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Agora Santa Inês - LITERATURA LITERALMENTE

LITERATURA LITERALMENTE

CERTAS HEROÍNAS


Por Luís Henrique Costa*

Eu certamente não seria a pessoa centrada que sou hoje, disciplinada e focada no sucesso, movido por uma fé inabalável e consciente que minha missão é antes de ser servido, servir, não fossem as heroínas que passaram por minha vida e forjaram o meu caráter. A minha avó materna, Antonina Rodrigues, passava horas a fio me contando histórias e todas elas enaltecendo os valores que os seres humanos precisam carregar até o final dos seus dias. Vó Antonina me falava coisas que hoje nesses tempos da maldade gratuita parecem banais, mas não são. Minha mãe, Tereza de Jesus Sousa Costa, fazia era autorizar as vizinhas a nos repreender se fôssemos flagrados em atitudes dissonantes das regras da boa educação e ai de nós se fôssemos retrucar ou discutir com uma pessoa mais velha que nos chamasse a atenção. Minhas professoras tinham era carta branca até para punir e se a punição fosse branda em casa ainda tinha mais. Além dessas, muitas outras marcaram de forma positiva a minha vida. Tenho um grande exemplo dentro da minha família que é a minha irmãe Concita Costa, que desde a mais tenra idade dedicou-se aos livros e ao trabalho e é para mim exemplo de bom caráter e retidão. Teve aquela que me deu o meu filho biológico, o Laércio Bruno. Eliane Maria não habita mais o mundo dos vivos, mas me deu dois filhos maravilhosos, além do Laércio Bruno ganhei o Reylan que tem um pai biológico gente fina, o meu amigo Reinaldo, e é um filho que eu amo não obstante a consanguinidade. Passou por minha vida também outra heroína, a mãe das minhas filhas, Maria de Jesus Marques Rodrigues que a despeito do casamento não ter dado certo, tenho muito respeito por ela, também pelo fato de ser uma mulher guerreira, daquelas que não fogem das lutas.  Eu posso elencar aqui milhares de heroínas. Em nível de Santa Inês eu posso citar in memoriam as professoras: Conceição Freire, Marcelina Nóia Alves, Dona Zeca, Izabel Cristina e tantas outras que dedicaram suas vidas ao ofício de educar os filhos de Santa Inês. Posso citar outras, que estão aí na luta cotidianamente, a exemplo de Tereza Cristina Coelho Vieira, Rosicleide Araújo (Dona Rose), Sebastiana Salomão Ferreira (a Sebastiana do Tuta) como ficou conhecida, a mãe do meu amor, Rosa Campos que, além de uma grande profissional é uma grande cidadã e uma grande mãe, e são mulheres assim por quem eu direciono meu respeito mais profundo porque são exemplos de trabalho, bom caráter e retidão. Creio que não existe nada mais justo que reconhecer o valor das pessoas, ainda mais quando essas pessoas são mulheres a quem cabe perfeitamente o título de heroínas... de verdade.

*Luís Henrique é Professor, Escritor, Comendador e membro da Academia de Letras de Santa Inês

 

 

FRANS KAFKA DEVOLVE O MINISTRO PARA O MOBRAL

“sábio é aquele que reconhece os limites da própria ignorância”

(Aristóteles)

 

Por PAULO RODRIGUES*

 

Sou leitor andarilho. Vago pelas estradas da beleza. Encontro Frans Kafka na ida e na volta. Chorei muitas vezes ao ler Carta ao Pai. Um texto profundamente angustiado, perturbador. Com uma capacidade própria de torturar o leitor.

Sem coragem de entregar a carta ao déspota. Pede este favor para a mãe. Tempos depois, ela devolve-a ao escritor, que faz correções, com a intenção de realizar uma mesa de perdões, mas acabou não acontecendo. Foi um filho torturado por um pai agressivo. Em certo momento das lembranças, é narrada a noite em que Kafka dorme fora da casa, no inverno, sozinho, porque pediu água ao pai.

É certa, bem certa a exclusão do autor.  Foi marcado por essa relação com a figura do pater famílias (arrogante, estúpido, grosseiro, desumano). Quando lembro a Metamorfose e revejo a cena da maça entrando nas costas do horrendo inseto. Sinto meu pai me mutilando. Sinto todos os pais devorando seus filhos, sem remorsos. Não há arrependimento ao longo da trama. Há inclusive alívio. Os improdutivos pesam nos ombros do mundo.

Paro no Processo. Josef K. acorda certa manhã e é processado. O crime não é especificado, um tanto incompreensível, mas o drama está ali batendo na porta, sem descanso. O ambiente é o da distopia. Salvador Dali abre os olhos do protagonista com cenas surreais. As palavras buscam a confissão do não realizado como se procurassem o verbo inicial de Deus.

Poderia falar mais. No entanto, paro neste ponto para me referir ao Ministro da Educação, Abraham Weintraub, que esteve no dia sete de maio de 2019, no Senado Federal, numa audiência trágica. O estudioso de Olavo de Carvalho afirmou descaradamente que os governos anteriores investiram, em excesso, na educação. Um erro imperdoável para a elite, descendente dos donos dos escravos e grileiros, que garantiu até mil novecentos e sessenta, apenas quarenta por cento de vagas para a população, no sistema de ensino nacional.

Na fala dele estavam implícitas as perguntas: Por que pobres, negros, mulheres faveladas devem estudar? Que besteira é essa de oferecer Filosofia e Sociologia para esses vagabundos? Quem não tem dinheiro faz curso técnico e continua escravo contemporâneo?

A resposta já sabemos. Luis Nassif disse recentemente: “não tem mensagem subliminar no governo Bolsonaro. Eles são ignorantes. Passaram pelo ensino formal, sem alcançar um razoável letramento”. Tanto é assim, que o referido ministro virou meme entre os internautas ao confundir o genial romancista com um prato árabe.

Minha vó dizia sempre: “o Mobral fez eu colocar os pés no chão e os olhos na minha ignorância”.

TEXTO: *PAULO RODRIGUES – Professor de Literatura, Poeta, Escritor, Comendador, Membro da Academia Poética Brasileira e autor dos livros O Abrigo de Orfeu (Editora Penalux, 2017); Escombros de Ninguém (Editora Penalux, 2018).  

 

 

REFLEXÕES DA ZABELLA

 

O respeito pelos mais velhos

Às vezes sinto como se a bênção de algumas pessoas caminhassem comigo, independentemente de eu viver a milhares de quilômetros de distância.

Quando me volto pra essas fotos tiradas dias atrás, visitando meus pais e parentes em geral em Santa Inês no Maranhão,  lembro da importância que tem escutar os mais velhos.

Não que a gente concorde sempre com eles.

Não que tenhamos tido as mesmas oportunidades.

Vivenciado as mesmas situações para compreender.

Não que tenhamos vivido tanto quanto.

Não que sejamos inclusive menos inteligentes.

Aí, é aí que está: escutar é aprender e entender de certo moda a história de alguém;

por mais que essa história já tenha sido repetida mil vezes pela mesma criatura.

A gente só perde quando tenta ser o mais esperto dos seres tentando mudar as crenças ou ideologias dos nossos avós e idosos ao redor.

É preciso que haja apreço pelo trajeto alheio.

Sabe, eu sinto muito por minha vó Rosa não ter tido as oportunidades que eu como mulher tenho, no mundo de hoje, apesar de todas as tragédias cotidianas. Sinto muito pela Dindinha (foto) também.

Por isso mesmo, respeito.

Admiro!

Tenho paciência.

Quero dar o meu melhor, por elas também.

O fardo é de todo mundo, afinal,

todo mundo sofre com as mazelas desde que o mundo vive; e ele só é melhor quando a gente, antes de mais nada, ama, escuta, e não julga; mas respeita e ensina.

 

*Isabella Silveira ex-moradora de Santa Inês, é formada em Direito, modelo, atriz, cantora e contratada da Távola 4/ Mesa 42/ São Paulo / Brasil, onde reside atualmente. Tem mais de 128 mil seguidores no Instagram onde suas fotos  já foram vistas mais de 12,5 milhões de vezes.  @ZABELLA

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 11/05/2019

Visitas: 102

Palavras-chave: LITERATURA LITERALMENTE

Fonte:

Big Systems
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