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Agora Santa Inês - A vaidade

A vaidade

No Aurélio, vaidade é a qualidade do que é vão, ilusório e pouco duradouro. Corresponde a um desejo imoderado de atrair a admiração ou homenagem, coisa fútil ou insignificante, frivolidade, futilidade e tolice. Em Dicionário Etimológico da língua portuguesa, vaidade se origina de vanitas, vanitatis (t. latinos): vacuidade (o que é próprio do vácuo), ou seja: VAZIO ABSOLUTO.

A vaidade é uma condição peculiar dos humanos. É uma expressão complexa do ponto de vista comportamental e muito influenciada por questões psicológicas, sociais, culturais e por grandes interesses econômicos e, se revela de múltiplas formas. Por ter expressão comportamental, a maioria das atividades humanas, podem expressar vaidade. Duas se destacam: a de expressão física e a intelectual.

A vaidade sempre foi vivenciada pelo homem, em todos os tempos e em todas as culturas, e essa particularidade é referenciada intensamente nos dias atuais. Ela, está sempre em consonâncias com as caraterísticas socioculturais de um determinado povo em diferentes momentos de sua história. Sua expressão máxima está na figura mitológica grega de Narciso, daí narcisismo, o qual exortava obsessivamente sua beleza, o amor por si mesmo e seus dotes pessoais.

Do ponto de vista econômico, a indústria da beleza, muito centrada nos clamores dos vaidosos, é uma atividade pungente, pois foi pouco afetada pela crise econômica atual porque passa o país. Essa indústria é, portanto, um grande negócio, por gerar emprego renda e, a partir dela, desenvolve-se uma infinidade de outras atividades empresariais e profissionais que vive, tão somente, em torno de adeptos e seguidores. É uma das poucas atividades que vive, pela, com, para, de e da vaidade humana. 

Só a guisa de informação, dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) mostram que o Brasil está em terceiro lugar no ranking internacional de consumo de produtos estéticos, atrás de Estados Unidos e China. O setor chegou a faturar R$ 43,2 bilhões em 2014, cifra que significou aumento de 32% na procura por serviços estéticos em relação a 2013.

Essas atividades atualmente imperam no mundo dos negócios e se destacam na corrida desvairada e desmedida de altos faturamentos em cima desses produtos. A moda, a higiene, o entretenimento e lazer, o esporte, a indústria dos cosméticos, a indústria medicamentosa especializada, a perfumaria, algumas atividades médicas e cirúrgicas, a saúde, a indumentária, a indústria alimentícia, são as entre tantas outras as que mais se beneficiam financeiramente na exploração desse negócio, que sempre enaltece a vaidade.

A vaidade, se abastece pretensiosamente do que é belo, da moda, do glamour, da necessidade de atenção e do charme, muito embora, sejam coisas distintas uma das outras. Porém, a vaidade, como o próprio nome diz, corresponde ao que é vão, vazio e ilusório, portanto não refleti a profundidade do que é belo. Expressa sim, a valorização da própria aparência, ou quaisquer outros dotes físicos ou intelectuais, fundamentados no desejo incontrolável, de que os mesmos sejam reconhecidos ou admiradas pelos outros.

A vaidade, fenomenologicamente, é um sentimento que comporta interpretações diferentes embora seja uma condição inerente aos sujeitos, em um contexto, social e cultual, como já dissemos acima. É também, uma condição de ambiguidades, pois ao mesmo tempo que é exortada pelo próprio sujeito e pela indústria da beleza é, até certo ponto, aceita por muitos, embora, seja rechaçada socialmente ante o exagero. A vaidade, como um dos traços fortes do comportamento humano, pode resvalar para distúrbios psiquiátricos graves.

O vaidoso, é quem exorta e cultiva a vaidade e a tem como um fim em si mesma, difere profundamente dos que se sentem envaidecidos, por conquistas, circunstâncias, um fato, ou por algo transitório. O primeiro refere-se aos snobes, convencidos, afetados, soberbos, pretensiosos, presunçosos, arrogantes, pedantes. Onde suas atitudes, das mais simples às mais complexas, se inspiram nesses pressupostos, onde para eles, a vaidade é uma marca, indelével, invariável, inflexível e penetrante na estrutura do seu ser.

Por outro lado, há os que se sentem envaidecidos, honrados e orgulhosos em certas ocasiões ou circunstâncias, por ganhos, notoriedade ou ações dignas, em condições esperadas, compreendidas e socialmente aceitas, nesses não o culto ou exortação obsessiva da vaidade.

Do ponto de vista comportamental, o vaidoso tem sempre sua atenção e seus interesses voltados em si mesmo. Correm atrás de tudo que o faça aparecer, mesmo que não apresente condições para tanto. Chamar a atenção dos ouros sobre si mesmo é o que de melhor sabem fazer. Exorta suas habilidades e não reconhece os méritos dos outros, para os quais não pode reconhecer seus erros ou falhas, pois correriam o risco de se sentirem inferiorizados. O vaidoso não perdoa, nem se desculpa, pois acredita que isso o tornara também inferior a outra pessoa, além do mais, não consegue também dar a si mesmo o devido valor. Imagina sempre que, se o fizer, diminuirá seu brilho.

São personalidades, excêntricas, imaturas, carentes de si mesmas, egocêntricas e com desmedido amor por si mesmo. Tem graves dificuldades cognitivas em reconhecer suas falhas, equívocos e dificuldades. Se contentam com o superficial e com a efemeridade. Não é a toda, que a indústria da beleza e outras atividades econômicas pungentes tem na vaidade seus grandes escoadouros de lucros, como demonstramos acima.

Podemos afirmar, que vivemos atualmente sob a égide de uma cultua que promove o culto a vaidade, gerando pessoas que tem em si mesmos, suas maiores referências e razões de existir. Pessoas, incapazes de se aprofundarem sentimentos, laços afetivos e afetuosos, por viverem em uma eterna superficialidade.

Do ponto de vista psicopatológico, a vaidade é um traço forte e muito comum entre os portadores de Transtornos de Personalidade Narcísica – TPN, personalidades infantis e imaturas, portadoras de transtornos graves de personalidades, predispondo-as, a transtornos cognitivos, afetivos e emocionais revelados por um amor próprio exacerbado, falta de autocritica e inadequação nas relações sociais.

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 08/06/2019

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Palavras-chave: A vaidade

Fonte: Por Ruy Palhano

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