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Agora Santa Inês - FECHAMENTO DO  BANCO DA AMAZÔNIA EM SANTA INÊS É CONTESTADO VEEMENTEMENTE COM DADOS, NÚMEROS E GRÁFICOS

FECHAMENTO DO BANCO DA AMAZÔNIA EM SANTA INÊS É CONTESTADO VEEMENTEMENTE COM DADOS, NÚMEROS E GRÁFICOS

Em quatro páginas o Consultor Econômico e   articulista do Jornal AGORA, Edmilson Sanches, com dados, números e gráficos deixa claro que é um equívoco o fechamento do Banco da Amazônia  em Santa Inês.  Sanches se debruçou sobre o assunto por uma semana e o resultado está nesta e nas próximas três páginas deste Caderno Especial. Se você tem o mínimo de compromisso com a cidade, como tem O AGORA, leia esta matéria na íntegra e tire suas conclusões. De nossa parte, nos sentimos com o nosso dever cumprido.....que os demais que podem fazer alguma coisa, como os políticos daqui e da região (prefeitos e vereadores das dezenas de municípios que serão afetados com o fechamento do banco já agora no dia 16, deputados e senadores que os representam)  as instituições civis representativas da sociedade local e da região, e muito principalmente àqueles que dizem que  nos representam lá em São Luís e Brasília, façam a parte deles. O prejuízo econômico  é grande para a região, mas o prejuízo eleitoral para os políticos que se calarem ou se calaram diante de tal fato (com tripas e tudo)....será maior ainda, ou igualmente desastroso. (Da Editoria Geral).   

 

UM BANCO SÓ SAI DE UM LUGAR PORQUE POLÍTICOS E EMPRESÁRIOS NÃO SAEM DO SEU

 

Amanhã, 9 de julho de 2020, o Banco da Amazônia S. A. (BASA) completa 78 anos de fundação (ver tabela 1). Sua agência em Santa Inês, a primeira do município, completou em 19 de abril exatos 50 anos de inauguração, quase a mesma idade de instalação do município santa-inesense, ocorrida há 53 anos, em 14 de março de 1967. (Instalação é o ato que dá autonomia a um município, isto é, dá início à vida legal e administrativa ao ente municipal, com a posse dos primeiros vereadores e do prefeito e consequente funcionamento da “máquina” pública e seus desdobramentos na vida da comunidade. Santa Inês tem pelo menos três datas históricas: sua fundação, como “Ponta da Linha”, em 1884 [o IBGE registra 1887]; a criação do município, em 19/12/1966; e a instalação, cerca de três meses depois, em 14/03/1967).

Apesar do forte simbolismo de meio século de atuação de sua agência na cidade e dos 78 anos de vida nesta quinta-feira, o Banco da Amazônia, em seu aniversário, não dá um presente: surpreendentemente, retira-o. E, de modo pouco elegante, deixa de ser a referência primeira e a memória da população, das empresas e empreendedores e das entidades e órgãos públicos em termo de ser a pioneira entre as instituições financeiras a acreditarem em Santa Inês e aqui se fixarem.

Mas, se palavras não (co)movem um banco, seriam NÚMEROS, então, o motivo do fechamento da agência local do BASA?

Estaria a agência cinquentenária tendo vergonhosos, sucessivos e irreversíveis PREJUÍZOS? Para isto, a resposta é qualidade de Gestão, e não encerramento de operações. Ainda assim, o eventual prejuízo de uma agência não comprometeria o resultado consolidado de suas 122 unidades, sendo 120 agências e dois Postos de Atendimento Avançado nos dez estados em que o Banco da Amazônia atua (nos nove estados da Amazônia Legal  -- Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins -- , mais a agência na capital de São Paulo).

Esse resultado é o Lucro Líquido, que é aquele que resulta depois de descontadas todas as despesas. Pois o lucro do Banco da Amazônia como um todo, em 2019, foi de R$ 275 milhões 348 mil, exatamente 152,43% acima do lucro do ano anterior, 2018, que foi de R$ 109 milhões 078 mil (ver tabela 2). Sobre esse lucro de 2019, é como se a cada dia daquele ano (excetuados sábados e domingos, mas incluídos todos os feriados de segunda a sexta), o Banco da Amazônia lucrasse, líquidos, R$ 1 milhão 057 mil.

Seria, então, uma questão de ESPACIALIDADE, com excesso de concentração de agências do BASA em uma mesma região? Mais uma vez, não deveria ser essa a razão, pois, embora o avanço das tecnologias, o imenso espaço territorial amazônico, por excelência, ainda não tem uma rede mais atomizada de agências e postos de atendimento de instituições financeiras, o que resulta em menor capilaridade (abrangência) em termos de captação de clientes e recursos e de desenvolvimento de negócios.

Enfim, o que aconteceu para que a agência do BASA deixe de existir definitivamente em Santa Inês daqui a oito dias? Um cliente deu um “tombo”? Um funcionário fez um “rombo”?

Onde não há informação, prospera a anti-informação, a desinformação, a deformação...

Dos 100% de ações do BASA, 95,8% pertencem ao Governo Federal  --  51% diretamente, por meio do Ministério da Economia, e 44,8% indiretamente, por meio de fundos de investimento da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.

ISSO NÃO SE FAZ...

Entretanto, mesmo sendo uma empresa do chamado povo brasileiro  --  o que inclui a população santa-inesense --, o Banco da Amazônia, como se não tivesse uma relação e uma responsabilidade de mais de 50 anos com a cidade e sua jurisdição, deu-se ao luxo, à quase soberba, de nada dizer ou esclarecer, publicamente. Comporta-se, mal comparando, como o cafetão ou proxeneta ou rufião que, depois de por décadas explorar, viver ou sobreviver às custas de uma mulher, abandona-a, porque o relacionamento já está longo demais e a mulher ficou velha...

Não é possível que a área de Comunicação ou de Relacionamento Institucional do Banco da Amazônia acredite que se faz o fechamento de uma agência de mais de 50 anos e desconsidera-se toda uma convivência sociocomunitária e de negócios de meio século apenas colocando um pedaço de papel minúsculo pregado à porta do estabelecimento, com 29 palavras e uma data. Isso não é um comunicado. Isso é um desrespeito. É como se, sem mais nem menos, o Banco não estivesse “nem aí” mais para a cidade que o sustentou por cinco décadas. Fecha, e pronto.

O BASA esqueceu de que informação é a mais básica das infraestruturas.

Em Administração, em especial nas empresas públicas, os contemporâneos conceitos de “Responsabilidade Social” e “Cidadania Empresarial” não comportam procedimentos assim, de uma Instituição Financeira de 50 anos de idade em uma cidade, como se por capricho ou veneta, não dar as devidas e respeitosas explicações, contribuindo até para a redução ou eliminação de possíveis desconfianças, eventuais boatos, desnecessária perplexidade e contrariedade.

Os Senhores Administradores do Banco da Amazônia sabem  --  ou deveriam saber, “ex-officio” --  que, melhor que saber chegar, ou, no mínimo, tão bom quanto, é saber sair. Neste caso pelo menos, o BASA é um bom exemplo  --- é um bom exemplo para não ser seguido...

 

GENTE MERECE RESPEITO

Em última instância ou, sem trocadilho, na ponta da linha, um banco tem como clientes pessoas  --  e a elas deve respeito, justificativa, esclarecimento. Embora os números de CNPJ e de valores financeiros, por trás disso e na origem disso existe gente. Gente, Senhores.

Não importa se é um grande financiamento para uma planta industrial, se é empréstimo para o cultivo de plantas vegetais, se é um “papagaio” (empréstimo) comum ou se é um contrato de cheque especial, não importa se é um depósito em conta corrente ou em poupança, se é um investimento em uma Letra do Tesouro Nacional ou se é uma operação de câmbio internacional, não importa: no começo, no meio e no fim de qualquer operação, transação ou ação bancária é de pessoas o de que se está tratando. Por isso a grita, as reclamações, a perplexidade com o fechamento da agência.

Em uma cidade de interior do estado, como Santa Inês, agências bancárias adquirem outra importância, um diferenciado “status”. O gerente é quase uma autoridade. Os demais funcionários têm quase que imediata inserção social, socioeconômica e comunitária. Assim, tem-se de ter distinta consideração: a proximidade relacional exige um cuidado adicional quando de algo tão inesperado, pode-se dizer, tão traumático para a vida da cidade quanto o fechamento de uma agência bancária.

 

IMAGEM TAMBÉM É PATRIMÔNIO

Além da perda na velocidade e no volume de negócios, porque os clientes serão obrigados a se deslocar para outro município, de economia quase cinco vezes menor (ver tabela 3), o que mais “sobra” para Santa Inês com o fechamento da agência do Banco da Amazônia? O fechamento pode comunicar ou ser lido como se Santa Inês seja inviável para novos empreendimentos do gênero. Pode subliminarmente dizer que “Santa Inês já deu o que tinha de dar”. Nada impede que se façam comentários do tipo: “Santa Inês não deve estar indo muito bem, não... Até o Banco da Amazônia saiu de lá...”

Entretanto, como se mostrará aqui, isso não é verdade. O ritmo da economia santa-inesense é crescente. Sempre. Sem nenhuma queda nos números de sua macroeconomia nos últimos oito anos, desde 2010, que é o ano de início da série histórica disponível sobre a economia local (ver tabela 4). Não há linha serrilhada (altos e baixos) no gráfico da economia local, que só aponta para cima.

De algum modo, em alguma dimensão ou quantidade, o fechamento da agência do BASA compromete a imagem positiva de Santa Inês. Como dizem os publicitários: “Imagem é tudo”. Imagem é patrimônio  --  tanto que é objeto de reparações na justiça por eventuais danos.

 

“MEA CULPA, MEA MAXIMA CULPA”

O desempenho positivo da economia de Santa Inês torna ainda mais enigmático o fechamento da agência do antigo Bancrévea (sigla com elemento latino que designava, no meio bancário, o Banco da Amazônia. O siglônimo “Bancrévea” resume  o nome com que o BASA foi fundado em 9 de julho de 1942: “Banco de Crédito da Borracha  -- “borracha” é “hevea”, em latim]).

Mas... se não se sabe a razão do fechamento do BASA em Santa Inês, pode-se ao menos buscar de quem é a culpa.

No duro, no duro, na grande maioria das vezes, um banco só sai de um lugar porque políticos e empresários não saíram do seu... Não se movimentaram. Eles deveriam ter agido precoce e preventivamente, de posse de informações adequadas, consistentes, geradas por uma assessoria ou consultoria confiável.

O que custa para entidades empresariais ou órgãos públicos ou mesmo para as tais autoridades políticas, cheias de auxiliares, ter uma assessoria competente, uma consultoria de inteligência, que dialogue com as instituições financeiras e outros estabelecimentos e empreendimentos nevrálgicos, estratégicos, que devem ser regularmente acompanhados, monitorados, avaliados, perguntados sobre como estão, o que lhes falta.

A partir desse “apanhado” de dados, deve-se comunicar os sinais (positivos e negativos) às Forças políticas, empresariais, institucionais, sociais para que, antecipadamente, profilaticamente, possam iniciar ações com vistas a que uma determinada situação não se instale ou não se amplie ou não cause repercussões danosas.

Mentes pequenas não fazem grande uma cidade... O problema é que muitos gestores, políticos e empreendedores, por estas bandas, se julgam os “tais” e, na sua insegurança pessoal, na sua miopia administrativa, no seu estrabismo em termos de visão de futuro, não admitem contratar pessoas com oxiopia, com visão mais acurada, “mais inteligentes” que eles.

Recordo-me de que, para a aula magna de encerramento de uma pós-graduação em Administração que concluí em Fortaleza, foi convidado um dos maiores empresários do Ceará, com grandes e muitos empreendimentos nos três setores da economia. Um colega de curso, amigo meu, que seria secretário estadual de Ciência e Tecnologia tempos depois, observando e sabendo que o empresário ali à mesa, no palco, era idoso, sem maior escolaridade, que dirigia seu próprio automóvel não exatamente “do ano”, fez a ele uma pergunta relacionando tudo isso e encerrando com: “Qual é o segredo do seu sucesso?”

O sábio  -- e muuuuuito rico --  empresário teceu considerações acerca de sua origem humilde, de sua falta de estudos, mas não de tirocínio, e finalizou:  “ --- O segredo do meu sucesso é que eu contrato para minhas empresas pessoas mais inteligentes do que eu. Elas entram com o poder da INFORMAÇÃO... e eu entro com o poder de DECISÃO.”

Quer mais sabedoria e simplicidade assim, juntas?   

Os tais políticos  -- do Executivo e do Legislativo municipal, os ditos e tidos “representantes” de Santa Inês e do estado do Maranhão na Assembleia Legislativa (deputados estaduais) e no Congresso Nacional (deputados federais e senadores) --, os senhores Empresários e Empreendedores, os representantes de forças empresariais e sociais, patronais e de trabalhadores etc. têm UMA SEMANA para conseguir o que não se interessaram por anos. Têm de fazer chegar seu inconformismo e não aceitação às secretarias estaduais da área (Indústria e Comércio, Agricultura, Relacionamento Institucional, gabinete do Governo etc.), ao Ministério da Economia (ao qual o BASA é vinculado), à presidência das Casas Legislativas superiores (Câmara Federal e Senado)... Têm, finalmente, de fazer chegar à Presidência da República, onde seu titular, com um telefonema, mandaria (e é essa mesmo a palavra) acabar com a história dessa comunicação unilateral de divórcio, com separação total entre o Banco da Amazônia e Santa Inês.

Quem sabe seja hora de um bom número de pessoas representativas, pa-ci-fi-ca-men-te, gravar um vídeo à frente da agência do BASA, após o expediente, e cada representante de entidade enviando seu recado e pedindo ao Presidente da República intervir nessa história e manter aberta a agência do BASA em Santa Inês. No vídeo alguns poderiam perguntar: “Qual a razão do fechamento? Esta agência está dando prejuízo?” “Quais as motivações justas para sair da cidade, após 50 anos?” “O que está ruim agora que não estava nos anos anteriores?” “O que de pior aconteceu com esta agência que não possa ser reversível?” “O que deve ser feito para nossa primeira agência bancária continuar aqui pelos próximos 50 anos?”

O fechamento do BASA, ver-se-á ao final, não é uma ação administrativa. É uma omissão social. Não veio de um interesse individual. Veio de um desinteresse coletivo. Sociedades têm de cuidar do que é seu, do patrimônio coletivo, do que as ajudam em seu desenvolvimento. Entidades empresariais e órgãos públicos precisam ter um radar, um sonar, um GPS; têm de ter rastreadores de sinais, têm de ter detectores de sintomas de quando algo não vai bem em seu “corpus” e “locus”. Isto é prevenção. Sadia prevenção. Profilaxia.

 

POTENCIALIDADES E VANTAGENS

As características de Santa Inês parecem ter muito mais pontos positivos que o contrário, indicando-a como destinatária recomendável para a instalação, desenvolvimento e permanência de negócios.

Em termos de tendência e potencialidades, de vantagens comparativas e competitivas, Santa Inês é município dotado de recursos logísticos, estratégicos, como bem poucos no Estado. É servido por duas rodovias federais, a BR-222, transversal, com seus 1.811 quilômetros (km) de Fortaleza (CE) a Marabá (PA); e a BR-316, diagonal, de 2.054 km, de Belém (PA) a Maceió (AL).

O município conta também com a Estrada de Ferro Carajás, de 892 km, que tem interconexão com as ferrovias Norte-Sul e São Luís-Teresina. E mais: Santa Inês conta com seu Aeroporto Regional João Silva, com pista asfáltico de 1500 m x 30 m, o que dá 45.000 metros quadrados de pavimentação asfáltica.

A “Capital do Vale do Pindaré” conta ainda com o grande rio de mesmo nome, Pindaré, com 686 km. O velho rio clama por cuidados mas ainda é utilíssimo à população, como meio de transporte, de entretenimento e lazer, de pesca e criação, plantio e irrigação.

 

O PIB – O TOTAL DA ECONOMIA DE SANTA INÊS

Outro sinal positivo da economia de Santa Inês é o principal indicador dela: o PIB, ou Produto Interno Bruto, que é a soma de todos os bens produzidos e todos os serviços prestados no município, nos três setores da Economia: Setor Primário (ou Agropecuária, inclusive Extrativismo), Setor Secundário (ou Indústria) e Setor Terciário (Serviços). Explique-se que o Comércio deixou de ser um setor e, agora, é um segmento do Setor de Serviços, pois o Comércio não planta nem transforma, apenas faz a intermediação (venda) dos produtos gerados na Agropecuária e dos bens produzidos pelo setor industrial.

Nos últimos oito anos da série histórica disponível sobre a economia de Santa Inês, de 2010 a 2017, TODOS os números são positivos  --  um ano cresce mais, outro, menos, mas cada ano tem valor total maior que o do ano anterior (ver tabela 4).

Desse modo, desde 2014 a economia de Santa Inês atingiu e superou a marca do UM BILHÃO de reais. O número mais recente, de 2017, já supera o R$ 1 bilhão 225 milhões, quase o dobro do início da série histórica, em 2010, quando o PIB de Santa Inês foi de R$ 670 milhões 908 mil. Em 2011, o PIB foi de R$ 693 milhões 055 mil. Em 2012: R$ 785 milhões 259 mil. Em 2013: R$ 887 milhões 122 mil. Em 2014: R$ 1 bilhão 071 milhões 450 mil. Em 2015: R$ 1 bilhão 142 milhões 441 mil. Em 2016:  R$ 1 bilhão 223 milhões 195 mil. Em 2017: R$ 1 bilhão 225 milhões 219 mil. (O PIB é calculado pelo IBGE e divulgado de dois em dois anos; os dados referentes a 2018 serão apresentados em dezembro de 2020, os de 2019, em dezembro de 2021...).

Com seu PIB totalizando R$ 1 bilhão 225 milhões, Santa Inês, com a nona posição, está entre as DEZ MAIORES economias do estado, entre 217 municípios. No “ranking” nacional, Santa Inês está na posição número 652, em um total de 5.570 municípios. Em 2011, por exemplo, Santa Inês era a 691ª; subiu, portanto, 39 posições em seis anos.

Apesar do PIB sempre crescente, a economia de Santa Inês precisa ser debatida para seu maior fortalecimento e sustentabilidade. Embora seja pauta para outra discussão, advirta-se previamente que a formação do R$ 1 bilhão 225 milhões precisa ser discutida urgentemente, com pandemias e tudo  --  não há tempo bom; tempo bom também se faz.

A urgência desse debate dá-se em razão de (re)pensar-se oportunidades para uma maior inserção dos setores da Agropecuária e da Indústria na formação do PIB (e, para isto, agências de fomento públicas como o BASA são imprescindíveis).

Para ilustrar, no R$ 1 bilhão 225 milhões da economia de Santa Inês, a Agropecuária participa com MENOS DE DOIS POR CENTO, ou exatamente 1,77%, o que corresponde a R$ 21 milhões 705 mil. Por sua vez, a Indústria participa com menos de SEIS POR CENTO, ou exatamente 5,97%, correspondentes a R$ 73 milhões 200 mil.

O “grosso” da economia santa-inesense é formado pelo Setor de Serviços, que entra com mais da metade ou quase SESSENTA por cento do total do PIB: R$ 716 milhões 566 mil, ou 58,48%. Por sua vez, o segundo maior formador do PIB do município é o Serviço Público (administração, defesa, educação e saúde públicas e seguridade social), com R$ 271 milhões 718 mil, ou 22,17% do total da economia do município.

Embora o crescimento do Setor de Serviços seja registrado em todo o mundo, cada ente federativo (município, estado, país) deve descobrir ou criar as formas de crescimento e sustentabilidade dos demais setores.

 

OS NÚMEROS – O QUE OS BANCOS EMPRESTARAM

À falta de mais palavras, entram os números para “dizerem” que, do ponto de vista externo, de quem não está “por dentro” do que levou o BASA  a sair de Santa Inês, não há justificativa de ordem financeira para um banco  --  qualquer um --  fechar sua agência local, deixando de atender este município e os demais que compõem a chamada área de jurisdição da agência.

Além das potencialidades e vantagens a olhos visto que apresentam Santa Inês e sua região, alguns números  --  que são revelados pela primeira vez –  mostram que o município e vizinhanças propiciam certa sustentabilidade aos interesses do conjunto das instituições financeiras locais.

Presentemente, Santa Inês conta com sete instituições financeiras e de crédito: quatro oficiais (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste e, por enquanto, o Banco da Amazônia) e três instituições privadas (Bradesco, Itaú e Sicoob, esta uma organização cooperativada de crédito).

Considerando as informações consolidadas mais recentes, que são de 2018, as seis instituições financeiras de Santa Inês (sem o Sicoob) totalizaram R$ 399 milhões 080 mil em operações de crédito (financiamentos, empréstimos) em favor de pessoas físicas e jurídicas (ver tabela 5).

Esse total é o recorde de valor de operações já feitas no município, a partir de uma série histórica que se inicia em 2006, com R$ 97 milhões 204 mil, ultrapassa a casa dos R$ 152 milhões em 2009, passa dos R$ 201 milhões em 2012, chega aos R$ 301milhões em 2014, até se aproximar, em 2018, dos R$ 400 milhões (R$ 399.080.872,00).

Esses números SEMPRE CRESCENTES dos bancos de Santa Inês em suas operações de crédito dizem o quê? Como não há de se acreditar em operações fantasma, em golpe, em fraude, confirma-se que o dinamismo econômico é o que esteja na base e no entorno desse crescimento permanente no valor total dos créditos (financiamentos, empréstimos).

 

OS NÚMEROS – QUANTO OS BANCOS RECEBERAM DE DEPÓSITOS

Todos sabemos que um banco, por um lado, é EMPRESTADOR/FINANCIADOR e, por outro, é CAPTADOR de recursos. E os clientes das instituições financeiras de Santa Inês têm atendido razoavelmente essa necessidade de captação, de ingresso de recursos nos bancos. Os números, até agora inéditos, mostram que as agências bancárias de Santa Inês receberam CENTENAS DE MILHÕES do suado dinheiro do povo e das empresas e outros clientes.

No total, consolidado em 2018, foram R$ 279 milhões 678 mil que saíram do bolso das pessoas, da economia das famílias ou dos cofres das empresas e instituições para dentro dos bancos de Santa Inês.

Desse total, R$ 25 milhões 567 mil correspondem a depósitos à vista, aqueles que ficam nas contas correntes, geralmente sem render nada ou rendendo muito pouco. A esse valor acrescentem-se R$ 39 milhões 366 mil em depósitos a prazo, que são aqueles colocados pelos clientes para render, com previsão de retirá-los em determinado prazo com determinado rendimento (juros). E a esses dois tipos de depósito some-se o elevado valor de depósitos em poupança: R$ 214 milhões 743 mil. Repita-se: tudo somado, o povo e as empresas de Santa Inês e jurisdição depositaram R$ 279 milhões 678 mil nos cofres das instituições financeiras locais (ver tabela 6).

 

O PULO DO GATO

Todo mundo sabe que banco ganha dinheiro é com dinheiro. Dinheiro no tempo  --  ou seja, juros. O que pouca gente sabe é que uma parte, boa parte ou grande parte do dinheiro que os bancos emprestam aos seus clientes tem origem... nos seus clientes. Quando os bancos utilizam o “colchão” de dinheiro dos próprios clientes, o aporte de recursos próprios fica reduzido, permitindo que o capital dos acionistas e donos dos bancos fique majoritariamente nos grandes centros financeiros, para a realização de gigantescas operações de crédito no fabuloso e complexo mercado do dinheiro, delas de curtíssimo prazo e até com vencimentos diários (“hot money”).

No caso de Santa Inês, por exemplo, mais de 70% (repita-se: mais de SETENTA POR CENTO), ou exatamente 70,08% dos R$ 399 milhões que os bancos emprestaram / financiaram vieram dos quase R$ 280 milhões de depósitos feitos nas agências locais (ver tabela 7), desde os milhões de um grande empresário ou ganhador de loteria até o Seu Zé e Dona Maria, com sua poupança suada e sangrada de algumas centenas de reais.

Alguns até podem questionar que os depósitos à vista são instáveis, não se sabe o quanto pode ser retirado via compensação noturna, e também que o Banco Central retém parte dos depósitos etc. etc. Por outro lado, diga-se que a área de Tesouraria e a Gerência de cada agência fazem estimativas ao final do expediente sobre o quanto vai depositar de dinheiro em espécie no Banco do Brasil e o quanto vai aplicar, com rendimentos para si, no mercado financeiro, projetando o total que ainda ficaria de saldo nas contas dos clientes.

O “pulo do gato” nas interações bancárias e financeiras está no obter ganhos financeiros emprestando o dinheiro depositado a vista ou a prazo a juros maiores do que aqueles que foram acertados com os clientes depositantes.

Considere-se, por exemplo, o empréstimo de R$ 1 milhão. O banco empresta para seu cliente “X” esse valor, que, por sua vez, tem origem nos milhões de reais da poupança de diversos clientes. Só que, para os poupadores, a poupança rende, digamos, 0,5% (meio por cento) ao mês... e o financiamento de R$ 1 milhão é feito com juros a três, quatro, cinco, seis vezes mais que isso. É claro que os bancos têm despesas, funcionários com razoável remuneração, risco de calotes (chamados “devedores duvidosos”) etc.

Em último caso, as regras são expostas e o negócio é feito sem que ninguém obrigue o futuro devedor  --  afora as próprias circunstâncias econômico-empresariais...

 

POR QUÊ? POR QUÊ?

O fechamento da agência do Banco da Amazônia não sugere apenas uma interrogação, mas duas. A primeira já foi exposta acima: Santa Inês apresenta números crescentes em sua economia; apresenta números crescentes no volume de operações de crédito; apresenta volume crescente no total de depósitos, inclusive o majoritariamente expressivo total da poupança feita pelos cidadãos; o município tem e mantém potencialidades a serem adequadamente exploradas e vantagens comparativas e competitivas a serem consideradas... Então, por quê a agência do BASA está saindo?

O segundo “por quê?” não tem a ver com a saída do BASA, mas para onde vão ser transferidos os negócios de sua agência em Santa Inês. Vitória do Mearim, a antiga Curral da Igreja ou Sítio Velho ou Vitória do Baixo Mearim, é uma senhora cidade, de respeito por seu povo, sua ancestralidade, sua história de quase trezentos anos  --  é de 1723 o começo de sua existência, embora só tenha “oficializado” sua fundação há 187 anos, em 19 de abril de 1833.

Os números da economia de Vitória do Mearim sugerem que, à maneira do beato Antônio Conselheiro, a roda grande vai passar por dentro da menor. Santa Inês, com R$ 1 bilhão 225 milhões (2017), tem economia quase cinco vezes maior que Vitória do Mearim, com R$ 256 milhões. Santa Inês, com R$ 279 milhões (2018) em volume de depósitos em suas agências bancárias, é dez vezes maior que o total de Vitória do Mearim, que tem R$ 27 milhões. Santa Inês, com R$ 399 milhões em operações de crédito, é 16 vezes maior que o total de Vitória do Mearim, com R$ 24 milhões (ver tabela 3).

Não há nesses números nenhuma intenção de desmerecimento. Cada município, cada estado, cada país constrói sua história de acordo com o dinamismo de sua gente, de seus recursos naturais, de sua localização estratégica ou não, da capacidade de gestão de seus administradores públicos e da boa vontade e honestidade com que os representantes das populações zelam dos interesses públicos e da chamada coisa pública (“res publica”).

Além do mais, Santa Inês tem população de 89 mil pessoas; Vitória do Mearim, 32 mil. Por outro lado, o território de Santa Inês e o de Vitória do Mearim são equivalentes: 786 e 716 quilômetros quadrados, respectivamente. Ambas pertencem ao bioma amazônico (o que as inclui na área legal de jurisdição e atuação do BASA).

Confirmando-se a transferência dos negócios do BASA de Santa Inês para Vitória do Mearim, até pelos 70 quilômetros de estrada que as une, torce-se para que, de algum modo, isso contribua para impactar positivamente a economia vitoriense.

Nesse episódio todo, o Banco da Amazônia dessintonizou-se da grande sociedade de Santa Inês: poderia ter-se reunido com a Prefeitura, a Câmara, os organismos empresariais, a Imprensa etc. e ter-lhes dito da honra que foi ter sido o banco pioneiro do próspero município e da satisfação que foi servi-lo por exatos 50 anos, 2 meses e 27 dias.

Sei  --  bem sei... --  que o mundo do dinheiro e seus operadores (bancos entre eles) são assim um tanto quanto frios e maquinais. Ali a lei é o lucro. Nenhuma novidade nisso. Entretanto, quem dirige um banco, a partir da presidência, e quem com ele faz negócios e lhe proporciona os ganhos necessários à sobrevivência como instituição financeira, são pessoas. Toda pessoa jurídica, antes de ser jurídica, é pessoa. A pessoa jurídica é uma ficção do Direito. Sem pessoas físicas as pessoas jurídicas não existem. A um banco que vai encerrar suas atividades em um determinado lugar, custava, com certa antecedência, dar explicações mínimas, mas convincentes, acerca da decisão de ir embora?

Bancos têm dinheiro. E não devem agir de modo que se acredite que eles não tenham mais nada.

Respeito, por exemplo.

EDMILSON SANCHES

[email protected]

 

O AUTOR

EDMILSON SANCHES, jornalista, administrador e palestrante. Consultor (Comunicação, Desenvolvimento, Gestão Pública e de Empresas). Pós-graduado em Administração Pública (Brasília – DF), Administração e Negócios (Fortaleza – CE) e Desenvolvimento e Comunicação Regional (Cátedra UNESCO, São Paulo). Graduado em Administração Pública e Letras. Técnico em Contabilidade. Membro do Conselho Regional de Administração e do Conselho Regional de Contabilidade. Foi menor estagiário no Banco do Brasil. Trabalhou 20 anos no Banco do Nordeste do Brasil, tendo sido gestor de agência e assessor da Presidência, em Fortaleza (CE) e Brasília (DF). Ex-diretor e consultor da Associação Comercial e Industrial de Imperatriz. Palestrante nas CDLs de Imperatriz e Santa Inês. Presidente de Honra do Conselho Municipal de Educação de Imperatriz. Foi professor universitário (Jornalismo, Administração Pública e Polícia Cidadã). Ex-diretor da Faculdade de Imperatriz (Facimp). Ex-vice-presidente do Rotary Club (Fortaleza – CE). Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão e do Instituto Histórico e Geográfico de Caxias. Da Sociedade de Cultura Latina do Brasil (SCLB-MA) e da União Brasileira de Escritores (UBE-MA). Da Academia Sertaneja de Letras, Educação e Artes do Maranhão. Da Academia de Letras de Santa Inês e da Academia Caxiense de Letras. Das Academias de Letras de Açailândia, Buriticupu, João Lisboa e de Santa Inês. Membro correspondente da Academia de Letras de Rondon do Pará e Região.

PALESTRAS, CURSOS, CONSULTORIAS: [email protected]

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Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: A-Cidade

Data: 08/07/2020

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Palavras-chave: FECHAMENTO DO BANCO DA AMAZÔNIA EM SANTA INÊS É CONTESTADO VEEMENTEMENTE COM DADOS, NÚMEROS E GRÁFICOS

Fonte:

Big Systems
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