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Agora Santa Inês - COMUNICAÇÃO INTERNA

COMUNICAÇÃO INTERNA

(GESTÃO DE PESSOAS NAS ORGANIZAÇÕES)

Dos insumos postos à disposição das Organizações, o tempo — já o disseram — é o único recurso não renovável. Em relação ao “recurso” gente, proclamam que “ninguém é insubstituível”.

Contrariamente, sou da opinião de que um Empregado pode ser dispensável, mas continuará insubstituível, único, como sua impressão digital. E quem lhe confere essa unicidade pessoal-profissional é seu agregado de experiências de vida e ofício, seu imaginário, seus sentimentos e suas emoções, suas percepções e suas reações a tudo isso.

Esse “caldo” de coisas está à disposição das Organizações. É um rico conteúdo, para ser sorvido e para ser servido — isto é, para ser levado em consideração, utilizado, “bebido” pelas Organizações e por estas ser realimentado e ofertado aos seus diversos públicos.

 

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Nos últimos anos, especialmente a partir da década de 1980, vem aumentando o interesse, por parte das Organizações, em descobrir, desenvolver, implementar e aperfeiçoar fórmulas e formas de inter-relacionamento Empresa—Empregados.

Consultorias são contratadas, cursos e palestras são ministrados, livros, revistas e jornais são editados e matérias as mais diversas (artigos, entrevistas, pesquisas) são estampadas em publicações periódicas, especializadas ou não.

 

São muitos os nomes dados a essa busca de entrosamento ideal, de sintonia — e química — fina, da pessoa jurídica com as pessoas físicas que lhe dão vida.

Comunicação Interna, Endomarketing (ou Marketing Interno), Empowerment (energização, fortalecimento, i. e., transmissão/transferência de poder; delegação) — é rica, sofisticada, novidadeira e, ainda assim, incompleta, senão imprecisa, a nomenclatura para uma coisa tão antiga quanto óbvia: tratar bem os outros, relacionar-se bem com as pessoas, respeitá-las, convidá-las para serem parceiras, amigas, sócias de um fazer, propiciando-lhes condições para que se motivem e se superem, com o que poderão atingir estágios e resultados gradualmente mais elevados de desenvolvimento pessoal e de desempenho profissional.

 

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Para muita gente, trabalho é como sexo: só tem sentido se feito com amor. E esse não é um pensamento novo, não. No “Bhagavad-Gita” consta: “Tendes o direito de trabalhar, mas só por amor ao trabalho”.

E o que ainda ocorre hoje nas Organizações? O trabalho reforça o sentido que lhe é conferido pela etimologia e retoma o significado de “tortura”, “sofrimento”. (Para ilustrar essa constatação, relembrem-se certos comentários, feitos à farta em relação ao último e ao primeiro dia de trabalho da semana: “Ainda bem que amanhã é sábado (ou domingo)”, ou “Infelizmente, amanhã é segunda, é dia de trabalho, de voltar pro batente”.

 

As Organizações têm a obrigação de fazer seus Funcionários felizes. Isto não é impossível. Todas elas têm condições potenciais para isso.

O trabalho deve deixar de ser tido e experienciado como um instrumento de tortura e transformar-se em “o amor feito visível”, como o define Gibran.

O trabalho deve deixar de ser o esforço cuja contraprestação (o salário, especialmente) permuta-se por símbolos e sensações de prazer para tornar-se ele próprio o prazer. Ou, como está no Bhagavad-Gita: “O desejo dos frutos do trabalho nunca deve ser vosso motivo de trabalhar”.

O trabalho, pois, tem de deixar de ser um meio e transformar-se em meio e fim em si mesmo. É o que chamo de ergolagnia – mais que prazer no trabalho, o trabalho-prazer.

Isso é possível, repito.

Um projeto e uma prática de Comunicação Interna, produzidos com honestidade, apoiados por uma adequada política de compensação, pode contribuir para devolver, ao Empregado, aquele sentimento de posse e pertencença (“ownership”), de importância e de orgulho pela Empresa — à qual mais e mais dará o melhor de si e proporcionará ganhos consecutivos e crescentes de produtividade e qualidade.

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Abdicar de uma relação honesta e humana com os Empregados é envenenar aos poucos o ambiente profissional e os resultados operacionais.

Tratar mal é suicídio em conta-gotas. Charles Hampden-Turner, professor na London Business Scholl, citado por Charles Garfield, é taxativo: “Não é apenas errado explorar os trabalhadores; é estupidez. (...) O problema com oprimir trabalhadores é que você tem de tentar e fazer produtos de alta qualidade com pessoas oprimidas”.

Comentando, Garfield admite: “Há uma ironia trágica em reconhecer que a força de trabalho que nós sujeitamos a décadas de maus-tratos — os empregados cuja iniciativa, impulso e criatividade nós sistematicamente sufocamos a serviço da máquina — agora tem a chave para nossa competitividade em nível mundial... e até para a nossa própria sobrevivência”. E conclui: “A supressão do potencial humano é a consequência negativa mais séria da nossa devoção à visão mecanicista da Organização”.

Esse potencial humano é que tem de ser revisitado e sadiamente explorado. Para isso, o ser humano nas Organizações tem de voltar a ser o foco principal — é o que denomino de Antropocentrismo Empresarial.

“Não resta dúvida — registra a “Amana Key Leadership Review” — que, como em uma maré quase imperceptível, Organizações estão abandonando a premissa de que Empresas existem só para criar lucro. Uma nova percepção emergente é a de que Empresas existem como o espaço onde pessoas se encontram para criar cooperativamente bens materiais e espirituais, por meio da utilização de recursos humanos interiores extraordinários: inteligência, conhecimento, criatividade, sabedoria.”

A revista “Ama Key Leadership Review” convoca o depoimento de Jack Welch, “o líder que fez da General Electric uma das Organizações mais admiradas em todo o mundo”. Diz Welch: “Daqui a dez anos queremos que escrevam sobre a General Electric como um lugar onde as pessoas têm liberdade para serem criativas. Um lugar em que elas possam revelar o que têm de melhor. Um lugar aberto, justo, onde todos sintam que o que fazem tem importância e onde a realização seja sentida não só no bolso, mas também na alma”.

 

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Com testemunhos desse porte — e esse é apenas um entre muitos — causa espécie o fato de proprietários e altos executivos, bem informados, bem firmados e, até, bem formados, ainda — e paradoxalmente — torcerem a cara para qualquer movimento direcionado à criação de canais de comunicação pluralistas, autocríticos, democráticos e, sobretudo, humanos, com seus Funcionários. Tacham isso de poesia, filosofia, coisa de românticos ou invencionices de quem não tem o que fazer — como se poesia, filosofia, romantismo, criatividade fossem, em si mesmos, algum mal.

Ocorre que o pragmatismo exacerbado, o tecnicismo, a postura mecanicista, a visão de lucro meramente financeira, patrimonial, econômica, bancária, vedou ou anuviou a capacidade desses empresários de pensar, refletir, ponderar.

É de perguntar-se como puderam prosperar nos negócios ao mesmo tempo em que prosperava essa obtusidade. Entretanto, nada está assegurado, e a questão não é mais saber como suas Empresas prosperaram, mas, sim, se elas continuarão crescendo ou, ao menos, se sobreviverão.

Todos, absolutamente todos os registros passados, os indicadores do presente e os indícios futuros conduzem ao mesmo prognóstico: empresas assim estão nos últimos momentos de sobrevida.

 

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Há duas formas concretas de se ver a Comunicação dentro das Empresas: ou ela é ponte, ou barreira. Neste caso, a Comunicação (ou a falta dela) serve para impedir, esconder, criar obstáculo. No outro, pela Comunicação-ponte, transitam pessoas, trafegam informações de um lado para o outro, sem censuras nem filtros. Como observa Edson Vaz Musa, quando ainda na Rhodia: “Quem não se comunica, se esconde. Se somos éticos e nosso trabalho é motivo de orgulho, não há porque não divulgar o que estamos fazendo”. E arremata: “O silêncio oferece mais riscos do que o livre fluxo de ideias e informações”.

A informação tem de ser compartilhada, para gerar compreensão que gera ação que gera transformação que gera permanência. O Empregado deve ser a primeira fonte geradora e difusora de todo o processo informacional/comunicacional. Hugo Marques Rosa, da Método Engenharia, classifica: “(...) O principal veículo de comunicação da empresa (...) são os nossos funcionários”.

 

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Onde não há informação, prospera a contrainformação, a deformação. E daí para o caos, não é um longo passo.

Administrador que não tem tempo para a informação, tem tempo para a desinformação  --  e para a mais completa ignorância (aquela que reúne, sob o mesmo teto, desconhecimento e incivilidade).

Empresa que não investe em comunicação, com certeza está financiando a “contraprodução”.

Pelo ralo de alguma rubrica contábil, o lucro está escorrendo.

EDMILSON SANCHES

(Do livro “Comunicação Interna – Produtos e Processos, Meios e Mensagens para a Gestão de Seres Humanos nas Organizações”, de Edmilson Sanches. Edições HumanaMente)

Contatos: (99) 9.8405-4248

(celular/WhatsApp)

[email protected]

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 01/08/2020

Visitas: 85

Palavras-chave: COMUNICAÇÃO INTERNA

Fonte: EDMILSON SANCHES

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