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Agora Santa Inês - Prevenção é a palavra de ordem!

Prevenção é a palavra de ordem!

 

É surpreendente as ações espalhadas por todo o país, tratando das questões relacionadas ao suicídio e agora a automutilação. A cada ano crescem os interesses e as iniciativas tomadas no sentido do enfrentamento dessas situações. Só à guisa de informação, para demonstrar a relevância do tema, em artigo anterior, citei a pesquisa do Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica da Universidade de São Paulo (USP) a qual concluiu que 9,5% da população urbana brasileira já tiveram pensamentos suicidas e 3,1% tentaram tirar a própria vida. O resultado deste trabalho foi apresentado em 2016, às vésperas do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio comemorado dia 10 de setembro em todo mundo.

Em um outro trabalho anterior, 2009, Neury J. Botega e outros pesquisadores da Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas, com o objetivo de estimar a prevalência ao longo da vida de ideação, planos e tentativas de suicídio em uma dada população, examinaram 515 pessoas residentes em Campinas, São Paulo, Brasil, usando para tanto entrevistas através do Estudo Multicêntrico de Intervenção no Comportamento Suicida.

Nesse estudo verificaram que 17,1% das pessoas examinadas nessa população, apresentavam ideação suicidas (pensaram em se matar), 4,8% delas planejavam o suicídio e 2,8% tentavam contra a vida. No estudo verificaram que o comportamento suicida foi mais frequente em mulheres e em adultos jovens e que em cada três tentativas de suicídio, apenas uma chegou a ser atendida em um serviço médico. Esse estudo epidemiológico encontrou prevalências semelhantes na maioria dos estudos desse tipo, realizados em outros países.

Apesar de ser um estudo realizado há 10 anos, permanece como referência pela relevância de seus achados. Ele deu margens para muitos outros estudos e proposições nessa área, pois nos forneceu uma visão bem realista de como se distribui a ideação, o planejamento e a execução do suicida em uma população estudada. Infere-se a necessidade imperiosa do poder público dispor de serviços e recursos assistenciais nessa área para impedir que quase 3% da nossa população chegue a se matar.

Nessa perspectiva, sabe-se que o impacto afetivo, econômico e social do suicídio, como um fenômeno médico e psicopatológico é gigantesco e sempre despertou muito interesse em diferentes áreas do conhecimento humano, mesmo assim, todo o acervo de conhecimento que adquirimos, ao longo de séculos de estudos e pesquisas, não nos garantem a plenitude de saberes sobre esse tipo de morte. Estudos de genética sobre suicídio, são a cada dia mais relevantes. A biologia, a neuroquímica, a psifarmacologia e os estudos clínicos são atualíssimos sobre esse assunto. Estudos sociais e psicológicos, são imprescindíveis mesmo, assim reconhece-se, a necessidade imperiosa de permanecermos estudando, cada dia mais e com profundidade esse assunto para termos um maior conhecimento e domínio em seu manejo.

Apesar de toda polêmica em seu entorno, um fato sobre suicídio é cada vez mais confirmado cientificamente, nós humanos, em condições cognitivas e de saúde mental, no mais profundo significado dessas expressões, não nos matamos. Isto é, suicídio é uma condição psicopatológica, expressa um transtorno profundo dessa área e está diretamente relacionado à existência de doenças mentais.  Muitos estudos que demonstram isso, apresentam prevalências distintas entre essas condições psicopatológicas, sendo a depressão a que mais, efetivamente, colabora com a sua expressão.

Esquizofrenia, dependência química, Transtornos de Personalidade Boderline, Transtorno Afetivo Bipolar, alcoolismo e muitas outras condições psicológicas, sociais e psiquiátricas, colaboram para a consecução   do suicídio, em distintas proporções. Esse conhecimento médico e epidemiológico que existe atualmente, associado às manifestações sociais, cada vez mais participativas na busca de soluções, o esclarecimento científico cada vez maior sobre esse fato, o engajamento do poder público e institucional, a promulgação de Leis Federais, estaduais e municipais, sobre o assunto e o oportuníssimo rompimento dos tabus e preconceitos em torno dessa temática, vem colaborando para uma melhor abordagem e manejo desse assunto.

 Aqui no Maranhão, destaco a Campanha designada Rede do Bem: estamos aqui para ajudar, como uma contribuição valiosíssima, do Fórum Estadual de Prevenção da Automutilação e Suicídio, conduzida, competentemente, pelo Ministério Público Estadual, através do CAOP, que tem à frente a Promotora de Justiça Dra. Cristiane Lago. A criação deste Fórum foi uma proposta do Tribunal de Justiça do Maranhão, há alguns anos e hoje aglutina dezenas de instituições do poder público, instituições não governamentais e privadas, representativas do nosso estado que trabalham diretamente ou indiretamente com essa problemática. Dia 10 de setembro, a campanha Rede do Bem, ensejará dezenas de atividades no Odilo Costa Filho, na Praia Grande, sobre o assunto, participem será muito importante sua participação.

Além das ações do Fórum, as escolas, as universidades, empresas privadas e públicas, hospitais e clínicas, todas irmanadas em um só ideal, o de contribuir para se prevenir o suicídio e a automutilação. Destaco, também, a contribuição importantíssima da Imprensa local e nacional, que em boa hora, abre suas portas de forma responsável e tecnicamente preparada, passa a colaborar com novas formas de lidar com tais eventos, rompendo com os tabus e preconceitos, que por anos, a amordaçaram e a silenciaram de forma brutal. 

Prossigamos, a luta está só começando, daqui para frente é escancarar as portas para o debate, para as pesquisas, para o conhecimento e para iniciativas salutares no sentido de romper com os famigerados tabus e preconceitos e criar boas iniciativas na saúde, na educação, nas empresas e nas comunidades para ajudar milhões de pessoas que estão aí precisando de nossa ajuda.

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 07/09/2019

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Palavras-chave: Prevenção é a palavra de ordem!

Fonte: Por Ruy Palhano

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