• Agora Santa Inês -
  • Agora Santa Inês -
  • Agora Santa Inês -
  • Agora Santa Inês -
Agora Santa Inês - LITERATURA LITERALMENTE

LITERATURA LITERALMENTE

UMA POÉTICA ACIMA DO CAOS

“a parte mais efêmera de mim

é esta consciência de que existo”.

Ferreira Gullar

PAULO RODRIGUES

Estive com Airton Souza, no dia 30 de outubro de 2019. Fomos receber a premiação literária da União Brasileira de Escritores, na Academia Brasileira de Letras. O prêmio é tradicional e muito charmoso, porque é organizado pela mais antiga instituição de autores do país.

Durante a cerimônia, o poeta entregou-me o livro: Crisântemos Depois da Ausência, com o qual foi menção honrosa no Prêmio Vicente de Carvalho 2017. Não resisti. Iniciei a leitura, ali, na casa de Machado de Assis. As imagens são um jardim no meio das ruínas. As janelas foram arrancadas. Os portais também. Um menino, com cara de reboco caindo, espia as ausências.

No entanto, a vida nasce verde como mato na calçada. É claro que Platão tem razão. O mundo material é uma ilusão: “se é, e deixa de ser, é porque não era”. Estas reflexões estão plantadas na poesia de Airton. A casa assume o entardecer. O silêncio ramifica o nada, na nossa cara. Ele escapa do fragmentário da poesia contemporânea, construindo um corpus denso e narrativo.

Dedica vários poemas para os pais. Um em especial, na sessão Escombros Crispados, chamou-me a atenção:

 

ponho a casa

em imagem de espera

 

a ferramenta deus

apontou caminho para mãe

& a velhice dela

[ é um pé na memória]

renascida nos umbrais abertos

no vazio dos dias

 

queria falar a mãe

que só hoje aprendi ouvir o mar

de quem ela nunca recebeu notícias.

(Souza, 2017, p. 58)

 

Nesse poema, Airton não mutila a realidade. Vai reconstruindo o memorável, com a mater dominando o consciente e o inconsciente que veste a poesia. A clorofila do verbo respeita Thanatus, mas faz louvação ao vivido. As marcas nos olhos são como manchas na parede. O tempo não as cobre. As cores do arco-íris não eliminam as marcas.

O poeta queria falar para a mãe. A lição está apreendida. O tempo tem pó de ferro na íris. Nada interessa ao Cronos, nem mesmo a lucidez da poesia de Airton Souza. 

Não é fácil ser lúcido e poeta, na pó-modernidade. O caos está instalado. Vivemos nele, ou melhor, tentamos achar sentido entre o pó e as pedras raras. Airton consegue organizar sua voz, quando a emite tudo ganha sentido, rumo, liga.

Retoma o tema ausência muitas vezes. No poema dedicado “aos companheiros mortos no Massacre de Eldorado dos Carajás”, por exemplo, nos coloca com os pés no sangue (ainda quente). Conseguimos sentir o escorrer da história no seguinte trecho:

 

mal(dita) seja a cruz

[plantada em platibanda]

no que resta de nós – o nome

 

a ferida massacre

não é apenas uma data

algumas covas

poucos gritos

rancor & choro

[...]

(Souza, 2017, p. 66)

 

A poesia deste ser amazônico tem denúncia como árvores que se destacam, na floresta ainda virgem. Por isso, Olga Savary diz: “Chamando o poeta – no caso aqui Airton Souza – à extrema consciência, é necessário engrandecer seu texto, sua poesia”.   A escritora tem razão. As sementes nas palavras de Crisântemos Depois da Ausência são necessárias para ressuscitar o humano.

O poeta quebra a lógica: os corpos foram enterrados, entretanto plantam os crisântemos nas manhãs. Propõe aos leitores uma nova leitura sobre a saudade. E cumpre bem a proposta!

 

TEXTO: PAULO RODRIGUES – Professor de literatura, poeta, escritor e autor de O Abrigo de Orfeu (Editora Penalux, 2017); Escombros de Ninguém (Editora Penalux, 2018) e membro da Academia Poética Brasileira.

A poesia em Mell Renault


Várias são as "linguagens" dos que têm como ofício servir à poesia, porém cada poeta tem seu próprio refúgio, suas raízes, seu mergulho, seu batismo o que não impede de termos as nossas fluências, influências e parecenças. Eu poeta de beira de rio, de ventos ribeirinhos me senti acolhida na poesia ancestral, profunda e de tantos mergulhos, de Mell Renault. Ao ler "Patuá" me encantei com os poemas tecidos com o mesmo apuro do pescador jogando sua rede para pescar o pão do rio.

"No saber da pedra" a poeta busca a matéria-prima de seu destino/caminho, se faz "passagem" "Folha, fruto, grão"

Do poema "Sagrado" retiro o excerto

"Da terra lavrar o sangue dos ancestrais e plantar o aroma das flores que nas mãos calejadas amaciam a dor" em seus poemas concêntricos a poeta traz em seu bojo: o tempo, o respeito à ancestralidade, o universo feminino e sagrado da natureza e as imersões no universo fluídico das águas.

"Água viva/ feito sangue"

Em sua aldeia mell acende a " clareira onde dançam todas as mulheres sábias"

Poeta, tecelã de seus amuletos, coloca em seu patuá tudo que extrai da natureza, "das manhãs de sol" da "língua da chuva" que na "urgência descobriu o tempo"

Dentro dela "mora a imensidão de um céu aberto"

"Nem faca,nem pedra, nem gume"

Pétala

 

Chão!

 

*Luiza Cantanhêde, Poeta, autora de "Palafitas" Amanhã, serei uma flor insana" e "Pequeno ensaio amoroso"

Editora Penalux. Você não sabe

Você não sabe

o que se passa

aqui dentro;

o mistério atraindo

o infalível martírio.

 

Não queira saber o

que se passa aqui dentro.

 

É bem maior que a

estrada para o interminável

delírio.

 

Os brejos e

as ladeiras,

já não são

os mesmos.

 

Só o sertão

e o homem.

 

*Luiza Cantanhêde, Poeta, autora de “Palafitas” Amanhã, ativista cultural serei uma flor insana” e “Pequeno ensaio amoroso”

Editora Penalux. SIM! E DAÍ?

*Por:  Luís Henrique

 

Ao que tudo indica outra polêmica capitaneada pelo vereador Pedro Tavares vem tomando forma lá pras bandas do Legislativo de Santa Inês. Pedro Tavares é autor de uma matéria onde conclama seus pares a adotarem um pedacinho de nossa cidade para cuidarem e garante que não existe nenhum empecilho na lei que aponte para que um cidadão não possa cuidar do lugar onde vive. Grita geral! Tem vereador dizendo que não é este o papel do vereador, que essa tarefa é de competência do Poder Executivo e por aí vai. O certo é que Pedro Tavares está falando de cátedra. Ele mesmo adotou os canteiros em frente a sua residência na Rua da Pedra Branca e cuida daquele trecho com recursos próprios e o lugar é uma belezura. Ressalte-se que tal ação ele vem levando a efeito bem antes de tornar-se vereador. Bom se é contra a lei eu confesso que não sei. Deve ter aí algum capítulo proibindo vereador de trabalhar para que isso não lhe sirva de “promoção pessoal”. Considero até louvável a iniciativa do Vereador Pedro Tavares que inclusive está fazendo Escola, a Faculdade Santa Luzia, a exemplo do que faz o Vereador com os canteiros em frente a sua residência, adotou uma quadra ali nas suas proximidades que os moradores sem educação estavam transformando em lixão e agora tá lá, limpa, pintada, bem cuidada, outra belezura. Parece que essa discussão ainda vai longe. E você eleitor pagador de impostos que não sabe para onde eles vão, o que acha?

*Luís Henrique

Poeta, escritor, cidadão.

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 30/11/2019

Visitas: 21

Palavras-chave: LITERATURA LITERALMENTE

Fonte:

Big Systems
5548683 visitas no Portal www.agorasantaines.com.br hoje 14 do mês 12 de 2019