• Agora Santa Inês -
  • Agora Santa Inês -
  • Agora Santa Inês -
  • Agora Santa Inês -
Agora Santa Inês - LITERATURA LITERALMENTE

LITERATURA LITERALMENTE

Autores perdem identidade ou ganham notoriedade com os falsos textos atribuídos a eles?

" Mude.  Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.  Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa. Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Arrume um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano".

* Por GEORGIANA lIMA


Ganha um doce quem souber de quem realmente são os versos acima, erroneamente, atribuídos à escritora ucraniano-brasileira Clarice Lispector (1920-1977). Pode ser até que você já os tenha usado em suas redes sociais. Ou os tenha repassado pelo whatsapp. Ou mesmo usado como legenda naquela sua selfie linda. Confesse! Os versos são inspiradores, não é? Contudo, saiba que você não foi o único a cometer tal engano. Aliás, nenhum de nós está livre de citar equivocadamente frases de personagens históricos ou literários sem checar antes a verdadeira autoria. Sobretudo na era frenética da corrida pelos likes.

Pois saiba que esses textos, considerados uma praga pelos críticos mais rigorosos, rolam diariamente nas redes sociais e são chamados apócrifos. Ou seja, textos não autênticos, que não são dos autores aos quais são atribuídos. Ao contrário, são duvidosos, suspeitos. Diz-se, originalmente, dos livros da Bíblia cuja autenticidade não foi suficientemente estabelecida e que são rejeitados pelas igrejas cristãs. Mas, no campo literário, podemos simplesmente designá-los de citação meia-boca dos autores.

Eu mesma já recebi esse texto intitulado “Mude”, várias vezes. Entretanto, nunca o repassei porque sempre tive muito cuidado. Só não consigo entender o porquê da falsa autoria atribuída logo à Clarice Lispector. Pois, vejamos, de todos os escritores e escritoras, ela seria a menos indicada para tal. Visto que a temática abordada pela escritora é predominantemente voltada para o questionamento do ser, do intimismo, do peso existencial. Estes são temas desenvolvidos por ela através de uma técnica literária denominada fluxo da consciência ou do monólogo interior. A narrativa é densa, pesada, cheia de idas e vindas, um constante remoer de situações. Ou seja, nada lembram (nem de longe) o texto acima.

Mas, para além da Clarice, existe outro mais citado nas redes. E este, segundo uma pesquisa recente, é o escritor Luís Fernando Veríssimo. Talvez, você também já tenha lido esse famoso trecho atribuído a ele (seguido ainda de uma foto do escritor):

Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu.

Na verdade, o nome desse texto é “Quase”. E a autora é Sarah Westphal Baptista da Silva, uma estudante catarinense. A moça ficou bem na fita depois dessa. Afinal, quem não quer ser confundida com Veríssimo? No entanto, quem tem, digamos, um estudo mais apurado sobre a linguagem e estilo utilizados por ele, sabe facilmente que esses versos nunca poderiam ser atribuídos a Luís Fernando Veríssimo. O próprio autor, quando ainda vivo, constantemente falava que não era o criador de tais textos de auto- ajuda. Esse texto passou realmente muito longe da singularidade dele.                                             

Mas, tanto Clarice quanto Verissimo não são, infelizmente, os únicos “premiados” com textos na internet. Existem outros famosos escritores, além dos já mencionados, os quais têm seus poemas e frases citados de maneira incompleta e enganosa, para expressar o que eles nunca pensaram ou sentiram. Como, por exemplo: Caio Fernando Abreu (predileto das digital influencers) Mário Quintana, Arnaldo Jabor, Fernando Pessoa, Drummond etc. Dentre outros milhares espalhados nessa imensidão do mundo virtual.

Um dos mais famosos textos apócrifos de Carlos Drummond de Andrade é uma mensagem de fim de ano atribuída a ele chamada " Cortar o Tempo".

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente (Roberto Pompeu de Toledo - Não é Drummond! )

Fato é que Drummond nunca escreveu esse tipo de texto. E, sim, um outro chamado "Receita de Ano Novo”. No entanto, o que alimenta essa indústria de apócrifos são os sites da internet que se dizem voltados para literatura. Mas que, na realidade, não têm compromisso algum em checar a veracidade dos textos. Até mesmo fontes como: a Globo, Isto é, Wikiquote , revista Veja etc já cometeram erros grosseiros como esse. A internet está cheia de páginas de quotes (citações). Quiçar, a mais famosa no Brasil seja a “ Pensador” que, muitas vezes, viraliza as falsas quotes. E sabemos que, uma vez que caíram nas redes, tornam-se muito difíceis de serem apagadas. Por que, então, esses sites não têm compromisso e não consultam os livros dos autores e as citações expostas? Puro descaso mesmo.

Eu, muitas vezes, me pego pensando o que esses autores e autoras diriam sobre essa avalanche de textos falsos, caso estivessem vivos? Será que usariam o humor para combatê-las ou ficariam felizes por verem que seus nomes estão legendando selfies mundo afora? Difícil saber. Porque muitos deles já não estão mais aqui para falar.

O importante, no entanto, é saber que existem várias maneiras de não cometer esses deslizes de autoria. Pesquisar sobre o autor, consultar o trecho citado ou perguntar a quem de fato entende mais de literatura do que você. Assim, você não só não perderá sua selfie, como também, sua legenda ficará muito mais bonita. Clarice agradece. Drummond agradece. Verissimo agradece... ah, o verdadeiro autor do texto “Mude” chama-se Edson Marques. Em 2013, Marques foi entrevistado no programa "Provocações", na TV Cultura, e teve oportunidade de esclarecer o caso. Disse ele, na ocasião: “Já ofereci 10 mil dólares a quem provar que o poema é de Clarice e não meu”. Até agora ninguém apareceu para receber o prêmio.

#apocrifos #nãoéDrummond #naoéClariceLispector #literatura #identidadeliterária

*Georgiana Lima: Formada em Letras pela UFMA. Filha do Escritor, Músico e Compositor José Maria Viana com a Professora Marly Viana. Pós-graduada em Inglês pela Universidade do Alabama (BAMA U) e Doutoranda em Ciências da Educação pela Universidade Nacional de Rosario  (Argentina). Email para contato: [email protected] Instagram: @georlima_

 

EMOÇÕES E REAÇÕES


*POR CLÉLIO SILVEIRA

Não sei como reagir a tantas emoções

Muitas me fazem descer lágrimas,

Outras sorrir de orelha a orelha,

E há àquelas, que como verdadeiros bordões

 

Me iludem no dia a dia da vida

Curam verdadeiras e doídas feridas,

Me animam a conversar, cá com meus botões

E até a viver dias e noites entristecidas

 

Fácil lidar com emoções de um quase nada?

Ledo engano, mesmo sendo uma singela parada

No fundo do tempo, um tropeço, uma topada

 

Um elogio ou um comentário insensato,

Pode me levar a uma reação emotiva

Que tanto me fará sorrir ou chorar

 

Ou pode ser que tão “inexpressiva” emoção

Me faça chorar de tanto sorrir

Ou me faça sorrir de tanto chorar, até rolar pelo chão.

 

Clélio Silveira Filho é Jornalista, Escritor, Compositor, Poeta, membro fundador da Academia de Letras de Santa Inês, e possuí as Comendas Manuel Beckman, concedida pela Assembleia Estadual do Maranhão pelos seus 50 anos de Jornalismo e Comenda Internacional Thiago de Melo, da Academia Poética Brasileira.     

A GRANDEZA DO MAR


*Paulo Roberto Gaefke é Escritor, Pensador e autor de vários trabalhos literários, tem 58 anos e é de  Diadema - São Paulo – Brasil

 

Você sabe por quê o mar é tão grande

Tão imenso

Tão poderoso

É porque teve a humildade de colocar-se

alguns centímetros abaixo de todos os rios?

Sabendo receber,

tornou-se grande.

Se quisesse ser o primeiro;

centímetros acima de todos os rios,

não seria mar, mas sim uma ilha.

Toda sua água iria para os outros e estaria isolado.

A perda faz parte

A queda faz parte

A morte faz parte

É impossível vivermos satisfatoriamente

Precisamos aprender a perder, a cair,

 a errar e a morrer

 

Impossível ganhar sem saber perder

Impossível andar sem saber cair

Impossível acertar sem saber errar

Impossível viver sem saber viver

Se aprenderes a perder, a cair, a errar,

 ninguém mais o controlará.

Porque o máximo que poderá acontecer

 a você é cair, errar e perder

E isto você já sabe

Bem aventurado aquele que já consegue

 receber com a mesma naturalidade

o ganho e a perda...

o acerto e o erro...

o triunfo e a queda....

a vida e a morte.

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 03/08/2019

Visitas: 12

Palavras-chave: LITERATURA LITERALMENTE

Fonte:

Big Systems
4848734 visitas no Portal www.agorasantaines.com.br hoje 21 do mês 08 de 2019