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Agora Santa Inês - LITERATURA LITERALMENTE

LITERATURA LITERALMENTE

*Clélio Silveira

Olá sobreviventes desta nau chamada Literatura! Hoje é sábado e é dia de nos deliciarmos com os “escritos” inexoráveis dos nossos poetas, poetizas, escritores e sonhadores de um mundo mais límpido, romântico e feliz! A felicidade pode sim estar em ler ou escrever  um soneto, uma poesia ou um artigo que com algumas centenas de caracteres, nos leva a viajar....viajar....viajar!  Eu, que desde os meus 7 (numeral mesmo)  anos de idade, sonhava em ser um “escrevinhador”,  já não me lembro quantos folhas de caderno gastei nos primórdios de minha adolescência e juventude, como também não lembro quantas laudas já escrevi desde a minha primeira fase adulta até a terceira idade que vivo intensamente agora, pelas Graças de Deus. Isso não vai ao caso. O que me move mesmo são as surpresas que me arrebatam de quando em vez, ao deparar-me com mais e mais seres iguais a mim, ou melhores do que eu neste cenário literário, que buscam nos dias de hoje, preencher um vazio (que jamais existiu), batendo à porta do AGORA, com uma larga e extasiante produção de material para esta página, ou seja; trazendo debaixo do braço, ou recitando em palavras, os mais belos textos literários produzidos nesta urbe. É isso que me move, como um “moinho”, palavra essa que ficou mais conhecida do que nunca quando o Mestre Cartola, de saudosa memória, escreveu musicou seu belo poema O Mundo é um Moinho, um clássico da Música Brasileira de todos os tempos. Não temos aqui um Cartola, mas temos muitos e brilhantes produtores literários, que tiram da cartola, perdão, da cachola, as mais lindas páginas literárias que nos fazem delirar, assim como a poesia de Cartola, o qual homenageamos hoje, publicando a letra de uma de suas grandes obras. Um abraço e até o próximo sábado! Com as bênçãos de Deus, minha maior inspiração. (Clélio Silveira Filho/Editor)

O MUNDO É UM MOINHO

“Ainda é cedo, amor

Mal começaste a conhecer a vida

Já anuncias a hora de partida

Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

 

Preste atenção, querida

Embora eu saiba que estás resolvida

Em cada esquina cai um pouco a tua vida

Em pouco tempo não serás mais o que és

 

Ouça-me bem, amor

Preste atenção, o mundo é um moinho

Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho

Vai reduzir as ilusões a pó

 

Preste atenção, querida

De cada amor tu herdarás só o cinismo

Quando notares estás à beira do abismo

Abismo que cavaste com os teus pés

CARTOLA

APESAR DOS PESARES...

Quando verbo intransitivo, pesar também significa servir de encargo ou ônus ou ainda algo ou alguém que tornou-se incômodo. Quando verbo transitivo cabe, dentre outras, a interpretação examinar com atenção e prudência: ponderar. Lembro-me, então, do meu ex-diretor da minha antiga escola que me dizia que manter o sucesso é um exercício contínuo onde quem o almeja não pode, sob hipótese alguma, se deixar abater. Nas conversas com o Dr. Plínio Adamy, ele não apenas repreendia meu comportamento de adolescente elétrico, que às vezes sem foco e noutras focado em diversas coisas, típico de quem não se predispõe a realizar um projeto, ele me aconselhava. Caminhando em direção a ser um sexagenário continuo nutrindo a capacidade de ouvir e nem sempre apenas os mais velhos, muitas vezes os mais novos, são ângulos diferentes das mesmas questões. A juventude com seus arroubos, os mais velhos geralmente dotados de prudência. Mas isso nem é regra geral, conheço gente de pouca idade centrada, focada em seus objetivos, aguerridas, disciplinadas... e uns com mais idade que parece ainda nem terem saído da infância. É a beleza de sermos únicos e apenas uma só vez, não ouso, portanto, em nenhum dos extremos fazer qualquer juízo, prefiro aprender. Se o certo é saber que o certo é certo... a minha ideia de certo pode facilmente chocar-se com outras ideais que só podem ser discutidas no âmbito do respeito pelas ideais, quer seja a minha, quer seja a do outro. Já ouvi zilhões de vezes pessoas dizendo que fazer sucesso é relativamente fácil e que manter o sucesso é que são elas. Pode até ser, mas vejo muito particular essa ideia de sucesso. O meu é ter saúde, coragem para empreender, fazer e manter bons amigos e acordar ao lado de quem amo e que corresponde a esse amor me transmitindo e recebendo segurança, assim como não perder tempo com coisas banais, negativas e que não enriquecem. Como se pode observar, minha receita de SUCESSO é bastante simples. Se eu ganhar muita grana e perder a saúde vou ver isso mais como um fracasso...aqui, sucesso é usufruir da grana ganha a duras penas. A propósito, quando sou interpelado por alguém que desavisadamente acredita que não sou feliz por que não estou (ainda) rico de dinheiro. Sorrio com tranquilidade ante isso. Afinal, eu sempre fui rico de coisas que o dinheiro não pode comprar. Assim, apesar das perdas que contabilizei até aqui...muitas irreparáveis; só volto ao passado para relembrar algum aprendizado a ser utilizado em questão do presente para fugir do risco de repetir erro, considero repetir erro burrice. Em outras palavras vou continuar na trilha do sucesso, apesar dos pesares.

*Luís Henrique é Professor, Escritor, Comendador e membro da Academia de Letras de Santa Inês 

UM DIA ESPECIAL

Numa pequena cidade do interior do Estado do Piauí que chamarei de Nova Sabará, todas as ruas eram calçadas de pedra e havia uma das ruas que era considerada a principal da cidade onde o comércio era predominante e, portanto, o movimento maior concentrava-se ali.

Um antigo morador de rua vivia nas calçadas, com suas roupas velhas, rasgadas e uma longa barba malcuidada. Era conhecido como: “dinamarquês”, pois vivia contando histórias do Rei Cristiano VII, Rei na Dinamarca e Noruega. O morador de rua “dinamarquês” era conhecido de todos naquela cidade, muitos levavam comida para ele e agasalhos também.

Aos domingos a rua ficava deserta, o comércio não funcionava e as crianças aproveitavam para andar de bicicleta e era comum, algumas charretes circularem por lá também. A cidadezinha era aconchegante e muitos turistas faziam passeios, havia montanhas e, a natureza foi bastante generosa com aquele lugar.

Embora o morador de rua “dinamarquês” fosse bem tratado por muitos, havia algumas pessoas que o ignoravam e o chamavam de louco, pois as suas histórias, às vezes, não faziam sentido e ele gritava em meio ao movimento da cidade durante a semana.

Ele bradava: Um dia nada, um dia tudo! Um dia rasgado, um dia rei! E ninguém conseguia entender o que ele queria dizer. “Dinamarquês” já vivia por ali, há mais de 20 anos naquelas condições e ninguém sabia das suas origens, mas o morador de rua demonstrava algum conhecimento e diferenciava-se nos conselhos que dava às crianças e aos turistas que também paravam para escutá-lo.

Na região havia fazendas de criação de cavalos de raça, muito bonitos e treinados que, inclusive, participavam de competições, de desfiles, etc.

Às vezes faziam exibições pela rua principal da cidade e o barulho das passadas dos cavalos sobre as pedras, chamava a atenção dos turistas, sem falar que os cavalos eram muito bonitos, de todas as cores, imensos e fortes e os cavaleiros se paramentavam a caráter para essas exibições.

Quando os moradores ouviam as passadas dos cavalos sobre as pedras, todos abriam suas janelas e portas e toda a rua ficava cheia de gente para assistir ao maravilhoso evento que quando acontecia de período em período, era num dia de domingo que de silencioso passava a ser, então, um dia especial e a rua principal ficava mais bela e mais cheia de gente ainda.

Um dia, “dinamarquês” aproveitou os trocados que recebera da população e de alguns turistas e resolveu arriscar na única casa lotérica da cidade, fez uma aposta simples em cada modalidade que havia. O morador não foi o ganhador do prêmio máximo, mas acabou ganhando um bom valor de mais ou menos sessenta mil reais. Nada falou e imediatamente traçou um plano: saiu da cidade sem alarde, dirigiu-se à cidade mais próxima, cortou os cabelos, fez a barba, comprou roupas novas, etc., ou seja, mudou completamente o seu aspecto físico, a sua aparência ficou completamente diferente, irreconhecível!

“Dinamarquês” procurou uma das fazendas da região e alugou o cavalo mais bonito que havia. Branco de linda crina e grande porte. Contratou dez homens e os vestiu de armaduras, também algumas mulheres foram contratadas para encenar uma verdadeira caravana real. E assim, “dinamarquês” entrou pela pequena cidade, na rua principal, num dia de domingo. Homens iam à frente tocando trombetas e anunciando a chegada do “Rei da Dinamarca” que viera fazer uma visita àquele povo.

        Foi uma entrada triunfal! Todos abriram as suas janelas e portas, logo a rua principal estava repleta de gente, todos maravilhados com a pompa e a honra de receber em sua humilde cidade, a presença ilustre de um Rei.

        E o cavalo branco de “dinamarquês” desfilava majestoso pela rua e todos aplaudiam o dito ‘rei’ e a sua caravana. “Dinamarquês” distribuiu presentes para a população e as crianças ficaram felizes com toda aquela novidade.

        O encanto durou toda a manhã daquele domingo, que seria inesquecível para os moradores de Nova Sabará. E após gastar tudo o que ganhara na loteria, “dinamarquês” parou o alugado cavalo branco, bem no meio da rua e cercado por uma multidão, desceu do cavalo, tirou a sua capa, coroa e tudo mais... Chamou uma das moças que havia contratado e pediu à maleta que trazia a abiu e tirou suas roupas velhas e rasgadas, vestiu-se. Enquanto isso, a cidade, pasma! Não dizia uma só palavra, então “dinamarquês”, agora vestido como sempre, bradou: sou eu! “dinamarquês”! E como todos viram, nesta vida, podemos ser o que quisermos, mesmo que seja por apenas um dia. E continuou a falar: vocês nunca se esqueçam disso: Nessa vida, você pode ser o que quiser, pois, “um dia nada, um dia tudo! Um dia rasgado, um dia rei”.

        E foi ai que todos entenderam o sentido da frase sempre dita por “dinamarquês” e essa foi uma lição que aquela população aprendeu e jamais esquecerá.   Fim.

RESUMO BIOGRÁFICO DO AUTOR

 

Luciênio Lindoso Azevedo, 49 anos, nascido aos 10 de Março de 1970 na cidade de Viana – MA. Tem formação em Teologia e Filosofia e, por muitos anos lecionou matemática em várias escolas da Região do Alto Turi. Hoje, é membro da Academia Zedoquense de Letras, ocupante da cadeira de nº 09 e está em processo de publicação do seu primeiro livro de poesias, tendo participação em muitas Antologias pelo país.

 

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 08/02/2020

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Palavras-chave: LITERATURA LITERALMENTE

Fonte:

Big Systems
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