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Agora Santa Inês - CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

RECORDAR É (RE)VER

FILME: ÁRIDO MOVIE (2006)

O Nordeste se mostra em um filme que inspira.

“A primeira impressão é a que fica”. Ao assistir Árido Movie fiquei com a sensação de que o diretor Lírio Ferreira (Baile Perfumado) leu minha alma: faço parte de migrantes que perderam sua identidade, perambulando pelo Brasil, e ainda, do público que torce para o cinema nacional embarcar em ideias inteligentes e bem filmadas (o que é o caso dessa obra).

 O filme conta a trajetória de Jonas (Guilherme Weber), um jornalista que apresenta a meteorologia na TV, em São Paulo capital. Ele recebe a notícia de que seu pai foi assassinado em Rocha, cidade fictícia do interior de Pernambuco, onde foi prefeito. A volta de Jonas a Rocha irá fazê-lo lembrar muito de quem ele é ou poderia ter sido; embora nunca tivesse voltado à região desde a infância. E é dentro dessa trajetória, que vemos a estética do sertão ser desenvolvida.

Tudo isso sem estereotipar e sem cair na mesmice, ao retratar um região tão deturpada (pela tv principalmente) como o sertão nordestino. O caminho que Jonas segue até o enterro de seu pai, é entrecortado por diversas estórias que dão ao filme uma narração carregada de humor, drama e tons oníricos. O roteiro do filme (foi premiado pelo Ministério da Cultura como projeto BO - baixo orçamento, onde o diretor também assina), descreve com maestria questões referentes à seca, a política no Nordeste, ao massacre indígena, misticismos em demasia e até sobre plantio da maconha no interior pernambucano.

Lírio Ferreira conduz seu filme, que foi selecionado para o festival de Veneza em 2005, de forma que todas as estórias tomem seu rumo, dialogando entre si, sem cair em discursos vazios e ou em narrações herméticas. Árido Movie concentra-se em passar sua mensagem: a falta de água e o excesso de informação, sem perder em nenhum momento o fio da narração. E conta com interpretações acima da média de atores como: José Dumont que faz o índio “Zé Elétrico”, José Celso Martinez Corrêa fazendo o “meu velho” (uma espécie de Antonio conselheiro atual), um líder religioso que cultua a água em seu “palácio” e Giulia Gam que interpreta “Soledad”, artista plástica que vai ao Vale do Rocha pesquisar para criar uma instalação, e vive um romance com Jonas.

Temos ainda Selton Mello, que interpreta Bob (amigo de Jonas). Aliás, são com os três amigos de Jonas que temos as cenas mais divertidas do filme. Palmas para a trilha sonora (quase toda do cantor compositor Otto) e para a fotografia de Murilo Salles, que acerta na “luz do nordeste”.

 Esqueçam as novelas bobocas que fantasiam o Nordeste. Lírio Ferreira consegue passar suas ideias, sem transformar o sertão nordestino no picadeiro para o sudeste rir. Senti-me em casa, e com a certeza de que o cinema nacional (pelo menos os diretores pernambucanos) fez seu dever de forma correta, com um baixo orçamento (onde de fato se vê tudo o que foi gasto) e sem perder a linha e ou copiar velhas fórmulas decadentes de narração. “Se queres ser universal, fale de sua aldeia”. Obrigatório ver.

©José Viana Filho é Bacharel em Cinema pela UNESA(RJ) e Mestre em Políticas Públicas pela Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais.

Email: [email protected]  Blog: www.josevianafilho.blogspot.com.br

O FILME DA SEMANA

Uma das características mais marcantes das últimas grandes produções de filmes de guerra, é a imersão. São obras que buscam por meios narrativos e estéticos, criar uma experiência que reproduza no espectador um pouco da experiência vivida pelos personagens. Os exemplos mais famosos nesse sentido são Dunkirk (filme de guerra de Christopher Nolan) e 1917 (com seus complexos planos sequências).Eis que chega ao serviço de Streaming 'Greyhound", drama de guerra naval escrito e estrelado pelo astro Tom Hanks.

 O filme se passa durante a segunda guerra, mais precisamente na batalha do atlântico, e mostra a jornada de um comboio de 37 navios mercantes que saem dos Estados Unidos, e precisam cruzar o oceano para chegar a Inglaterra, tendo como escolta três navios de guerra. No trajeto, eles passaram 50 horas sem apoio aéreo, ficando praticamente desprotegidos perante os temidos U-boats, submarinos da marinha alemã.

Escrito por Tom Hanks (seu terceiro roteiro para cinema) e baseado no livro 'The good sheperd" de CS Forester, o filme se passa praticamente todo dentro do conflito. Tendo o Capitão Krause (Tom Hanks) como único personagem com quem conseguimos ter o mínimo de identificação.  O roteiro é bem enxuto nesse sentido, o filme abre com um pequeno flashback e segue para o oceano, onde acompanhamos um pouco da rotina dos tripulantes até serem atacados pelo primeiro inimigo.

Com o navio em batalha, o filme ganha tensão, o texto de Hanks usa praticamente só o vocabulário dos marinheiros: e por mais que não façamos ideia de muito do que está sendo dito, essa confusão aumenta a sensação tensão , somados  a trilha sonora e a montagem ágil, imergimos naquele navio.

A fotografia de Shelly Johnsson (Capitão América: O primeiro vingador) trabalha um tom azulado, que permeia todo o filme .Ela é responsável por fazer com que os navios e o mar se misturem, contribuindo para a sensação de desorientação das batalhas.

Essa sensação é outro elemento importante:o filme adota o ponto de vista do navio e dos marinheiros.Assim não consiguimos ver o inimigo na maior parte do tempo; afinal se trata de uma batalha de navios contra submarinos, um artifício que funciona dramaticamente, já que ao não saber a localização da ameaça, tudo se torna mais tenso.

O diretor Aaron Schneider se sai bem ,ao trabalhar uma obra que têm um contraste interessante entre a claustrofobia do interior do navio, e a larga escala das batalhas ao mar.Ele consegue manter a tensão durante todo o longa, mesmo que em sua parte final tudo se torne um pouco repetitivo e cansativo.

 'Greyhound" é um filme de guerra naval eficiente, tenso, com batalhas interessantes e bem sucedido em sua imersão.Falta a ele um elemento essencial neste tipo de projeto: o lado humano, não me refiro a discursos emotivos (geralmente ufanistas) no ato final, mas dar um pouco de personalidade aos personagens traria um peso maior para o filme.É uma pena, que não possamos ter a experiência de ver esse filme nos cinemas; certamente iria agregar muito na experiência cinematográfica.

©Felipe Fernandes é Bacharel em Cinema pela UNESA (Rio de Janeiro). Formado em Direção cinematográfica pela New York Film Academy (Los Angeles). Formado em Roteiro pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Vídeomaker, publicitário e crítico de cinema.

E-mail para contato: [email protected]

Instagram: @moviola.insta

 

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 29/07/2020

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Palavras-chave: CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

Fonte:

Big Systems
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