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Agora Santa Inês - Álcool, trabalho e outros danos

Álcool, trabalho e outros danos

Um dos mais significaagtivos e importantes levantamentos epidemiológicos já realizado em nosso país, qual seja o II Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD) (2006 - 2012). revelou importante mudança no padrão de consumo do álcool na população adulta brasileira em um período de 6 anos. Entre as pessoas que bebem, houve aumento de 20% na proporção de bebedores frequentes (que bebem uma vez por semana ou mais) e de 31% no beber em binge, que é considerado um padrão nocivo de consumo de álcool (4 doses de álcool para mulheres e 5 doses para homens, em período de 2 horas). A pesquisa revelou também que 65% da população brasileira faz uso de álcool, 32% bebem moderadamente, 16% fazem uso nocivo e, entre os bebedores, 17% apresentam critérios para abuso e/ou dependência de álcool.

  Neste contexto, é importante esclarecer que o uso abusivo de álcool é um dos problemas mais sérios de saúde pública no Brasil e no mundo inteiro.

  Apesar de estudos científicos destacarem o consumo abusivo do álcool como causa de desemprego, o contrário também tem sido evidenciado de modo consistente; ou seja, o desemprego levando ao aumento do consumo de álcool e o risco de desenvolver abuso ou dependência alcoólica. Imaginem, por exemplo, no presente momento, porque passa a população brasileira, onde o desemprego é algo altamente significativo, provocado pela pandemia situação essa, que atingiu milhares de famílias neste pais e no resto do mudo, fatalmente, esse será mais um fator predisponente para o consumo abusivo de álcool, quiçá de outras drogas.

 Em termos gerais, o uso abusivo de álcool pode ocasionar não somente prejuízos pessoais e familiares, mas também prejuízos no ambiente profissional, como diminuição na produtividade, aumento de absenteísmo (falta ao trabalho), maior probabilidade de acidentes de trabalho, entre outros. O II LENAD também mostrou que 8% (7,4 milhões de pessoas) admitiram que o uso de álcool teve efeito prejudicial no seu trabalho, enquanto 4,9% (4,6 milhões de pessoas) relataram já ter perdido o emprego devido ao consumo de bebidas alcoólicas.

 De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), agência das Nações Unidas de informação, análise e orientação sobre o trabalho, de 20% a 25% dos acidentes de trabalho no mundo envolvem pessoas que estavam sob o efeito do álcool ou outras drogas. Além disso, os prejuízos do uso de álcool no ambiente de trabalho acarretam custos enormes para a economia do país.

 Ao contrário do que muitos acreditam, mesmo em pequenas quantidades, o álcool pode causar prejuízos à performance, qualidade e segurança no trabalho, pois é uma substância depressora do Sistema Nervoso Central cujos principais efeitos a curto prazo envolvem:

Prejuízo do julgamento e da crítica;

Prejuízo da percepção, memória e compreensão;

Diminuição da resposta sensitiva e retardo da resposta reativa;

Diminuição da acuidade visual e visão periférica;

Incoordenação sensitivo-motora, prejuízo do equilíbrio;

Sonolência.

 Outros fatores no ambiente de trabalho também podem contribuir para o uso do álcool. Por exemplo, diversos estudos mostram que o estresse tem um papel importante na relação entre álcool e trabalho, sendo que os trabalhos mais estressantes (posições com maiores responsabilidades) influenciariam mais o uso de álcool e transtornos relacionados (abuso e dependência).

 As mulheres acabam sendo ainda mais prejudicadas que os homens quando se trata do impacto da demanda excessiva de trabalho, pois frequentemente enfrentam uma dupla jornada de trabalho ao chegar em casa (como cuidados com os filhos e afazeres domésticos).

 Cabe ressaltar que, por ser considerada uma doença crônica, há uma proposta para que o trabalhador dependente de álcool tenha direito à proteção do Estado. O projeto de lei do Senado (PLS 83/2012) exclui da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT - Decreto-Lei 5.452/1943) a possibilidade de demissão nesse caso. O projeto estabelece ainda que o trabalhador acometido pelo alcoolismo só poderá ser demitido se não aceitar se submeter a tratamento médico ou psicológico para sua recuperação.

 Por ocasião da pandemia, sabe-se que houve um aumento substancial no consumo de álcool e de outras drogas. Sobre o álcool há estudos que apontam taxas de mais de 20% no consumo de álcool. Evidentemente, que à par desse aumento no consumo, aumentaram também os problemas álcool-relacionados, tais como: violência doméstica, feminicídios, mortes e comportamento violento no trânsito, homicídios, separações conjugais. As separações conjugais em alguns países atingiram taxas impressionantes como cerca de 30% dos casais se separaram e certamente o álcool é responsável por uma boa parcela desses fatos.

 Do ponto de vista psicopatológico o consumo compulsivo de álcool, comuns em dependes dessa substância, responde por cerca de 10% dos suicídios praticados no mundo, onde encontramos uma prevalência de um milhão de pessoas se suicidam no mundo. Em nosso pais, informações recentes dão conta que 12 mil pessoas se matam anualmente.

 Enfim, como diz um amigo de muitos anos: beber é uma arte, saber beber uma virtude e embriagar-se uma tremenda tolice. E, de fato esse amigo está cheio de razão. A experiência de consumir álcool por menor que seja a quantidade é sempre carregada de muitos riscos, portanto, tenha sempre muita cautela ao adentrar nessa experiência, sendo, na realidade, o melhor é evitar

 

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 10/10/2020

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Palavras-chave: Álcool, trabalho e outros danos

Fonte: RUY PALHANO

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