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Agora Santa Inês - Desonestidade

Desonestidade

Pergunto-lhes: o que é ser desonesto? Como pode uma sociedade conviver com tais pessoas se já se sabe como agem? Essas figuras têm algum problema mental, emocional, de caráter ou de personalidade? Como reconhecer um desonesto? Porque permanecem sendo desonestos embora já desmascarados? Os desonestos se sentem culpados ou arrependidos por provocarem danos a outrem? Essas são algumas das perguntas cruciais que a ciência está atrás de responder, porque a cada dia aumenta o número dessas pessoas em nossa sociedade.

Confesso, que nuca ouvi tantos comentários sobre a desonestidade como as vistas nos dias atuais. Parece algo comum, corriqueiro, habitual, as pessoas trapacearem umas às outras.  É uma enganação disseminada ao ponto de todos nós nos tornarmos inseguros em tudo que se venha a fazer. Não é à toa que nunca se comentou tanto sobre desonestidade quanto nos dias atuais, por isso mesmo esse tema está na ordem do dia e frequentemente aparece nos noticiosos, nas rodas de conversas, nos discursos inflamados, nas mídias sociais. O assunto está em quase todos os lugares.

Em Michaelis, desonestidade é falta de honestidade; ação, comportamento ou dito que ofende a moral ou o pudor; ausência da integridade ou de retidão com as coisas alheias; torpeza; deturpação da verdade; que age ou se comporta com má-fé.

Os desonestos são conhecidos, largamente, através de inúmeras pechas: mentirosos, falsários, corrutos, imorais, além de debochados, indignos, canalhas, crápulas, infiéis, bandidos e de muitas outras designações. Na realidade, trata-se de alguém que habitualmente mente, trapaceia, debocha e dá golpe nas pessoas ou em grupos de pessoas. O desonesto, quer sempre se dá bem em tudo que faz, mesmo que para tanto ajam de forma imoral, desleal ou indigna. São pessoas insaciáveis, querem tudo e agem, preferentemente, sem desprender esforços para alcançar seus objetivos.

Há quem diga que todos nós somos desonestos ou que o seremos em alguma época da vida. Outros, dizem que a honestidade tem um preço e que todos nós em distintas proporções, a praticaremos. Outros, não acreditam nisso e colocam tais questões no âmbito das possibilidades e não como algo factual ou que estejam em nosso DNA. Essas afirmações, se são verdadeiras ou não, não será objeto das reflexões desse artigo, me parecem, todavia, que são questões relevantes, que devem ser examinadas, pois nos remetem a aspectos da psicologia, da psiquiatria, da antropologia, da sociologia e quiçá, da genética humana. Além do mais, tais questões devem ser, de fato, esclarecidas, pois, queiramos nós ou não, tais questões nos colocam em conflitos com a ética, com a moralidade, com a religiosidade, com nossa consciência e com nossa vida social. 

Os desonestos obedecem a uma certa escalada no cometimento de seus crimes. Isto é, essas pessoas iniciam suas atividades criminosas de forma sutil e discreta, cometendo pequenos furtos, mentindo e praticando pequenos crimes e isso segue em um crescendo, até que mais na frente, se tornam hábeis mentirosos, enganadores e criminosos.  Os crimes passam a ser comuns, mais volumosos, ao mesmo tempo em que se tornam indiferentes ou insensíveis às suas ações.

Por outro lado, estudos de neurobiologia dos comportamentos, com enfoque em pessoas que praticam desonestidade, identificam a amígdala cerebral, órgão que faz parte do sistema límbico e importante centro regulador do comportamento sexual, de reações agressivas e de respostas emocionais, como um órgão importante do nosso cérebro relacionado com esses comportamentos. A amígdala é responsável por processar as emoções humanas, ao ponto de em sua extirpação bilateral provoca a Síndrome de Kluver-Bucy, caracterizada entre outras coisas pela ausência de respostas agressivas, por comportamento cortez exagerado, pela oralidade e pelo hipersexualismo.

É bom lembrar, todavia, que não é somente a disfuncionalidade da amígdala ou do córtex pré-frontal ou mesmo outras estruturas do cérebro, que por si sós, irão produzir comportamentos desonestos ou criminógenos, pois há muitos outros estudos que demonstram que tais comportamentos estão também relacionados à genética, às condições de educação, ao desenvolvimento psicossocial das crianças, as condições de nascimento, aos problemas infantis e familiares e a muitos outros fatores de natureza biológica, psicológica e social.

Do ponto de vista, ético, criminal, político e social, o nosso país, está passando pela maior de todas as lutas no rumo da honradez e da moralidade no trato da coisa pública, através das ações da Operação Lava–Jato. Ela, consegui a um só tempo, desbancar muita gente de seus pedestais e os levou para as grades. Crimes como formação de quadrilha, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, estelionato e muitos outros, foram entre tantos os crimes mais comuns identificados pela Operação. Com isso ela vem empreendendo uma verdadeira lavagem ética na prática política, na gestão pública e nas relações público-privada com empresas de diversos setores, entre as quais as da construção civil.

Uma outra questão importante, ao se discutir esse assunto, é saber-se, se a prática da desonestidade é algo comum e corriqueiro ou é uma atitude isolada, esporádica ou eventual, na vida de uma pessoa. Os desonestos, em princípio, repetem seus crimes de forma regular e constante e não de forma isolada ou eventual, como pode ser visto em muitos casos. São também, inescrupulosos, traiçoeiros, maledicente e mentem muito. Em geral, eles não dispõem de autocrítica, suficiente, para frear seus intentos antiéticos e criminosos. Da mesma forma como não dispõem de mecanismos de autocontrole, internos à sua pessoa, para avaliarem os danos e prejuízos que são capazes de provocarem com suas atitudes a outros ou à sociedade.

Outra questão relevante identificada em estudos bastante consistentes na área da Psicologia, da Psiquiatria e da Neurociência, demostram que a indiferença afetiva, a falta de ética, a mentira sucessiva, a vaidade (narcisista), a falta de arrependimento, culpa ou remorso ou mesmo impunidade em atitudes que prejudicam outros seres humanos, são condições que poderiam significar algo muito além de simplesmente ser de um traço de alguém mau-caráter ou de um desonesto. De tal forma que parece que a desonestidade é um comportamento que pode estar inserido em transtornos psicopatológicos graves na personalidade de algumas pessoas e isso torná-los predispostos a agirem dessa forma.

 

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 13/04/2019

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Palavras-chave: Desonestidade

Fonte: Por Ruy Palhano

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