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Agora Santa Inês - DE QUAL AVALIAÇÃO ESTAMOS FALANDO?

DE QUAL AVALIAÇÃO ESTAMOS FALANDO?

“Diz-me como avalias e dir-te-ei quem és

Como profissional e como pessoa”

 

Miguel Ángel Santos Guerra A ação avaliativa em Educação, não é uma abordagem recente. Tem início no século XVII e “tornada indissociável do ensino de massa que conhecemos desde o século XIX, com a escolaridade obrigatória”, segundo Perrenoud (2007:9).

Etimologicamente a palavra avaliação vem do latim, Kraemer (2005), a define como: “a + valere”, cujo significado é o de atribuir valor e mérito ao objeto em estudo, ou “valor ou mérito ao objeto em pesquisa”, a “junção do ato de avaliar ao de medir os conhecimentos adquiridos pelo indivíduo”.  Avaliar é sempre emitir um juízo de valor.

O termo avaliação já é por si mesmo, uma definição, significa de partida a relação com uma ação e o efeito de avaliar essa ação. Pode ser um exame no âmbito das escolas em todas as suas vertentes: currículo, modos pedagógicos, ensino sistematizado, a própria instituição escolar; as escolas de idiomas, de música e de todas as linguagens artísticas; de futebol, basquete, no desporte em geral; de treinamento que habilite alguém a conduzir automóvel; a avaliação está presente no nosso dia a dia, em tudo que fazemos.

Contempla também a autoavaliação, a avaliação das pessoas com as quais convivemos mais estreitamente e, ainda entre desconhecidos. Somos avaliados e avaliamos o tempo todo.

No que compete à Educação, não resta dúvida de que a avaliação se trata de “um instrumento valioso e indispensável no sistema escolar, podendo descrever os conhecimentos, atitudes ou aptidões que os alunos apropriaram”, de acordo com Kraemer (2005).

Algumas vezes a avaliação acontece de forma a não ser transformadora, para que hajam significativas melhoras no campo da Educação, significa antes de tudo, “melhorar a prática da formação”, consoante Guerra (2003:20), para o autor a “avaliação pode servir para muitas finalidades simultâneas” (idem:8), entretanto deve-se potencializar as de natureza mais “positivas” e as relacionam da seguinte forma:

 

MAIS PRESENTES NO SISTEMA EDUCATIVO       AS MAIS DESEJÁVEIS NO SISTEMA EDUCATIVO

MEDIR     APRENDER

QUALIFICAR       DIALOGAR

COMPARAR        DIAGNOSTICAR

CLASSIFICAR      COMPREENDER

SELECCIONAR    COMPROVAR

HIERARQUIZAR EXPLICAR

ATEMORIZAR     MELHORAR

SANCIONAR       REORIENTAR

ACREDITAR         MOTIVAR

JULGAR    RECTIFICAR

EXIGIR      CONTRASTAR

PROMOVER       REFLECTIR

 

Abordaremos aqui a Avaliação, no campo da Educação ou Avaliação da Aprendizagem, que tem como ponto de partida a sala de aula. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases) 9394/96, destaca nos artigos 1º e o 24º, inciso V, que a “avaliação da aprendizagem consiste em medir o aproveitamento e a apuração da assiduidade do aluno. As avaliações comumente mais aplicadas pelos professores, conforme Kraemer (2005), “enquadram-se em três grandes tipos: avaliação diagnostica, formativa e somativa”.

A avaliação diagnóstica (ou inicial), é a que concorde com Miras e Solé (1996:381)  apud Kraemer, “proporciona informações acerca das capacidades do aluno antes de iniciar um processo de ensino/aprendizagem, ou ainda, segundo Bloom, Hastings e Madaus (1975), busca a determinação da presença ou ausência de habilidades e pré-requisitos, bem como a identificação das causas de repetidas dificuldades na aprendizagem”.

A avaliação formativa, para Haydt (1995:17), apud Kraemer, “permite constatar se os alunos estão, de fato, atingindo os objetivos pretendidos, verificando a compatibilidade entre tais objetivos e os resultados efetivamente alcançados durante o desenvolvimento das atividades propostas”, trata-se portanto, de uma avaliação mais global, mais abrangente, que consegue obter de forma mais concreta as aprendizagens e dificuldades dos estudantes. “Representa o principal meio através do qual” ele(a) “passa a conhecer seus erros e acertos”, contribuindo assim para um “maior estímulo” no “estudo sistemático dos conteúdos”, prossegue. Pretende ainda, assinala a autora, “determinar a posição do aluno ao longo de uma unidade de ensino, no sentido de identificar dificuldades e de lhes dar solução”.

A avaliação somativa, em conformidade com Miras e Solé (1996:378), apud Kraemer, tem por objetivo, “determinar o grau de domínio do aluno em uma área de aprendizagem, o que permite outorgar uma qualificação que, por sua vez, pode ser utilizada como um sinal de credibilidade da aprendizagem realizada”, sendo também chamada “de função creditativa”, cujo com o “propósito de classificar os alunos ao final de um período de aprendizagem, de acordo com os níveis de aproveitamento”.

Em concordância com Guerra (2003:13), “a avaliação além de ser um processo técnico, é um fenómeno moral”, neste sentido parece ser importante perceber os critérios e os valores de quem avalia, quais objetivos, para servir a quê ou a quem. A avaliação deveria e, é fulcral que se tenha isso em mente, ser imparcial, insubmissa, destemida, que não esteja a serviço de “injustiças, discriminação, arbitrariedades” e que alimente um sistema de desigualdade. É um sistema orgânico e amplo. Cumpre uma função social.

A avaliação sempre repercutirá no sujeito avaliado, algumas vezes, no avaliador também. “Configura poder (que deve colocar-se a serviço das pessoas), e por isso deve ter ética”, releva House apud o Guerra (idem).

Sabe-se que é um processo contínuo e não um momento abrupto e estanque, não se trata de um ato isolado, destituído da compreensão de um contexto. Para o autor, “deve ser um processo de diálogo” (idem:15). Avaliar em tese, seria rever a ação vivida, dialogar com os pares, analisar os fatos e prosseguir.

Assente Sant’Anna (1998:29,30), avaliação se trata de um “processo pelo qual se procura identificar, aferir, investigar e analisar as modificações do comportamento e rendimento do aluno, do educador, do sistema, confirmando se a construção do conhecimento se processou, seja este teórico (mental) ou prático”.

Perrenoud (2007:9) chama a atenção para o fato de que “avaliar é – cedo ou tarde – criar hierarquias de excelência, em função das quais se decidirão” sobre a vida e aprendizagem em curso e para o futuro. Como tem sido aplicada ao longo do tempo, a avaliação trata-se de analisar resultados, ajuizar de forma que se tenha uma valoração sobre aspectos da aprendizagem e, do cognitivo.

Caberia aos professores e professoras, subverterem as lógicas apenas classificatórias e excludentes, da avaliação, investirem na observação do processo de aprendizagem ao longo da sua vivência e, que atendesse verdadeiramente ao sentido da avaliação, para além do que Bourdieu (1966), chamou de  “revelar” as “desigualdades aptidões”, reflete Perrenoud (2007:14)?

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 09/11/2020

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Palavras-chave: DE QUAL AVALIAÇÃO ESTAMOS FALANDO?

Fonte:

Big Systems
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