• Agora Santa Inês -
  • Agora Santa Inês -
  • Agora Santa Inês -
  • Agora Santa Inês -
Agora Santa Inês - Exclusivo: Mhario Lincoln/ Clélio Silveira/Mhario Lincoln (Parte I)

Exclusivo: Mhario Lincoln/ Clélio Silveira/Mhario Lincoln (Parte I)

VICEVERSA: MHARIO LINCOLN PERGUNTA PARA CLÉLIO SILVEIRA/CLÉLIO SILVEIRA PERGUNTA PARA MHARIO LINCOLN Parte I

Clélio Silveira: empresário, jornalista, compositor e empreendedor do bem.

MHARIO LINCOLN – As mensagens musicais e a Fé em Deus são muito presentes em suas atividades. Mas, existiu algum momento nessa caminhada em que um possível “Saulo” tenha se transformado em Paulo? Antes, meu obrigado por ter aceito nossa conversa.

CLÉLIO SILVEIRA: É uma honra poder participar desse quadro tão bem bolado pelo Amigo (com a primeira letra em maiúsculo, mesmo) Mhario Lincoln. Bom, sobre um certo “Saulo”, não chegaria a tanto, mas um arremedo dele. Até os 40 anos de idade eu vivia muito distante da minha religião (Católica), frequentando missas só em ocasiões especiais, tipo casamentos, batizados, aniversários, etc. Eu era mesmo um ignorante religioso. Não que estivesse fazendo algo de errado só para os outros, mas para mim, também. Era famoso, fazia televisão, rádio e produzia shows dos mais diferentes e famosos artistas brasileiros. A boemia andava por perto nos dias em que não estava na estrada, e aí a vida desandava. Às vezes era arrogante, rico, poderoso, zangado, e não era um bom exemplo de pai de família para ninguém, etc. Era o Saulo? Então aos 42 anos uma jovem mulher que tinha a metade de minha idade, 21, mas que a conheci quando ela tinha 19 anos, de família tradicionalmente religiosa, me apresentou a Igreja Católica, a RCC e começou a haver uma grande mudança em minha vida, isso quase 30 anos depois de pegar a estrada aos 13 anos de idade. Seria então o Paulo?

 

CLÉLIO SILVEIRA– Mestre, em primeiro lugar minhas sinceras saudações e reconhecimento pelo trabalho que fazes literalmente no mundo das artes. Faço agora uma pergunta que muitos maranhenses gostariam de fazer-te: O que te fez deixar o Maranhão, onde sempre fostes uma personalidade de grande influência no mundo da comunicação, com algum viés às vezes políticos?

MHARIO LINCOLN - Eu saí em busca de uma melhoria profissional. Aproveitei que minha esposa é do Paraná, então nos deslocamos até Curitiba. Aqui pude me profissionalizar mais um pouco, estudar música, cinema. Participar de momentos memoráveis da imprensa internacional, como integrante da equipe que fez o Suplemento da Visita do, então, Príncipe Akihito, depois, o 125.º imperador do Japão, de acordo com a ordem tradicional de sucessão, de 7 de janeiro de 1989 a 30 de abril de 2019. Com certeza, um dos trabalhos emocionantes, no jornal "Indústria e Comércio do Paraná". Outra coisa foi participar como assessor direto do gabinete do Secretário de Esportes e Lazer, Raul Plasmann, goleiro campeão do Mundo pelo Flamengo. Depois eu e o jornalista e poeta João Batista do Lago montamos o "Portal Aqui Brasil" em 2004, um fato extraordinário que sobreviveu (ao começo da explosão internetiana) nos 10 anos seguintes. Enfim, ultrapassando a ponte do Estreito dos Mosquitos, alcancei realizações incríveis, em todas as áreas profissionais que abracei. Porém, meu coração permanece solidificado em minha terra, da mesma forma, cantada e decantada por meu amigo querido Claudio Fontana: "Quero voltar, / quero voltar a São Luís, / Ilha do Amor onde nasci, / onde em criança eu fui feliz...". Quem sabe eu volte!

 

MH – Há muitos fatos realmente marcantes em sua vida plena de muitas felicidades. Destaque um, em especial, e explique por que?

Clélio: É....vivi e vivo muitos momentos marcantes nesses meus quase 68 anos de idade. Tudo em mim marcou...coisas boas, coisas ruins, momentos de felicidades, momentos de decepção, de introspecção, e de Reflexão Espiritual, esses quatro sentimentos me acompanham até hoje, a diferença é que aprendi a conviver com cada um deles distintamente, sem permitir que me afetem de maneira a me desviar do caminho que Deus traçou para mim a partir lá dos meus 42 anos. Deus agiu (e age) o tempo inteiro na minha vida (na verdade já agia, as trevas é que não me deixavam ver) desde que eu percebi que eu deveria seguir os “sinais” que ele passou então, a mostrá-los em meu caminho. Teria sido assim...um resgate. Acho que Ele chegou para mim e disse...chega!!! Desde então fui mudando (e continuo me moldando), sem perder amigos, sem perder a humildade (que aliás eu não tinha...tanto) sem deixar de trabalhar, e sem deixar de ser um produtor de conteúdos jornalísticos, religiosos (como meus CD,s) e literários. Acho que o “meu resgate” foi o momento de plenitude de felicidades.

Clélio – Reforçando minha pergunta anterior: o que te fez escolher para morar com a família e trabalhar, a linda cidade Curitiba, capital do Paraná que particularmente conheço desde 1983? Que aposta foi essa?

MH - Outras oportunidades novas. Mas em São Luís obtive muitos sucessos também. São Luís é uma cidade surreal. Gosto de citar Joãosinho Trinta quando me fazem essa pergunta: “Vou para São Luís e não sei quando volto. Lá, a gente não conta o tempo”. Talvez o carnavalesco tenha acertado. O tempo e as coisas quase não mudam. Mas, o tempo em que morei em São Luís foi muito gratificante. Fora pandemia, geralmente visito a Ilha duas vezes por ano. Nas férias escolares de meus netos. Por isso, sou muito grato a tudo que por lá vivi. Na verdade, enquanto fui residente e domiciliado em São Luís, tive muitas vitórias. Como advogado, cheguei à Chefia de Gabinete da Secretaria da Fazenda do Estado do Maranhão. Sou auditor, cujo emprego, consegui através de concurso público. Assumi vários cargos importantes. Inclusive, no Tribunal de Justiça, na Assembleia Legislativa e na CAEMA, todos, nos gabinetes dos Presidentes. Como jornalista trabalhei nos dois principais jornais, “O Imparcial” e o “Jornal Pequeno”. Exerci minha profissão com muita felicidade. Cheguei a receber de Roberto Santos, então governador da Bahia, prêmio de melhor colunista em minha região. Eu e minha mãe, Flor de Lys, apresentávamos um dos programas mais antigos e de maior duração da TV Local (Difusora), além de coordenar, por longos anos, o Concurso Miss Brasil, no Maranhão. O Livro INA-A VIOLAÇÃO DO SAGRADO, minha estreia literária, foi simplesmente incrível. Como era um livro ligado ao mundo marítimo, toda a representatividade desse segmento esteve presente no lançamento ocorrido à beira do cais do Porto do Itaqui. Sou Comendador, deferência a mim oferecida pelo Governo do Maranhão. Recebi as três medalhas das Forças Armadas Brasileiras pelo meu trabalho no jornalismo local. Lancei dois livros de Direito e escrevi inúmeros artigos jurídicos na imprensa ludovicense. Por isso, sou membro-fundador da Academia Maranhense de Letras Jurídicas com muito orgulho, membro do Instituto Histórico do Maranhão (agora correspondente), além de ter recebido uma das placas mais importantes de minha vida, concedida pelo Hospital "Nina Rodrigues”, por ter-me dedicado por 25 anos ininterruptos à ajuda direta a pessoas que possuíam a doença do alcoolismo/outras drogas. Como se vê, consegui algumas glórias em minha terra natal. Recebi apoio em todas as atividades que me envolvi com honestidade, dedicação e dinamismo. O fato de sair do Maranhão deu-se, na verdade, para ampliar meus horizontes profissionais. Foram longos 45 anos de vida pública. Assim, já possuía toda essa experiência profissional para alçar voos maiores. Precisava, então, ampliar tudo isso. Aqui, em Curitiba-PR, consegui continuar minha luta em prol das liberdades e igualdades culturais, de forma mais ampla. E dei as mãos e as recebi de pessoas certas, como na música: “Juntos Venceremos”, de Danny Berrios: “Que tú eres mi hermano Y mi hermana, (te amo) / Tomados de la mano / Juntos caminharemos / Hasta que Él nos venga a buscar…”.

MH – Manter um jornal como AGORA SANTA INÊS em atividade por longo tempo requer expertise e persistência, mesmo diante das crises econômicas pelas quais passa o Brasil. Tem alguma mágica?

Clélio: Não! Tem vocação, responsabilidade social e total dedicação. Não é à toa que ao menos três dias por semana trabalho até 14 ou 15 horas/dia. Sou jornalista depois de ser jornaleiro quando tinha 12 anos. Aos 13 já estava no mundo viajando com bandas musicais de Juazeiro da Bahia a Zé Doca no Maranhão. Aos 15 já era correspondente na cidade de Santa Inês, dos jornais Pequeno, O Imparcial e O Dia, que mais tarde passou a ser O Estado. Além do que era responsável pela circulação deles na minha cidade. Daí que muita gente não entende por que eu sou o único profissional da Comunicação no Maranhão, portador da Comenda Manuel Beckman que me foi concedida pela Assembleia Estadual em sessão solene e única, pelos meus 50 de Comunicação/Jornalismo quando completei 65 anos de idade, recebia no dia 28 de abril de 2018. Respondendo direto a sua pergunta: O AGORA, que vai completar 20 anos de circulação ininterrupta em setembro do ano que vem, tem um compromisso com toda a região do Vale do Pindaré. Para você ter uma ideia, não há um só jornal impresso em torno de Santa Inês, fora o nosso, em um raio de 200km. Eu enquanto jornalista e editor dos veículos de comunicação do Sistema AGORA de Comunicação, sinto-me como um médico olhando para alguém doente; ele o médico, jurou que iria cuidar dos doentes. É o que eu e meus colaboradores fazemos; cuidamos dos problemas de nossa cidade, da região e do Maranhão. Os problemas também são “doenças”, às vezes crônicas, as pessoas, matam as pessoas e se nós jornalistas podermos fazer alguma coisa para diminuir tantas tragédias...seria irresponsabilidade de nossa parte fechar os olhos diante do clamor da população. Vocação nos trouxe para o Jornalismo. Compromisso nos leva a seguir na batalha!

 Clélio – Como essa mudança aconteceu praticamente quando o Mestre já estava no começo da terceira idade, não foi muito difícil se adaptar aos costumes bem diferentes dos da capital do Maranhão?

MH- Não. O meu segmento de trabalho, apesar de ter alguns jovens, é focado em pessoas acima dos 50 anos com talentos incríveis para a poesia, música e arte. Isso já me entrosou no meio. Por outro lado, sou casado há 45 anos. Durante esse tempo, (morando ainda em São Luís), visitava o Paraná sempre. Em todas as nossas férias. Nesse período, fui conhecendo pessoas, fui sendo recebido por familiares que me apresentavam para outras pessoas. Tanto que logo que cheguei, em definitivo, a Curitiba, meu nome foi indicado para ser membro efetivo de uma das casas de cultura mais tradicionais do Estado: o Centro de Letras do Paraná. Pronto! Bastaram alguns encontros para que eu passasse a conhecer a vida acadêmica da cidade. Por outro lado, isso me levou a outro segmento: a Feira do Poeta, onde fiz grandes amizades. Essas foram as colunas que me sustentaram para fazer o trabalho que hoje faço, através da plataforma (www.facetubes.com.br). Aproveito para convidar a todos. Vale ressaltar, ao final, meu crédito absoluto nas boas amizades, como no nosso caso, fato que me orgulhece muito, e lembrar da letra do grupo Fundo de Quintal – "A Amizade" - quando diz: "A amizade / Nem mesmo a força do tempo irá destruir / Somos verdade…".   

 

MH – A concepção de Amor para você, obrigatoriamente passa por quais estágios da alma?

Clélio: Amor não é o mesmo que paixão. Logo o amor é algo Divino. Amor traduze-me gostar de algo, respeitar o próximo, amar sua mulher...seu esposo...seus filhos...seus familiares em geral e ao seu próximo. Ora, como amar quem você mal o conhece? Sim, foi isso que Jesus nos ensinou.....isso é bíblico, está no manual da vida, a Bíblia. Eu narro a peça Paixão de Cristo há 15 anos ao vivo para 2.500 pessoas, com 100 atores no cenário, e vivo isso todos os anos. “Amai ao próximo como a ti mesmo”. Se você conseguir isso com um ser estranho, você vai conseguir amar (é o Amor!!!!) aquela pessoa que Deus colocou ao seu lado para viver o resto da vida com você. Agora, não confunda Amor com Paixão. Amor é suave...Paixão é fogo, sinal de perigo. A gente sabe disso. Quem nunca sentiu Paixão por alguém? Mas o tempo nos ensina que Paixão é cega.

 

Clélio – Mhario Lincoln é um nome que perpassa por vários segmentos da cultura, da arte e do jornalismo maranhense, um nome com origem extraída da saga de ancestrais muito respeitados em São Luís e no Nordeste e até mais além. O Mhario Lincoln que reinou em São Luís se arrepende de ter feito algo, se sim, o que? Ou se arrepende de não ter feito algo antes de deixar o Maranhão, e se sim, o que?

MH -Não. Não há arrependimento. A não ser um só. Quando acabei confundindo minha vida profissional de advogado e jornalista com a carreira política. Fui candidato à Vereador de São Luís. Na época obtive, oficialmente, 1110 votos, após um recurso ao TRE. Eram necessários algo em torno de 3 mil para a eleição. Todavia, foi essa "não eleição" que me fez repensar meu papel no meio de minha comunidade. Senti que minhas atividades esbarravam num teto intransponível. A partir daquele momento, começava a descida da ladeira. Como eu sempre acreditava que o recomeço é o maior espetáculo do ser humano, e tendo recomeçado, ali mesmo, várias vezes, sem prejuízo nenhum a minha profissionalidade, decidi, desta feita, recomeçar em outro espaço, aproveitando uma chance entre dezenas de outras: morar na cidade de Curitiba, onde já tínhamos um apoio básico da família de minha esposa. Ou seja, apoio moral, de amizade e de oportunidades. E deu certo. Da mesma forma como diz a letra de Willian Nascimento - "Deu Certo": "Deu certo a gente acreditou / Deu certo, Deus abençoou / A gente não correu atrás / Foi Deus quem nos aproximou...".

 

MH – Outro dia perguntaram para mim, numa entrevista, como consigo trafegar com razoável facilidade pela internet (estou com quase 70 anos), haja vista minha idade. Repasso essa pergunta porque sei que você e eu que comandamos veículos virtuais de comunicação, o fazemos desde a digitação, diagramação, até a publicação. Dá um trabalho muito grande. Então, como você consegue se livrar do estresse diante de tantos afazeres?

Clélio: Mestre, eu tenho compromissos inadiáveis (nós temos), considero que a circulação de nossos veículos de comunicação, seja online ou impressos, é como um avião que está taxiando na pista, ele tem que decolar, não tem tempo a perder. Então, muitas vezes uma péssima notícia (e no jornalismo como temos que conviver no dia a dia com péssimas notícias!), tem a ver comigo, a morte de um amigo, um familiar, ou não tem nada a ver comigo diretamente, mas respinga em mim e nos meus, na coletividade, tais como o desmantelo institucional, uma pandemia como a que estamos vivendo, etc. mas, e aí...o jornal tem que circular, o site tem que ser atualizado, o portal de notícia alimentado, os textos escritos, as reflexões espirituais tem que ir para o papel, a voz tem que ser colocada na música ou na narração de um texto, de uma Oração e não tem como parar. É doído, mas é o que temos para àquele dia. Deus Seja Louvado por tudo! E olha...menino pobre eu não estudei datilografia. Trabalho unicamente com dois dedos. Um de cada mão.

 

Clélio– Aos 70 anos você produz conteúdos no setor de comunicação e literatura como se tivesse com a metade da idade que tens. Trabalha muito e naturalmente isso resulta em interagir com muita gente em Curitiba, mas principalmente fora de Curitiba. Tens um segredo para tanta vitalidade?

MH- Nada contra. Mas não fumo e nem bebo (uma gota sequer). Esse é o aprendizado de meus mais de 25 anos trabalhando com alcoolistas/outras drogas. Sei dos malefícios que o álcool e o tabaco trazem para pessoas que tem uma superatividade como eu. Tenho uma alimentação controlada. Pratico exercícios físicos 2 vezes por semana. Faço caminhadas, quando dá. Acho que o mais importante que tudo isso é a forma como aprendi algumas lições morais e espirituais. Livrando-me da inveja, do preconceito e do ódio. Já tive ódio, preconceito e inveja, claro! Mas procurei um contato maior com meu Poder Superior, que na minha concepção é nosso Deus, para rogar que me livrasse de minhas imperfeições. A começar dentro da própria família. Não foi da noite para o dia. Mas boa parte desses males da alma, consegui me livrar. Isso me deixa com uma cabeça melhor. Chego aos 70 anos com muita vontade de continuar trabalhando. Sem - até agora - nenhuma deficiência fora dos meus limites etários. Seja auditiva, seja visual, seja mental. Isso me dá muita tranquilidade para seguir em frente. E me faz lembrar de um grupo português chamado "Humanos", cuja letra da música "Quero é viver", diz: "E a vida é sempre uma curiosidade / Que me desperta com a idade / Interessa-me o que está pra vir...".

Exclusivo: Mhario Lincoln/

Clélio Silveira/Mhario Lincoln (Parte II)

Clélio Silveira: empresário, jornalista, compositor e empreendedor do bem. VICEVERSA: MHARIO LINCOLN PERGUNTA PARA CLÉLIO SILVEIRA/CLÉLIO SILVEIRA

PERGUNTA PARA MHARIO LINCOLN PARTE 2

 

Mhario Lincoln – Em algum momento você pensou em parar? O que, realmente, lhe faria parar?

Clélio Silveira: Parar de trabalhar? Não. Pretendo aos 70 me dedicar somente aos trabalhos que dizem respeito ao meu compromisso na Igreja. Seguir escrevendo meus livros de Reflexão Espiritual, escrever sobre Amor e Misericórdia, sobre fazer o bem, sobre respeitar as Leis de Deus, gravar mais CD,s, lançar livros de poesias (as minhas, pois ser católico não me impede de ter sentimentos bons...e descartar os pressentimentos ruins), seguir trabalhando como servo da Igreja na construção de Comunidades, reformas de Igrejas, participar da liturgia das missas, seguir cantando nas missas, “trabalhar mais” meu imenso círculo de amizade espalhado pelo Brasil inteiro e até lá fora, etc. Os filhos estão prontos para seguirem com os negócios, creio eu. Parar...parar mesmo...nem pensar!

 

Clélio – Nós tivemos na infância, adolescência e juventude, praticamente os mesmos sonhos ou envolvimentos profissionais, que acabamos trazendo-os debaixo dos braços como que para sempre, algum arrependimento por seguir um destino traçado ainda jovem?

MH - A primeira ideia de mim mesmo surgiu lá pelos 8 anos. O mundo vivenciava transformações. Nas reuniões que papai promovia em nossa casa, ouvia falar da Vostok, a primeira missão tripulada do programa espacial soviético da História. Podia assistir à televisão preto e branco na casa de uma vizinha. Tomei conhecimento (e morria de medo) do seriado "Impacto", com Boris Karloff. Mas a minha tendência eram as músicas da nova era. As grandes bandas de Rock Progressivo. Dos Beatles, gostei de algumas músicas. Mas quando ouvi Pink Floyd, Rick Wakeman, Emerson, Lake and Palmer meu instinto aflorou de forma incrível. Essa era a minha praia. Tanto que aos 14 anos, após comprar uma bateria acústica, entrei no grupo Super-5 e vivi quase 5 anos de muita felicidade, tocando bailes pela cidade, até meu pai me proibir e me fazer estudar sob total vigilância. Agradeço a ele, em parte, por ter hoje meu sustento, através de Concurso Público, Faculdade e tudo mais. Por outro, frustrei-me em não ter feito o que mais queria. Ter ido para um conservatório, onde poderia continuar meus estudos de música. Enfim, nem ganhei, nem perdi. Consegui exatamente o que estava preparado para mim nesta vida. Em uma das letras do Pink Floyd - Comfortably Numb – a demonstração exata de como meu sonho de estudar música em conservatório acabou sumindo: “Quando eu era criança / Tive uma visão fugaz / Pelo canto do meu olho / Eu virei para olhar mas tinha sumido / A criança cresceu / O sonho se foi..."

 

MH – Eu acredito – e muito – no poder da Oração. Já aconteceram diversas respostas aos meus clamores a Deus. E com você?  

Clélio: Incontáveis. Costumo dizer que se passasse o resto da vida de joelhos, ainda assim não estaria retribuindo a Deus o tanto que Ele já fez por mim. Milagres não faltaram e não faltam. O milagre de estar vivo e saudável, e em plena atividade aos quase 68 anos, é uma dádiva D"ele. Daí que todos os dias Ele me apronta alguma. Às vezes olho pro céu e “brinco”, mas tu já gostas de mim!!! É que eu não consigo ver a mão de Deus em nada de ruim que acontece comigo ou com o mundo. Ele me livra de tudo, basta que o siga. O nosso Deus é um Deus de Amor, de Misericórdia e não quer nos matar. Ele nos dá vida longa...nós é que a encurtamos com nossos atos, nossas atitudes, nossa irresponsabilidade e desrespeito aos seus mandamentos. Ele nos deu livre arbítrio, se o sinal está vermelho e cruzamos ele, logo não temos que culpar a Deus pelo que de ruim acontecer. Mas destacaria aqui um fato, dentre centenas: Em 2017 a minha filha Patrícia que fazia tratamento par engravidar e já estava com 38 anos, engravidou. No quarto mês, começou a perder líquido...sangue, etc. Fomos para um hospital aqui em Santa Inês (estou sempre por perto), ao sair da sala do médico ela e meu genro vinham aos prantos. O médico a examinou e disse a ela que ela teria que abortar aquela criança “já”, sob pena de ela (minha filha) morrer, e que a criança – uma menina – não nasceria e poderia morrer a qualquer momento, provocando uma tragédia. Ouvi todos e ouvi a Deus. Ele, Deus me disse que Alicia era uma promessa D"ele, que eu tivesse fé e atitude. Chamei o diretor do hospital e disse a ele; “minha filha não vai abortar essa criança, ela é uma promessa de Deus. Me arrume uma ambulância que ela vai seguir para São Luís agora...”. Duas horas depois a ambulância com minha filha e minha mulher – que não era sua mãe, mas sempre cuidaram uma da outra – seguiram para São Luís na ambulância e meu genro atrás no seu carro. Às 17 horas já estavam em São Luís em um hospital para o qual uma grande amiga e um grande amigo haviam garantido que ela seria recebida. Os médicos plantonistas olharam, e descartaram a possibilidade de interná-la, batendo na tecla de ela teria que abortar a criança. Que voltassem no dia seguinte para fazer o tal procedimento. Novamente esbravejei, voltei a repetir que Alicia era uma promessa de Deus e que ela ia ser gestada e nascer sim. E disse para Aldrey, minha mulher, e Alessandro, meu genro, que não arredassem o pé do hospital que eu ia correr atrás da amiga e do amigo que as encaminhou para ali. Por volta das 18 horas, troca de turno dos médicos plantonistas, mais gente envolvida na situação, um casal de médicos novos assumiu o plantão daquela noite. Ouvindo o “barulho” na recepção, ambos pediram que “a paciente” que a paciente fosse levada até eles para que eles a examinassem. Deus agiu, e minha filha foi levada para uma sala de pré-parto, “pois poderia perder a criança a qualquer momento, mas estaria em um lugar onde seria atendida com todos os cuidados”. Patrícia coordenava na época a Comunicação da RCC/ Renovação Carismática no Estado do Maranhão (somos todos da RCC/ somos de Deus) e João Luis em São Luís, coordenador estadual geral da RCC. Entramos em oração a partir de meia noite no estado inteiro, onde havia um grupo de oração da RCC, lá estavam em oração pela vida de Patrícia e pela gestação de Alicia. Ao amanhecer do dia, Deus já tinha feito mais um milagre; Patrícia não perdia mais líquido e nem sangrava mais. Para encurtar a conversa, ela completou lá os quatro meses...ficou internada (levando sustos a cada dia) por mais dois meses e com seis meses Alicia Vitória de Maria nasceu pesando 980 gramas. No total foram 110 dias que ela ficou naquele abençoado hospital. No dia em que nos ligaram às 9 da manhã, informando que haviam levado Patrícia para a sala de parto, pois não dava mais para esperar, eu e minha mulher (hoje coordenadora estadual da Intercessão da RCC no Maranhão) prostramo-nos de joelhos em oração, e só paramos de rezar quando ouvimos a voz de meu filho Raoni entrando em casa e dizendo; “nasceu...Alicia nasceu!”. Demos Glória a Deus em agradecimento. Hoje Alicia tem 3 anos de idade, nenhuma sequela, pega o celular e liga para mim...anda de bicicleta, come de tudo, já está na escola e é a coisa mais linda. Sigo dizendo cada vez que a vejo “aprontando” que ela foi e é uma promessa de Deus! Isso se chama Fé! De todos os familiares eu fui o único a não concordar em momento algum com qualquer iniciativa que não fosse a de deixar Deus agir. Essa história real dá para escrever um livro. Muito emocionante!

 

Clélio – Também existe em comum entre nós dois, a Fé que nos mantém de pé. O rezar ou orar, o colocar Deus sempre no comando de nossos projetos, etc. Com você, foi sempre assim?

MH- Vou repetir algo que falei quando fiz o VICEVERSA com o meu amigo José Viegas, da Associação Maranhense de Escritores Independentes - AMEI. Mesmo tendo uma educação presbiteriana, (toda a minha família, por parte de mãe, é evangélica), acabei por estudar muitas outras concepções religiosas e seus próprios sacrifícios. Todos esses estudos, não dogmáticos, não amordaçados, veio fortalecer ainda mais meu amor e minha fé em Deus, da maneira como O concebo. Eu também fiz vários sacrifícios para chegar ao estágio de entendimento onde me encontro hoje.  Assumi algumas posições bem difíceis, após ler trabalhos pertinentes ao Jesus Messiânico, fora dos contextos constantinos. Para entender onde pisava, raciocinei muito em cima das compreensões desenvolvidas pelos tutores do Apocalipse. Os mesmos que aguardavam um "Messias Filho do Homem, descido dos céus". Tive que ler a Concepção dos Essênios, a qual esperava um Messias Sacerdotal. Tive que vivenciar o que os Zelotes cultivaram através dos movimentos (revolucionários) populares. Tive que entender que muita gente via Jesus, como um Monarca de descendência Davídica. Diante de tantos exemplos, em cima de inúmeras concepções acerca de Jesus, acabei por respeitar quaisquer que fossem as religiões, seus conceitos e suas promessas. A partir daí, estudei o Espiritismo, a Umbanda, o Terecô, interessei-me pelas Mensagens Akáshicas, reabilitei meu lado cósmico e ufológico.  Assim, posso responder afirmando que minha fé me leva antes de tudo, à capacidade de entender a minha Espiritualidade, meu lado Místico e minha Religiosidade, sem perder a ternura, porque eu acredito em Deus! Por isso, canto sempre, com Aline Barros – "Sonda-me": "Usa-me, Senhor (...). Eu quero ser usado da maneira que te agrade / Em qualquer hora e em qualquer lugar ..."

 

MH – Uma pergunta interessante para quem tem tanta experiência de vida e que ela não pode parar. Então, você acredita em vida pós morte?

Clélio: Uma vez, Dom Felipe Gregory, que já nos deixou, então presidente Internacional de Caritas por dois mandatos, viajando o mundo inteiro, muito meu amigo e brincalhão, me respondeu a essa pergunta que o fiz em um programa de televisão que eu apresentava, e ele disse em bom “gauchês”; Olha guri, nunca ninguém voltou de lá para me contar alguma coisa. Mas creio no que prego...e lhe digo sem discutir ou entrar em maiores detalhes, que acredito em vida depois da morte”. Respondendo à pergunta...faço minhas as palavras de Dom Felipe Gregory.

 

Clélio– Nos voltemos agora para outro ponto em comum que temos, muito embora me considere um aprendiz do ofício literário, de onde surgiu a ideia de fundares a Academia Poética Brasileira, hoje com características, inclusive internacional?

MH - Há inúmeras academias neste país. Todavia, poucas visam a grandiosidade do talento individual, sem quaisquer que sejam as discriminações. Na APB o que temos, é a reunião de talentos, de produtores de literatura, arte e música, nem todos, conhecidos da grande mídia ou cultuados como deuses. Não! Participar da APB é antes de tudo um reconhecimento dessa instituição ao membro-integrante. Não o contrário. Nossos membros se tornam imortais pelo que produzem, não porque têm nome, ou foram indicações políticas. O valor interior, o lado humano, as características que envolvem esse talento são peças fundamentais para participar da APB. E a instituição teve um crescimento maravilhoso ao convidar essas pessoas. Elas iluminaram a academia e fizeram com que fosse reconhecida e respeitada, porque as pessoas que compõem os quadros acadêmicos são reconhecidamente poetas, artistas e músicos respeitados em suas áreas. Isso me deixa muito feliz em presidir uma confraria de tantos talentos. Junto à academia, vários veículos de comunicação que não ficam devendo nada aos grandes difusores deste país, já os consagraram mundialmente. Cada membro. Temos a "Revista Poética Brasileira", o suplemento "Acervum", a plataforma "Facetubes", a "DialradiowebTV", fruto de uma concepção de entendimento sociocultural muito intensa e que deu certo, ao longo de todos esses anos. A Academia recebeu ano passado, dois prêmios internacionais de "incentivo à cultura brasileira" e seus membros têm recebido prêmios nacionais e internacionais, fato que nos deixa bastante orgulhosos. Do mesmo jeitinho como a letra desta música "Amor Electro"/A Máquina, grupo de rock português: "Juntos, somos mais fortes / Seremos o céu que abraça o mundo / Juntos, seremos a voz que acende o amor, o amor ...".

 

MH – Você produziu e trabalhou com muitos artistas brasileiros. Gostaria de conhecer, rapidamente, a história de um deles, com quem você mais se afinou. Pode?

Clélio: Durante 38 anos trabalhei como empresário de shows, e produzi para minha empresa Agência Três ou para empresas que me contratavam, mais de 400 artistas nacionais e alguns internacionais. Tenho uma enorme lista que estou fazendo que vai de A, de Antonio Marcos ou Alceu Valença, Alcione... a Z, de Zezé de Camargo e Luciano, Zé Ramalho, etc. As bandas que começaram na década de 60, tais como Fevers, Renato, Pholhas, Os Incríveis, e outras. Todas as bandas de rock pop das décadas de 70, 80 e 90 tais como RPM, Paralamas, Engenheiros, Kid Abelha, Los Hermanos, Blitz, Titãs, CPM 22, KLB, bandas de Pagode, Só pra Contrariar, Raça Negra, Cara Metade, no geral; Xuxa modelo, Xuxa apresentadora de TV no auge em 88, Angélica, Mara, Sandy e Júnior, Lobão, Rita Lee, Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo, só Leonardo, João Paulo e Daniel, só Daniel, Bruno e Marrone, Jerry, Wanderley Cardoso, Luiza Brunet...Pinduca, Waldick Soriano, os Genivais Santos e Lacerda.....não cabe tudo aqui não. Mas um deles virou meu irmão; Peninha. Com este, mesmo quase 20 anos depois de encerrar minha carreira, costumamos nos falar ao menos umas três vezes por semana. Tem outros com quem mantenho contato de quando em vez, mas Peninha é de casa. Também foram muitos anos e muitos estados percorridos com seus shows especialmente na década de 80.

 

CS - Apesar de teres se ausentado do Maranhão – sabes lá, se só por algum tempo – mas o mestre tem os olhos fixados em produtores culturais estacionados em várias cidades do Estado, como São Luís, Santa Inês, Imperatriz, Caxias, etc. A APB também está de olho nesses novos nomes da literatura maranhense que estão desabrochando ou que necessitam de maior espaço para expor o que produzem?

MH- Sim. Como três cadeiras vagaram este ano, a direção estuda a possibilidade de indicação de um nome, dessas regiões, para uma dessas cadeiras. Mas há membros do interior maranhense com imensa honra. Luiza Cantanhede/Paulo Rodrigues, (é o vice-presidente regional da APB/MA), Santa Inês-MA, Elisa e Kleber Lago e Samuel Barreto, in memoriam, (Pedreiras-MA), Ana Néres Pessoa (Esperantinópolis-MA), Maria do Socorro Menezes (Trizidela do Vale-MA). A APB está com suas antenas ligadas em busca de novos talentos. Isso me lembra a música de Flávio José acordeonista de primeira: “Eu quero é cantar o Nordeste / Que é grande e que cresce / E você não conhece doutor / De um povo guerreiro, festivo e ordeiro / De um povo tão trabalhador...”. O nome é “Orgulho de Ser Nordestino”.

 

MH – Você tem um texto magnífico. Eu por exemplo, recebo insights da ideia quase formada, quando vou colocar no papel. Qual é a sua reação quando vai escrever crônicas tão bonitas?

Clélio: Não me preparo para isso. Na verdade eles brotam em pequenas frases às vezes quando estou tomando banho, assistindo TV, lendo um livro....e daí se tiver tempo, viram logo conteúdos que são desenvolvidos sem perder muito tempo. Costumo escrever uma poesia em 20...30 minutos. Uma matéria em 10 minutos....um texto crítico em 30 minutos, pois quando acho que estou sendo muito radical, mexo na forma de tratar do assunto, mas sem fugir o objetivo dele. Apenas um pouquinho de delicadeza na hora de “emparedar” alguém ou algo. Se tivesse tempo e não cuidasse tanto de minha saúde, escreveria um livro a cada semana.

 

Clélio - E para finalizar, quero deixar claro aqui, que eu também gostaria de passar uma temporada em Curitiba (onde moram alguns cunhados meus e até uma sobrinha) ou em Maringá, outra cidade paranaense que eu admiro. Minha Mulher Aldrey Barbosa nasceu em Maria Helena, cidade que fica nos arredores de Maringá, onde seu pai foi político (vereador) e até delegado. Minha sogra é de Campo Mourão. Fica aqui a última pergunta de minha participação nesse seu bem bolado projeto (ViceVersa). Pergunta: Quando pretendes voltar a morar no Maranhão?

MH- Assisti a uma palestra da Monja Coen, ano passado. E uma coisa ficou realmente gravada em minha alma. Ela disse que a gente acha que o Mundo está muito distante de nós, que está separado de nós. Mas não é bem assim. Nós somos esse Mundo, somos a vida do Universo, em constante movimento. Com base nisso, penso que a minha cidade está bem dentro de mim. Sinto-me acariciado pelo palavreado de migrantes nordestinos, quando visito o centro de Curitiba. O paralelepípedo que restou no calçamento da rua Riachuelo, rasga meu mindinho, da mesma forma que a antiga Rua Grande o fazia, quando andava de chinelos de dedo. Quando o sol se revolta contra a umidade e frieza de Curitiba e se alarga no parapeito da saudade, sinto-me à beira-mar de São Luís. Outro dia, atentei para a placa de uma lojinha de esquina. Está lá: "Boutique Flor de Lis". Quando me acerco das paradas de ônibus, vez por outra passa um, cujo bairro é Boqueirão. Tem uma linha que segue direto no rumo do São Francisco. Tem um amigo, em um dos Sebos que frequento, que se chama Gullar. Outro, Bacelar. O japonês do pastel da feira tem o nome Santos, de meu pai, José. Na feira de artesanato, tem milho cozido. Canjica (em Curitiba, Cural). Aqui, tenho alguns amigos que também me transferem calor e carinho nos abraços. Aqui se fala nas palestras literárias de Ferreira Gullar, Catulo, Sousândrade, Bandeira Tribuzi. Aqui se canta Zeca Baleiro e Claudio Fontana. Aqui se fala em Praia dos Lençóis. E para quem gosta de tomar uma bebida alcoólica para matar a saudade, existe o "Bar da Madá", tão famosa nos tempos das bases de encontro, em S. Luís. Tem a rua São Luís, no bairro Cabral. Tem a capela Madre de Deus. Então, caro amigo Clélio Silveira, acho que carrego minha amada São Luís dentro de mim, como disse a Monja Coen. Tais cenários são pura criação apaixonada de um saudoso ludovicense. Como ensina Sun Tzu em “A Arte da Guerra”: "(...) trate seus homens como filhos e eles o seguirão aos vales mais escuros. Trate-os como filhos queridos e eles o defenderão com a própria morte", assim, voltarei algum dia, pois São Luís sempre me tratou como um filho querido. Não custa também sonhar com a cidade natal. Foi o que fiz, quando compus “Alumiô”: Fonte: FACETUBES

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 04/11/2020

Visitas: 101

Palavras-chave: Exclusivo: Mhario Lincoln/ Clélio Silveira/Mhario Lincoln (Parte I)

Fonte:

Big Systems
8014500 visitas no Portal www.agorasantaines.com.br hoje 03 do mês 12 de 2020