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Agora Santa Inês - A violência, nossa de cada dia

A violência, nossa de cada dia

É cada vez mais desanimadora a possibilidade de nós, nos próximos anos, vivermos em uma sociedade que viva em paz, embora seja esse o grande clamor nos dias atuais. Todos almejamos paz, justiça, mais igualdade social e sobretudo, por mais segurança. Este último apelo cresce em proporções avassaladoras em consequência do aumento dos índices de violência em nossa sociedade. Desejar, saúde e paz aos outros é o que mais se faz ao nos solidarizarmos com alguém.

É um tema que abastece a grande mídia nacional. Não me recordo de ter visto um jornal, ler uma revista, ou escutar um rádio, em que não se destaque notícias envolvendo a violência E são violências praticadas de todos os tipos, envolvendo crianças, adultos, idosos, homens, mulheres, seja lá quem for. Vejam, que boa parte do tempo dos noticiosos, dos telejornais e de outras mídias, entre as quais, as ditas sociais, veiculam conteúdos violentos e muitos dos quais cruéis. Os anos passam, as reclamações se avolumam e parece que estamos imobilizados diante do avanço assustador da violência, entre nós.

A violência, sob qualquer ótica que a examinemos, nos leva a considerá-la como um epifenômeno, que tem raízes profundas nas pessoas e/ou em suas relações sociais, onde um grande número de fatores, de diferentes matizes, concorre para sua expressão. Há, correntes de pensadores e de estudiosos do assunto, entre os quais, sociólogos, psicólogos, antropólogos, juristas, psiquiatras e outros tantos profissionais, que consideram a violência como uma espécie de “ponta de um iceberg”, onde suas raízes estariam submersas e o comportamento violento seria o “pano de fundo”, isto é, seu fenótipo. É como se a expressão visível da violência fosse um sintoma próprio de uma doença, e esta, por sua vez, expressaria seu quadro clínica através desse sintoma.

Por outro lado, há os que acreditam que devido a sua forte presença na sociedade e dos graves problemas a ela relacionados, a violência se tornaria, fenomenologicamente, “a doença” e não o sintoma, com identidade, autonomia e independência dentro do contexto, onde aconteça. Nessa perspectiva, a violência geraria a própria violência e vive versa.

Algo parecido, ao que ocorre com alguém que tenta se matar. Os fatores, que eventualmente, são apontados como causa para tal procedimento, passaram a ser secundários e a própria tentativa de suicídio, não consumado, passa a ser o mais importante fator preditor para outras tentativas. Por isso, os cuidados especiais que teremos que ter com todas as pessoas que tentam suicídio e mão morrem. Aqui também, causa e efeito se confundem.

Nas duas possibilidades acima, isto é, a violência como sintoma ou como doença, se percebe que em ambas as possibilidades, há muitas verdades. A violência, da forma como se revela nos dias atuais, se dá em um “continum”, isto é, uma coisa se transforma na outra e vice-versa, muito embora nãos saibamos onde está a fronteira de uma coisa ou da outra.

Por exemplo, se uma pessoa sofre violências, desde cedo, na vida, terá todas as chances para reproduzir esses comportamentos, ao longo da vida. Pois foi isso que ele aprendeu, sentiu e viveu e isso está incorporado a sua vida. Essa pessoa passa a ser, ele mesmo, sintoma e causa ao mesmo tempo dessa situação.

 Na sociedade, quando as práticas da violência passam a ser comuns e corriqueiras como o que ocorre nos dias atuais, essa mesma sociedade, embora a repudie, tende a se acostumar com ela, fazer pouco caso, se tornar indiferente, se tornar insensível, e em muitos casos, passam a reproduzir tais comportamentos, de diferentes maneiras. Atualmente, as pessoas parecem insensíveis, indiferentes, a banalizam, independente da forma como ela aconteça.

Além disso, imersos, nesses problemas, só nos damos conta das nossas inseguranças e nada mais. Nos sentimos, desprotegidos, desamparados, imobilizados e impossibilitados de reagirmos. As manifestações de indignação, de repúdio contra essas coisas todas, são efêmeras e pouco impactam sobre o núcleo gerador da violência. São manifestações localizada e isolada e fatuais, dissonante das medidas públicas que poderiam ser utilizadas para o enfrentamento da situação.

Assim, surge um novo ser humano inseguro, violento, inseguro e indiferente as coisas que lhe acontece. Um homem, autor e vítima do próprio comportamento. A produção desse homem social, demonstra que ele é sintoma e a própria doença da sociedade atual. Fabricado dessa forma, nos tornamos, indiferentes, frios e insensíveis. E, é este homem que produz, fabrica e cultiva a violência.

E com ele nasce um novo mundo, moderno, tecnológico, atraente e sedutor que guarda um homem predador, indiferente, voraz, cruel, arrogante, onipotente e ávido pelo poder, pela posse. A ética lhe faz mal e a bondade lhe assusta. A crença, fé, a solidariedade e o humanismo, lhe causa insegurança.

A insegurança é tão grande que cada um de nós vive como se fossemos morrer amanhã, se faz tudo rapidamente e do nosso modo. Estamos perdendo a capacidade de esperar, relaxar e contemplar. Matamos os outros, animais e seres humanos, como se não fizessem parte de nós, ou como se fôssemos nossos próprios inimigos. Destruímos o meio ambiente, e tudo à nossa volta, como se não fizessem parte de nosso universo. Exortamos o ódio como se fosse um instrumento de defesa, ou uma arma de guerra, não sabendo que o ódio destrói a quem o sente e não, por quem se sente.  Eis, a matriz da violência, o homem. Em sua magnânima, sabedoria, ainda não aprendeu a amar.

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 27/04/2019

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Palavras-chave: A violência, nossa de cada dia

Fonte: Por Ruy Palhano

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