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Agora Santa Inês - LITERATURA LITERALMENTE

LITERATURA LITERALMENTE

“AS COISAS QUE NÃO TÊM NOME SÃO MAIS PRONUNCIADAS POR CRIANÇAS” – MANOEL DE BARROS

Por Georgiana Lima*

Quando criança, eu sempre esperava meu pai para passear no fim da tarde. Depois que ele saia do trabalho, 17:30, religiosamente, lá vinha seu José no seu possante corcel II vermelho com cheirinho de novo. Meus olhos de menina ficavam cheios de alegria. Eu já esperava sentada na cadeira de macarrão azul do terraço da nossa casa na rua Nova. Todinha vestida de alegria. Eu lembro ainda da buzina do carro ao qual soava aos meus ouvidos como uma linda orquestra. Era uma das poucas vezes em que meu pai buzinava, aliás. Papai é discreto até nisso.

Era então que vinha o convite mágico: “- Vamos passear, meus filhos? ”. E tudo parava. Silêncio no ar. Momento de profundo êxtase para quatro crianças ansiosas. A "briga", depois, era para ficar na janela do carro. Tudo isso porque minhas outras duas irmãs também queriam, óbvio e meu irmão caçula, sempre ia no colo de uma irmã que ele escolhia. Geralmente, eu conseguia esse privilégio porque meu pai dizia: "-Deixa a Geor, ela gosta de ler da janela”. Ai, meu pai, se tu soubesses o quanto me fizeste feliz naquelas tuas “horinhas de descuido”.

Então, eu encostava o rostinho miúdo na janela do carro. Sentia a brisa do vento. E lia, bem alto, os nomes dos estabelecimentos comerciais, as placas de sinalização, as pichações, etc. Absolutamente tudo que meus olhos poderiam alcançar era devassado.  A melhor delas era: “Armazém Paraíba, SUCESSO em qualquer lugar”. Eu lia com bastante entonação de criança que quer agradar. Meu pai ria e dizia o quanto era importante sabe ler. Dias memoráveis esses de minha infância feliz que “os anos não trazem mais”, diria o poeta Casimiro de Abreu.

No entanto, há um ditado latino que diz “magister quod est”, ou seja, “o tempo é o senhor da razão”. E, hoje, meu pai é quem me espera para passear no mesmo horário-17:30; e quase todos os dias, religiosamente, saímos para tomar café, ouvindo música durante o percurso. Essa playlist é um dos pontos altos do passeio. Papito divaga com as músicas escolhidas por mim e vai contando as história que viveu aqui na ilha do amor em outros tempos. De repente, ele para a conversa e diz: “-Vamos pelo caminho mais bonito hoje, minha filha?” (Circuito Beira-Mar, Portinho, Hotel Central, Igreja da Sé...). Eu lembro exatamente daquelas minhas horinhas da janela e sempre sigo pelo caminho mais bonito. O caminho do meu pai.E é por isso que essa hora do dia- a do pôr do sol- é a minha predileta. O poeta Guimarães Rosa tem toda razão quando diz que a “felicidade se encontra nessas horinhas de descuido”. Eu sou feliz assim.

 

#memorias #historiadevida #meupapitolindo #ciclos

* Georgiana Lima é filha do casal José Maria Soares Viana – compositor, músico e escritor e Marly Viana, professora por cinco décadas em Santa Inês. É formada em Letras pela UFMA. Pós-graduada em Inglês pela Universidade do Alabama (BAMA U) e Doutoranda em Ciências da Educação pela Universidade Nacional de Rosario( Argentina). Email para contato: [email protected] Instagram: @georlima_

 

UM FALSO ÍDOLO

 

*Marinaldo Lima é emérito colaborador do Jornal AGORA Santa Inês onde desde antes da metade desta década já escrevia artigos para o Jornal. Volta nesta edição na Página de Literatura, um assunto que ele sabe explorar com bastante inspiração. 


Olá caros leitores, vocês já devem terem ouvidos, com certeza sim, a história do instruído profeta hebreu chamado Moisés, (escrita no pentateuco) que através de uma teofania, libertou o seu povo que estavam sendo escravizados no Egito. E quando os guiavam pelo deserto, durante a transição, atravessou o mar vermelho, e subiu o monte Sinai onde recebeu as tábuas da lei contendo os dez mandamentos. Acontece que, quando o profeta subiu o monte, demorou quarenta dias para descer, tempo suficiente para o povo perder a esperança no seu retorno e se corromper, com isso, juntaram suas joias de ouro (único bem material que tinham) para fazerem um bezerro de metal, e o elegeram como seu adorável deus.  Ao retornar, Moisés se deparou com a massa em um comportamento desregrado, onde bebiam e dançavam com desinibição ao redor do ídolo forjado. O profeta irou-se a ponto de quebrar as tábuas da lei, e explicou duramente ao povo que estavam passivos de serem punidos por Javé, por causa de tal comportamento, e assim os conteve pelo temor de Deus.

 Pois bem, essa narrativa religiosa nos mostra que a raça humana, precisa de regras para controlar seus instintos; que o povo precisa de um líder virtuoso que seja firme em suas convicções, para mantê-los no caminho da justiça; que o medo da punição é um dos fatores mais poderosos para o equilíbrio da conduta humana, e outrossim nos mostra, que uma sociedade que não acredita em uma força espiritual, tem uma forte inclinação para acreditar em qualquer tipo de bobagem. 

 Então, depois de refletir toda essa história, passei a pensar nessa transição (no deserto) em que o povo Brasileiro está passando atualmente, que deixou-me repleto de indagações:  O que fazer para “despertar” uma geração de jovens que cresceram durante esse lamentável lapso histórico de desobediência destas últimas décadas? Como os conduzir pela vereda da justiça? Uma vez que não os ensinaram a fazer juízo de valores, mas que tudo é relativo, que o certo e o errado é apenas questão de opinião. Como ensinar-lhes regras de comportamento? Quando perdem facilmente a compostura em defesa de uma ideia que já transformou Cuba em uma verdadeira escravidão egípcia.  Provavelmente, não poderão ser conduzidos por algum profeta ideólogo, pois se um sonâmbulo os conduzirem, todos poderão se afogar em um mar vermelho.  O que fazer, portanto, para que percebam, pelo menos, que estavam adorando um falso ídolo que comprometeu, com desonestidade, todo o seu futuro... sua verdadeira riqueza?

 

ETERNIDADE


*Por: Márcio Borges

Que furem meus olhos sadios

Com o grosso espinho da flor

Podem deixa-los vazios

Que ainda verei com amor

 

Que cortem minha língua no fundo

Usando uma faca de mesa

Podem enterrá-la no profundo

Que ainda terei gentileza

 

Quebrem minhas pernas tortas

Com um pedaço de pau

Deixem-na tal qual mortas

E ainda andarei no quintal

 

Podem tirar-me o céu

E me sobrarão as estrelas

Podem levar o que tenho

E terei tudo de novo

E ainda quebrem meus dedos

Reaprenderei a escrever

 

Ainda que escureçam meu mundo

E tornem treva meu dia

Mesmo que eu esteja imundo

Farei ainda mais poesia

 

Márcio Borges

(Professor e Escritor)

 

"DA ILHA DO AMOR À ILHA DE CUBA"

Luiz Thadeu Nunes e Silva

"Somos assim: sonhamos o voo, mas tememos a altura. Para voar é preciso ter coragem para enfrentar o temor do vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas. Mas é isso o que temos o não ter certeza. Por isso trocamos o voo por gaiolas. As gaiolas são os lugares onde as certezas moram"

OS IRMÃOS KARAMAZOV, FIÓDOR DOSTOIÉVSKI

Há muito viajar pelo mundo deixou de ser um privilégio de poucos, e passou a seu um lugar comum. . Para montar roteiros, pesquisar passeios, preços de hotéis, restaurantes, encontrar pessoas.

Após as sucessivas cirurgias que fiz por causa de um grave acidente que sofri em 11 de julho de 2003, e que me deixou sequelas permanentes, resolvi viajar, e sem nenhum planejamento mais apurado pisei, inicialmente, em oito países. Desde esse tempo não parei mais. À proporção que fui visitando lugares, em todos os continentes do globo, a vontade de visitar países cada vez mais distantes, me levou ao sudeste asiático, para mim, a mais bela região da terra, à África, a Oceania, a Patagônia Argentina, ao Alasca, e recentemente visitei os países que foram desmembrados da ex-URSS, as ilhas mais exóticas e longínquas da Oceania, da Ásia, da África.

Já pisei nos dois extremos da terra, em Barrow, Alasca, "Topo do mundo", lugar de dois mil habitantes, rodeado por três mil ursos polares, onde cada morador dispõe de um rifle, para caso de se sentir ameaçado; e Ushuaia, Patagônia Argentina, considerada o "fim do mundo", último ponto habitável do Planeta, depois, só pinguins. Isto tudo no intervalo de um único mês, em setembro de 2014.

Também, estive no marco zero da linha do Equador, na capital, Quito.

Viajar para mim é sinônimo de liberdade, de transpor obstáculos, e superar desafios, de conquistar terreno, já que ando de muletas, e tudo é mais complicado. Não puxo malas em aeroportos, meu inglês é rudimentar, e uma das perguntas mais frequente que ouço é, como você faz para falar? Eu não falo me comunico, em todas as línguas.

Na Índia, tive que alugar um carro com motorista em Nova Deli, para conhecer Jaipur e Agra, onde fica o famoso Taj Mahal. Nos três dias que convivemos, quase nada entendi o que ele falou, e ele menos ainda o que falei, mas não nos desentendemos, ou me perdi. Tudo transcorreu tranquilamente. Uma dica, se você estiver com fotografias e escrito em mandarim, até mudo viaja pela China toda.  m cima dela", esse é meu slogan de vida, o quê me move em busca do novo e desconhecido; e que venham os novos lugares, com suas cores, seus odores, suas nuances, e suas pessoas. .

*Luiz Thadeu Nunes e Silva, Eng. Agrônomo e Palestrante/Crônica publicada no Jornal Pequeno em 18/07/2017

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 20/07/2019

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Palavras-chave: LITERATURA LITERALMENTE

Fonte:

Big Systems
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