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Agora Santa Inês - Disfunções no uso das mídias sociais, aplicativos e dispositivos eletrônicos

Disfunções no uso das mídias sociais, aplicativos e dispositivos eletrônicos

É cada dia mais relevante a relação do homem com seus inventos. A atual “era” da inovação, da informação, das moderníssimas tecnologias e da informática, nos surpreende a todos. Ao mesmo tempo que constatamos os surpreendentes benefícios e satisfação em utilizá-las e delas tirar o máximo de proveito em nosso benefício, verificamos, paradoxalmente, um volume cada vez maior de pessoas afetadas pelos abusos, exageros e disfuncionalidades na utilização desses avanços. Muitos adoecem emocional, social e psiquicamente pelo uso descontrolado desses equipamentos eletrônicos, dos aplicativos e redes sociais, os quais são instrumentos úteis a favor de nossa comunicação, do nosso lazer e do trabalho.

Informática, Facebook, Instagram, Snapchat, WhatsApp, RPG, Candy Crush, Ask.fm, Secret…, todas essas ferramentas virtuais são atrativas que aparecem a uma velocidade impressionante tornando-se até difícil acompanhar sua evolução. Enquanto a maioria das pessoas fazem uso adequado e moderado para se comunicar, ou como entretenimento ou ainda para finalidades de trabalho, muitas caem nas malhas dos exageros das atividades “on-line” e não conseguem se desconectar, apesar dos esforços que façam para tanto.

 A Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP, entidade dos psiquiatras brasileiros que congrega mais de seis mil médicos dessa especialidade, alerta: “o vício tecnológico é um problema sério, semelhante às dependências químicas”. Os psiquiatras e psicólogos que debatem e trabalham com essa temática afirmam que ainda é cedo para avaliarmos plenamente e com rigor o impacto pessoal e social que essas práticas nocivas podem causar a sociedade e às pessoas afetadas por esses abusos.

Em artigo anterior sobre essa mesma temática, informava que o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais da Associação Psiquiátrica Americana – APA, em sua última versão (DSM-5), já incluiu a dependência em jogos eletrônicos na sessão III, realçando que ainda são necessários mais estudos a respeito desse assunto para se avaliar melhor o impacto nas pessoas. Já a fixação e as relações disfuncionais em redes sociais e mensagens instantâneas é um fenômeno tão novo que ainda não entra na classificação oficial do documento da APA, porém, já aparece o termo uso problemático das tecnologias, como diagnóstico dos transtornos dessa natureza.

Para o psiquiatra Daniel Spritzer, fundador e coordenador do Grupo de Estudos sobre Adições Tecnológicas (GEAT), a dependência precisa ser estudada e tratada de acordo com cada subtipo. Segundo seu ponto de vista, há muitas diferenças entre usar redes sociais e ficar vendo vídeo no Youtube ou jogando o dia inteiro. Ainda assim, no cotidiano dos consultórios, dos que tratam dos diversos transtornos virtuais: jogos eletrônicos, redes sociais, smartphones e outros procedimentos on-line apresentam características comuns às adições tecnológicas e que também estão presentes em pacientes dependentes de álcool e de outras drogas, os quais apresentam prejuízos psicológicos, sociais e à saúde: isolamento social, baixo rendimento laboral e escolar, dificuldade de parar de usá-las, fissuras, recaídas e comorbidades (doenças que se manifestam paralelamente ao quadro). Entre estas as mais comuns são: depressão, transtornos de ansiedade, pânico e transtorno obsessivo-compulsivo. Alguns desses pacientes chegam aos consultórios médicos com algum desses problemas, e, durante a avaliação, se constata que os mesmos sofrem também de dependência em algum tipo de tecnologia.

O uso funcional e o uso disfuncional (patológico) dessas mídias sociais, aplicativos e equipamentos eletrônicas ou ferramentas on-line, são inteiramente diferentes entre os respectivos usuários. Mudanças no humor, tempo excessivo gasto com a atividade, a tolerância cada vez maior na prática, conflitos internos e sociais ocasionados por isso, recaídas, e apego exagerado a essas práticas, são alguns deles. O excesso de tempo desprendido nessas atividades é um marcador importante, mas não determinante para a caracterização do transtorno.

Para a psicóloga Aline Restano, pesquisadora do GEAT: “dificilmente, vai ter alguém dependente que jogue só duas horas por dia, mas nem todo mundo que joga muito vai ter prejuízo. O tempo é relativo, só um indicador do problema”, afirma ainda: “para diagnosticar, não basta saber quanto tempo usa, mas como usa”. Ainda para a psicóloga, o usuário pode passar muitas horas nas redes sociais sem se abalar pelo fato de sua foto ter recebido poucas curtidas. Isso não acontece com os dependentes. Nesse caso, até o som de notificação de mensagens do WhatsApp traz prazer para os pacientes que, por outro lado, sofrem quando o aparelho soa menos do que eles esperavam. Um prazer que, na realidade, está profundamente associado à angústia.

Outro aspecto relevante, além do excesso de tempo desprendido na atividade, é o prejuízo psicossocial que a pessoa desenvolve em função do abuso e/ou dependência. Este é outro indicador relevante para caracterizar o transtorno. Por darem muita importância às relações com esses instrumentos midiáticos e eletrônicos, as outras atividades da vida perdem o sentido, a importância e significância. Por isso mesmo traz grandes prejuízos às pessoas que estão adoecendo. Outros sintomas são a perda de interesse social (a pessoa deixa de se relacionar com as outras para se dedicar ao mundo virtual), os conflitos familiares e até alterações na saúde relacionadas diretamente às práticas abusivas, bem como sedentarismo, aumento de peso, anedonia e também relatos de queixas somáticas vagas nesses enfermos.

Portanto, recomenda-se que as pessoas tenham muita cautela na utilização dessas ferramentas e que as utilize a seu favor enquanto instrumento de recreação (lazer), de trabalho de pesquisa etc. Caso haja o desenvolvimento de transtornos psicopatológicos (mentais) em razão do uso disfuncional, adoecerão mental e socialmente de forma grave semelhantemente aos verificados com os abusadores e dependentes de drogas ou de outras dependências. Nestes casos precisam procurar ajuda profissional.

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 08/02/2020

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Palavras-chave: Disfunções no uso das mídias sociais, aplicativos e dispositivos eletrônicos

Fonte: Por Ruy Palhano

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