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Agora Santa Inês - LITERATURA LITERALMENTE

LITERATURA LITERALMENTE

A EDUCAÇÃO BRASILEIRA E O DOMINÓ LIBERAL


Para entender o Brasil é preciso aprofundar o conhecimento sociológico. Nascemos como colônia escravocrata desde o zero ano. Aqui foram montadas malvadas estruturas de dominação. A sociedade é patriarcal, preconceituosa, injusta e internalizou muito bem o desprezo ao negro (aos pobres). Estamos autorizados sempre a fazer qualquer atrocidade contra eles, que passará despercebido pela imprensa.

A educação era apenas para os filhos de uma ínfima elite, por mais de quatro séculos. Alguns ainda afirmam, sem tremer a vigarice nos olhos, que era um ensino de muita aprendizagem. Era mesmo. Funcionava para quem? Funcionava para três por cento da população privilegiada. Os donos do poder pagavam com o dinheiro público bons professores, com excelentes salários, para serem os tutores dos filhos da burguesia colonialista e colonizada.

Quem era excluído do processo de ensino? Por quê? Noventa e cinco por cento da nossa população não tinha acesso aos bancos de transmissão ideológica dos donos do poder. Quando tivemos de forma tímida, aprendemos a reproduzir a história dos exploradores. Alguns ainda acreditam que Duque de Caxias foi um grande herói, ou, que Fernando Henrique Cardoso era um sociólogo preocupado em privatizar as estatais para salvar a economia. Devemos entender que o capital cultural arma o trabalhador precário para refletir sobre a sua condição, assim como, o insere na roda econômica do capitalismo.

De certa forma, a Constituição de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação de 1996, os acordos assinados com a ONU e com Banco Mundial obrigaram os governos a universalizar a oferta de ensino, entre nós. Temos praticamente cem por cento de alunos, na idade escolar, frequentando salas de aula, de norte a sul. No entanto, somos incapazes de ensinar os filhos do proletariado. Os dados do Pisa de 2018, prova feita em 70 países, foram divulgados recentemente. Ficamos na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática.  Perdemos em proficiência leitora, lógica matemática, e lógica científica para Gana, Argentina, Colômbia.  

Entendam o tamanho do Brumadinho, sufocando a Educação Básica e Superior. O ministro da Educação, Ricardo Velez Rodrigues, disse que vai melhorar a aprendizagem entre nós, deixando o ensino superior para as elites. Funciona? Quem ganha com esse dominó? Entende que melhora a qualidade da aprendizagem enviando carta para ser lida, antes de se cantar o Hino Nacional. Parece piada de mau gosto. O país precisa investir seriamente em formação, em metodologias ativas, em espaços socráticos de socialização de pensadores e principalmente construir uma sociedade mais justa.

Lembro Edgar Morin, grande intelectual francês, quando foi convidado para reformar as estruturas educacionais da França. Afirmou, depois de muitos debates, a necessidade de reformar também os educadores e a própria estrutura social, porque a educação só inclui, numa sociedade inclusiva.   

Voltar para a caverna não resolve nada. As sombras nos atormentam, tanto quanto os liberais. Quebremos as correntes mais uma vez! 

*PAULO RODRIGUES – Professor de Literatura, poeta, escritor autor de O Abrigo de Orfeu (Editora Penalux, 2017) e Escombros de Ninguém (Editora Penalux, 2018).

SOCIEDADE DE ETS


O mundo moderno, vez por outra, nos presenteia com modismos que, a despeito das inúmeras opiniões contraditórias, confunde até mesmo aqueles que estão antenados com as novidades que, para nós, simples mortais, arrepiam todos os pelos, fazendo aqueles que são mais conservadores sentirem-se como ETs, quando procuram seguir a trupe sem, contudo, concordarem com o que prega a mesma; ou neandertais, quando se sentam à mesa e espantam os pobres ouvidos com a gama de argumentos aparentemente coerentes, mas que só servem para jogar ainda mais titica no ventilador.

Posso dar um exemplo bem recente: a deputada federal Joice Hasselmann (PSL – SP), acerca da IDEOLOGIA DE GÊNERO, foi enfática: “A moda agora é estimular as crianças por meio do ensino, nas escolas, que ninguém nasce menino ou menina. A ideologia foi criada pela esquerda para a família, principal núcleo do país, de forma a destruí-la. É um trabalho deliberado da esquerda não só do Brasil, mas do mundo, pela desconstrução da família. Não estamos falando de desrespeito à diversidade. Após a infância e a adolescência, um adulto poderia decidir sobre esses temas. O respeito à diversidade já é natural nas crianças, desde que criadas num ambiente  de respeito ao próximo.” A deputada coloca mais na já ardente fogueira, quando completa seu raciocínio: “A ideologia de gênero é uma prova cabal da imbecilidade”. Faz ainda uma pergunta de tom sarcástico: “Se ninguém nasce menino ou menina, o que temos que falar? Menine? Quem definiu essa ideologia é idiote!”

Tudo agora cai no chamado “Politicamente Correto” e isso, com toda certeza, tornou o mundo muito mais chato. O que iniciou na década de 80, foi uma tentativa de neutralizar ataques sofridos pelas minorias raciais, étnicas e LGBTs, mas logo se tornou um tipo de patrulha de esquerda, tornando-se uma forma de vitimização. Nada mais ridículo, para ficar em apenas num exemplo, do que assistir à nova versão dos TRAPALHÕES e ver o Mussum bebendo leite em vez da velha pinga (ou “mé”, como ele dizia, lembram?). Os chatos do politicamente correto pressionavam argumentando que na versão original, as crianças seriam influenciadas. Pura idiotice de quem é, no mínimo, descerebrado. Inúmeros (hoje) adultos viram a versão original do quarteto, é fato, e nem por isso tornaram-se alcoólatras.

É notório que nossas chatices estão transformando em criaturas insuportáveis todos à nossa volta. Não dialogamos mais, aliás, nem sequer ouvimos com a devida atenção quem nos dirige a palavra. Discordamos de tudo e de todos, mesmo não tendo fundamentos ou argumentos a nosso favor. Queremos impor nossas ideias, simplesmente.

Digo ainda mais: priorizamos a aparência e nem sentimos necessidade de conhecer a essência das pessoas e das coisas. Além de darmos prioridade, vivemos (não generalizando, claro!) de aparências, usando máscaras de acordo com nossas conveniências. Dessa forma, temos um discurso engajado e nem nos damos conta (ou se percebemos, somos ainda mais hipócritas) do quanto somos preconceituosos e reacionários. Já ouvi muita gente afirmar nas rodas de conversa que “homofobia é crime” etc. é tal, porém, no seu microuniverso, tem ojeriza a gays e lésbicas. Hipocrisia é o nome disso!

A situação é séria e não convém brincarmos de cidadania. O tempo das brincadeiras já findou. Os discursos, não raras vezes, culminam em violência física e até assassinatos (a exemplo do mestre capoeirista Môa do Katendê). O que esperar de uma sociedade dividida, reacionária, pobre e sem educação/estudo, tendo acesso a armas de fogo? Vou me ater de responder, pois é uma pergunta teórica, óbvio!

Tenho uma convicção e não largo mão dela: no dia que aprendermos a andar de mãos dadas, chegaremos muito mais longe como nação. Como conseguir isso? Aprendendo a ouvir as diferenças e respeitando o que o outro pensa, mesmo que discordemos. Ah, lembrando também que nós somos muito mais que os nossos erros.

 

*Márcio Borges (professor de Literatura, autor de MEU OLHAR DE MEDUSA, POESIAS PARA A NOITE e CAMA DOCE, ALCOVA AMARGA)

A GENTE SÓ QUER EXISTIR


Hoje eu acordei me sentindo meio estranha.

Já ouviram aquela frase de que “é muito mais difícil ser feliz quando se é uma mulher informada?”

Não impossível, eu diria.

A gente têm bons momentos.

Eu sou feliz em muitos momentos, e os valorizo.

Mas, é que às vezes dói.

Ouvi dizer que é preciso pra melhora chegar.

Um dia. Uma hora. Aos poucos, que seja.

E, gente: dói ser mulher.

Dói todo dia sem exceção ser assediada, objetificada e subestimada simplesmente por existirmos.

Dói TODO DIA ouvir relatos monstruosos sobre feminicídio.

Estatísticas subindo mais de oito por cento em 2018.

Estatísticas subindo relacionadas a estupros, abusos, e outras barbáries.

E ah, também dói acordar.

Dói perceber a posição de privilégio.

Dói reconhecer os próprios preconceitos.

Mas é necessário.

Convido a você que está lendo isso a fazer uma reflexão sobre si, de peito aberto, a entender quais são tuas discriminações e de onde surgiram.

Todos, sem exceção, somos frutos de uma sociedade patriarcalista machista e misógina, mas não queremos mais.

Cada vez mais aceitamos menos.

E ó: não precisa ser protagonista de uma luta específica pra dar as mãos e andar junto.

Usem seus privilégios para darem voz a quem não tem.

Unimos-vos simplesmente por sermos seres humanos e, por obrigação - não mais do que devemos - sermos empáticos.

A gente não quer deixar de fazer coisas por sermos mulheres.

A gente só quer existir.

A gente só quer igualdade.

A gente só quer poder ser a gente.

A gente só quer justiça.

A gente só quer ser feminista.

A gente é. *Isabella Silveira ex-moradora de Santa Inês, é formada em Direito, modelo, atriz, cantora e contratada da Távola 4/ Mesa 42/ São Paulo / Brasil, onde reside atualmente. Tem mais de 125 mil seguidores no Instagram onde suas fotos  já foram vistas mais de 15 milhões de vezes.  @ZABELLA

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 16/03/2019

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Palavras-chave: LITERATURA LITERALMENTE

Fonte:

Big Systems
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