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Agora Santa Inês - BEM-VINDO, CORONAVÍRUS

BEM-VINDO, CORONAVÍRUS

Às 20 horas e 28 minutos de 25 de fevereiro de 2020, a nova doença de um velho vírus chegou ao Brasil. Trata-se da covid-19, o siglônimo (nome que vem de uma sigla) para a “Doença respiratória aguda por novo coronavírus” ou “Doença respiratória aguda por 2019-nCoV”.

Essa hora e data é a da nota oficial do Ministério da Saúde brasileiro, dando a conhecer que nosso País, tão receptivo que é a quase tudo, acabara de saber que recebera uma nova doença, desenvolvida no corpo de homem brasileiro de 61 anos que estivera na Itália (Lombardia) por pelo menos doze dias (de 9 a 20 de fevereiro), retornara para São Paulo (SP) no dia 21, sexta-feira, e, em um dos mais saudáveis atos de família, juntou pelo menos trinta familiares em um almoço no domingo, 23. Na noite desse mesmo domingo, e sem nada a ver com o que eventualmente comera, o pai de família sentiu-se mal (febre, dor de garganta, tosse, coriza [corrimento no nariz; o famoso estalicídio]). Apesar disso, só um dia depois, na noite de segunda-feira, às 19h30, foi ao Hospital Albert Einstein, um dos melhores e mais famosos da capital paulista e do Brasil.

Daí para diante, o Brasil, que, pela TV e outras mídias, via regredir a quantidade de casos suspeitos, passa a conviver, potencial e realmente, com mais algo que não presta -- além dos maus (e muitos) políticos...

A partir das cinzas desta quarta-feira, 26/02/2020, com a confirmação médica e oficial do primeiro caso da doença chegado ao território nacional, o Brasil é posto à prova para ver se sabe mesmo cuidar dos seus. Talvez até sejamos bons em combater e debelar uma desgraça nova, porque, das velhas desgraças, destas que vitimam, matam, afligem, angustiam, fazem sofrer e chorar milhões de brasileiros, dessas o Brasil (enquanto Governos e demais Poderes Públicos e políticos) e os brasileiros (enquanto nação e individualidade) não soubemos e pelo visto não queremos saber cuidar...

Confirma-se isso com os muitos vírus que grassam, pululam, transitam, contagiam, infeccionam e levam à morte centenas e centenas de milhares de brasileiros todo ano, a cada dia. Esses vírus são tantos os agentes infecciosos que se hospedam dentro de nós quanto os agentes sociais que vivem no meio de nós: os vírus de doenças como gripe, dengue, chickungunya, sarampo, caxumba, catapora, varíola, febre amarela, rubéola, meningite, influenza, pneumonia, hepatite, HPV, herpes... Enfim, do “A” de “AIDS” ao “Z” de “zika”, o Brasil tem já muito trabalho, tem muita doença virótica para combater, muitos doentes virais para tratar, prevenir, cuidar...

Antes que eu me esqueça: em relação ao novo coronavírus, não se confunda o nome do vírus com o da doença -- o vírus chama-se “SARS-CoV-2” e a doença provocada por esse vírus, como já dito, chama-se “covid-19”. Em relação ao nome do vírus, “SARS-CoV-2” vem do inglês “Severe Acute Respiratory Syndrome” ou “Síndrome respiratória aguda grave”, “Co” vem de “corona”, “V” de “vírus” e o algarismo “2” diz que é um novo vírus, ou uma nova “forma” dele, pois o vírus corona já existia e dele se sabia desde 1960.

Em relação ao nome da doença provocada por esse vírus, “covid-19”, como se sabe, “co” é de “corona”, “vi” é de “vírus” e “d” é de doença. Por sua vez, o número 19 é a forma contraída, abreviada, de “2019”, o ano em que a doença foi cientificamente confirmada a primeira vez no mundo. Embora coincida com os termos em português, “covid” é a forma siglar do nome da doença em inglês: “corona virus disease”.

Como escrevi, os agentes infecciosos, como os vírus, vêm juntar-se, no Brasil, aos agentes sociais, que tanto ou mais males trazem e fazem a este País. São maus políticos, são políticos maus, são os crimes de morte (assassinatos), são as mortes no trânsito, são os mortos de fome e sede, são os que morrem a rodo, em fila, nas filas de hospitais, são os que morrem pelos “vírus” da ignorância que é desconhecimento (má educação, analfabetismo, não consciência crítica) e da ignorância que é grosseria (esgarçamento das relações e interações pessoais, desde brigas de trânsito a covardias contra mulheres, tudo redundando em mortes)...

Brasileiros somos um povo bom em um ótimo território. Digo isso assim mesmo, porque, pelo modo que, em geral, nos comportamos, se não tivéssemos um território tão naturalmente, geológica e geograficamente, excelente, tão rico em condições econômicas potenciais e reais; se não tivéssemos este país, este território de mais de oito milhões de quilômetros quadrados; se estivéssemos em um país como o Japão, o terceiro país mais rico do mundo, 22 vezes menor que o Brasil em área e sendo um conjunto de mais de seis mil ilhas, com maremotos, terremotos e vulcões ativos, com 80% do território inadequados para a agricultura e construção civil; se nós brasileiros não tivéssemos o território que temos e permanecêssemos o que somos (socialmente mal-educados, sujões, inobservadores de posturas oficiais, que queremos limpa a nossa casa mas despreocupados em relação à cidade etc.); se as boas condições de nosso País são mantidas mas as reprováveis condições de Nação se deterioram, estas condições comportamentais (de Nação, de conjunto de pessoas) tornam-se o “locus” desejável para que doenças não apenas aqui cheguem, mas prosperem e façam “morada”... como se vê nos milhares e milhares de casos de mortes pelos vírus biológicos e pelos milhares e milhares de mortes pelos “vírus sociológicos”.

Por outro lado, essa nova doença viral, a covid-19, alavancada pela mídia, pode causar, como está causando, um rebuliço no poder real e no potencial adormecido de governos, políticos, agentes públicos, especialistas médicos e de Saúde em geral etc. Nem de longe esperamos que o Brasil se iguale à China em sua capacidade de fazer em dez dias hospitais que brasileiros fariam em dez anos... Nem de longe veremos, aqui, o destino que chineses dão aos piores vírus do Brasil -- os corruptos, que, muitas das vezes em silêncio, praticam sua forma velada de holocausto, seu jeito “maneiro” de serem nazistas... e de tudo isso choraremos por sobre os sintomas certeiros, nefastos, genocidas: pessoas aos milhares -- crianças, mulheres, idosos, jovens, todo mundo... -- sendo mortas, delas mortas aos poucos, em doses homeopáticas, pela falta de comida adequada, de água adequada, de trabalho adequado, de ensino adequado, de segurança adequada...

CORONAVIRUS


A palavra “corona”, latina, significa “coroa”, em razão da “aparência” do vírus. A palavra “coroa” chegou à Língua Portuguesa no século 13. A palavra “vírus” também veio do Latim e, entre outros significados, tem o de “veneno”; entrou em nosso idioma no ano 1601. Mais de dois séculos distanciaram esses dois termos; juntos, deram nome a uma das maiores preocupações sanitárias, políticas, econômicas e sociais deste terceiro milênio.

O vírus é um inimigo poderoso. E nem parece: mede de 20 a 1000 nanômetros (o nanômetro é o espaço de um milímetro dividido em um milhão de partes iguais). O vírus -- ele sim -- é o verdadeiro parasita: só pode viver dentro de uma célula. Analfabeto matemático, o vírus não sabe as quatro operações; só conhece uma: multiplicação. Em pouco tempo, dentro de seu local de hospedagem, multiplica-se milhares e milhares de vezes. Se juntarmos todos os animais (humanos e os outros irracionais), as plantas, os fungos, as bactérias, não chega ao tanto da biodiversidade do vírus...

Quem sabe a covid-19 e seu agente causador o neocoronavírus sirvam para algo além de preocupar e matar. Quem sabe sirvam para, além de matar pessoas, ressuscitar consciências. O Brasil e toda a Humanidade perceberem-se frágeis, humildes, vulneráveis às pequenas coisas. Perceberem que, ante esses “inimigos”, não importam os tanques, os mísseis, as bombas, as balas... De nada valem a arrogância, o arroto, o arranque... Os vírus riem-se de barreiras, obstáculos, arames farpados -- não há muros nos céus...

Uma das principais recomendações médicas para a prevenção do vírus ou da doença é lavar as mãos. No Brasil isso tanto pode significar passar uma água pelos dedos quanto nem ligar para responsabilidades ou consequências.

 

Como não há maneira de impedir que o vírus e sua doença cheguem aqui -- como de fato já chegou --, ao menos saibamos todos aprender com eles.

 

Por isso, bem-vindos.

E que, no Brasil e além, se sua permanência for prolongada, por gentileza, não cause mais tantas dores...

Já temos uns aos outros para nos provocarmos todos os tipos de sofrimento...

 

EDMILSON SANCHES

[email protected]

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 29/02/2020

Visitas: 135

Palavras-chave: BEM-VINDO, CORONAVÍRUS

Fonte: EDMILSON SANCHES

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