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Agora Santa Inês - O Transtorno Afetivo Bipolar em época da pandemia

O Transtorno Afetivo Bipolar em época da pandemia

Dia 30 de abril deste ano, comemorou-se o Dia Mundial do Transtorno Bipolar (World Bipolar Day-WBD). A data, é uma iniciativa de três grandes instituições internacionais que tratam desse assunto: a Asian Network of Bipolar Disorder (ANBD), a Fundação Internacional Bipolar (IBPF) e a Internacional Society for Bipolar Disorders (ISBD). Essa data é comemorada desde 2014, e trata-se de uma iniciativa interinstitucional como o intuito de informar, enfrentar e esclarecer as inúmeras questões, que há em torno desse transtorno.

A escolha da data é uma homenagem ao nascimento de Vincente Van Gogh, pois ao que consta, era portador do Transtorno Afetivo Bipolar (TAB). Semelhantemente, a outros transtornos mentais, os portadores de TAB, são também descriminalizados e estigmatizados, fatos que colaboram para que haja maiores dificuldades no diagnóstico, no tratamento e na inserção social desses enfermos.

Sua prevalência, segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, gira em torno de 1 e 2% % na população em geral, podendo atingir até 5%, incluindo, crianças e adolescentes. O transtorno está situado entre as 10 principais doenças incapacitantes no mundo.

Clinicamente, caracteriza-se por episódios depressivos, alternando-se com outros episódios de euforia, denominados de mania. Ambos os episódios ocorrem em diferentes momentos da vida desses pacientes com graus variados de gravidade clínica. Diferentemente, dos altos e baixos que podem ocorrer, normalmente, no humor de alguém, no seu dia a dia, as variações psicopatológicas do humor, no Transtorno Afetivo Bipolar, são longas no tempo, são graves e podem evoluir de forma desfavorável.

Essas fases ou episódios, ocasionam danos profundos na vida dessas pessoas em vários sentidos: cognitivo, afetivo-emocional, social, laboral, no pragmatismo e na função executiva, além de muitas outras áreas comportamentais.

Vários fatores colaboram para ocasionar o TAB, por isso mesmo, é considerado um transtorno multifatorial. Um desses fatores mais relevantes é a genética, sabe-se que 50% dos portadores de TAB apresentam, pelo menos, um familiar afetado pela doença. Além do mais, filhos desses pacientes apresentam risco aumentado para desenvolverem a doença, quando comparados com a população geral.

Quando não tratada adequadamente, o TB evolui de forma a incapacitar esses enfermos, gerando mais sofrimento para eles e seus familiares. A mortalidade entre os mesmos é elevada e o suicídio é a causa mais freqüente de morte, principalmente entre os jovens. Estima-se que até 50% dos portadores tentem o suicídio, ao menos uma vez na vida e 15% efetivamente o cometem.

Há muitos estudos que demonstram que há uma estreita relação entre TB e outras enfermidades médicas como obesidade, diabetes, problemas cardiovasculares e doenças autoimunes, sendo essas as mais frequentes. A associação de TAB, com abuso e dependência de álcool e outras drogas, é elevada, atinge 41% de dependentes de álcool e 12% de dependentes de alguma outra droga ilícita. Além do mais, agrava o curso clínico da doença, o tratamento e o prognóstico, além de piorar a adesão ao tratamento.

O início dos sintomas pode ocorrer na infância e na adolescência, sendo isso cada vez mais descrito e, em função das caraterísticas peculiaridades dessas idades, o quadro clínico, o diagnóstico e o tratamento tornam-se mais difíceis. Não raro, as crianças recebem outros diagnósticos, o que retarda a instalação de um tratamento adequado. Isso tem conseqüências devastadoras, pois o comportamento suicida pode ocorrer em 25% dos adolescentes portadores de TAB.

Essencialmente, a alternância psicopatológica do humor, entre os episódios, depressivos e maníacos, é o que há de mais relevante no diagnóstico. Em muitos casos, o diagnóstico definitivo só será feito depois de muitos anos de tratamento. Por exemplo, uma pessoa que tenha tido um episódio depressivo e receba o diagnóstico de depressão unipolar e anos depois, apresente um episódio maníaco ou hipomaníaco, tem na verdade Transtorno Bipolar, pois até que o outro episódio surgisse, não seria possível se saber o diagnóstico verdadeiro.

Na fase de euforia (maníaca), predominam: energia excessiva, hiperatividade, inquietação, humor elevado, euforia, irritabilidade, pensamento e fala, acelerados, atenção flutuante (distraibilidade), insônia, autoconfiança exagerada, baixa autocrítica; gastos excessivos, aumento do impulso sexual, abuso de álcool e outras drogas, agressividade e comportamento violento.

Na fase depressiva, predominam: tristeza persistente, desinteresse, apatia, retraimento social, ansiedade, desesperança, pessimismo, sentimento de culpa, remorso, arrependimento e de menos valia, sensação de impotência ou incapacidade sexual, perda do interesse ou prazer em atividades lúdicas, diminuição da energia, queixas frequentes de fadiga, dificuldade na concentração e na memória, fala lenta, dificuldades em tomar decisões, inquietação, irritabilidade, dorme demais (hipersonia), ou não consegue dormir (insônia), falta de apetite com perda ou ganho excessivos, apatia, pensamentos suicidas e sensação de desvalia.

Considerando a situação atual da pandemia, chamamos a atenção dos próprios pacientes, portadores de TAB, os quais já sabem de seus diagnósticos e dos seus familiares, para redobrem os cuidados com esses enfermos para evitarem, ao máximo,  recaídas, pois se exporão, desnecessariamente, a contaminação ao Corona vírus. Permaneçam, se consultando regularmente com seus médicos assistentes, fazendo uso regular de medicamentos e nãos os abandonem  por quaisquer pretextos.

Caso haja necessidade de utilizarem fármacos antivirais e outros medicamentos para a situação do COVID 19 os medicamentos, em princípios indicados para trata o TAB, não será impedimento. Porém sempre consulte seu médico.

 

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 23/05/2020

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Palavras-chave: O Transtorno Afetivo Bipolar em época da pandemia

Fonte: RUY PALHANO

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