo, são as surpresas que me arrebatam de quando em vez, ao deparar-me com mais e mais seres iguais a mim, que buscam nos dias de hoje, preencher um vazio (que jamais existiu), batendo à porta do Agora, com uma larga e extasiante produção de material para esta página, ou seja; trazendo debaixo do braço, ou recitando em palavras, os mais belos texto literários produzidos nesta urbe.

Muitos são os nomes que fazem parte de uma constelação estrelar na literatura de Santa Inês, mas a cada dia aparecem mais e mais nomes que ultrapassam essa fronteira, e eu quero aqui destacar os nomes de Evilásio Júnior e de Márcio Borges.

Ambos me surpreendem a cada nova aparição, assim como me deixa feliz o que escreve minhas filhas Isabella e Patrícia Silveira, que já desfilaram por esta página. E o que dizer de Paulo Rodrigues, Luís Henrique, Valmir Colares, David Moraes, Gilberto Barros, Carlos Alberto Costa, Pepita, Ezequias, Soares, Barrozo (com Z), Jerryvaldo, Piçarra, José Maria Viana, Professora Gedite Tavares, Robert Paixão,  e tantos e tantos outros nomes? É, Senhoras e Senhores! Se somos “estrelas” reluzentes neste universo, que o Sol possa brilhar para todos nós! (Clélio Silveira Filho/ Editor

 

“O PIOR ANALFABETO É O ANALFABETO POLÍTICO”


No Brasil está acontecendo um fenômeno estranho: a politização feita a facão do cidadão brasileiro. Uma internet, um computador ou um celular, um indivíduo do outro lado da tela, “a tal liberdade de expressão”... pronto! São os ingredientes (im)perfeitos para que qualquer analista político perca o seu cargo, pois o brasileiro é campeão na arte do “pitaco”, em muitos momentos lembra até o personagem Chicó, do Auto da Compadecida, soltando o seu bordão clássico: “só sei que foi assim”.

Não tem que ser assim não, a síndrome de Chicó deve ser superada. Todavia, o processo é delicado, requer pessoas que tenham uma capacidade reflexiva e analítica da atual conjectura do país. Participar do processo democrático da nação não é apenas depositar um voto numa urna, “criar mitos políticos”, sair propagando “um monte” de postagens nas redes, proliferando o número de seu candidato com hashtags e mais hashtags... É o futuro do povo que está no cerne de tudo isso, a política deve ser levada a sério, deve ser debatida, não gritada.

Talvez seja muita pretensão, mas seria muito bom se todos tivessem acesso e pudessem conhecer o berço da democracia: a Grécia Clássica. Todos os principais conceitos utilizados pelo homem contemporâneo na política são oriundos daquela civilização avançadíssima, que presenteou o homem ocidental com toda uma forma de pensamento.

A democracia foi plantada na Grécia Clássica e se espalhou pelo mundo ocidental, ganhando novos contornos, características de cada nação, povo. Diferentemente do que acontecia na civilização grega, na qual havia debates acerca do bem coletivo da cidade, o cidadão tinha todo um aparato discursivo e retórico para defender seu ponto de vista, construindo tudo com base em uma boa capacidade argumentativa, aqui no Brasil impera o grito e ignorância.

Neste caso, Bertold Brecht tinha razão: “O pior é o analfabeto político”. Só que diferentemente do que se encontra no poema, o analfabeto político atual “ouve, fala e participa dos acontecimentos políticos”, contudo, a sua politização é feita sem base nenhuma de leituras que possam dar uma fundamentação consistente ao seu argumento. Ele (o analfabeto político) se informa através de vídeos na internet e de notícias tendenciosas de cunho restritamente político-partidário, o analfabeto nunca leu uma linha sobre Platão, Maquiavel, Rousseau...  mas estufa o peito e grita que assistiu um vídeo mais esclarecedor do que qualquer leitura sobre política.

O poema “O analfabeto político” é uma boa leitura para iniciar a reflexão sobre as ações e consequências da política. Por isso o título deste texto remete a análise brechtiana sobre o impacto de uma compreensão limitada da política e de seus impactos na vida humana.

Ele (o analfabeto político) não sabe que o custo de vida,/ o preço do feijão, do peixe, da farinha/ do aluguel, do sapato e do remédio/ depende das decisões políticas”. O poema de Brecht mostra o analfabeto de sua época, que não tinha todo um aparato tecnológico à sua volta, mas o analfabeto político da contemporaneidade é bem mais perigoso, pois ele se politiza por vias frágeis e ainda dissemina o seu pensamento em tempo real e com grande capacidade de alcance.

 

*Evilásio Júnior

Poeta e Ativista Urderground

 

FERREIRA GULLAR E A LUTA DE CLASSES


“retiramos algo e com ele construímos um artefato, um poema, uma bandeira”.

Ferreira Gullar é poeta, ensaísta, biografo e crítico de arte maranhense. Nasceu na ilha de São Luís, no dia 10 de setembro de 1930, quando Drummond acabara de lançar Alguma Poesia, livro que reverteu a ideia da revolução poética, daquele  momento.

Foi um ativista engajado, durante boa parte de sua existência. Foi presidente do CPC da União Nacional dos Estudantes organizando várias atividades políticas e literárias contra o sistema opressor. Produziu versos de luta, buscando a práxis, como forma de se posicionar no cotidiano. Ajudou a fundar o famoso grupo OPINIÃO e filiou-se ao Partido Comunista do Brasil.

Preso em 1968, deixou o Brasil. Viveu em Paris, Chile, Peru e Argentina. Escreveu Dentro da Noite Veloz com um tom político, revelando sua compreensão sociológica marxista. Alguns poemas desta obra foram escritos no Brasil e outros no exílio como podemos perceber nas marcas de localidade, nas cenas, nas paisagens. É nítido o tom de denúncia do cotidiano, assim como a oposição histórica entre as classes, numa sociedade burguesa.

Nesta coletânea, um vigoroso pessimismo é pintado no muro, de muitos poemas. Parece que a realidade do país precisa ser colada num outdoor para escandalizar a mesquinhez da elite, mãe da exploração do proletariado.

O poema HOMEM COMUM expõe uma poética, na mesma trincheira do trabalhador explorado, carregando na reservista uma revolta contra a situação:

sou um homem comum

brasileiro, maior, casado, reservista,

e não vejo na vida, amigo

nenhum sentido, senão

lutarmos juntos por um mundo melhor.

Há um tom de manifesto no último verso da segunda estrofe, que convoca a união do trabalhador para enfrentar as dificuldades impostas por uma sociedade devoradora dos mais fracos. Ele mostra como Marx, a necessidade da união do proletariado, de maneira que possa juntar força e defender-se.

Os estudiosos do marxismo deram muita atenção à questão agrária. Afinal, o Brasil foi um enorme latifúndio criado para servir ao nascente capitalismo europeu. Criação portuguesa distribuiu terras aos privilegiados, o que interessava ao rei. Gullar questiona a ação do homem de literatura e denuncia com coragem o latifúndio, com as covas abertas:

mas a poesia é rara e não comove

nem move o pau-de-arara.

quero, por isso, falar com você

de homem para homem,

apoiar-me em você

oferecer-lhe o meu braço

que o tempo é pouco

e o latifúndio está aí, matando.

Rosa Luxemburgo discorreu primeiro sobre o imperialismo, numa análise marxista. Na obra A Acumulação do Capital de 1912, afirmava: “os mercados externos tornaram-se indispensáveis para realização da mais-valia dos países centrais. A insuficiência do mercado interno aumentava estoques, diminuindo o lucro”. A conquista de novos consumidores em sociedades muitas vezes pré-capitalistas é uma obsessão do proprietário dos meios de produção.   Logo, na quarta estrofe o poeta denuncia a necessidade de sangue das multinacionais:

que o tempo é pouco

e aí estão o Chase Bank,

a IT & T, a Bond and Share,

a Wilson, a Hanna, a Anderson Clayton,

e sabe-se lá quantos outros

braços do polvo a nos sugar a vida

e a bolsa.

Finalmente, encerra o manifesto em verso moderno e atual, com uma imagem-proposta que representa a força do proletariado, a capacidade de montar um mosaico de sonhos, ao longo da história:

mas somos muitos milhões de homens

comuns

e podemos formar uma muralha

com nossos corpos de sonhos

e margaridas.

TEXTO: PAULO RODRIGUES – Professor de literatura, poeta, escritor e autor de O Abrigo de Orfeu (Editora Penalux, 2017); Escombros de Ninguém (Editora Penalux, 2018).  

 

 

UMA VIAGEM NO TEMPO


Por Márcio Borges*

Pense assim: se algum dia o homem vai inventar uma máquina que lhe permita viajar no tempo, podemos supor que as três dimensões temporais existem: presente, passado e futuro, e isso de forma concreta. Bom, se isso for realmente possível, significa dizer que a tal máquina do tempo já foi inventada no futuro, correto? A pergunta é: Por que os homens do futuro não retornam para nos visitar, nos conhecer? Será que somos (nossa época) tão desinteressantes assim? No lugar deles, nós não gostaríamos de conhecer, numa viagem temporal, outras épocas, pessoas, civilizações e costumes? Imagine um tour histórico ao Egito Antigo ou à época de Cristo! Com certeza, seria algo fascinante.

A resposta sobre o porquê dos homens do futuro não retornarem (ou sim, retornarem) é ainda mais intrigante: eles já nos visitaram, e ainda nos visitam. Mas, há algo a mais nessas viagens de retorno. Algo tão espetacular quanto impensável e, por isso, faz-se necessário abrimos nossas mentes, pobres e ignorantes mentes.

Uma reflexão: Israel (o povo judeu, entenda-se) é um ponto de tensão e desequilíbrio em todo o mundo árabe (percebemos isso há algum tempo e mais ainda nos dias atuais) e, não raras vezes, o Oriente Médio (envolvendo também o Ocidente) fica à beira de uma guerra de grandes proporções, o que poderia ser o estopim de uma Terceira e última Guerra Mundial, pois o arsenal nuclear disponível no mundo tem o poder para destruir nosso planeta cem vezes. Seria o fim da raça humana e de todos os seres vivos. Improvável (nem tanto), mas não impossível.

O que aconteceu? Os homens do futuro enviaram um líder ditador para que, antes de se consumar a possível guerra terminal, ele conseguisse exterminar o povo judeu (ou seus homens mais proeminentes). O surgimento de um soldado covarde e, diga-se de passagem, um pintor medíocre, que se tornou um orador extraordinário, capaz de hipnotizar as massas, além de um líder astuto, belicoso e em termos de estratégia militar, um gênio no campo de batalha, explica minha teoria da viagem temporal, pois foi a solução encontrada pelos “senhores” do futuro (pouco sentimentais e demasiado racionais) para evitar o tal conflito final. Isso explica algumas coisas – Hitler usava a expressão “solução final” constantemente; e sua aversão aos judeus (antissemitismo) não foi de todo explicada pela história, muito menos compreendida pelos cérebros do nosso tempo. Ainda assim, há mais perguntas que respostas.    

Tudo isso, é claro, são conjecturas de alguém apaixonado pela literatura que nada mais é do que ficção fruto da imaginação vinda do desejo (consciente ou não) e que se traduz em criação. Depois de ler UMA BREVE HISTÓRIA DO TEMPO e O UNIVERSO NUMA CASCA DE NOZ (Stephen Hawking) tive a certeza de que somos muito mais do que imaginamos ser e que os ditos “buracos de minhoca”, que permite a “dobradura” do universo e a passagem para outra dimensão temporal, não são somente criação de uma mente genial. São possibilidades excitantes e intrigantes.

Enquanto nossa época ainda não conhece a máquina do tempo, que nos permita viajar e conhecer outras culturas, civilizações e povos, vou me contentar “viajando” em livros. É quase tão desafiador quanto a tal máquina, e mais seguro!

 

*Márcio Borges / P.H.D. em sobrevivência na “selva”/ Poeta e escritor, de Santa Inês

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 26/01/2019

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Palavras-chave: LITERATURA LITERALMENTE

Fonte:

Big Systems
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