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Agora Santa Inês - BRASIL VIVE DESORDEM INSTITUCIONAL

BRASIL VIVE DESORDEM INSTITUCIONAL

Por   Jorge Oliveira

Atenas, Grécia – Ao chamá-los de cretinos e incompetentes, o ministro Gilmar Mendes, do STF, jogou pesado contra os procuradores da República do Paraná, liderados pelo Deltan Dallagnol. Não conheço, na minha carreira jornalística, tamanha ofensa a um poder constituído. Mas também devo dizer que jamais vi tamanha cara de pau como a desses procuradores da Força Tarefa que tentaram se apropriar de R$ 2,5 bilhões da Petrobrás para criar uma fundação que só eles – isso mesmo, só eles! – iriam administrar o dinheiro. A indignação de Gilmar reflete muito bem o autoritarismo de que se revestiu a turma dos procuradores paranaenses que acha que pode criar uma república independente aproveitando-se do apoio popular à Lava Jato. Evidentemente que há uma desordem institucional no país. Mas nesse caso, as instituições movimentaram-se imediatamente para impedir a criação da fundação. Apenas as associações corporativas acenaram com apoio aos procuradores, pois estão aí para isso: não deixar que a lama suba ao andar de cima. Raquel Dodge, Procuradora-Geral da República, disse “não” à República do Paraná. Por isso sofre repúdio da classe pela sua independência, zelo e honestidade à frente do PGR. Mas como já demonstrou em outras ocasiões prefere a lisura dos seus atos ao spiritus corpus. A apoiá-la, o STF. O ministro Alexandre de Moraes de uma tacada só impediu o desenvolvimento da fundação e bloqueou todo o dinheiro que Dallagnol negociava na Caixa Econômica como se fosse um agente financeiro.

Menos de uma semana depois, viu, com espanto, seu padrinho Michel Temer, que o indicou para o STF, ser preso, sem culpa formada, depois de ter seu carro interceptado em uma rua de São Paulo por policiais fortemente armados, que cumpriam um mandado de prisão do juiz Marcelo Bretas, do Rio de Janeiro.

Ora, já disse aqui – e repito: os procuradores transformaram a repartição pública onde trabalham numa célula política. Com perfil de direita, eles tentam contrapor o avanço de outros partidos que não se alinham aos seus propósitos. Não foi à toa que Sérgio Moro rasgou a toga e jogou-se nos braços do Bolsonaro, não sem antes fazer-lhe um grande favor às vésperas das eleições: revelar as delações premiadas do Palocci que detonavam o Lula e a Dilma, consideradas até hoje denúncias vazias e inconsistentes. Agora, depois de desautorizado por Maia, presidente a Câmara, que o criticou por ter copiado o projeto anticrime do então ministro Alexandre de Moraes, quando esteve na justiça, Moro assistiu a prisão do ex-ministro Moreira Franco, sogro do ex-presidente da Câmara, de camarote, notícia que sabia 24h antes. Coincidências, apenas isso.

Gilmar Mendes denunciou a República do Paraná, acusando-a de agir como um partido. E perguntou, desconfiado, como seria gerida essa fortuna nas mãos dos procuradores. Descontados os arroubos do nobre ministro – que não tem papas na língua – e os seus excessos verborrágicos não muito bem digeridos pelos procuradores — o certo é que a nação estaria sendo engambelada por quem exatamente tem a obrigação de cumprir a lei. O esquema com o dinheiro público foi abortado. E se a operação obedeceu aos critérios da decência, por que então o senhor Dallagnol desistiu da criação da fundação ante ao clamor das críticas. Acuados, os procuradores agora acusam o STF de esvaziar a Lava Jato quando transfere para justiça eleitoral os crimes de caixa 2 e seus agregados. Cobra postura e mais coerência dos ministros, mas, no fundo, estão ressentidos com a decisão da Corte de cortar suas asinhas financeiras.

A Lava Jato faz cinco anos. Deixa um resultado positivo, pois durante certo tempo, sob o aplauso e apoio irrestrito da população, trabalhou para tentar limpar o país dos empresários e políticos corruptos. Mas, agora, diante dessa aberração da manipulação do dinheiro público que a fragiliza, passa um filmezinho pela cabeça de cada um de nós e algumas perguntas: Será que não se cometem injustiças contra pessoas denunciadas pelas delações premiadas? Será que os procuradores não foram contaminados pela mosca azul, quando se intitularam de “intocáveis”, de paladinos da honestidade? Será que não se criou no Brasil a indústria das delações, fazendo a fortuna de advogados (muitos recém-formados) e novos escritórios de advocacia desta nova modalidade de trabalho? Será que os procuradores não agem com conotação política, criando um poder paralelo? Será que não estamos vivendo uma ditadura do judiciário? Ditaduras, sejam de esquerda ou de direita, nenhuma delas é palatável à democracia. E quando ela é instituída pela própria justiça, infelizmente, tem outro nome: tirania.

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 27/03/2019

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Palavras-chave: BRASIL VIVE DESORDEM INSTITUCIONAL

Fonte: Por Jorge Oliveira

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