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Agora Santa Inês - Solidariedade em Tempos de Pandemia

Solidariedade em Tempos de Pandemia

“Se todos comessem apenas o que precisassem, a comida chegaria ao nível mais baixo.” (Filme- “O Poço”) “Para serem felizes, os cidadãos dos países ricos precisariam incorporar algumas lições das sociedades primitivas.”(Claude Lévi-Strauss)

 

Ao pensarmos em solidariedade, nos vem logo à mente praticarmos a caridade com os que mais precisam. Doarmos algo que temos sobrando em casa ou que não nos serve mais. Usualmente é isso. Fácil e rápido. Poucos, no entanto, muito poucos mesmo, já pensaram em praticá-la em nome da sobrevivência da sua própria espécie. Algo ontológico: a preservação da vida humana. Isso é o que há de mais primitivo em nós. No entanto, é justamente o que temos que buscar em pleno século XXI.

Mas quais de nós temos sequer pensado nesse dilema tão, digamos, cru? Quem pensaria que a nossa humanidade seria colocada em prova dessa maneira tão premente? Não, não são “só” os velhos que morrem com essa pandemia. Como temos ouvido de maneira perversa por alguns. Aliás, não cabe nem mais esse pensamento. Porque, agora, nós, ditos humanos, precisamos ir além da empatia. O momento é este para colocarmos em prática o nosso instinto mais básico. A pandemia do CORONAVÍRUS bate à nossa porta e nos faz reavaliar até onde vai a nossa capacidade de lutar pela vida.

No entanto, em plena era tecnológica, pensávamos que veríamos outra realidade, não é? E que essa mesma tecnologia poderia resolver todos os nossos problemas ou parte deles. Portanto, não havia mais necessidade de nos voltarmos para essas necessidades mais fundamentais. Mas eis que um “gripezinha” delibera o oposto. E a regra básica é algo tão simples para a grande maioria das pessoas: ficar em casa, quarentena, em nome da nossa sobrevivência. E depender de outros os quais nem pensávamos antes, como os entregadores de delivers, por exemplo.

E, sobreviver em pandemia não é fácil, não. Porque isso requer saber racionar. Agirmos juntos.Não podemos sair irracionalmente estocando aquilo que, fatalmente depois, vai nos fazer falta. Quantos mais morrerão enquanto nós estamos aqui tendo esta oportunidade de pensarmos no nosso poder de solidariedade? Cada vez mais, precisaremos agir assim, todos juntos, uníssonos. Proteger os mais necessitados, principalmente.  Não, nada será como antes. Quem pensa que depois dessa pandemia continuaremos nossas vidinhas de onde paramos, está muito equivocado. A humanidade terá que sofrer modificações radicais, a partir de agora.

Mais uma vez precisamos nos descontruir e deixar de lado velhos conceitos e preconceitos os quais aprendemos ao longo da vida. O capitalismo selvagem não poupou os mais pobres. Não estamos todos no mesmo barco, como escutamos muito por aí. Isso já é um aprendizado deixado pela Covid-19. Os países mais ricos do mundo enterram seus mortos em valas comuns. Todos iguais e tão diferentes em realidades.

 A sede do capitalismo mundial, Nova York, perde milhares de vidas todos os dias. Itália, Espanha, França...lutam por dias melhores para seu povo. Tantas vidas desperdiçadas. No Brasil, estamos carentes de um governo que realmente coloque a vida do seu povo à frente das batalhas políticas. Será tão difícil entender isso? Parece que por aqui permanece, como citado pelo antropólogo francês Levi Strauss (1908-2009) na década de 30, “Tristes Tropiques”.

Segundo o autor, o Brasil vivia àquela época uma ocupação desordenada, responsável por sinais de degradação e, principalmente, de desrespeito à sua exuberante natureza. Algo mudou dessa realidade até os dias atuais? A natureza já vem mostrando as consequências disso e da falta de políticas públicas de proteção à nossa Amazônia. Afinal de onde vêm esses vírus e bactérias senão da invasão adentro do habitat das espécies antes nunca vistas.

Que processo civilizatório herdaremos a partir disso tudo, não sabemos ainda. Mas temos a certeza de que lições duras aprenderemos. E já sabemos que a felicidade dependerá do coletivo. Isso a pandemia vem nos mostrando dia após dia. Não há mais tempo para pensarmos ingenuamente que não seremos afetados porque não somos do grupo de risco. Como se isso nos fizessem imunes. Uma grande falácia à qual já descobrimos não ser real. Precisamos ir além disso se quisermos deixar uma civilização melhor aos nossos herdeiros.

#solidariedade #pandemia #sobrevivência #civilização

Georgiana Lima: Formada em Letras pela UFMA. Pós-graduada em Inglês pela Universidade do Alabama (BAMA U) e Doutoranda em Ciências da Educação pela Universidade Nacional de Rosario (Argentina). Email para contato: [email protected] Instagram: @georlima

 

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 23/05/2020

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Palavras-chave: Solidariedade em Tempos de Pandemia

Fonte:

Big Systems
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