• Agora Santa Inês -
  • Agora Santa Inês -
  • Agora Santa Inês -
  • Agora Santa Inês -
Agora Santa Inês - Internar, um imperativo a favor do paciente

Internar, um imperativo a favor do paciente

Esse é o segundo artigo que trata do assunto internação em Psiquiatria, embora amplamente discutido, ainda há uma celeuma, em torno do assunto. Reconhece-se, que de fato é um assunto deveras importante e que devemos realmente discuti-lo, abundantemente, para melhor entender como funciona esse processo.

Internar alguém por um transtorno médico é um dever médico e uma prerrogativa ética, moral e legal dos enfermos, em condições especiais no curso de uma doença. Do ponto de vista médico, nenhum profissional, independente da espacialidade, sugeriria que alguém se internasse em um hospital, sem uma base clínica e ética que justifique tal indicação. As condições agudas, entre as manifestações médicas, correspondem as maiores indicações de uma internação hospitalar, sobretudo se essa condição ameaça a vida do paciente e/ou de outras pessoas.

Nessa perspectiva, o uso de drogas é uma questão médica e psicossocial grave, que certamente representa um dos maiores problemas de saúde pública, segurança e bem-estar social, dos últimos anos. Os índices de morbimortalidade relacionadas ao uso de drogas, na prática superam em muito as estatísticas epidemiológicas de suicídios, homicídios, mortes ocasionadas por transito, canceres, guerras e por muitas outras doenças, que ocupam lugares de destaque nas estatísticas nacionais ou internacionais. Além do mais a situação se complica, por se saber que o problema não se restringe somente aos usuários, mas às suas famílias, ao trabalho, as escolas e a todos que, de uma forma ou de outa, se relacionam e essas pessoas.

Múltiplos fatores, atualmente, colaboram para o aumento das demandas para o consumo de álcool e outras drogas. Questões sociais, psicológicas, questões médicas e psiquiátricas, a banalização do uso de álcool e outras drogas, a desagregação sócio familiar, a falta de diálogo franco entre pais e filhos, a curiosidade, a propaganda de bebidas alcoólicas, a inexistência de políticas públicas efetivas sobre álcool e outras drogas, a necessidade de autoafirmação do jovem perante um grupo, o incremento do tráfico de drogas, são alguns fatores que explicam o aumento dessa demanda.

A sociedade parece imobilizada sem saber nem por onde começar para participar adequadamente desta questão, pois como as medidas públicas são fragmentadas isto favorece a desmobilização social para o enfrentamento da situação, adotando conduta meramente contemplativa.  Apesar do tamanho do problema e da imobilização social há no presente setores da sociedade que se encontra bem engajados nesta luta. Entidades públicas, filantrópicas, privadas, religiosas, que, congregando pessoas sedentas de informação e auxílio, fornecem aconselhamento, permitem a troca de experiências e proporcionam tratamento e assistência aos dependentes químicos.

Talvez seja a família, um dos segmentos sociais mais afetadas, pois as mães e pais desesperados batem às portas dessas instituições ou do poder público, relatando que já perderam tudo: a paz, o sono, a saúde, o patrimônio. Agora, estão prestes a perder a esperança e a vida, levadas de roldão pelo comportamento suicida, agressivo psicótico de um filho ou familiar que se atirou no poço profundo do vício, de onde não tem forças para sair.

As opiniões sobre a melhor forma de tratar dependente de drogas álcool e de outras drogas são divergentes, embora todos deem suas contribuições. A dependência química é um transtorno grave que exige tratamento imediato, mesmo à revelia dos enfermos. O sucesso desta iniciativa, como qualquer intervenção médica responsável, depende do acerto entre a medida indicada e as necessidades do paciente. Qualquer atividade de atenção e assistência a esses enfermos devem estar em consonância com os princípios médicos é ticos e legais, é o que estabelece a Lei 11.343/06.

São raros os casos de dependentes de drogas e de álcool, que se recuperam sem o auxílio da família, dos profissionais ou de terceiros, nesse sentido de apoiar esses enfermos. Uma pesquisa americana revelou que 50% dos dependentes químicos apresentam algum tipo de transtorno mental, sendo o mais comum deles a depressão, transtorno de personalidade e outros transtornos mentais. Muitos são inaptos para avaliara a própria doença e a nocividade do seu comportamento, por isto mesmo, não aceitam qualquer tipo de ajuda.

A Lei Federal, acima citada, busca apoia-lo, protege-lo e dar-lhe seu direitos e garantias e total apoio a suas demandas, médico, sociais e de direito a ele e a suas famílias, procurando garantir-lhe o melhor de uma assistência, ambulatorial ou hospitalar.

Estudos recentes mostram que o fato de alguém se internar em um hospital para se tratar involuntariamente, voluntariamente ou de forma compulsória não macula o resultado destes tratamentos através dessas modalidades de internação, pois os pacientes podem se beneficiar do que lhe é oferecido através das mesmas. O que não se concebe mais nos dias atuais é esperar que um doente mental grave como são os dependentes de álcool e outras drogas decidam, tão somente, se querem ou não se tratar já que lhes faltam estas prerrogativas em razão de suas doenças.

A dependência química é uma condição médica e psicossocial, grave com implicações severas e profundas em todas as dimensões humanas, que impõe aos indivíduos, portadores desses transtornos, aos seus familiares e a sociedade em geral, alterações profundas em seu bem-estar. A cognição, os afetos, as emoções e o estado emocional e a consciência dos usuários de álcool e de outras drogas estão comprometidas, alterando, por conseguinte sua autocrítica e sua auto avaliação, quanto a necessidade de um tratamento.

Esse fato, por si só, faz com que parentes próximos, familiares, possam assumir, temporariamente, a responsabilidade civil sobre esses enfermos, permitindo que haja o tratamento em regime hospitalar, e sob rigorosa, responsabilidade médica. De tal forma, que não é maldade, violência, ou restrição de direitos humanos nessas internações, involuntárias ou compulsórias (judiciais), pelo contrário, todas estão a serviço da família e dos enfermos.

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 23/12/2019

Visitas: 148

Palavras-chave: Internar, um imperativo a favor do paciente

Fonte: Por Ruy Palhano

Big Systems
6996318 visitas no Portal www.agorasantaines.com.br hoje 14 do mês 08 de 2020