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Agora Santa Inês - O cérebro, as doenças mentais e as questões ambientais

O cérebro, as doenças mentais e as questões ambientais

A Psiquiatria clássica, sempre tentou localizar no cérebro as origens das doenças mentais ao ponto de, por muitos anos, esta especialidade ter sido designada como neuropsiquiatria. Muitas outras áreas do saber, além do conhecimento médico propriamente dito, como a psicologia, a sociologia, a antropologia, trouxeram contribuições fabulosas no sentido de explicar e compreender as origens destas doenças.

Há muitos anos, através dos conhecimentos científicos e baseadas em evidências clínicas, descobriu-se que as doenças mentais se originam de múltiplos causas, onde uma intricada rede de fatores ambientais, psicológicos, cerebrais, genéticos, neuroquímicos, imunológicos e neurofisiológicos, de forma interatuantes, colaboram para a saúde mental e comportamental das pessoas, e qualquer fator que ocorra, dentro ou fora desses paradigmas, são capazes de interferir com o equilíbrio comportamental, emocional e social, provocando respostas psicopatológicas, próprias dos transtornos psiquiátricos.

Nessa perspectiva, há pessoas, que herdam geneticamente condições, para o desenvolvimento de distintos tipos de doenças mentais com cursos e gravidades variáveis. Esse fator é preponderante na etiopatogenia (origem) desses transtornos, como exemplo temos: depressões, esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar, dependência química, transtornos alimentares etc. Por outro lado, há um terceiro grupo de doenças mentais que são muito influenciadas por condições psicossociais, onde a relação do homem com os outros e com seu ambiente sócio cultual, colaboram para a expressão comportamental dessas doenças.

Vejam, a situação de hoje, ante a pandemia pelo corona vírus. O agravamento de problemas psíquicos, o stress, a ansiedade descontrolada episódios de depressões, de ataques de pânico, aumento na ocorrência de suicídios e o abuso de álcool e de outras drogas é o que mais se vê na atualidade. E, todo esse agravamento, tanto em vulneráveis quanto em quem nunca teve qualquer problema mental, está relacionado diretamente às questões do Covid-19.

A visão atual, portanto, mostra que doença mental, seja qual for, nunca será determinada por um único fator, pois fatores exógenos, endógenos, genéticos e/ou ambientais, isolados ou em grupo, exercerão grande influência na fisiopatologia, na clínica, no tratamento e na evolução desses transtornos.

Há um fator, todavia, que devemos destacar nessa constatação, pois dependendo da doença, os fatores causais irão prevalecer uns sobre os outros. Por exemplo, as doenças psicóticas, como esquizofrenia, transtorno do humor como o afetivo-bipolar, os transtornos da personalidade, quadros delirantes e alucinatório, alguns tipos de transtornos alimentares e outros problemas comportamentais, são, predominantemente, genéticos, mesmo assim não se pode descartar a participação de outros fatores, médicos, psicológicos e sociais não genéticos, na gêneses de tais doenças. Volto a dizer, não há uma causa isolada que determine tais doenças, vários outros fatores irão contribuem para sua etiopatogenia.

Outras doenças mentais, como os transtornos de ansiedade, os diferentes tipos de stress, as depressões situacionais as angustias existências, a dependência química e ou uso abusivo dessas substâncias que são bastante prevalentes na atualidade, os fatores ambientais, sócios culturais e psicossociais são, predominantemente, relevantes no aparecimento de tais doenças na população em geral, muito embora, a herança também pode ter relevância em suas manifestações.

Não é à toa, que se pode dizer com segurança, que a sociedade atual está enferma mentalmente, não só pela influência direta da pandemia, mas por muitos outros fatores que não favorecem o bem estar geral da população. As condições gerais de vida da população, as inseguranças porque todos passam, as decepções na vida, a violência de todos os tipos, o desamor, a falta de fé, a insegurança geral por que estamos passando, a desconfiança nas pessoas, todos esses fatores têm contribuído para o aparecimento de muitas doenças mentais, as quais têm como bases esses conflitos existenciais pelos quais estamos passando nos dias atuais. E, a tendência, pelo visto, é que essas doenças aumentem em proporção geométrica com o estilo de vida errático adotado pela sociedade que vivemos e pelos impactos tremendos que a pandemia tem nos afetado. Os indicadores sociais, econômicos, os problemas éticos e políticos e, muitas outras questões são inteiramente desfavoráveis à nossa saúde mental e à nossa qualidade de vida.

Independentemente, de quais sejam os fatores predominantes na etiopatogenia dessas enfermidades psiquiátricas, há um denominador comum: esses múltiplos fatores interagem e se expressam clinicamente através da disfuncionalidade cerebral. O cérebro é, portanto, a sede material dessas doenças, pois é lá que se processa o mecanismo de surgimento dessas doenças. A consciência, a emoções, o humor, o comportamento, a personalidade, os sentimentos, a percepção, a memória, a atenção, a cognição e muitas outras funções essenciais a uma vida saudável, tem sua sede no cérebro.

Um ponto importante nessa questão, são os avanços nos tratamentos dessas doenças pois esses são cada vez mais seguros e eficazes, do ponto de vista terapêutico. As drogas usadas para o tratamento e prevenção de muitas doenças mentais são poderosas e capazes de modificar o curso natural dessas doenças e devolver prontamente a saúde mental a essas pessoas.

As modernas técnicas de psicoterapia cada vez mais eficientes e duradouras, à disposição da família e aos enfermos. O conhecimento científico, cada vez mais consolidado e abrangente sobre as origens das enfermidades psiquiátricas, o aperfeiçoamento de técnicas e exames sofisticados para o esclarecimento diagnóstico de grande partes dessas doenças, são fatores que estão garantindo, um presente e um futuro promissor, no manejo clínico, no tratamento e na prevenção quanto aos cuidados que temos que ter com esses enfermos.

 

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 01/08/2020

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Palavras-chave: O cérebro, as doenças mentais e as questões ambientais

Fonte: RUY PALHANO

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