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Agora Santa Inês - LITERATURA.........LITERALMENTE

LITERATURA.........LITERALMENTE

IDENTIDADE, OS POBRES E A POLÍTICA


“a força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos que apenas conseguem identificar o que os separa e não o que os une”. (Milton Santos)

Sérgio Buarque de Holanda definiu nossa identidade cultural, no livro Raízes do Brasil, no início do século XX. Ele criou os conceitos básicos que nos definiam como povo. Com uma exposição clássica, mas compreensível fez a cabeça da USP, das outras universidades, dos partidos de direita, do Antonio Candido, da elite financeira, da classe média e até dos trabalhadores precários.

Lá temos a fundamentação da nossa origem portuguesa; a descrição do patrimonialismo, do estado enorme e ineficiente, da corrupção da política e só dos políticos. Há uma louvação do homem americano (espiritualmente evoluído). Uma piada repetida como verdade! Por quê? Os filhos do Tio Sam são os maiores malandros da história, roubam o planeta inteiro, pousando sempre de semideuses.

No entanto, o mais grave foi a nossa definição como cordiais (apegados ao corpo, portanto só sacanagem e bola). Seres confusos, incapazes, receptivos e preguiçosos, que misturam o espaço público com o privado.

Ao ler A Tolice da Inteligência Brasileira do Jessé Souza compreendemos a manipulação ideológica através de um discurso plantado propositalmente, pelos proprietários do capital. Não temos raiz em Portugal. Somos subsaarianos. Uma sociedade montada na escravidão, no latifúndio, no ódio ao negro e ao pobre. Louvamos a tortura, a violência e o machismo cruel.

O estado precisa ser grande para atender as necessidades sociais da ampla maioria de excluídos. Precisa ser gigante para se contrapor ao mercado, construindo um equilíbrio entre os interesses. Deve fortalecer as empresas nacionais para sonhar com o desenvolvimento, possível.

Os grandes corruptos entre nós, sempre foram os bancos, a elite da rapina e o mercado. Nunca foram atacados. Ninguém questiona cinquenta e dois por cento do PIB nacional servir para o pagamento dessa turma. Ninguém questiona os assaltos que os banqueiros realizam todos os dias, sem remorso.

Essa babaquice da cordialidade serviu para grafitar um cachorro de calçada, na nossa alma. Acreditamos mesmo na nossa incapacidade gerencial. Devemos obedecer às ordens apenas. Por isso também, toda vez que nasce uma crise numa estatal, defendemos a privatização. Os donos do capital tatuaram um idiota nos nossos olhos.

Não podemos nos definir no modernismo líquido, sem buscar a vasta obra do Jessé, sociólogo respeitado nos principais centros acadêmicos do mundo. Ele apresenta uma produção científica para compreendermos de onde viemos, o que somos e para onde vamos.

Cito aqui o último parágrafo da conclusão da tese supracitada: “quem continua mandando de verdade em toda encenação do teatro de marionetes são os mesmos um por cento que controlam a riqueza, o poder e instrumentalizam a informação a seu bel prazer: Os outros noventa e nove por cento ou são manipulados diretamente, como a classe média “coxinha”, ou assistem de longe, bestializados, a um espetáculo o qual, como sempre, vão ter que pagar sem participar do banquete”.

Faço um link com a realidade. Converso com vendedores na Feira da Barreirinha pela manhã. Outro dia, encostei perto de um senhor que vende cachaça para os tratadores de peixe. Ouvi atentamente, a repetição da ignorância plantada como semente. Gritava que era preciso vender a Petrobrás para acabar com a corrupção e com os pecados da nação.

Sai com a sensação que eu estava de cabeça para baixo!

Texto: PAULO RODRIGUES – Professor de Literatura, poeta, escritor autor de O Abrigo de Orfeu (Editora Penalux, 2017) e Escombros de Ninguém (Editora Penalux, 2018).

 

 

SONETO ESTÉRIL


Chego estéril aos quarenta e tantos

Sem ter tido um amor, um lar, um filho

Sou como um fruto que não foi colhido

De uma árvore que perdeu encantos.

 

Sou solitário como outros tantos

Que matam a sede na urina,

Bebendo nas coxas da menina,

Engolindo da vida desencantos.

 

Com o coração cheio de espinhos

E os sonhos perdidos nos caminhos

Vestido de luto e solidão.

 

De nada adianta falar de afetos

 Pois o amor não nasce nos desertos

Do peito, da alma, da paixão.

 

*Márcio Borges / P.H.D. em sobrevivência na “selva”/ Poeta e escritor de Santa Inês

 

REFLEXÕES DE ZABELLA 

DEIXAR DOER SEM DESABAR


Por Isabella Silveira

Eu sei que é difícil deixar doer sem desabar.

Eu sei que a gente tem que se permitir sentir isso.

Aliás, todos os sentimentos possíveis!

Como uma coleção.

Por mais que rasgue o peito.

Sabe.....é um processo.

Meio que você precisa passar por ele, pra chegar nas outras fases.

Precisa passar pelo presente.

Exatamente por carecer de avançar, não deixe consumir e corromper as próximas etapas.

Ou te fazer esquecer quem é.

A dor é importante, mas não pode ser o centro da tua vida, seja lá qual for!

Na verdade; ela que tem que se adaptar a ti, quando vir.

E aí, quando você sentir que já tomou teu tempo, e te impede de seguir em frente, vem-se os outros passos.

Que nem nessa sequência de foto.

Tudo tem um por quê.

Cabe a gente, fazer o possível pra que ascendamos no que vem pela frente.

O presente de outro dia.

 

*Isabella Silveira ex-moradora de Santa Inês, é formada em Direito, modelo, atriz, cantora e contratada da Távola 4/ Mesa 42/ São Paulo / Brasil, onde reside atualmente. Tem mais de 116 mil seguidores no Instagram onde suas fotos  já foram vistas mais de 12 milhões de vezes.  @ZABELLA

 

SAPATEIRO: UM DOUTOR NA ARTE DE REINVENTAR A VIDA


Nossa cidade é cheia de peripécias, de seres encantados que transformam a rotina dura e cansativa do cotidiano, em momentos de prazer e deleite, nos levam a mergulhar na força da narrativa, da contação de histórias, do fabular, do transmitir de forma oral relatos e causos...

O homem é um ser que se constrói linguisticamente. Dos primórdios aos dias atuais, o homem foi se construindo através de sua capacidade de transmitir aos semelhantes o seu conhecimento, a princípio, de forma oral, posteriormente, vindo a ser plasmado em papeis.

Das bocas dos populares narrativas fantásticas ganham vida, percorrem bares, bancos de praças, ruas... A “Ponta da Linha” tem um aspecto fabular único, estórias e histórias percorrem o imaginário coletivo da nossa urbe. Santa Inês tem um poder literário fascinante, talvez só encontrado na literatura fantástica, de seres mágicos.

Nesse terreno fértil, ganha força uma figura septuagenária. Conhecido popularmente como Dr. Sapateiro, Margenor Vieira da Silva, nasceu em São Pedro do Piauí-PI, em 11/09/1947. Trabalha há quase cinquenta anos no mesmo local, num pequeno ponto, perto da Praça da Matriz, de onde tira o seu sustento e de sua família há anos, ajudando a criar filhos e netos com a força de sua labuta. Até hoje continua trabalhando de sol a sol no mesmo lugar.

Doutor – como muitos o chamam – é testemunha ocular de muitos acontecimentos da cidade, de transformações sociais, históricas e políticas que ocorreram aqui. Conta tais acontecimentos com um tom quixotesco, tirando todo o peso histórico de algumas dessas passagens, fazendo o interlocutor viajar em suas aventuras de cavaleiro andante, criar asas e sair enfrentando moinhos de ventos.

Ele é de uma capacidade de fabulação impressionante, um exímio contador de histórias, daqueles mestres que trazem a sabedoria popular e enriquecem algo simples, tornando-o uma epopeia. Doutor é um patrimônio vivo de nossa cidade, merece o título de “cidadão honorário” de Santa Inês (assim como outros já receberam), pois ajudou a construir tanto economicamente, consertando sapatos, sandálias, bolsas, como também por seu jeito único e quixotesco de narrar os fatos.

As histórias da cidade, contadas pela boca de Doutor, ganham asas e conseguem voar muito além da simples realidade. Ele é um mestre na arte de reinventar as narrativas frias e sem vida, dando um toque literário e fabular ao que conta.

 

Por Evilásio Júnior

Poeta e Ativista Urderground

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 02/02/2019

Visitas: 64

Palavras-chave: LITERATURA.........LITERALMENTE

Fonte:

Big Systems
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