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Agora Santa Inês - SETEMBRO NEGRO

SETEMBRO NEGRO

Em 1970, a Jordânia  -- um país situado do sudoeste da Ásia, na margem do rio Jordão, território três vezes menor do que o Maranhão e população quase a mesma do nosso estado --  massacrou inúmeros militantes palestinos e expulsou outros.

 

Eram militantes que formavam uma espécie de poder paralelo no país jordaniano. O rei Hussein não tolerou. E o massacre ficou conhecido mundialmente como “Setembro Negro”.

 

Trinta e um anos depois, a expressão foi relembrada nos jornais, para denominar ou resumir o que o terror pode fazer a uma nação.

 

Os Estados Unidos sofreram, em 11 de setembro de 2001, há 19 anos, o ataque mais impensado, jamais imaginado, que a insanidade humana poderia desferir contra pessoas  -- sobretudo pessoas – , contra coisas e contra o orgulho de um País.

 

Não um país qualquer, mas o mais rico, o mais influente, o mais tecnológico, o mais militarizado, o mais poderoso país da Terra.

 

Os americanos nunca esqueceram Pearl Harbor.

 

Nunca deixaram de chorar John Kennedy.

 

Nunca se curaram do Vietnã, o país que na guerra trucidou milhares de jovens soldados do país tido como "xerife do mundo".

 

Os americanos nunca tiraram o engasgo provocado por seu ex-soldado e veterano da Guerra do Golfo Timothy McVeigh, que, com uma bomba de 2.300 kg, explodiu 19 crianças na creche do prédio, no segundo andar e outros 149 conterrâneos seus, além de ferir mais 684 em Oklahoma City, manhã do dia 19 de abril de 1995. Metade do edifício federal Alfred P. Murrah foi ao chão e virou pó. Pó, poeira e cinzas.

 

11 de setembro de 2001. Também em uma manhã de céu límpido em Nova York, o café nem bem havia sido servido ou sorvido quando um estrondo fenomenal anunciou, mais de cem andares acima: um avião se chocava com uma das duas torres do complexo comercial mais famoso do mundo.

 

Poucos minutos depois, as lentes das televisões que transmitiam ao vivo o cenário de fogo, fumaça e desespero captaram, impotentes, uma segunda tragédia; outro avião se espatifou atirando-se contra a segunda torre. E não terminava aí.

 

Em Washington, o aparentemente superprotegido edifício de cinco lados, e por isso mesmo chamado Pentágono, sede da inteligência militar americana, recebeu em suas entranhas mais um avião, que explodiu junto com passageiros, tripulantes.

 

Na Pensilvânia, um quarto avião se destroça no chão, sem tirar vidas em terra, mas nela sepultando os corpos carbonizados pelo fogo e liberando os espíritos congelados pelo que deve ter sido o horror dos passageiros e tripulantes dentro dos aviões que se despedaçaram.

 

O mundo continua perplexo. Embora a corrupção (que mata o já miserável, tirando-lhe o alimento), embora o político bandido (que mata com suas políticas), embora o bandido político (que mata em nome de suas coisas e causas), embora a banalização dessas infelicidades, embora a vulgarização do que não presta, o ser humano parece que não deixa de ter motivos para continuar se surpreendendo com o que pode de ruim fazer outro ser humano.

 

O homem continua sendo o lobo do homem.

 

 

GUERRA A MADRASTA DE TODAS AS

 VIOLÊNCIAS

 

Lembrando o dizer horaciano do primeiro século antes de Cristo, não é sem razão que as guerras são abominadas pelas mães. Claro, as guerras matam os filhos e filhas delas  --  e os irmãos uns dos outros, amigos, conhecidos e, sobretudo, desconhecidos, mas todos que nem nós, com direito a viver uma vida em paz e positiva.

 

Os números de guerra são assuntos com que trabalham, mais, estatísticos e belicistas. São números tão grandes que o escritor russo Ivan Bunin (1870-1953) arriscou-se a prever: "Milhões de homens tomam parte nas guerras atuais; daqui a pouco toda a Europa será povoada apenas de assassinos."

 

Resta aos familiares e amigos dos mortos a dor, o choro, o luto, a saudade, a irresignação; e resta-nos a nós humanistas também dor solidária, a perplexidade, a não concordância, a indignação  -- e, quase sempre, a impotência,  a incapacidade senão a impossibilidade de fazer algo que não seja a expressão de não aceitação da bestialidade humana,  a não tolerância, transposta pela voz e pela escrita e por sadios atos de inconformação e rebeldia.

 

E, já que toda vida importa, independentemente da origem do conflito, do país estimulador ou invasor, ou se é guerra covarde, declarada, ou impensada, civil, vamos juntar os quase QUATROCENTOS MIL sírios, os DUZENTOS E SESSENTA E DOIS MILHÕES, no mínimo, ou SEISCENTOS E SESSENTA E CINCO MILHÕES, no limite, EM APENAS trinta guerras e conflitos, entre nações ou internas, fratricidas  -- a guerra civil, lembrando o Marquês de Maricá, é quando uma nação inteira comete suicídio.

 

A diferença de ataques chamados terroristas para situações de guerra é que, com o horror que ambas as situações despertam em pessoas e delas se apossam, o primeiro caso tem como elemento de distinção a surpresa, o inesperado, o imprevisível. No estado de guerra, há uma previsibilidade, um anúncio, espécie de "permissão" para que tudo possa acontecer, inclusive com civis, por mais desiguais e covardes que sejam os atos dos diversos lados (citando apenas Pearl Habor, pelos japoneses; Hiroshima e Nagasaki, pelos norte-americanos).

 

Ao final de contas, repito o que escrevi há anos em meu livro "Do Incontido Orgulho de Ser Caxiense":

 

_"Não se sintam desconfortáveis nem olhem para os lados, mas em volta de cada um de vocês gravitam 16 fantasmas.  É essa exatamente, segundo estudos demográficos internacionais acreditados, a quantidade de pessoas que já morreram para cada um dos 6 bilhões e 700 milhões [atualmente, segundo o WorldMeter, 7 bilhões 811 milhões] de seres humanos ainda vivos na face da Terra  -- entre os quais, nós. Já existiram cerca de 107 bilhões de pessoas no planeta [atualizando: já morreram 125 bilhões de seres humanos].

 

Cabe-me, senão por obrigação formal ao menos por praxe institucional, cabe-me, aqui, agora, dar visibilidade a um desses fantasmas, dar contorno a um grande espírito, falar de uma venturosa e aventureira alma. Evidentemente, nada a ver com sessão mediúnica ou tambores e terreiros  -- todos estes e tudo isto respeitadas manifestações de religião enquanto religação com os mundos etéreos, com os universos multidimensionais que nós, enquanto seres humanos, a eles ora buscamos (para superar a ignorância que é incompletude de conhecimento) ou deles ora desdenhamos  -- em nossa ignorância que é grosseria, egoísmo, incivilidade de sentimento."_

 

Triste, mais, é confirmar-se que, muitas das vezes, senão quase sempre, a origem primeira, a causa e coisa inicial de um conflito mortal está ligada a PODER e DINHEIRO ("Follow the money", dizem os promotores de Justiça americanos). Padre Antonio Vieira, atual, afirmava ser "a guerra aquele monstro que se sustenta das fazendas, do sangue, das vidas, e quanto mais come e consome, tanto menos se farta".

 

E pensar que, no estourar dos morteiros (para citar só o armamento que desde o nome leva morte com ele), uma guerra quase sempre é decisão de só duas pessoas...

 

Uma lástima que, se a vida é curta demais para ser miúda, os belicistas escolham ou aplaudam exatamente a forma mais destruidora e desumana de todas para amiudá-la ainda mais.

 

Humanos, lobos  -- vorazes --  de humanos...

 

Hobbes, citando Plauto, tem razão...

 

"Deve o mortal sensato detestar a guerra;

se ela todavia for inevitável,

os louros não serão de quem morrer lutando

por causa ignóbil, que afinal só traz desonra."

 

(Eurípedes, século 5 antes de Cristo).

 

Aos mortos, Eurípedes, até os louros se lhes negam...

 

Aos mortos, as lágrimas.

 

Pelo menos.

 

Antes que nos sequemos todos...

 

EDMILSON SANCHES

[email protected]

 

Foto do Museu de Imagens (Brasil): "Jan Rose Kasmir, uma jovem norte-americana, confronta a Guarda Nacional do lado de fora do Pentágono com uma flor nas mãos durante uma marcha contrária à Guerra do Vietnã em 1967. Essa ato ajudou a colocar a opinião pública em desfavor da intervenção americana no Vietnã."

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 16/09/2020

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Palavras-chave: SETEMBRO NEGRO

Fonte: EDMILSON SANCHES

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