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Agora Santa Inês - CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

CLÁSSICO É CLÁSSICO

FILME: SE MEU APARTAMENTO FALASSE (1960)

“Se há uma coisa que detesto mais do que não ser levado a sério, é ser levado a sério demais”.

 

Billy Wilder

A estória é bem simples: C.C. Baxter é um funcionário ambicioso, vivido por Jack Lemmon, ele empresta seu apartamento para seus superiores; todos são casados e usam o espaço para ter encontros amorosos. Com essa tática, Baxter começa a subir na companhia e tudo inicialmente dá certo, até ele se apaixonar por Fran Kubelik, vivida por Shirley MacLaine, amante de um dos seus chefes.

O filme é uma comédia amoral, carregado de um humor inteligente e ácido. Os roteiristas I.A.L. Diamond e Billy Wilder, conseguiram colocar em xeque algumas questões da sociedade capitalista moderna. A instituição familiar correta, dos idos da década de cinquenta, é questionada quando mostra homens adúlteros e sem nenhum sentimento de culpa, traindo suas esposas com as funcionárias da empresa.

C.C Baxter, na ânsia de galgar uma melhor posição dentro da empresa, entra em um perigoso jogo, que mescla cumplicidade com seus chefes e elevação de cargos dentro do trabalho. Sem perceber que sua ascensão vai sempre ficar diretamente ligada, a uma armadilha perigosa de abuso de poder e troca de favores.

O filme não traz nenhuma inovação com relação à narração, montagem e ou fotografia. Ele segue a linha americana clássica, porém no tratamento do tema é que a dupla de roteirista vai inovar. Não esqueçamos que a “mocinha” do filme (Fran Kubelik ) é adúltera e o “herói” vivido por Jack Lemmon, não é lá um poço de virtudes.

Ainda sobra espaço no filme para mostrar um pouco da solidão das grandes cidades. C.C Baxter é um homem que vive para o emprego e mora sozinho em um apartamento alugado. E mesmo cheio de más intenções ,se mostra um personagem solitário e até certo ponto ingênuo.

A amor vai servir tanto para a virada de Baxter, quanto de Fran Kubelik: ao se apaixonarem os dois protagonizaram a ruptura de seus personagens. Baxter joga para o alto suas artimanhas, cargo,projeção social e abandona tudo, inclusive o apartamento (se ele falasse!), que foi palco para encontros e desencontros amorosos. Fran Kubelik irá romper o caso amoroso sem futuro com seu chefe para ficar com Baxter.

Os heróis erram e são humanos, se apaixonam e amam, assim como na vida real. Billy Wilder foi premiado com o Oscar de melhor diretor por esse trabalho, o filme ainda ganhou mais quatro: melhor filme, melhor roteiro original, melhor direção de arte e melhor edição. “Se meu apartamento falasse” é um bom exemplo para ilustrar aquilo que o diretor sempre acreditou: é um filme que trata de temas sérios mais sem se levar a sério demais.

©José Viana Filho é Bacharel em Cinema pela UNESA(RJ) e Mestre em Políticas Públicas pela Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais.

Email: [email protected]  Blog: www.josevianafilho.blogspot.com.br

CINE MEMÓRIA

JULHO: UM MÊS DE DESPEDIDAS

Em 26 de Julho faleceu Olivia de Havilland, uma das maiores lendas vivas de Hollywood. Nos deixou aos 104 anos, viveu personagens marcantes e o maior como Melanie em E o Vento Levou (1939).

 

Minha homenagem ao gênio da música Ennio Morricone, que nos deixou em 06 de Julho. Autor de diversas trilhas sonoras para cinema. Perdi a conta de quantas vezes assisti ao filme Cinema Paradiso (1988), minha trilha favorita do Maestro.

 

O Adeus do talentoso ator Leonardo Villar, falecido dia 03 de julho. Dentre muitos papéis, interpretou Zé do Burro no longa O Pagador de Promessas (1962), premiado com a Palma de Ouro em Cannes

 

 ©Luciana Lima Viana é Doutoranda em Ciência da Educação pela Universidade Nacional de Rosário(Argentina) e pesquisadora e amante do cinema dos anos 40 , 50 e 60 hollywoodiano.

O FILME DA SEMANA

“Cinema Novo”

O cinema novo foi o movimento artístico de grande importância do nosso cinema. Com início na década de 60 e seguindo até a década seguinte, foi uma escola estética, que tinha por características retratar a vida no Brasil com temática forte ,e um experimentalismo cinematográfico muito característico: pela primeira vez o povo se viu de fato retratado na tela, característica essa, associada a uma liberdade criativa, que fizeram deste movimento criticado por muitos no Brasil e um verdadeiro sucesso de crítica mundo afora .Hoje passados mais de quaro décadas, ele ganha um documentário belíssimo, que mais que um filme, é um documento histórico de  uma época fascinante do nosso cinema.

 

O longa abre com uma marcante montagem de cenas de diversos filmes, que não só fizeram parte do movimento mas que foram o embrião para o mesmo (como ´´Rio 40 graus`` e ´´O pagador de promessas``). Essa edição une diversos momentos de diferentes filmes, construindo uma unidade não só visual, como temática, como se os filmes fizessem parte de algo maior. Além de ressaltar a beleza plástica do movimento, estão presentes ali imagens icônicas.

 

Dirigido por Eryk Rocha (filho de um dos expoentes do movimento, o baiano Glauber Rocha), o documentário apresenta diversos e raríssimos depoimentos em áudio e vídeo de alguns realizadores da época; narrando muito da experiência deles com o cinema e com o país. O longa nos apresenta um impressionante trabalho de pesquisa, e de alguns casos, de restauração e de montagem, fazendo justiça não só ao cinema da época, mas como ao seu legado.

 

É importante percebermos a irmandade que se formou nessa escola cinema novista: um dos cineastas chega a dizer que eles são amigos não porque precisam um do outro para a realização dos filmes, mas porque gostam de trabalhar juntos, de fazer cinema juntos. E vemos na obra de Erick Rocha, vários os momentos em que eles trabalham em conjunto: dividindo o uso da moviola, discutindo cinema e fazendo crescer a obra de cada um. São registros incríveis de uma época mágica de nossa cinematografia.  

 ´´Cinema novo`` conquistou o prêmio Olho de Ouro no Festival de Cannes de 2016, festival este responsável na época por levar o Cinema Novo para o mundo. Um reconhecimento justo, não só ao belo documentário, mas ao movimento do cinema brasileiro, que marcou época no cinema mundial. Uma pena que em nossa própria terra, esse reconhecimento não aconteça em larga escala. Torçamos para que este documentário ajude a mudar um pouco esse cenário.

Felipe Fernandes é Bacharel em Cinema pela UNESA (Rio de Janeiro). Formado em Direção cinematográfica pela New York Film Academy (Los Angeles). Formado em Roteiro pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Vídeomaker, publicitário e crítico de cinema.

E-mail para contato: [email protected]

Instagram: @moviola.insta

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 01/08/2020

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Palavras-chave: CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

Fonte:

Big Systems
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