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Agora Santa Inês - CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

RECORDAR É RE(VER)

“O LUTADOR”


Filme de Darren Aronofsky

Para Georgiana Viana que é fã de Mickey Rourke

ALÉM DE SOCOS E PONTAPÉS...

Quem ler o título e pensar que O Lutador (The Wrestler, 2008) é mais um filme estilo “Van Damme” de ser, engana-se. O lutador do título é vivido magistralmente pelo esquecido ator Mickey Rourke. Ele vive Randy “The Ram” Robinson, um astro de luta livre da década de oitenta, que continua  mesmo vinte anos depois, tentando manter sua fama nos ringues. Visivelmente decadente, o Lutador, além de enfrentar seus adversários em lutas combinadas(mas que machucam e muito) , tem que enfrentar a vida fora das arenas; e é exatamente ai o ponto que mais toca o filme. Randy “The Ram” Robinson tenta adaptar-se a vida real: tenta um trabalho em supermercado, tenta se reaproximar da filha, tenta viver uma paixão com uma stripper(vivida na medida por Marisa Tomei). Tudo isso em meio a sua queda, após um infarto, causado pelos excessos de esteroides e anabolizantes.

Em seu quarto filme, Darren Aronofsky, usa na medida exata o drama e a ação propriamente dita: as cenas de lutas são um ponto alto do filme, com Mickey Rourke levando ao extremo da realidade (a ponto de ter se cortado de verdade). A câmera na mão, também parece brigar com “The Ram”, as vezes quase que ocupando os espaços entre a ação do personagem. O roteiro nos leva também a um “revival” dos anos oitenta, pela trilha sonora (recheadas de rock Glam Metal) e pelos velhos personagens de luta livre e seus apelidos desconcertantes.

O filme é uma sucessão de acertos, mas nada se compara a entrega de Mickey Rourke ao personagem, vivendo uma própria catarse de sua vida real: ele foi astro, virou lutador de boxe, viveu no ostracismo e uma operação plástica mal feita, encarregou de deformar seu rosto. Talvez o “The RAM”, que luta de forma fake nos ringues e não aceita a velhice, e briga com a vida para se acertar, tenha um pouco dele. O resultado é um homem que vai muito além de socos e pontapés. O filme nos mostra diversas lutas que todos enfrentamos dia-dia, algumas perdemos, outras saímos vitoriosos. Não é assim que é a vida?

 

©José Viana Filho é Bacharel em Cinema pela UNESA(RJ) e Mestre em Políticas Públicas pela Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais.

      Email: [email protected]  Blog: www.josevianafilho.blogspot.com.br

O FILME DA SEMANA

"Halloween”


Lançado há 40 anos, "Halloween: A noite do terror" é um filme que ficou datado com o tempo , mas é inegável sua importância para o gênero do terror, sendo ainda mais específico, no estilo de filme chamado de Slasher. Ali encontramos vários conceitos que seriam reproduzidos e explorados a exaustão em milhares de filmes, a sua maioria de qualidade muito baixa. A própria franquia passou por isso, contando com esse filme, são 11 filmes, tendo no máximo uns 3 dignos de elogios.Por esse motivo, se mostra muito acertada a idéia dos realizadores de esquecer todo o cânone,  e fazer de "Halloween" uma continuação direta do primeiro longa, aprofundando os traumas daquela noite de dia das bruxas, em um filme que encontra o tom certo entre a atualização e o respeito ao longa original.

      Passados 40 anos, um casal de documentaristas visita Michael Myers no manicômio, com o entuito de descobrir o que teria o levado aos crimes da trágica noite de Halloween. Após instigar Myers com sua antiga máscara e não obter nenhum sucesso, o casal procura a sobrevivente Laurie Strode (Jamie Lee Curtis), que vive afastada do mundo, em uma casa repleta de fechaduras e armadilhas. Assim como Myers, ela não entrega muitas respostas, apenas a certeza que em algum momento Myers virá atrás dela. O que de fato, acontece.

      O principal elemento do sucesso narrativo desse novo capítulo,  é a compreensão de seus realizadores do gênero, e dos impactos que ele causou no público e no cinema da época. Logo no início, um personagem secundário indaga qual a relevância da história, de um cara que matou 5 pessoas há 40 anos e foi preso ? Uma pergunta pertinente em um mundo moderno ,em que a morte se tornou banal e em seu subtexto já aborda um dos temas do filme, a desimportância das pessoas ao trauma que aquela noite deixou. O roteiro escrito pelo diretor David Gordon Green (Segurando as pontas) com dois parceiros, não traz grandes novidades na história central (convenhamos, não há muito o que inovar nesse sentido): a profundidade da história está na abordagem dos traumas de Laurie ,devido as proporções, aqui surge como uma espécie de Sarah Connor, que fez do trauma seu norte e passa a viver em função dele. E também, sua relação com sua filha e sua neta. Esta última traz todas as características das final girls, as garotas que sobreviem deste tipo de filme.

      Na introdução, os documentaristas visitam Myers buscando alguma reação, em uma cena eficiente em criar tensão e em estabelecer a idéia de Myers como o mal encarnado. Em seguida eles visitam Laurie, em outra cena eficiente em estabelecer o estado atual da personagem, e essa é a dinâmica do filme. Myers é como uma força da natureza, ele é o que é e não carece de explicações. Já Loire é uma sobrevivente afundada no trauma,  porém sua atitude é a de estar pronta para a volta de Myers.Ela encarou o mal de frente e sabe que ele vai voltar. Ela anseia por isso. Essa embate para dar um final definitivo ao trauma.Essa subversão do esteriótipo dos personagens, faz muito bem ao filme. Gordon Green mostra que entende do gênero e com essa subversão provoca, no ato final, a maior homenagem ao longa original, em uma referência genial que demonstra a mudança nas regras do jogo. Tudo isso ancorado na excelente atuação de Jamie Lee Curtis.

      Michael Myers ressurge brutal. Violento e cru nas cenas de violência, o filme ainda traz um plano sequência que funciona não só como homenagem ao longa original, como estabelece o modo de agir do assassino. Ele mata o que estiver pela frente, sem concessões. O que faz com que o choro de um bêbe em um determinado momento, crie uma das cenas mais tensas do longa. No ato final, o filme ainda traz uma das imagens mais icônicas desse ano. A imagem de três gerações de mulheres, enfrentando a figura de um homem imponente que usa uma máscara desprovida de emoções.Constrói  uma mensagem poderosa, e a forma como Green enquadra a posição final dessa situação, fortalece essa idéia e mostra como o longa dialóga com os tempos atuais.

      O novo "Halloween" é uma grande surpresa. A prova de que mesmo um gênero tão desgastado como o Slasher, ainda pode ser atual e assustador. Nada mais natural que o filme que foi precurssor, volte para renovar o gênero e conhecendo Hollywood, é certo esperar pelo retorno de outras figuras icônicas da década de 80,  pois eles sempre voltam. Só espero que com a mesma qualidade. 

 Felipe Fernandes é Bacharel em Cinema pela Universidade Estácio de Sá (Rio de Janeiro). Formado em Direção cinematográfica pela New York Film Academy (Los Angeles). Formado em Roteiro pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Vídeomaker, publicitário e crítico de cinema.

E-mail para contato: [email protected]

Instagram: @moviola.insta

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 07/11/2020

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Palavras-chave: CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

Fonte:

Big Systems
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