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Agora Santa Inês - LITERATURA LITERALMENTE

LITERATURA LITERALMENTE

Cada povo tem o governo que merece?

Por Georgiana Lima Viana

Eu colocaria uma interrogação à frase do filósofo francês Joseph-Marie Maistre (1753-1821) que, ao contrário do que se pensa, era contra o voto popular, a favor da Monarquia, e inimigo da revolução francesa. Sempre achei essa frase simplista demais. Mas confesso que, durante um tempo, andei repetindo-a como um mantra. Assim como muitos o fazem; digamos que as minhas leituras mais aprofundadas estão servindo-me e muito para clarear melhor ideias simplistas. Pois aprendi através dos livros que nada é o que parece ser. E, enxergar além do óbvio, meus amigos e amigas, é bem mais complicado.

No entanto, culpar sempre o povo por suas “escolhas” e misérias é realmente escolher o caminho mais fácil, raso, para uma questão tão complexa. Principalmente, quando sabemos que há em praticamente toda ação humana fenômenos micro e macrodimensionais diversos sobre os quais muitas variáveis atuam em concorrência ou colaboração; posso citar para ilustrar melhor o tema: a opção do voto, o senso estético, o gosto musical, a celebridade do momento, o programa de TV de mais audiência, dentre outras. Mesmo as opções mais íntimas se dão sobre relações sociais difusas e complexas, em última análise, relações de poder.

Pintura de Igor Morski

O filósofo francês Michel Foucault (1926-1984) costumava dizer que “o poder é uma relação, não é uma coisa”. O poder, então, não está só nas instituições ou no Estado. Ele permeia toda a vida cotidiana. Às vezes, aparece de forma explícita. Em outras ocasiões, sutil ou velado. Mas ele está sempre lá. Em “Microfísica do Poder”, Foucault diz: “O poder não se limita a aspectos institucionais e organizacionais e a formas econômicas, relações de classe, status, prestígio ou desempenho de papéis sociais; ele está presente em todas as relações, na rua, na família, nas relações afetivas ou de amizade, não somente reprimindo e destruindo o outro, mas também produzindo efeitos de verdade e saber, constituindo verdades, práticas e subjetividades.”

Ampliando a discussão sobre o tema, trago o pensador francês Pierre Bourdieu (1930-2002) considerado um dos maiores sociólogos de língua francesa das últimas décadas. Pois, para ele, questão de gosto e de escolha também é discutível e muito. Porque, grosso modo, essas escolhas dependem do capital cultural e do habitus de formação de cada indivíduo. Ou seja, é possível afirmar que Bourdieu tem uma concepção relacional e sistêmica do social. Para ele, a estrutura social é “vista como um sistema hierarquizado de poder e privilégio, determinado tanto pelas relações materiais e/ou econômicas (salário, renda) como pelas relações simbólicas (status) e/ou culturais (escolarização) entre os indivíduos”.

 Nesse sentido, Bourdieu põe em discussão, um consenso muito em voga, relativo à crença de que gosto e os estilos de vida seriam uma questão de foro íntimo. Para o autor, em outras palavras, o gosto seria, ao contrário, o resultado de imbricadas relações de força poderosamente alicerçadas nas instituições transmissoras de cultura da sociedade capitalista. Para fundamentar essa afirmação, Bourdieu argumenta que essas instituições seriam a família e a escola; seriam elas responsáveis pelas nossas competências culturais ou gostos culturais.

Portanto, seguindo a leitura dos dois pensadores, a opção de voto ou a sintonia de um programa de televisão não são somente fruto de uma escolha racional e consciente. Pois o livre arbítrio é um mito. E então recorro à indagação do início: o povo tem sempre o que merece? Eu ‘arrisco’ dizer que não. E vocês?

 

Georgiana Lima é filha do casal José Maria Soares Viana – compositor, músico e escritor e Marly Viana, professora por cinco décadas em Santa Inês. É formada em Letras pela UFMA. Pós-graduada em Inglês pela Universidade do Alabama (BAMA U) e Doutoranda em Ciências da Educação pela Universidade Nacional de Rosario( Argentina). Email para contato: [email protected] Instagram: @georlima


“Não te rendas”

 Um lindo poema de Mario Benedetti que vai motivá-lo a lutar pelos seus sonhos

Mario Benedetti, além de ser um grande escritor de origem uruguaia, é muito amado e lembrado até por sua filosofia de vida. Através do seu trabalho, ele nos ensinou a ver a vida de uma maneira simples, encontrando a felicidade na simplicidade da vida cotidiana, naqueles pequenos detalhes que qualquer um pode acessar, se você se propuser.

Em seguida, vamos ler um belo poema de Mario Benedetti.

 

Não te rendas, ainda estás a tempo

de alcançar e começar de novo,

aceitar as tuas sombras

enterrar os teus medos,

largar o lastro,

retomar o voo.

Não te rendas que a vida é isso,

continuar a viagem,

perseguir os teus sonhos,

destravar os tempos,

arrumar os escombros,

e destapar o céu.

Não te rendas, por favor, não cedas,

ainda que o frio queime,

ainda que o medo morda,

ainda que o sol se esconda,

e se cale o vento:

ainda há fogo na tua alma

ainda existe vida nos teus sonhos. 

 

 

Foto: Mario Benedetti


POESIA TERMINADA  EM  “ADO”

A poesia que plantamos, não nasce da terra

E o mecanismo é outro, e não é o arado 

Mas nasce dos corações inspirados,

Rasgados de amor, sentimento nobre, acabado

 

Muitas das vezes, cambaleantes, estropiados,

Outras tantas, alegres ou vilipendiados,

Certas delas (às vezes) nascidas de um mau bocado,

Quiçá, de tristezas mil, que não valem um cruzado

 

Paridas nas ruas ou em quartos isolados

Dentro de uma sala de um metro quadrado,

Ou nos  fundos de um quintal sombreado

 

Servem elas talvez, como presente embalado

Para fazer feliz quem sofre calado,

Ou para fazer falar alguém desesperado

 

Um poema, poesia e companhia do lado,

No caso destes rabiscos mal estruturados,

Constroem uma poesia ou poema terminado em “ado”.

 

 Clélio Silveira Filho é jornalista, escritor, poeta, membro fundador da Academia de Letras de Santa Inês-MA e editor de jornais e revistas do Sistema Agora de Comunicação. Também é Comendador, tendo recebido a Comenda Manuel Beckmann – maior honraria concedida pela Assembleia Estadual do Maranhão, e a Comenda Internacional Thiago de Melo, pela Academia Poética Brasileira.

 

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 06/07/2019

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Palavras-chave: LITERATURA LITERALMENTE

Fonte:

Big Systems
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