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Agora Santa Inês - CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

RECORDAR É RE(VER)

FILME: BAIXIO DAS

BESTAS DE CLÁUDIO ASSIS

Cinema de Pernambuco ? NADA! ... Cinema nacional!!!

O diretor Claudio Assis (de Amarelo Manga) participou em 2007, de um agradável debate (na faculdade de cinema em que estudava) sobre o seu mais novo longa(na época), Baixio das Bestas. Logo após a exibição do filme, vimos um diretor que acompanha o seu discurso da película para a boca. É bom ver e ouvir diretores que são comprometidos com a sua obra, o discurso não cai, se mantém. Para mim foi grata a surpresa de poder conversar com ele, depois de ver uma obra tão impactante.

 

O diretor deixa os personagens caricatos e perturbados da metrópole pernambucana (de amarelo manga) e se remete a zona da mata do Estado. Ao fundo vemos as plantações e o corte da cana-de-açúcar, enquanto o mundo desses personagens são apresentados de forma crua, lírica e acentuada. Cada personagem sabe o que veio fazer no plano. Nada é de graça no filme: seus tempos mortos descrevem a rotina de repetição do interior do nordeste, seus personagens agroboys(Matheus Nachtergaele e Caio Blat dão um show) com diálogos vazios e atos brutais. Resultado de anos e anos da cultura latifundiária nordestina e nacional.

 

As prostitutas largadas e violentadas (Dira Paes com sua beleza e talento que foge da caricatura), são reflexo da violência cada vez maior sobre as mulheres desses locais. E por fim, a exploração sexual de uma jovem menina (a estreante Mariah Teixeira) pelo seu avô(que também é seu pai), ao meio de maracatu e cachaça. Tudo isso formando um painel de denúncia e de perplexidade.

 

É triste saber que é real. Algumas pessoas vão ter repulsa e até taxar o filme de violento. Mas na realidade, a câmera de Cláudio Assis, sempre observadora, denuncia esse estado prostrado em que se encontra a região, e abre uma lente para quem quiser ver e entender o que se passa por algumas cidades do país. Ele revisa seu Estado, sem perder a universalidade da obra. Seu filme não é de Pernambuco, é do Brasil e se comunica com o mundo.

 Baixio das Bestas deve ser assistido com o olhar atento para um Brasil que chama atenção e deve mudar. Deixemos de olhar um pouco nosso umbigo para reagir ao que o diretor nos mostra. Como diria o próprio Cláudio Assis: Quem não reage, rasteja. É ver e entender o que falo.

©José Viana Filho é Bacharel em Cinema pela UNESA(RJ) e Mestre em Políticas Públicas pela Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais.

      Email: [email protected]  Blog: www.josevianafilho.blogspot.com.br

CINE MEMÓRIA

LOUISE BROOKS: “Não existe Garbo. Não existe Dietrich. Existe apenas Louise Brooks”

Pandora’s Box

“Born in Kansas

On an ordinary plain

Ran to New York

But ran away from fame

Only seventeen

When all your dreams came true

But all you wanted was someone to undress you....”

 

Talvez ela seja a atriz mais vanguarda que Hollywood já viu, mas com certeza foi a rainha da geração flapper(melindrosas).Lançou a moda de cabelo curto, como diriam a la garçom, Louise Brooks era a mais atrevida atriz que o cinema mudo já viu: sabia seus melhores closes na câmera, lutava pela valorização das atrizes no universo cinematográfico, já na década de 20. Ela desafiou estúdios e abandonou Hollywood no auge e foi fazer cinema na Alemanha, o que resultou em seu grande sucesso o qual seria eternizada Pandora’s Box (A Caixa de Pandora) em 1929.

Louise Brooks(1906-1985), nasceu no Kansas como diz a música Pandora´s Box(1991), do grupo pop Orchestral Manoeuvrs In The Dark (uma banda wave/synthpop de Wirral), lembro- me quando escutei tal canção pela primeira vez e fiquei curiosa para saber quem havia sido Luoise Brooks; fiquei hipnotizada pelo olhar forte da musa.

Fui atrás do filme Pandora’s Box(A Caixa de Pandora-1929), um filme alemão dirigindo por Georg Wilhelm Pabst, fiquei impressionada com o teor moderno da película, que contvaa a história da sedutora Lulu e seus admiradores.Com vários desfechos, o filme consegue prender mesmo os não amantes do cinema mudo.

Louise começou sua carreira como dançarina aos quinze anos, na companhia de dança moderna Denishawn Dance Company(Los Angeles) de  Ruth St. Denis e Ted Shawn, após diversas apresentações teve um desentendimento com um dos fundadores e saiu da companhia, queria melhores condições de trabalho. 

Em Hollywood estreou no filme mudo The Street of Forgotten Men (1925), mesmo seu nome não tendo aparecido nos créditos(muito comum na época), serviu para que Louise fosse notada, conseguindo papeis como protagonista: destacando-se no filme Mendigos da Vida(direção William A. Wellman-1928), onde faz uma garota chamada Nancy ,que não aguentando os anos de abuso que sofre do pai adotivo, o mata. Torna-se foragida, veste-se de homem e foge com um mendigo de trem em trem.

Mendigos da Vida(1928), foi um dos primeiros filmes de experiência sonora do cinema, que alavancou ainda mais a carreira de Brooks em Hollywood. Com seu papel de vamp em A Girl in Every Port (direção Howard Hawks-1928), o diretor alemão G.W.Pabst, ficou encantado com sua atuação, levando-o a pedir Louise “emprestada” para Paramount, o estúdio não só nega a proposta ao diretor alemão, como o esconde de Louise.

Mas o destino estava a favor de Louise Brooks, ao solicitar um aumento salarial ao produtor da Paramount, B.P Schulberg e ser negado, foi o motivo final para tomar uma decisão antes adiada: abandonou Hollywood e foi ao encontro ao seu maior sucesso na Alemanha,e  lá descobriu a proposta de G.W.Pabst para fazer A Caixa de Pandora.   

Após ser bem sucedida na Alemanha, a Paramount concede o aumento que a estrela havia proposto inicialmente, pois queriam que a mesma dublasse seu último filme The Canary Murder Case (1929), Brooks recusou a proposta e deu as costas para estúdio, mas isso lhe custou muito caro, pois foi difamada pela Paramount e nunca mais conseguiu trabalhos relevantes em Hollywood.

Após o ocorrido, Louise nunca mais conseguiu recuperar sua carreira, escreveu “Lulu in Hollywood” em 1948, tornando o livro best seller, e só viria a ser lembrada em 1982 em entrevistas a Tom Grave, o qual resultou o livro "Louise Brooks, Frank Zappa, & Other Charmers & Dreamers".

Infelizmente somente dois filmes de Louise Brooks foram recuperados : A Caixa de Pandora(1929) e Diário de Uma Garota Perdida(1929).No documentário Looking for Lulu, é possível saber um pouco dessa atriz espetacular que morreu reclusa aos 78 anos, e mesmo não se curvando a Hollywood, será sempre eterna...Como ela mesmo dizia “Quem quer trabalhar em Hollywood?”, afinal ela só queria que despissem sua alma. 

 

©Luciana Lima Viana é Doutoranda em Ciência da Educação pela Universidade Nacional de Rosário(Argentina) e pesquisadora e amante do cinema dos anos 40 , 50 e 60 hollywoodiano.

 

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 10/09/2020

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Palavras-chave: CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

Fonte:

Big Systems
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