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Agora Santa Inês - Para onde estamos caminhando?

Para onde estamos caminhando?

      O termo vício está em desuso, muito embora ainda muito utilizado em diferentes contextos. É um termo carregado de preconceito e excludente do ponto de vista social e psicológico. Significa um defeito grave que torna uma pessoa inadequada para certos fins ou funções; o viciado tem inclinação para o mal e é considerado desagregado, descontrolado e sua conduta é desaprovado e condenável é ainda considerado um devasso licencioso. À luz da Psiquiatria contemporânea, o termo foi substituído por dependências e está relacionado aos indivíduos com maus hábitos, em especial para o consumo de drogas entre as quais o álcool, tabaco e outras substâncias. São pessoas que ainda hoje, por predominar a visão moralista sobre o assunto, são fortemente alijados do convívio social.

      Com o avanço científico esse termo vem se ampliando, e vem moldando outras formas de comportamentos verificados na pós-modernidade, muito diferentes aos que predominavam antes do desenvolvimento da era tecnológica. Alguns destes comportamentos modernos são muito parecidos aos comportamentos dos viciados em drogas, onde a diferença central é essa não estar presente e sim os modernos equipamentos que fazem parte desta nova sociedade tecnocrática. Estes comportamentos produzidos pela era digital e tecnológica, passou-se a denominar “vícios eletrônicos” ou dependentes virtuais ou dependentes de internet.

      Capitaneando todas estas inovações e redefinido novos tempos nas relações humanas, está a internet, a grande teia de computadores que transformou o mundo, o homem e suas relações. Deixou-o, menos singular e mais plural, mas só e mais global, menos voltados para si e mais voltado para o mundo, menos local e mais telúrico, menos real e mais virtual, mais cético e com menos fé, mais arrogante e menos crítico, mais lógico e menos sensível. Mudanças profundas no modo de ser e de existir.

      Filhotes da rede estão os tablets, os celulares, os computadores, os smartfones e outros fabulosos aparelhos eletrônicos que, indiscutivelmente, vieram para ficar e conquistaram o homem por inteiro por atingirem suas aspirações essenciais: como o prazer, o utilitarismo, o imediatismo, a rapidez, a materialidade. A tecnologia digital atende plenamente essas demandas e nos dá tudo que precisamos sem fazer esforços e nos agrada em geral. Os brinquedos eletrônicos, os aparelhos inteligentes, tornaram tudo mais fácil e praticamente tudo ao nosso alcance. Em breve poderemos ter orgasmos virtuais, pois já namoramos, casamos, viajamos nos formamos, estudamos ou não fazemos nada, sem sair de onde estamos.

      As filhotas da internet são as redes sociais. Nosso país, a cada dia se notabiliza como um dos mais importantes do mundo entre os países usuários de redes sociais e de equipamentos eletrônicos e já detém o terceiro lugar no mundo de acessos à redes sociais especialmente “Faceboock, Tweter e Linked-in” e Instagram.  

             Nessa perspectiva, as seduções pelas virtualidades se escancararam. Imagine, uma pessoa poder falar com todo mundo sem abrir a boca, sair de casa sem dar um passo, amar sem sentir o corpo e a voz da pessoa amada, se comunicar sem fazer qualquer esforço real, trabalhar sem sair da cama ou da mesa de sua casa, fazer amor, noivar, namorar, se casar, sem nunca ter visto sua cara-metade, ou mesmo ter ouvido sua voz, seu cheiro, seu suor, a consistência de sua tez ou nunca ter sido visto ou ver alguém e sentir um olhar profundo de seu parceiro ou parceira. É fantástico, fabuloso e muitos estão embarcando nisso sem pena e sem piedade.

            Os exageros no uso, as relações desmedidas, a cada dia faz crescer no mundo as ocorrências de pessoas que passaram a apresentar graves distúrbios afetivos, emocionais e comportamentais, associados ao abuso de internet ou de redes sociais. Pessoas que não fazem outra coisa na vida, que não ser se conectar e permanecer “logado” ou ligado o dia todo com essas atividades virtuais. Outras, deixam de cumprir seus compromissos, seus estudos ou mesmo compromissos sociais e familiares, de lazer ou de trabalho para se dedicarem, exageradamente, as demandas das redes sociais ou a contatos virtuais.

          Muitos atritos conjugais, familiares, no trabalho e em muitas outras áreas das relações humanas como casamentos, rompidos precocemente, conflitos entre pais e filhos e nas relações amorosas e de trabalho estão sendo muito influenciados por uso problemático dessas tecnologias. Comportamentos ciumentos doentios, atitudes de hostilidade, sentimentos de possessividade e impulsividade nas relações pessoais, são também muito influenciados pelos mesmos motivos. O fato, é que muitos desavisados e incautos estão indo muito fundo ao pote. Mergulharam, profundamente, nessas virtualidades, oferecidos por esse mundo mágico e sedutor e perderam, formalmente a necessária noção dos limites e do equilíbrio mental e comportamental, face a essas inovações.

              Adoeceram e adoeceram suas famílias. Institutos internacionais, universidades, a própria OMS, tem chamada a atenção do mundo científico e dos estudiosos sobre esses comportamentos desvairados envolvidos com essa nova era das modernas tecnologias as quais estão a cada dia produzindo essa nova categoria de doentes mentais, que avança a passos largos.

      O perfil clínico e epidemiológico destes “novos doentes” está sendo construído e acredito que em um futuro próximo, possam ser anunciados e passaremos a saber melhor sobre quem são essas pessoas. Sabe-se, todavia, que os transtornos mentais relacionados à internet são graves, pois esses distúrbios evoluem de forma sutil, progressiva e insidiosa e quando já são percebidos, já comprometeram bastante esses enfermos. 

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 27/07/2019

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Palavras-chave: Para onde estamos caminhando?

Fonte: Ruy Palhano

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