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Agora Santa Inês - LITERATURA LITERALMENTE

LITERATURA LITERALMENTE

Literatura...  Literalmente

As histórias de vida de duas escritoras negras brasileiras: Maria Firmina dos Reis e Maria Carolina de Jesus

“Sei que pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem o trato e conversação dos homens ilustrados, que aconselham, que discutem e que corrigem, com uma instrução misérrima, apenas conhecendo a língua de seus pais, e pouco lida, o seu cabedal intelectual é quase nulo.”

"Escrevo a miséria e a vida infausta dos favelados. Eu era revoltada, não acreditava em ninguém. Odiava os políticos e os patrões, porque o meu sonho era escrever e o pobre não pode ter ideal nobre. Eu sabia que ia angariar inimigos, porque ninguém está habituado a esse tipo de literatura. Seja o que Deus quiser. Eu escrevi a realidade."

As falas acima foram proferidas por duas das principais escritoras brasileiras de todos os tempos. Ambas Marias. O que une o destino dessas duas mulheres negras, guerreiras e destemidas? A escrita, a literatura, os livros. A primeira fala é de Maria Firmina dos Reis (1825-1917). Ela nasceu em São Luís do Maranhão do século 19 e tinha origem em uma família escrava; a outra, Maria Carolina de Jesus (1914-77), nasceu na Favela do Canindé em Sacramento, Minas Gerais. Semianalfabeta, só teve dois anos de escolar regular, mesmo assim, patrocinada pela patroa de sua mãe.

A vida de Carolina, portanto, foi mesmo o das ruas de São Paulo como catadora de papel para, assim, alimentar os três filhos de pais diferentes. Mas essa dura realidade, não a distanciou da literatura, pois lia tudo que recolhia e guardava as revistas que encontrava. 

As histórias de vida das duas são, portanto, de muita luta pela sobrevivência. São dois rostos de mulheres de personalidades distintas. Mas semelhanças de origem e destinos marcam suas trajetórias. Firmina dos Reis, ao publicar, em 1859, o romance Úrsula, de temática abolicionista, tornava-se a primeira mulher a assinar uma narrativa daquela envergadura na literatura brasileira. O fato de ser negra, todavia, aumenta o seu pioneirismo e sua veia revolucionária. Mesmo depois de tantos anos, não há escritora brasileira que se iguale a ela. A sua erudição era tanta que fez cunhar na Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana (Selo Negro, p. 278), a expressão “é uma Maria Firmina”, aplicada no Maranhão, a toda mulher inteligente e bem-informada.

Já Carolina de Jesus é um fenômeno particular (existencial) que, à semelhança da autora maranhense, nasceu para brilhar e fazer a diferença no seu curto período de vida. Em 1941, sonhando em ser escritora, vai até a redação do jornal Folha da Manhã com um poema que escreveu em louvor a Getúlio Vargas. No dia 24 de fevereiro, o seu poema e a sua foto são publicados no jornal. Mas ela só teve seu livro publicado quando foi descoberta pelo jornalista e repórter do Diário de São Paulo, Audálio Dantas, que fazia uma reportagem próximo à favela do Canindé. Ele soube da existência de seus escritos e foi atrás deles. A partir daí veio a publicação, em 1960, de “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada” que vendeu, em uma semana, 10 mil exemplares, superando a marca do maior escritor da época, ninguém menos que Jorge Amado. Ou seja, a favelada falou!

Os poemas de Carolina de Jesus, antecipador do gênero “depoimento” e “testemunho”, viraram de pernas para o ar e escandalizaram os presumidos padrões da época, escancarando as portas de um ambiente desconhecido e curioso, o das habitações populares, como outrora fora exposto e revelado o das senzalas.

Portanto, biograficamente, ouso dizer mais uma vez que Firmina e Carolina estão integradas pela via existencial. A primeira, teve acesso à escolarização porque sua mãe era parente do renomado gramático da época, Joaquim Sotero dos Reis. Mas foi duramente atacada pela elite oligárquica maranhense que não concebia uma negra letrada. Raízes essas, aliás, que até hoje ainda prevalecem em parte da população do estado. Maria Firmina viveu à sombra de Sotero dos Reis até o fim dos seus dias. Morreu cega e pobre em 11 de novembro de 1917, aos 92 anos. Maria Carolina, apesar de emplacar um best seller e de ter sido agraciada, em 1961, na Argentina com a “Orden Caballero Del Tornillo”, não se beneficiou com o sucesso e não demorou muito para voltar à condição de catadora de papel.

Realmente ser mulher e escritora nunca foi um destino fácil, sobretudo, àquela época. Isso sem falar da questão do preconceito racial que as duas enfrentaram durante todo o percurso de suas vidas. Mas isso é matéria para outro texto. Este é só o começo. Terminarei citando um trecho da poesia de Carolina de Jesus em que ela diz:

Poeta, em que medita?

Por que vives triste assim?

É que eu a acho bonita

E você não gosta de mim.

Poeta, tua alma é nobre

És triste, o que o desgosta?

Amo-a. Mas sou tão pobre

E dos pobres ninguém gosta.

 

Por Georgiana Lima Viana:

 

Formada em Letras pela UFMA. Pós-graduada em Inglês pela Universidade do Alabama ( BAMA U) e Dra. em Ciências da Educação pela Universidade Nacional de Rosario( Argentina). Email para contato: [email protected]/ Nota do editor da página; Georgiana Lima Viana é filha do músico, compositor e escritor José Maria Viana com a professora Marly Viana.

TRILHA PARA O ALTO: SOBRE O LANÇAMENTO DO NOVO LIVRO DE PAULO RODRIGUES

Cada poema de Paulo Rodrigues tem a força de um vulcão em erupção. Seus versos emergem do cotidiano, das coisas comuns com a genialidade de quem nasceu pronto para a poesia. De onde nem se pensa que poderá sair um verso, Paulo faz nascer com todas as dores de um parto, um poema. Ele vai dos becos de Caxias a Auschwitz com o mesmo brilho feérico da palavra.

A poesia deste jovem artista supera todas as expectativas do leitor, cada poema é mais surpreendente do que o outro; as imagens construídas são inusitadas, o olhar comum custará captar a sua essência. Por exemplo, em “A CONVULSÃO DAS BORBOLETAS - “não vou usar a poesia/para rasgar o banquete/das minhas dúvidas./eu prefiro morrer/ na estupidez das flores”.

Quando me refiro a Paulo Poeta como artista é porque, de fato, ele o é. Tal qual um construtor, este alto poeta burila a palavra, faz-me lembrar o Leminski com muitas artilharias, de imagens.

Sem dúvidas, “Escombros de ninguém” é o escombro de todos nós e é, também o alicerce, o forte pilar da poesia que se eleva para brilhar como diamante lapidado na constelação dos grandes.

O caminho literário de Paulo é uma trilha para o alto.

Anna Liz

(Poeta e Escritora)

PARA QUE SERVEM (MESMO) OS AMIGOS?


Sobre amigos já foram ditos inúmeros ditados. Vai desde um que diz que “quem encontrou um amigo encontrou um tesouro”, até um que diz “amigo meu não tem defeito, inimigo se não tiver eu ponho”. Adágios populares a parte eu encontrei nessa vida ‘marvada’ uma pá de amigos de verdade, daqueles da hora do riso e da hora do pranto e que sabem dividir seu pão, seu teto, seu canto e, prefiro fazer por onde não fazer inimigos para não ter que botar defeito em ninguém já que eu sou afeito a enaltecer as pessoas por suas qualidades.  Dentre esses amigos especiais, que são para mim assim irmãos que nasceram em outras famílias, destaco a minha queridíssima professora e arte-educadora Rode Lima Bezerra, ou Rode Torres, como ficou conhecida aqui em Santa Inês. Devo a Rode o fato de hoje a minha obra A TARTARUGA FOFOQUEIRA E OUTRAS ESTÓRIAS ser assim o grande marco da minha carreira, pois a amiga de quem vos falo “comprou a briga” e levou a minha Tartaruga para dentro das escolas de Santa Inês e região do Vale do Pindaré, e transformou as fábulas do livro em peças teatrais infantis lindas, e conquistou a garotada tanto, que eu hoje sou reconhecido pela molecada como o autor da Tartaruga Fofoqueira, tenho com Rode Torres essa imensa dívida de gratidão. Ocorre que a minha amiga passou por uma provação dessas a que todos nós mortais estamos sujeitos. Recentemente ela sofreu um grave acidente automobilístico e está em fase de recuperação, já passou e ainda vai passar por cirurgias e encarar uma pá de sessões de fisioterapia até que, com a ajuda do grande DEUS restará com sua saúde perfeitamente restabelecida, visto que foi só uma provação, uma grande provação para uma grande guerreira. Dificuldades ela tem encontrado inúmeras, desde a inércia do SUS até a falta de recursos para fazer frente a uma leva de despesas tão comuns em situações como esta. Estou fazendo o que posso para ajuda-la. Convoquei outros amigos para engrossar a fileira e disponibilizei exemplares das obras MULHERES, MULHERES e ÓRFÃOS DE MIM, para que com a  renda obtida de 500 exemplares (250 de cada obra) possamos contribuir com a nossa amiga. Não sei para que servem os amigos dos outros, os meus, eu procuro defende-los e protege-los até a última instância, até que não sobre mais um suspiro, posto que eu sei que a amizade é, dentre outras coisas, superior ao próprio amor, reparem que nós amamos nossos amigos e nem por isso queremos mantê-los cativos de nós ou cobrar-lhes ciúmes, por exemplo. A propósito, a Rode disponibilizou a conta de uma amiga  (a dela não está no vermelho não, segundo ela já está no preto) que a está ajudando nesse momento de complicada travessia para os amigos que possam e queiram dar uma força, a exemplo do que já fez a Dra. Luana Costa, o meu amigo Michael Alves, o pessoal do SINPROESEMMA, Paulo Rodrigues, Concita Costa, Dona Rita Trindade, Ana Eva, Jonas Maia, Eliane Lobato...apenas para citar alguns. A conta é: 12974-7 (POUPANÇA) da Agência 1062 do Bradesco, de titularidade de Maria das Dores dos Santos da Silva Lima. A propósito, os exemplares do Órfãos de Mim você pede pelo 98 9 8888 0084 (zap), porque o MULHERES, MULHERES está espalhado nas mãos de amigos que estão contribuindo com a nossa carismática Rode Torres. Afinal, para que servem mesmo os amigos?

A GRANDE LIÇÃO

Uma aluna, no decorrer de uma aula sobre o Barroco, perguntou-me: “Professor, como posso ter certeza de que realmente perdoei alguém?”. Eu discorria sob o pensamento antagônico, perturbado, cheio de remorso e inundado de sentimento de culpa do homem do período marinista, fruto da ideia de não estar sendo perdoado por suas transgressões. Tal poeta via-se dividido entre três mundos: Céu, Inferno e este, terreno, tema comum numa sociedade moldada pelos rígidos dogmas da Igreja Católica. Achei a pergunta muito interessante para contextualizar e transversalizar o assunto, e usei o poeta soteropolitano Gregório de Matos Guerra (o “Boca do Inferno”, lembram?) para responder à indagação. Disse-lhe que a certeza do perdão se dá quando recordamos do mal que nos foi feito e não sentimos mais raiva ou dor, desejando à pessoa que nos causou tal mal que siga em paz. Perdoar não é fácil! Requer muita prática e, antes de tudo, de um coração limpo, desapego do passado, humanidade vestida de compaixão e, principalmente, é preciso o auto-perdão. É muito importante que nos perdoemos daquilo que nos machuca e nos prende ao que causa tanta dor. Difícil? Sim, muito difícil. Mas, se conseguirmos, tornamo-nos melhores, pois estaremos libertos das nossas assombrações. Assim, daremos um sentido positivo à vida e a tudo o que ela representa. Eu diria que seríamos mais divinos, como éramos no início, à imagem do Criador.

Uma passagem bíblica – usada propositalmente, por se tratar do Barroco – ilustra bem o poder divino do perdão: Ao perguntar a Pedro se o apóstolo o amava, por três vezes (“Pedro, tu me amas?”), Jesus já o perdoava antecipadamente, pois sabia que quando seu seguidor o negasse (também em três ocasiões), já estaria nas mãos dos romanos, impossibilitado do contato com ele. Fica evidente que o perdão, como ensina Cristo, precisa ser Cristo, precisa ser verbalizado e sentido por quem perdoa e por aquele que está sendo perdoado. Caso contrário, de nada valerá. O Mestre também nos ensina que não há barreiras ou desculpas quando se quer liberar perdão; e que perdoar é, antes de tudo, um ato de amor...

*Márcio Guedes

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 08/06/2019

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Palavras-chave: LITERATURA LITERALMENTE

Fonte:

Big Systems
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