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Agora Santa Inês - SAULO CÉLIO ALVES GOMES

SAULO CÉLIO ALVES GOMES

 

13/06/1964 --  10/11/2020

Morreu na manhã desta terça-feira, 10 de novembro de 2020, em Imperatriz (MA), o jornalista, professor, gestor de órgão público e perito em identificação de veículos Saulo Célio Alves Gomes, o Saulo Gomes. As primeiras informações dizem que a "causa mortis" foram complicações ligadas à covid-19, mas os exames iniciais não foram conclusivos e exames finais pós-morte ainda serão feitos.

Nascido em 13 de junho de 1964, no Rio de Janeiro (RJ), Saulo Célio Alves Gomes era o mais novo dos dois filhos de Célia Alves, radialista carioca, e de Saulo Gomes, jornalista nascido em Madureira, bairro do Rio de Janeiro (RJ), de quem o filho herdou tanto o nome quanto o talento. Assim como o pai, a mãe também contribuiu com o segundo prenome do filho e o talento na área de Comunicação. Pai e mãe faleceram em 2019. A irmã de Saulo Célio, por parte da mãe Célia, chama-se Luísa e é professora universitária no Rio de Janeiro.

Saulo Célio teve ainda oito irmãos unilaterais, ou meios-irmãos, de uma segunda união de seu pai com Edna Andreeta Gomes, de São Paulo. O pai de Saulo Célio, como se lerá mais abaixo, foi um dos mais produtivos e premiados jornalistas do Brasil, morava em Ribeirão Preto (SP), onde morreu, após 63 anos de dedicação ao jornalismo, em especial à reportagem investigativa, além de ter escrito vários livros, o que lhe valeu uma cadeira na Academia Ribeiro-pretana de Letras.

O Saulo Gomes filho tinha 56 anos e cinco meses. Casado, em segundas núpcias, com a imperatrizense Maria Madalena Silveira Gomes (a Leninha, ex-estudante da grande Escola Técnica Amaral Raposo), com quem cuidou, responsável e amorosamente, de cinco filhos: Tatiana (empresária, residente em Santa Catarina), Carlos (falecido), Raquel (residente na Suíça), Rafael (administrador de empresas em Picos - PI) e Débora (estudante em Imperatriz), que lhe deram nove netos e mais um em gestação. De sua primeira união, Saulo era pai de Fernando, que mora em São Paulo.

Instrutor qualificado e especializado de Forças de Segurança, Saulo, Leninha e família moraram em várias capitais e cidades do País, em estados como São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Ceará, além do Maranhão, onde, em Santa Inês, dirigiu a 9ª Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito) e concorreu para vereador em 2016.  As manifestações de pesar registradas em páginas de redes sociais na Internet vêm de norte a sul do Brasil, muitas delas de ex-alunos, colegas e admiradores.

Saulo Gomes detinha uma rara habilidade. Como demonstrou em programa de TV do humorista, ator, apresentador, diretor teatral e escritor Jô Soares, Saulo, após ver ou ouvir os números e letras identificadores de chassi de um automóvel (do carro de passeio à carreta), era capaz de dizer as características do veículo, incluindo marca, modelo, ano de fabricação etc. Saulo também esteve, a convite, em programas de outros apresentadores de TV, entre eles Ratinho, Celso Portiolli, Gilberto Barros (o Leão), além do programa “Linha Direta”, da Rede Globo. Esses e outros talentos eram divididos nos muitos cursos que ministrou para milhares e milhares de membros de forças de Segurança Pública (Polícias Civil e Militar), no Brasil e Exterior. Só na Academia de Polícia em Brasília, treinou centenas de delegados de pelo menos 23 estados da Federação. Companhias seguradoras tinham em Saulo Gomes uma referência de precisão e credibilidade.

Quando se apresentou no programa do Jô Soares, soube dizer, com segurança do especialista, que, na época, eram roubados e furtados 1200 carros por dia, quase um por minuto, 500 mil por ano. Jô Soares quis ir mais fundo e Saulo Gomes não titubeou: disse que, do meio milhão de automóveis levados anualmente pelos ladrões, 20% eram localizados em até 24 após a comunicação do crime e 40% em até três anos, com os carros sendo vendidos sobretudo na Bolívia e no Paraguai por 20% do valor real, no caso dos carros brasileiros, e 50% do valor real, no caso de veículos importados. Um “show” de conhecimento técnico e segurança. Saulo não se “intimidou” com a competência e fama do grande humorista: foi tranquilo, sereno, preciso nas respostas, parecia que ele era o titular do programa  --  função em que, aliás, se destacou em programas de emissoras de televisão do Maranhão (estado natal da esposa, Leninha), sobretudo nos municípios de Santa Inês, onde estão irmãos e outros familiares da esposa  --  por exemplo, o jornalista e empresário da indústria gráfica Clélio Silveira --, e Imperatriz. O sucesso nos programas onde Saulo Gomes era apresentador, comentarista ou repórter (ou tudo isso junto, mas não misturado), também pode ser aferido pelos comentários dos seus diversos telespectadores, na Internet.

Além desses méritos profissionais, o bem-humorado Saulo Gomes tinha excepcional memória e, bom cantor amador, costumava soltar o vozeirão entre amigos e familiares, e, às vezes, se fosse “enticado”, no ar mesmo, durante participações na TV, como, aqui e acolá, ultimamente o fazia no “Cidade Urgente”, na TVI (canal 4.1, Record News) de Imperatriz, do qual, polivalente, multitarefas, era apresentador, comentarista, propagandista (“merchandising”) e repórter de rua, fazendo denúncias, entrevistando pessoas, relatando fatos  --  inclusive com o braço quebrado, como ocorreu em suas últimas aparições, com um dos braços na tipoia, em razão de queda por escorregamento. As mensagens para o programa na afiliada da Record News vinham via WhatsApp às centenas e diziam da positiva apreciação dos telespectadores de Imperatriz, Açailândia e cerca de 30 outros municípios em diversos Estados alcançados pela TV, sem falar no mundo todo pelas vias dos espaços digitais da Internet.

 

Para além da multifuncionalidade do talentoso Saulo Gomes, o que mais se poderia destacar nele era sua gentileza, bonomia, sincera preocupação ou empatia em relação aos outros. Sujeito bonachão. Em décadas e décadas que nos conhecíamos, não havia tempo ruim que tirasse do rosto de Saulo a alegria e a palavra amiga. Se tivéssemos nos tempos da monarquia, um título de nobreza que calharia bem para Saulo Gomes seria o de “gentil-homem” (em francês, “gentilhomme”), que, como dizem os dicionários, é o “indivíduo cujos atos e maneiras demonstram fidalguia e distinção de sentimentos”. 

 

Recordo-me de, em Santa Inês, onde permaneci por meses prestando consultorias e assessorias nas áreas empresarial, de Comunicação e organização associativa, Saulo e eu termos longas conversas. Aqui em Imperatriz, há alguns meses, uma de suas mensagens em minha página no Facebook, certamente em razão da pandemia, trouxe a pergunta-dúvida sobre se ele “iria embora” (mudar-se) de Imperatriz sem repetirmos ao menos mais uma vez as boas conversas que já havíamos tido aqui e em outras cidades. A pandemia o silenciou para a resposta, embora não lhe tenha tirado o sincero desejo de ele e eu mantermos, uma vez mais, aquela boa prosa...

 

Saulo Gomes e eu tínhamos sincera admiração mútua. Nas redes sociais, só escrevia ou me chamava de “meu amigo gênio", e completava: “O conhecimento é o bem mais precioso do ser humano". Recentemente, mais ou menos um mês atrás, ao comentar uma informação, Saulo mencionou meu nome, listou qualificativos e foi reforçado pela titular do programa “Cidade Urgente”, Fabianne Herênio, que, em meio a referências elogiosas, até lembrou que eu fora paraninfo de turma quando de uma das formaturas dela, na Universidade.

 

É essa pessoa e profissional pouco comum que Imperatriz perde pela última vez (já havia “perdido” por mudança de cidade em outros tempos). Saulo Gomes era um carioca que, se não dissesse que era, por maranhense se o tomava, tal o espírito de maranhensidade com que se vestiu e com o qual investiu em sua vida no lar e no(s) ofício(s).

 

Espírito agregador, humilde, Saulo Gomes, durante o período "de molho” em que estava em razão do braço quebrado, foi há poucos dias surpreendido com a visita de seus companheiros de trabalho, que, coletivamente, incluindo-se o proprietário da concessão, o empresário Pedro Carlos Duarte (o Pedro Pneus), quiseram saber “in loco” da saúde do amigo e manifestar ao vivo votos de restabelecimento. Como se diz, gentileza gera gentileza...

 

Saulo e Leninha eram esse casal tipo carne e unha. A filha Raquel Ágata confirma e os colegas de Saulo atestam: ele era “muito família”. Ao vivo na TV, Saulo falava sincera e prazerosamente de seu amor pela esposa e filhos  -- segundo ele escreveu, família é “herança que deixamos pro mundo, verdadeiramente” . Nas redes sociais, Saulo cumulava Leninha de elogios: “Depois de Deus e Jesus, você Ozimm é a razão da minha vida”. (“Ozimm” era como chamava a mulher; forma carinhosa de “amorzinho”).

 

Bem humorado, já se disse aqui, certa vez Saulo Gomes comentou uma foto de um concurso de beleza masculina de 1920, onde se viam seis homens de calções listrados e bigodudos, nada belos para os padrões de um século depois: “Eu seria um mister universo...”.

 

O PAI – Diz-se que pela folha se conhece a árvore e que filho de peixe, peixinho é. É o caso de Saulo Célio Alves Gomes, descendente de um casal de comunicadores profissionais. Entre os diversos filhos, o pai deu a Saulo Célio prenome e exemplo.

Saulo Gomes, pai, nasceu no Rio de Janeiro em 2 de maio de 1928 e morreu há um ano, em 23 de outubro de 2019, em Ribeirão Preto (SP). Autodidata, tendo estudado poucos anos na escola, Saulo Gomes pai, a partir de 1956, após vencer em concurso 200 candidatos, tornou-se um dos mais destemidos e completos repórteres do Jornalismo brasileiro.

Saulo Gomes, pai, trabalhou em grandes redes de rádio e de televisão. No jornalismo policial, jogava-se de corpo inteiro no olho do furacão dos fatos, fosse no meio de tiroteio, fosse arriscando-se na investigação dos crimes do famoso “Esquadrão da Morte”. O velho Saulo Gomes desvendou crimes e até se antecipou à ação da Polícia, tendo descoberto caso de pessoas sequestradas e as levado de volta para casa e aconchego familiar das vítimas. Enfrentou e afrontou, intimorato, as forças políticas de então  -- e por essas e outras foi preso e respondeu por mais de cem processos e inquéritos policial-militares. Descobriu. Denunciou. E por isso foi perseguido, foi o primeiro jornalista proibido de exercer a profissão no Brasil e teve de mudar-se para outro País.

 

Por outro lado, seu trabalho lhe rendeu prêmios e recordes mundiais, como os casos em que ficou mais de 60 horas no ar e o recorde de apresentação de programa jornalístico durante 97 horas e 10 minutos (quatro dias e noites seguidos). Saulo Gomes foi o pioneiro no uso de helicópteros em cobertura jornalística. Entrevistou grandes nomes do Brasil e do mundo: Juscelino Kubitschek (médico e presidente do Brasil), Adhemar de Barros (médico, empresário, duas vezes governador de São Paulo), Eduardo Frei (presidente do Chile), Che Guevara (médico e guerrilheiro argentino), Juan Domingo Perón (general e três vezes presidente da Argentina), Fidel Castro (revolucionário e mandatário de Cuba de 1959 a 2008), Richard Nixon (presidente dos Estados Unidos)...

 

Saulo Gomes, o pai, escreveu livros, um deles transformado em filme, entrou para academia de letras e outras entidades. Surpreendeu o país ao conseguir em 1968 uma inédita entrevista com o espírita Chico Xavier, que há tempos se havia calado para a Imprensa. A partir daí, surgiu uma gigantesca amizade entre os dois. Saulo Gomes passou a ser conhecido como “o repórter do Chico [Xavier]”. Já na casa dos 90 anos, oito filhos e dezenove netos, ainda escrevia livros. Deixou material inédito. Teve sua biografia em livro próprio  -- “Saulo Gomes: O Grande Repórter Investigativo” --, escrito pela jornalista Adriana Silva, sua colega de profissão e da academia de letras de Ribeirão Preto.

 Neste 10 de novembro de 2020, enquanto familiares choram e colegas e amigos pesarosos lamentam o falecimento de Saulo Gomes, manchetes celestes anunciam o reencontro de pai e filho, ambos de mesmo nome e igual profissão.

E cada qual com uma vida que podia ser tudo, menos monótona.

Saulo Gomes, o filho, volta a abraçar o pai. Bons comunicadores, experientes jornalistas, ambos terão muitas histórias para contar...

Deus abençoe, nos Céus, o retorno do filho aos braços do pai, ao tempo em que, aqui na terra, proveja de forças toda a família, para que suporte e supere estes momentos de dor, luto... e saudades.

 

Descanse em paz, Saulo Gomes.

EDMILSON SANCHES

[email protected]

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 12/11/2020

Visitas: 119

Palavras-chave: SAULO CÉLIO ALVES GOMES

Fonte: EDMILSON SANCHES

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