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Agora Santa Inês - O ciúme como expressão de doença

O ciúme como expressão de doença

A palavra “ciúme” se origina no latim, ZELUMEN, que deriva de ZELUS, traduzida como “desejo amoroso, ciúme, emulação”. Indo mais afundo, a palavra latina que deu origem a todas essas é ZELOS, que significa “zelo, ciúme, ardo. Trata-se, portanto de um sentimento que instiga, influencia e conduz o indivíduo a tentar igualar-se a alguém ou mesmo pretender superá-lo. O sentimento de competição, de disputa, de concorrência está também presente em pessoas ciumentas em proporções distintas, pois dependendo da intensidade esses sentimentos toma uma configuração insuportável, para os envolvidos na trama do ciúme.

Nas relações humanas o ciúme é certamente um dos sentimentos mais comum. Surge nas diferentes formas de relações humanas e em distintas etapas da vida. Ocorre desde a mais tenra infância até mais tardiamente. Podendo-se, inclusive, considerá-lo como um traço marcante de nossa personalidade pela universalidade e frequência com que ocorre. O ciúme é um sentimento que brota em uma relação e se caracteriza como um sentimento, emoções e sentimentos de carência afetiva, desejo de posse em relação a alguém ou a alguma coisa*. Revela um sentimento de ameaça e perca de algo muito querido e desejado. A temática dominante do ciúme é suspeição da infidelidade do parceiro, podendo ocasionar sofrimento para os membros da relação.

Inúmeros estudos realizados em diferentes países e com diferentes populações indicam a presença do ciúme em boa parte dos pesquisados. É um fenômeno que pode aparecer ante uma imensa diversidade de situações, todavia, ocorre predominantemente, em relacionamentos amorosos, entre filhos, pais, pais e filhos, amigos e parentes.

Há níveis distintos de se experimentar o ciúme, de tal forma que nem sempre esta experiência é patológica ou disfuncional, considerando a baixa possibilidade de ele gerar problemas psicológicas ou sociais, isto é, não provoca danos de qualquer natureza. Há ocasiões, inclusive, que o próprio ciúme “tempera, aquece ou acalenta” a relação e favorece a aproximação entre as pessoas de tal forma que o mesmo favorece o relacionamento. Este tipo de ciúme é considerado normal ou funcional onde caso haja qualquer conflito por sua presença, uma boa conversa sempre resolve.

Todavia, quando esta fronteira é ultrapassada e a relação é formalmente afetada por dor, desconfiança mórbida, violência e sofrimento entre os envolvidos na relação aí estamos diante do ciúme doentio ou patológico. O ponto alto dessas disfunções são os prejuízos, de todos os tipos, que ele provoca nas pessoas envolvidas.  Este tipo de ciúme se expressa de forma heterogênea, através de ideias obsessivas, ideias prevalentes ou até mesmo atividade delirante. Essa situação pode se constituir como um sintoma de diferentes doenças, como transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno delirante, transtorno de personalidade, especialmente boderline e narcísico, transtornos graves do humor, esquizofrenia e alcoolismo.

Portanto, o ciúme patológico ou disfuncional está presente em uma gama de diagnósticos psiquiátricos: 7%; das psicoses orgânicas (doenças cerebrovasculares, demências etc.) 6,7% distúrbios paranoides; 5,6% psicoses alcoólicas e 2,5% em esquizofrenia e é também frequente em quadros de depressivos, ansiosos e obsessivos. A maioria absoluta dos portadores de ciúme patológico, entretanto, não está dentro dos hospitais, nem nos ambulatórios e sim nas ruas ou dentro de casa. Muitos portadores destes ciúmes não estão sem tratamento médico e quando procuram o especialista suas relações já se encontram desgastadas, deterioradas, restando, tão somente, o rompimento, pela impossibilidade de recuperar a convivência.

Entre os dependentes graves de álcool, em quadros de intoxicação alcoólica aguda e em estágios crônicos dessa doença, é comum esses enfermos apresentarem delírios de ciúme, ao ponto desse sintoma poder ser considerado uma característica da dependência do álcool. Neste caso a impotência sexual comum entre alcoólatras é um importante fator no desenvolvimento de ideias de infidelidade, sentimentos de inferioridade e rejeição. A prevalência do ciúme patológico no alcoolismo é muito alta e gira em torno de 34%. A evolução comum do ciúme patológico como sintoma do alcoolismo, pode ser, inicialmente, apenas durante a intoxicação alcoólica e, posteriormente, também nos períodos de sobriedade. Nas mulheres, fases de menor interesse sexual ou atratividade física, como ocorre na gravidez e menopausa, produz redução da autoestima, aumentando a insegurança e a ocorrência do ciúme patológico.

Por se tratar de uma condição mórbida o portador de ciúme patológico deve sempre procurar tratamento médico e psicossocial, só assim estas pessoas podem se recuperar. A utilização de medicamentos é uma estratégia importante especialmente quando este ciúme é secundário a outros transtornos mentais: dependência de drogas, alcoolismo, depressões graves, quadros psicóticos esquizofrênicos etc. As psicoterapias se constituem armas poderosas na recuperação destes enfermos especialmente as terapias-cognitivo – comportamentais - TCC.

 

*Segundo Antônio Geraldo da Cunha

Dicionário Etimológico

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 21/09/2019

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Palavras-chave: O ciúme como expressão de doença

Fonte: Ruy Palhano

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