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Agora Santa Inês - LITERATURA LITERALMENTE

LITERATURA LITERALMENTE

GOLPES DE MARTELO, O ROCK E A POLÍTICA BRASILEIRA


“Quebrar os ídolos a golpes de martelo”, quando me veio à cabeça essa sentença, pensei logo no quadro politico brasileiro, que foi construído num alicerce oligárquico/ elitizado, nossa democracia é esmagada e pisoteada cinicamente, assistimos a uma polarização onde “os seus principais agentes” ganharam ares de deuses, cada um parece ter uma solução mágica, cada um leva a bandeira da pátria, estufam o peito e gritam a todos os pulmões: “queremos o bem desta nação” ou seriam os bens?

Renato Russo já dizia: “vamos celebrar a estupidez humana/a estupidez de todas as nações/ o meu país e sua corja de assassinos, covardes, estupradores e ladrões [...], o poeta do Rock Nacional apontava nas linhas ácidas de “Perfeição” as mazelas do nosso povo, mostrando um quadro humano pintado com a tinta da deturpação, o pincel da maldade, a tela da monstruosidade humana.

Outro que apontou os problemas do país foi Raul Seixas, ele mostrava “a solução” para o Brasil na letra satírica de “Aluga-se”: “a solução pro nosso povo eu vou dar/ negócio bom assim ninguém nunca viu/ tá tudo pronto aqui é só vir pegar/ a solução é alugar o Brasil” [...]. Raulzito mesmo usando de eufemismo e humor mostrou o que alguns políticos fariam no país tempos depois, vender as riquezas brasileiras por uma bagatela, como enfatizou o Maluco Beleza: “é tudo free [...] vamos embora dar lugar pros gringos entrar/ pois esse imóvel está pra alugar...” não deu outra, as profecias raulseixista se cumpriram.

Raul Seixas e Renato Russo deram marteladas nos ídolos construídos em nossa sociedade, Cazuza também gritou quanto ao rumo que a pátria mãe gentil tomava, dizendo: “Brasil! Mostra a tua cara!”, a banda Inocentes bradou: “pátria amada/ de quem você é afinal/ é do povo nas ruas/ ou do congresso?” golpes de martelo em forma de música, aliás, o Rock destruindo metafórica as bases de um mecanismo social devorador das camadas menos favorecidas.

 A Plebe Rude também martelou os pés de argila de nossos governantes dizendo: “com tanta riqueza por aí, onde é que está, cadê sua fração?” Onde está mesmo? Quem sabe na Suíça? Talvez em algum negócio familiar? Quem sabe nas negociatas? Nas obras inacabadas e que custaram cifras astronômicas? Uma coisa é certa, o destino de sua fração não é algo que te favoreça, pois no Brasil algo que funcione em benefício da população é um devaneio, um dos países que mais arrecada, mas devolve um serviço suíno.

Se quisermos uma amanhã diferente desta realidade sombria que vem sendo criada, pegue seu martelo e destrua esses ídolos que só operam milagres da multiplicação de seus bens, chega de comer as migalhas que caem das mesas dos que deviam servir-nos, porém, assistimos a um ataque voraz dos abutres que aí estão.

 

Evilásio Júnior

Poeta e Ativista Underground

INTERTEXTUALIDADE NA POESIA DO SILVEIRA


O jornalista Clélio Silveira Filho publicou na edição do dia 25 de maio de 2019, na página literária do Agora Santa Inês, um poema que conversa claramente com Carlos Drummond de Andrade. A intertextualidade é um recurso da escrita criativa para ampliar as possibilidades de olhar o mesmo objeto.

Fiorin comenta em dos seus trabalhos linguísticos: “a palavra intertextualidade foi uma das primeiras consideradas como bakhtinianas, a ganhar prestígio no Ocidente. Isso se deu graças à obra de Júlia Kristeva. Obteve logo cidadania acadêmica.  Ampliou a visão da análise literária”. Minha intenção fica clara. Farei um estudo do texto do meu confrade, que é também escritor, compositor, membro fundador da Academia de Letras de Santa Inês.

O texto do poeta mineiro fala sobre a solidão, o abandono do indivíduo perante o mundo, a falta de esperança e o beco escuro (sem saída), que enfrentamos muitas vezes ao longo da existência. É uma narrativa de recortes, capaz de conectar a todos nós. Silveira não faz diferente. Inicia assim:

 

E agora, José?

a cama está fria, a alma vazia

o sol já não brilha.

 

Recorre ao um homem banal, comum, de maneira que se refere também ao interlocutor. “O sol já não brilha” reproduz através da linguagem simbólica, a cegueira contemporânea. Estamos diante do espetáculo da transcendência contemplando a imanência. Viramos o dono do show que não se diverte, nem é feliz.

Só um ser letral preocupado consigo mesmo e com a situação humana cospe o veneno, depois de colocá-lo na boca:

 

A manhã chegou,

e não trouxe ninguém

a esperança se esvai

saudades do pai

tenente sem patente

uma lágrima cai.

 

A ideia de ‘vazio’ do original é mantida aqui. É claro que o Silveira amplia o olhar ansioso. A esperança rola com as lágrimas. Ele pinta a fragilidade quando nos falta a liberdade. Nos dois casos, temos um contato com a prisão. Não a simples prisão de um José, mas o cárcere dos desejos, dos sonhos.  

O sujeito poético compreende a lição. Fica isolado do mundo físico, no entanto segura na mão da palavra e pede uma nova chance. 

TEXTO: PAULO RODRIGUES – professor de literatura, poeta, escritor e autor de O Abrigo de Orfeu (Editora Penalux, 2017); Escombros de Ninguém (Editora Penalux, 2018).

“MORRE GABRIEL DINIZ”: Poeta zedoquense escreve sobre a fragilidade da vida


Apenas viva como se fosse seu último dia. Infelizmente a vida acaba para alguns, mas começa para outros. Viva! Faça mais! SEJA EXTRAORDINÁRIO!

MORRE GABRIEL DINIZ

A vida é frágil. E na sua fragilidade nos leva a pensar. Por que eu? Por que aconteceu? Acabamos por nos sentir frustrados por não conseguirmos entender as circunstâncias, em tentativas desesperadoras, tentamos responder perguntas nas quais nunca conseguimos compreender.

É difícil lidar com a saudade, com a perda, e até mesmo com a felicidade. Creio que nós humanos ainda não somos capazes de entender o que sentimos. É difícil acordar e ter um dia desconhecido pela frente, é difícil ter inúmeros conflitos e não sabermos como resolver. A preocupação em alguns casos resulta no que tememos, mas não mudamos.

Porque parece mais fácil lamentar-se pelo dia perdido do que tentar viver o outro de forma diferente.  É mais fácil chorar sufocando-se com sua dor, do que afrouxar o nó que te impede de respirar uma nova realidade. É, a vida é frágil! Mas na sua fragilidade nos mostra nossa capacidade de reinventar. Todos os dias temos a chance de fazer o que não fizemos ontem.

Sempre que dormimos a noite mostramos que somos fortes por sobrevivermos mais um dia. Não diria para você viajar, ou fazer uma loucura. Aproveitar a vida não se baseia apenas em realizar atos ousados ou até mesmos extremos, mas se simplifica no beijo dado na sua mãe, no eu te amo dito para seu irmão, amigo.

São gestos simples que nos eternizam e até mesmo nos fortalece. Os momentos são passageiros, mas as memorias nunca se vão.  Eu sei que seu dia está sendo difícil, e que em algum momento já pensou em desistir. Tudo bem! Dias ruins acontecem e podemos aprender com eles. Aprender a sorrir quando o mundo te fizer chorar, aprender a amar quando te ferirem, aprender a gritar quando for preciso, aprender abraçar quando precisar.

Por: Nathan Pareira

OS ENVIADOS DE DEUS

Por Gaudêncio Torquato

Governantes de todos os quadrantes não raro costumam escolher Deus como escudo. A história está pontilhada de referências a Deus. Em seus 40 anos de reinado, o ditador general Franco, “caudillo da Espanha pela Graça de Deus” referia-se sempre à Providência Divina, conforme passagens de seus discursos, como esta de 1937: “Deus colocou em nossas mãos a vida de nossa Pátria para que a governemos”. Os estatutos da Falange Espanhola o declaram“responsável perante Deus e perante a história”. Lembrete: a Falange Espanhola, criada em 1933 por José Antônio Primo de Rivera, foi um movimento e um partido político inspirado no fascismo.

Já os monarcas, ao correr da história, justificam a autoridade e a legitimidade sob a égide do direito divino, de onde deriva seu direito de governar, não dependendo nem mesmo da vontade de seus súditos. Hassan II, no Marrocos, se declarava descendente do profeta Maomé. Dizia: “não é a Hassan II que se venera, mas ao herdeiro de uma dinastia, a uma linhagem dos descendentes do profeta Maomé”.

Hirohito, imperador do Japão de 1926 até sua morte, em 1989, era visto como uma divindade. Criou fama, não só por ter uma realidade distante da população que viveu guerras e mortes, mas por construir uma aura divina. Ele nunca aparecia com roupas normais, sempre estava vestido com vestimentas dignas de um “imperador divino e perfeito”, como um deus que os japoneses acreditavam ser descendente da deusa do sol, Amaterasu.

O marechal Idi Amin Dada, ditador de Uganda, garantia ao povo que conversava com Deus, em sonhos, uma espécie de aval concedido a seus atos. Certo dia, um esperto jornalista joga a pergunta: “o senhor conversa com frequência com Deus”? Ele: “Sempre que necessário”. Já em Gana, os eleitores cantavam assim a figura de Nkrumah: “o infalível, o nosso chefe, o nosso Messias, o imortal”.

Por estas plagas, eleva-se aos céus a figura de Jair Bolsonaro. A quem um pastor evangélico do Congo, Steve Kunda, assim se refere: “Na história da bíblia, houve políticos que foram estabelecidos por Deus. Um exemplo quando falam do imperador da Pérsia Ciro. Antes do seu nascimento, Deus fala através de Isaías: ‘Eu escolho meu sérvio Ciro’. E senhor Bolsonaro é o Ciro do Brasil. O nosso Messias não teve dúvidas: jogou o vídeo nas redes sociais. E entoou: “Brasil acima de tudo; Deus acima de todos”.

O fato é que os governantes em países atrasados culturalmente (e até em mais desenvolvidos) costumam organizar seu próprio culto. Agem para que a imprensa cultive sua imagem que pode ser uma destas: herói, Salvador da Pátria, Super-Homem, Pai dos Pobres ou Enviado dos Céus.

Gaudêncio Torquato, jornalista, é professor titular da USP, consultor político e de comunicação [email protected]

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 01/06/2019

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Palavras-chave: LITERATURA LITERALMENTE

Fonte:

Big Systems
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