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Agora Santa Inês - LITERATURA LITERALMENTE

LITERATURA LITERALMENTE

Sísifo desce a montanha: os prazeres da pedra

“subir foi demorado, descer é outra arte”.

(Affonso Romano)

Sísifo teimou com a autoridade. Queria sonhar uma nova vida. Enganou os deuses do fundo da terra, por isso foi condenado a carregar uma pedra até o topo da montanha. Toda vez que chegava lá. A pedra rola e volta. Então, é preciso reiniciar a tortura. O mito parece com a vida? Sim. As repetições da vida são castigos, aprendizagens, momento para catarse.

Affonso Romano de Sant’Anna é professor, ensaísta, jornalista, poeta (um dos grandes nomes da literatura brasileira, na atualidade). Sabe cortar a linguagem com a lâmina das virtudes. Nos encanta com a capacidade de revelar o irrevelável.

Acabei de ler Sísifo desce a montanha. Em muitos poemas fui tomado pelo mistério profundo, do diálogo. Eu não busquei respostas, nem ele nos oferece. No entanto, oferta mais. Sai deixando pitadas de sensações das muitas mortes do poeta. É o tema geral do livro (a morte). Ele vai além? Claro. Apresenta suas filosofias da linguagem, as angústias do esquecimento coetâneo, as imagens marginais do cotidiano.

Destaco, de início, a primeira parte do poema NUM RESTAURANTE, que está na página cento e dois. É uma aula de prazer. Com uma didática emocional, acima do lirismo vazio da literatura contemporânea:

 

Alguém

preparou para mim

a comida

ali no fundo deste restaurante

e não vejo seu rosto.

Ouço ruídos.

 

A boa, má e anônima comida

chega à minha mesa

como se navios avançassem

sem que suarentos braços

alimentassem suas caldeiras.

 

Roland Barthes - no livro O Prazer do Texto - que eu tenho a quarta edição, de mil novecentos e noventa e seis (Editora Perspectiva) diz: “o texto que o senhor escreve tem de me dar prova de que ele me deseja. Essa prova existe: é a escritura. A escritura é isto: a ciência das fruições da linguagem, seu kama-sutra”. O crítico literário francês nos mostra a necessidade do texto conquistar o leitor. Não posso negar os desejos nos meus olhos. Leio a cena muitas vezes. É instigante. Desdobra-se como um tsunami dentro de mim.

Parece uma crônica em versos, tão sutil, como um beijo sentido antes de tocar os lábios. Nas estrofes acima, temos a preparação da ruptura do ato de comer. Vamos avançar mais um pouquinho e entender:

 

Tudo que chega a mim

teve um drama pregresso

o grão, o tecido, o plástico

o industrial aparelho tão belo e limpo

tudo tem suor, tem sangue, tudo

veio da aflição, da ânsia

a produzir em mim, um incerto prazer.

 

Dois homens mastigam na minha frente

riem, conversam seus negócios, telefonam

como em qualquer restaurante do mundo.

 

A cena primária é retomada pelo poeta, num ato quase de análise freudiana. De repente, a vista é clareada. As aflições dos que fazem a comida recuperam os traumas de Affonso Romano. Criam uma armadilha. Preocupam a superfície da mesa. Os homens proprietários apenas mastigam. Só o artista é um neurótico diria Barthes. 

A estrofe final do poema promove o mesmo prazer no leitor e no escritor como veremos:

[...]

 

Longe, nos subúrbios

onde prospera a fome

meu prato

está sendo preparado

por toscas criaturas

e nunca saberei seus nomes.

 

A insatisfação com a comida é nítida. Há sinais de prazer na reflexão poética dissonante. Só nas palavras mora a propriedade, que sustenta o discurso. Parece que sentimos a fome de quem prepara e não se alimenta. Affonso Romano é um transgressor, buscando o prazer. 

 

TEXTO: PAULO RODRIGUES – Professor de literatura, poeta, escritor e autor de O Abrigo de Orfeu (Editora Penalux, 2017); Escombros de Ninguém (Editora Penalux, 2018).

 

Por* Luiza Cantanhêde, poeta e ativista cultural. 

 

 

VOCÊ NÃO SABE

Você não sabe

o que se passa

aqui dentro;

o mistério atraindo

o infalível martírio.

 

Não queira saber o

que se passa aqui dentro.

 

É bem maior que a

estrada para o interminável

delírio.

 

Os brejos e

as ladeiras,

já não são

os mesmos.

 

Só o sertão

e o homem.

 

Luiza Cantanhêde, poeta e ativista cultural.


Missão dada, missão cumprida!

É com muito orgulho e satisfação que representamos muito bem nossa querida e amada Zé Doca durante dois dias na FELIS- Feira do Livro de São Luís, momento importante para nossa cidade, pois foi a primeira vez que o município foi representado em um mega Evento Literário na capital de nosso Estado, representação essa que se deu através de nossa Instituição, a AZL, no dia 13 participamos da Cerimônia de posse de 40 mulheres na AJEB- Associação de Jornalistas e Escritoras do Brasil, participamos do Encontro e lançamento coletivo da FALMA- Federação das Academias de Letras do Maranhão, momento em que representantes de várias Instituições Literárias de todo o Maranhão estiveram ali em um bate-papo super importante.

Dia 14 estivemos no auditório Aluísio Azevedo para nossa posse como membros efetivos da Sociedade de Cultura Latina do Estado do Maranhão, onde foram empossados Ezequias Sousa da Silva- presidente da AZL,  Graciane Soares e Soares- conselho fiscal da AZL e Valéria Carvalho Maranhão Falcão- Secretária-Geral da AZL, momento que muito nos emocionou por ver nossa terra representada no seio da intelectualidade Maranhense, entre grandes nomes da literatura do Maranhão estávamos nós, três Zedoquenses, isso é de fato motivo de orgulho e  um grande incentivo a todos para que possamos continuar lutando por nossa literatura e cultura.

Agradecemos a presidente nacional da SCLB, professora Drª Dilercy Aragão Adler, nosso presidente estadual da SCLMA, escritor Carlos Cesar Brito, aos jovens escritores Zedoquenses Nathan Pereira e Elaine Melo que foram nos prestigiar, a  querida amiga e irmã da Confreira Graciane por dar apoio e suporte e por também ir nos prestigiar.

A todos os nossos confrades e confreiras, cidadãos Zedoquenses nossos agradecimentos.

A literatura Zedoquense vive!! Avante!!

Ezequias Sousa da Silva

Presidente da AZL

Feira do Livro de São Luís - FELIS)

 

 

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 19/10/2019

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Palavras-chave: LITERATURA LITERALMENTE

Fonte:

Big Systems
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