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Agora Santa Inês - AOS MESTRES COM CARINHO E RESPEITO

AOS MESTRES COM CARINHO E RESPEITO

*[email protected]

(Doutoranda em Ciências da Educação)

 

“Chegou a hora

De fechar os livros

E os olhares demorados devem acabar

E enquanto eu os deixo

Eu saberei que estou deixando meu melhor amigo

Um amigo que me ensinou o certo do errado

E o fraco do forte

É bastante para aprender

O que, o que eu posso lhe dar em troca?

Se você quisesse a lua eu tentaria fazer uma estrela

Mas eu gostaria que você deixasse, lhe dar meu coração

Ao Mestre, com carinho”

 

Fragmentos da canção interpretada por Lulu, no filme, “Ao Mestre Com Carinho”

 

No dia 15 de outubro, passado, comemorou-se o Dia dos Professores, o que nem todos sabem é que a alusiva data, foi criada por Antonieta de Barros, parlamentar, negra, pioneira no campo da política partidária, eleita em 1934, pelo Estado de Santa Catarina. Está entre as três primeiras mulheres a se elegerem em um mandato no Brasil. “Sua bandeira política era o poder revolucionário e libertador da educação para todos”.

Contextualizando que a eleição de Antonieta, ocorreu “menos de meio século após a abolição da escravatura e apenas dois do sufrágio — que deu às mulheres direito ao voto facultativo. Num país fortemente preconceituoso quanto à classe, cor e gênero”, a congressista “tinha orgulho de sua história”.

Aos 17 anos, já formada professora, fundou o curso particular “Antonieta de Barros”, cujo objetivo era o de “combater o analfabetismo de adultos carentes”. Acreditava “que a educação era a única arma capaz de libertar os desfavorecidos da servidão”. Não lecionou apenas para os desvalidos economicamente, sua competência e excelência profissional, lhe renderam um convite para dar aulas a “elite catarinense”, mais precisamente nos “Colégio Coração de Jesus, Dias Velho e Catarinense”.

Escreveu mais de mil artigos, embora, nada disso tenha sido suficiente para que ela deixasse de ser insultada por seus opositores, “homens brancos, da elite oligárquica e política”. Foi a voz das mulheres, quando estas não tinham voz, sequer imaginavam ter um “lugar de fala”. Responsável pela escrita de “dois capítulos da Constituição Catarinense”, relacionados à “Educação, Cultura e Funcionalismo”, mas foi “destituída do cargo, pelo golpe de Getúlio Vargas”.

Sabe-se que a “primeira grande lei educacional do Brasil foi sancionada por dom Pedro I em 15 de outubro em 1827”, tornando-se “um marco para a educação brasileira”. No entanto essa “data era comemorada informalmente”, foi com a “Lei Nº 145, de 12 de outubro de 1948”, que o evento passou a ser oficial, a partir de um “projeto de Antonieta”, “20 anos depois, em outubro de 1963”, todo o país passou a comemorar o Dia dos Professores, que foi reconhecida pelo então presidente da República, João Goulart.

O direito à Educação é defendido desde muito tempo, por várias correntes pedagógicas (por conseguinte, ideológicas) e, organismos estatais, não apenas no Brasil, mas como também em outros países. A educação é um processo vivo, composta por vários sujeitos e protagonistas, é “uma aventura tipicamente humana, é consciente, organizada, sempre oscilando entre o passado e o futuro” de acordo com Manacorda (2010). Uma luta em que também “faz parte a consciência histórica, o voltar-se atrás para considerar o quanto as coisas vêm de longe para prosseguir à frente, bem mais, longe”, destaca o autor (idem:426). É “um subsistema de um sistema maior”, concorde Freire (1978:24).

Mas diante do exposto, parece pertinente fazer logo de partida, duas perguntas importantes: 1. Precisa-se de uma data específica para render homenagens aos professores e professoras? 2. Os(as) professores(as) do Brasil, têm o que comemorar?

Respondendo ao primeiro questionamento: sim, é evidente que sim. Em todas as sociedades, as datas comemorativas históricas, heroicas, festivas, devem partir e ao mesmo tempo conduzir à uma reflexão sobre o construto social que somos, qual sociedade queremos, e quais significados simbolizam para a comunidade.

É sabido que essas divisas para além de números, são importantes “suportes da memória”,  é uma maneira de “pensar sobre elas e sobre seu papel na constituição de um tempo histórico”, segundo Bittencourt (2007:11), social, cultural e político (grifos nossos). As datas funcionam não apenas como “registro de tempo”, assinala Bittencourt (idem:12), mas passam também a ser balizas referenciais, como se vê, “na nossa história e nas demais histórias mundiais, muitas datas transformaram-se em marcos comemorativos, criando-se rituais para que a sociedade se envolva e participe de maneira específica do processo de rememoração”, continua a autora.

Razão pela qual, muitos grupos sociais também instituem suas “datas e seus rituais para se comemorar acontecimentos que devem ser – ou são – considerados necessários para estarem presentes na memória” desses grupos, para assim “reafirmarem suas identidades”, prossegue (idem:ibdem), como ainda para corporificarem suas lutas e seus propósitos, numa contínua reflexão, (r) evolução e ação.

Tem um forte significado político, tanto o ato de “lembrar”, como o de “esquecer”, consoante Bittencourt (idem:ibdem). Servem para anunciar, denunciar, como ainda para questionar. As datas não significam o todo dos fatos, mas uma parte, um alerta, está presente n’ “O tempo e os tempos: datas são pontas de iceberg”, ressalta Bosi apud Bittencourt (idem:ibdem). É uma forma de entrever alguns fatos, em determinados momentos, que desvelam tantos outros não-ditos, pressupostos e acontecimentos. A historiadora (idem:13), atenta para as vastidões de uma demarcação e sua importância comemorativa.

Neste sentido, a reflexão acima pode contemplar a segunda indagação, mas vamos tecer aqui algumas imprescindíveis considerações. Como é do senso comum, em função do COVID-19, as aulas estão sendo ministradas em caráter remoto, não suspendendo os (as) professores(as) de continuarem a realizar suas atividades com os(as) estudantes e outras demandas de cunho mais burocrático em suas casas.

A evocação desse momento é bastante significativo, não dá para desconsiderar as conquistas da classe, como também um avanço importante na conscientização de muitos professores (as), dos (as) alunos(as), autoridades da área, agentes políticos outros, como ainda de toda a célula social. 2020 entrará para a história como um ano anômalo, cheio de desafios para todos e todas.

Compreender e comemorar o significado dessa guia, corrobora a necessidade e a importância de se debater questões tão presentes em nosso dia a dia. Sem os (as) professores (as), não seria possível a educação como a conhecemos, “a ideia de uma homenagem não deve ser uma mera convenção social, mas serve para refletir a importância desta data e buscar formas de valorizar os professores, por todos: os alunos, os familiares, o governo e a própria escola”, enfatiza Oliveira (2020).

Evidentemente que existem muitos problemas na e com a Educação brasileira, adversidades e contratempos de toda natureza. Pode-se elencar os mais debatidos e não superados, tais como:

“baixos salários, precárias condições de trabalho e jornadas exaustivas; turmas superlotadas; ausência de políticas de formação inicial e continuada adequadas às necessidades do professor; violência e adoção de modelos empresariais de gestão que consideram o professor como obstáculo à melhoria da qualidade do ensino”, salienta Trindade (2020)

 

e ainda sublinha que os(as) professores(as), não ficam “limitados a encontrar respostas objetivas para esses questionamentos”, que é fundamental “refletir sobre a essência dos problemas educacionais no Brasil”, frisa ainda que,

 

“nas últimas décadas, o movimento sindical do setor educacional amadureceu bastante a sua análise dos problemas estruturais que afligem a educação e seus profissionais. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) tem pautado a sua atuação conjugando a luta por uma educação pública de qualidade social, com profissionais efetivamente valorizados, com a luta permanente pela superação do projeto de dominação das classes populares, concebido pelas elites, no processo histórico de construção do modelo educacional brasileiro”.

Todavia é consenso que a categoria profissional, deve “redirecionar a caminhada. Buscar horizontes que apontem para a superação das desigualdades sociais, que assegurem a reparação da dívida acumulada com a maioria do nosso povo”.

Ao aguilhoar  a sociedade brasileira “para que todos possam assumir o protagonismo nos vários aspectos da vida nacional, e para que cada cidadão e cidadã encontre na escola”, sobretudo, a “pública um espaço de construção de conhecimentos”, faz parte da luta diária dos professores e das professoras, como de todo o conjunto dos que trabalham em Educação e, aponta para a importância de se combater “as políticas que priorizam maquiar a realidade em detrimento de transformá-la”.

Professores(as) e alunos(as), não são dados, “simples número nas pesquisas nacionais”, cada papel exercido é fundamental na construção de outro mundo, para isso é necessário que todos se conscientizem “da importância do professor, do seu papel estratégico na sociedade, e da sua disposição de luta”, neste sentido, “comemoraremos sempre o dia 15 de outubro ,apesar de tudo que ainda precisamos conquistar”, aviva Trindade (2020).

E para você caro(a) professor(a), temos o que comemorar?

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BITTENCOURT, Circe (2007). Dicionário de datas da história do Brasil. São Paulo: Contexto.

FREIRE, Paulo (1978). Cartas a Guiné Bissau: registros de uma experiência em processo. 3ª ed., Rio de Janeiro. Paz e Terra.

MANACORDA, Mario Alighiero (2010). História da educação: da antiguidade aos nossos dias. – 13. ed. – São Paulo: Cortez.

OLIVEIRA, Kiusan (2020). Será que a classe de professores tem o que comemorar? Disponível em:< https://www.portalrosachoque.com.br/noticias/9515/sera-que-a-classe-de-professores-tem-o-que-comemorar/> Acesso: 15.10.2020.

TORRES, Aline (2020). Antonieta de Barros, a parlamentar negra pioneira que criou o Dia do Professor. Disponível em: https://brasil.elpais.com/opiniao/2020-10-15/antonieta-de-barros-a-parlamentar-negra-pioneira-que-criou-o-dia-do-professor.html?fbclid=IwAR2Faq0G8BWh8Zb7N6qE6_h9PZCc_NXsUQxW6YKjrt4iFKWrHHsuoL89FYk Acesso: 15.10.2020.

TRINDADE, Antonieta (2020). 15 de Outubro, Dia do Professor. Há o que comemorar? Disponível em: <https://www.sintepe.org.br/site/v1/index.php/artigos/da-diretoria/429-15-de-outubro-dia-do-professor-ha-o-que-comemorar>. Acesso: 15.10.2020.

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 17/10/2020

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Palavras-chave: AOS MESTRES COM CARINHO E RESPEITO

Fonte: Valda Colares

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