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Agora Santa Inês - Tristeza nossa de cada dia

Tristeza nossa de cada dia

Quem ainda não ficou triste? Ou ainda, não reclamou da tristeza como algo dolorido, que maltrata as profundezas do ser? Quem, ao longo da vida, não se abateu diante uma perda profunda, ou não tenha chorado, quando morre um ente querido, quando há uma separação ou mesmo quando perde um emprego ou vai morar em outro lugar? A tristeza, muito profunda, às vezes se torna insuportável e de difícil manejo. Em condições humanas, todos nós, em qualquer época da vida, já experimentamos esse sentimento, se não experimentamos, fatalmente iremos experimentar.

Etimologicamente, o termo tristeza se origina do latim tristitia, que designava o “estado de desânimo” ou “aspecto infeliz”. Corresponde ao magoado, ao aflito, sem alegria.

A tristeza, do ponto de vista fenomênico, é algo esperado, previsível e suportável, apesar da dor que ela inspira. É, certamente, um dos mais importantes sentimentos humanos e, para alguns estudiosos, está entre as seis emoções básicas: a felicidade, a raiva, a surpresa, o medo e o nojo (segundo o psicólogo Paul Ekman).

A capacidade de nos entristecermos é algo inato, um dispositivo endógeno, que faz parte de nossas entranhas tem um imenso valor e é algo indispensável a nossa existência, no sentido de garantir, adequadamente, uma resposta emocional e comportamental específica. Essa capacidade, representa um dos mais importantes mecanismos de neuroadaptação que dispomos, e sempre que ela surge nos ajuda a lidar com a circunstância ou evento que a justifica. A matriz psicodinâmica da tristeza é a perda, sob qualquer aspecto e significado.

Por ser apropriada, adequada e surgir em consonância com eventos específicos, sua ausência, em algumas condições, corresponde a algo muito ruim que, quase sempre, sinaliza para a existência de graves distúrbios psiquiátricos, emocionais ou comportamentais. A frieza ou indiferentismo emocional, o embotamento ou rigidez afetiva, a frieza dos sentimentos, apesar da existência de circunstâncias que justificasse a presença da tristeza, ou mesmo a explicasse, essas são condições psicopatológicas graves, presentes em muitos transtornos psiquiátricos, psicológicos e ou comportamentais. (Veremos mais abaixo).

A tristeza, como um fenômeno humano natural, se origina das profundezas da alma, como já havíamos dito e está presente do nascimento à morte. Provém das entranhas e instâncias profundas do nosso ser. Não se aprende a ser triste, em lugar nenhum. O homem nasce com essa prerrogativa ou dispositivo natural de se entristecer, só quem tem essa capacidade pode ser feliz. Só os sadios, mentalmente, são capazes de se entristecerem. Só os capazes se ligar, de se unir e de se relacionarem, só quem tem afeto ou afinidade por algo ou alguém, de fato, poderá sentir tristeza.

Ela revela a capacidade de sentir, de se unir, de reagir, de responder a uma perda, de sentir falta. Revela a capacidade de nos adaptarmos às circunstâncias, de perda, de separação, de dor e pesar e de identificar o que é favorável ou desfavorável.

A capacidade de nos entristecermos, portanto, está, essencialmente, ligado a esse conjunto de propriedades e prerrogativas cognitivas, emocionais, afetivas e comportamentais, que, a um só tempo, por qualquer motivo ou razão, ela aparecerá.

O desencanto, a falta da alegria, de prazer, a indisposição e o desinteresse, o retraimento pessoal e social, a tendência ao choro, a lamentação, o pesar, a insatisfação geral e a sisudez, são os ingredientes principais da tristeza. Quanto a sua intensidade, a tristeza pode se revelar como algo leve, transitória e passageira ou em graus bem profundos em ocasiões de morte, separação, perda da saúde, de prestígio social, empobrecimento financeiro, fracassos pessoais, perda do emprego, separação dos filhos ou conjugal, etc.

Nesse sentido, vale ressaltar, que independentemente da intensidade, esse sentimento, está, obrigatoriamente, vinculado a uma pessoa, evento, fato ou circunstancias, que o justifique, pois, do contrário, em ela aparecendo, sem algo que a explique, isso pode sugerir um transtorno psiquiátrico, psicológico ou social, graves. Entre as circunstâncias médicas, onde a tristeza profunda pode aparecer, sem um fato explicável, está a depressão, uma condição psicopatológica grave, que em geral, a tristeza profunda está presente, mas seus portadores, muitas das vezes, são incapazes de explicarem porque estão assim. Isto é, a tristeza que eles sentem, não tem uma fundamentação conhecida, que a possa explicá-la.

Outro aspecto importante, para se distinguir a tristeza da depressão, é que na primeira, há um tempo de experienciá-la, algo em torno de 45 a 90 dias e sempre surge a partir de um evento conhecido, enquanto que na depressão, esse tempo é bem maior, (até 9 meses), a qualidade de vida é profundamente afetada e em geral as pessoas desconhecem porque “estão tristes e sem motivo”.

Há outros casos, em que um fato, evento ou circunstâncias, é capaz de induzir a uma tristeza e isso servir apensas de gatilho, para desencadear um episódio depressivo, nesses casos, esses eventos, são pretextos para o aparecimento de uma crise depressiva.

As condições psiquiátricas e psicológicas mais comuns onde se observa a disfuncionalidade da tristeza, são: nos Transtornos de Personalidade Narcísico; Transtorno de Personalidade Histriônicas; Depressão uni ou bipolar; Esquizofrenia Residual, entre outros. Em todos esses quadros há, em distintas proporções, uma espécie de inadequação do sentimento de entristecimento ou indiferentismo mórbido, ou frieza afetiva, onde tais enfermos apresentam distorções graves em suas capacidades de sentirem tristeza, de se arrependerem ou de terem remorso.

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 21/06/2019

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Palavras-chave: Tristeza nossa de cada dia

Fonte:

Big Systems
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