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Agora Santa Inês - COVID19  TIRA A VIDA  DE  MAIS  UM PROFISSIONAL  DA MEDICINA  EM IMPERATRIZ: QUATRO MÉDICOS EM 16 DIAS

COVID19 TIRA A VIDA DE MAIS UM PROFISSIONAL DA MEDICINA EM IMPERATRIZ: QUATRO MÉDICOS EM 16 DIAS

MARIA DE LOURDES PONCIANO DE SENA (LURDINHA)

(25/10/1951 – 21/06/2020)

Por Edmilson Sanches

Quando passar -- é o que se espera... – a pandemia do novo coronavírus, em Imperatriz (MA), muitos haverão de lembrar, com lágrimas nos olhos, tristeza na alma e aperto no coração, como o mês de junho chamou para a si a triste responsabilidade de ser o mês em que, até agora, mais têm morrido médicos, internados por semanas e sucumbindo à covid-19.

Dos três  primeiros médicos que perderam  a batalha para o covid19 este mês em Imperatriz, o primeiro foi o Dr.  Júlio César Bonifácio Vieira (dia 05), já no dia 09 foi a vez do médico Edilson Dias Lobão na, segunda, 15, foi o Dr. Amaury Macedo, e agora dia 21 a Dra. Maria de Lurdes Porciano de Sena.  (Quatro médicos perderam a vida em Imperatriz em 16 dias, uma média de um a cada quatro dias).

Ao que se sabe, a médica Maria de Lourdes Ponciano de Sena, mais conhecida como Drª Lurdinha, foi a quarta profissional de Medicina imperatrizense a ser vítima daquela doença neste mês de junho/2020, após contribuir diretamente para a recuperação de tantos pacientes. Ela estava internada desde o início deste mês no Hospital da Unimed, em Imperatriz.

 

Lurdinha era uma pessoa alegre, simpaticíssima, energética, brincalhona. Nasceu em Campina Grande (PB) e nos anos 1980 veio para Imperatriz. Acompanhava o marido, o bancário (Banco do Nordeste do Brasil) e também médico, ginecologista, João Tarcísio de Sena. Tinham três filhos: David (médico, cirurgião plástico, com mestrado e doutorado em Medicina e Ciências da saúde), Tadeu (empresário e vários segmentos -- construção civil, hotelaria, entre outros) e Tiago. Depois de bem-sucedidos anos em Imperatriz, o casal separa-se e João Tarcísio retorna para o estado natal, Rio Grande do Norte. Sempre estudioso, ele dedica-se também à Medicina do Trabalho, Ortopedia e torna-se presidente da Junta Médica do município de Caicó, de cerca de 70 mil habitantes.

 

Pediatra de renome, Maria de Lourdes Ponciano de Sena era considerada a primeira médica neonatologista de Imperatriz e região (na Pediatria, sua colega médica Maria do Carmo Soares Lyra foi a primeira cirurgiã pediátrica da região). Natural da desenvolvida Campina Grande, a paraibana Lurdinha nasceu em 25 de outubro de 1951. Imperatriz, cidade de que ela tanto gostava e que tanto gostava dela, vê morrer alguém que, embora as lides do ofício e as labutas da vida, parecia ter nascido para viver muito e intensamente, ante a alegria que ela exteriorizava.

 

Conheci a Drª Lurdinha na década de 1980. Lembro-me de quando a família adquiriu um ótimo terreno com uma casa simples plantada no meio, em um dos quarteirões de uma das avenidas mais valorizadas de Imperatriz, a Dorgival Pinheiro de Sousa, na mesma quadra onde se situava, do outro lado, a sede da nova agência do banco do Nordeste do Brasil, onde trabalhava o marido João Tarcísio, à noite, para ele, como médico, poder clinicar e operar durante o dia. Eu também tinha turno noturno no mesmo banco, como chefe de Compensação, e Tarcísio e eu trabalhamos juntos, na mesma sala. Visitei diversas vezes a casa da família Ponciano de Sena, para conversar amenidades.

 

Recordo-me da espirituosa médica Lurdinha sempre animada, conversando e sorrindo. Certa feita, e coincidentemente, estivemos no mesmo avião em dois voos diferentes, nos aeroportos de São Paulo e Rio de Janeiro. Lurdinha, bem-humorada, observou: “ --- Sanches, menino, daqui a pouco vão dizer que estamos nos encontrando...” E ria da própria tirada. Ria com gosto. Naquela época, a Drª Lurdinha, segundo me contou, estava mesmo era viajando para os Estados Unidos, em visita a um dos filhos, que estudava lá.

 

Espontânea, empática e simpática, era médica de fazer dos pacientes amigos. Segundo algumas prescrições de profissionais da Medicina, médicos não devem desenvolver essa empatia toda com seus pacientes / clientes. Lurdinha Ponciano parecia não querer saber disso, não. Ela era dessas médicas que sabia que todo tratamento começa no atendimento. Lurdinha sabia que a relação médico-cliente não é uma relação superior-subordinado ou semideus-submisso.

 

Conta-se, até, que gestos de amorosidade fraterna podem ser prejudiciais a médicos e profissionais de Saúde em geral. Não é desejado isso, mas, se o tratamento com doses de amor levar médicos a problemas... que bonito jeito de ser médico!...

 

É claro, profissionalismo e um relativo “distanciamento” emocional é recomendado, mas não se exige do profissional de Saúde que seja um robô, autômato, androide, ciborgue...

 

De Lurdinha mãe e médica disse o filho médico David na dedicatória de sua dissertação de mestrado em universidade de Porto Alegre (RS):

 

“À minha mãe, Maria de Lourdes Ponciano de Sena, médica admirável e professora das questões da vida, disciplina esta que requer muito mais que títulos e horas de estudo, mas sim força e determinação.”

 

Força e determinação era binômio presente a vida inteira de Lurdinha, na universidade e na maternidade (maternidade que é, em igual tempo, condição de mãe e local de trabalho). Lourdes Ponciano formou-se em 1978 pela Universidade Federal de Pernambuco. Sua colega de faculdade e amiga de sempre Vê Gusmão, pernambucana de recife, que é psicóloga, psicoterapeuta e sexóloga no Rio de Janeiro, lembra da “Lourdeca”, como Lurdinha era por ela chamada. As duas iriam mais uma vez se reencontrar na capital carioca em outubro, mês de aniversário de Lurdinha. Amigas “há 50 anos”, a psicóloga Vê Gusmão lembra delas duas na sala de aula da Universidade e até nos gramados e os estudos que ambas faziam varando noites e noites. Lembra das indesejadas perdas do último ônibus de volta da Universidade para casa. Lembra da solícita Lurdinha ajudando-a em cuidados com a mãe da amiga. Lembra dos projetos de vidas que ambas desenhavam nas muitas conversas entre as duas. Lembra de Lurdinha presente, cuidadosa e cuidadora no primeiro filho da amiga. Não é para menos tanta vida e sonhos entrecruzados, a ponto de Vê Gusmão, coração partido, não aceitar a triste realidade da morte -- triste e, pode-se dizer, desumana, pois que a nova doença, quanto mais afasta fisicamente, mais entorpece, entristece e cresce a imagem e sentimentos da pessoa e da perda. Como diz a amiga pernambucana:

 

“Amigas há 50 anos... e hoje você se foi sem podermos ao menos nos despedir!

 

“Que dor estou sentindo minha amiguinha, minha mana amada!

 

“Você que salvou tanta gente com sua humanidade e competência como médica, não conseguiu ser salva, mesmo tendo tido todo aconchego que os profissionais de saúde que tanto lhe admiravam lhe ofereceram!

 

“A sua última mensagem, ainda tenho no meu celular, você dizendo que estava dando entrada no hospital, porque você estava com Covid, mas que ia ficar tudo bem...

 

“E hoje, recebo a notícia que você se foi...

 

“Difícil saber que nunca mais lhe verei sorrindo!

 

“Vou olhar para o Céu e em cada estrela lhe verei, minha amada amiga.”

 

*

 

Se estrelas sorriem pela intensidade da luz, a estrela d’alva já já terá uma amiga com um grande e permanente brilho.

 

Acostumada a cuidar de anjinhos aqui na terra, que ela seja cuidado por anjos celestes na Eternidade.

 

Descanse em Paz, Lurdinha.

 

Aqui você fez o Bem.

 

Bem feito.

 

EDMILSON SANCHES

https://base.profissionaissa.com/palestran…/edmilson-sanches

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Regional

Data: 22/06/2020

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Palavras-chave: COVID19 TIRA A VIDA DE MAIS UM PROFISSIONAL DA MEDICINA EM IMPERATRIZ: QUATRO MÉDICOS EM 16 DIAS

Fonte: EDMILSON SANCHES

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