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Agora Santa Inês - LITERATURA LITERALMENTE

LITERATURA LITERALMENTE

EU SIMPLESMENTE AMEI!


A convite da minha dileta amiga a carismática e simpaticíssima Cleo Rolim, estive no último dia 02 (Dia Internacional do Livro Infantil) no Espaço Cultural AMEI e na Livraria AMEI, no São Luís Shopping , na capital do Estado, fazendo o que muito me apraz que é interagir com crianças. Lá, autografei exemplares da TARTARUGA FOFOQUEIRA E OUTRAS ESTÓRIAS, batemos um papo literário muito descontraído e, ao final, trocamos um desenho de criança por um exemplar da obra. O Projeto A TARTARUGA FOFOQUEIRA PELA ESTRADA AFORA, pegou a estrada literalmente e graças ao incentivo de algumas empresas de Santa Inês e Pindaré-Mirim, assim como de muitos amigos e amigas que compreendem que EDUCAÇÃO É TUDO, não demora iremos muito mais longe levando leitura de boa qualidade, trocando informações com a criançada a respeito de valores que às vezes deixamos um pouco de lado,  além de outra coisa que também me enche de prazer que é levar o nome de Santa Inês PELA ESTRADA AFORA de uma forma super positiva. Fica aqui registrado o meu agradecimento às professoras da Escola COC que muito contribuíram para o sucesso do evento, para minha queridíssima amiga Cleo Rolim e seu esposo Soham Jñana e todo o pessoal da Associação Maranhense de Escritores Independentes, a AMEI. A julgar pelo contentamento das crianças eu creio que elas gostaram muito, quanto a mim, eu simplesmente AMEI!

Por Luís Henrique Sousa Costa*

 

 

ARRANQUE AS MÁSCARAS OU MORRA FINGINDO


É espantoso como o isolamento, a indiferença e a solidão nos fortalece como o bom adubo à planta. É ainda mais espantoso como criamos anticorpos para que não nos abalemos, além do que é normalmente suportável. Aprendi o valor disso na prática. Mil livros não me ensinariam da mesma maneira nem com o mesmo deslumbramento. Se me conhecessem profundamente, saberiam o quanto me sinto liberto dessas máscaras que, para sermos aceitos, colamos no rosto como se fossem nossas verdadeiras facetas. Sorrir para agradar ou chorar para comover só nos diminui como seres humanos. E, apesar de aceitarem nossas emoções mentirosas, as pessoas percebem o quanto de hipocrisia as máscaras escondem. Portanto, sorria, ou melhor, dê gargalhadas verdadeiras e, se for o caso, chore de verdade. Assim, você irá encorajar outras pessoas a se despir das máscaras... ou afastar de vez aquelas que já não sabem mais onde estão seus rostos.

Aprendi uma lição que todos nós, em algum momento, vai encarar: a solidão pode ser uma ótima companhia, desde que você tenha consciência do motivo de estar só. Ficar se vitimizando ou mendigando afetos – que, se vierem, será por caridade – só nos coloca no degrau da mediocridade, tão comum nos dias de hoje.

A belíssima escritora Martha Medeiros é reveladora ao dizer: “Sou como um cristal nas tuas mãos. Se me polir, eu brilho; se me derrubar, eu corto!”.

 

*Márcio Borges

(numa epifania, à noite)

 

 

SALGADO MARANHÃO: UM DISCURSO QUE É A LIBERDADE DOS INJUSTIÇADOS


Não me canso de ter alegrias com a leitura. Desde o primeiro instante em que descobri a poesia de Salgado Maranhão, senti um sorriso esperançoso, nos meus olhos de quarenta anos. Tem ali uma sinceridade ética,  capaz de nos ensinar o humanismo, perdido, nestes tempos de culto à ignorância.

Salgado é um poeta premiado. Reconhecido. Elogiadíssimo pela crítica acadêmica, amado pelos leitores do mundo. Ele sabe construir imagens, quando se derrama sobre o mar de enigmas, que cobre a vida. Tem uma visão ancestral surpreendente, porque passa a limpo muitas dores e feridas do homo sapiens sapiens demens.

Escolhi um poema do livro A Cor da Palavra para fazer uma análise discursiva. É uma coletânea da fase madura, lançada em 2009, com o qual ganhou o prêmio de poesia, em 2011, da Academia Brasileira de Letras. Nela o autor mostra-se um encantador de discursos. Sabe traduzir o golpe das nuvens, nas palavras. Inverte a lógica, criando uma mais ampla e múltipla.

Elegi, portanto, Deslimites 10 para compreendermos melhor o sujeito discursivo, em Salgado Maranhão:

 eu sou o que mataram

e não morreu,

o que dança sobre os cactos

e a pedra bruta

– eu sou a luta.

o que há sido entregue aos urubus

e de blues

em

blues         

endominga as quartas-feiras.

– eu sou a luz

sob a sujeira.

(noite que adentra a noite e encerra

os séculos,

farrapos das minhas etnias,

artérias inundadas de arquétipos)

eu sou o ferro. eu sou a forra.

e fogo milenar dessa caldeira

elevo meu imenso pau de ébano

obelisco as estrelas.

eh tempo em deslimite e desenlace!

eh tempo de látex e onipotência!

 

(MARANHÃO, 2009, p. 95)

O sujeito do discurso é afetado pelo funcionamento da sua subjetividade e pelo funcionamento da história social de sua gente. Todo discurso trás, na seiva, o ácido da ideologia. Não há enunciado, sem esta marca.

Então, nos termos de Pêcheux (1988, p. 133-134), “o recalque inconsciente e o assujeitamento ideológico estão materialmente ligados, sem estar confundidos”. No interior, do poema tem a denúncia do africano, marcado pelo olhar injusto da escravidão (numa cena sociológica continuada): “eu sou o que mataram/ e não morreu,/ o que dança sobre os cactos/ e a pedra bruta/ – eu sou a luta”.  O explorado assume as contradições do espaço histórico, sem apresentar as queixas de um derrotado, mas afia os lábios da esperança ao assumir a luta. A guerra contra todas as injustiças, impostas por um mundo de poucos privilegiados, num país escravista, desde o zero ano.

No corpus, em análise, há as marcas de um tempo pretérito que acompanha o sujeito poético: “(noite que adentra a noite e encerra/ os séculos,/ farrapos das minhas etnias,/ artérias inundadas de arquétipos)/ eu sou o ferro. eu sou a forra”. Aqui temos as marcas de uma memória ancestral, ainda machucada pelos golpes da incompreensão. Fecha esta estrofe com o metal resistente para assumir-se liberto.

Talvez, seja o grito de todos nós. Uma reparação das ofensas que já sofremos. Um poeta universal tem esta capacidade de dizer um sentimento que é da sua comunidade, como o faz Salgado Maranhão.

Enfim, o poema é uma bola de significação. Está em constante movimento. Não cai. Não para nunca. Carrega o sujeito coletivo para inaceitabilidade das regras, no jogo do poder: “e fogo milenar dessa caldeira/ elevo meu imenso pau de ébano/ obelisco as estrelas./ eh tempo em deslimite e desenlace!/ eh tempo de látex e onipotência”. Fecha o texto com um golpe de clareza e crítica, de maneira que torna-se a grande voz da liberdade, na poesia brasileira contemporânea.

TEXTO: PAULO RODRIGUES – Professor de literatura, poeta, escritor e autor de O Abrigo de Orfeu (Editora Penalux, 2017); Escombros de Ninguém (Editora Penalux, 2018).  

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 06/04/2019

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Palavras-chave: LITERATURA LITERALMENTE

Fonte:

Big Systems
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