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Agora Santa Inês - CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

NA CÂMERA COM SÉRGIO

©Sergio Brandao

SESSÕES DE CINEMA NA JUVENTUDE: Como construí minha paixão nas salas de cinema de São Luís.

Era uma sexta feira do período de férias, janeiro ou fevereiro, não lembro bem, porém o que me agradava era ir para mais uma sessão no antigo cinema Éden, bem na rua Grande, área central e comercial da cidade. O ano era 1984 e seguia com minha mãe para mais uma sessão de um filme dos Trapalhões, deveria ser A filha dos trapalhões ou Os Trapalhões e o mágico de Oróz, enfim, o destaque inesquecível ficou com um corte mal feito de uma cena na sessão feita na cabine pelo projecionista e a perda de segundos eternos de projeção que me fizeram muito triste, e o pior era que não voltaram esses segundos tão importantes para mim, o que me fizeram refletir, em minha inocência infantil de 9 anos de idade, o quanto um filme e o evento de assistir a ele embevecido e totalmente comprometido eram fundamentais já naquele momento de minha vida. Não é preciso dizer que a arte do cinema me pegou, me encantou, acertou meu coração e me vi completamente apaixonado pelo ato de ir a uma sala de cinema e de ser plateia. Depois a ação de observar e pensar sobre a película passou a ser tão profunda quanto ir a uma sala e passar pelo ritual de estar no cinema. Foram minhas construções de identidade e minha formação cultural mais prolífica.

As salas de cinema em minha cidade eram de uma época mais romântica quando passei a ir, com minha mãe, as sessões de cinema dos filmes dos trapalhões ou dos desenhos da Disney. Entretanto no ano de 1987 já ia com amigos (José Viana Filho e Dilberto) a essas aventuras juvenis para me maravilhar com as pérolas da produção norte-americana oitentista. Sempre que foi possível fui em bando (amigos do colégio Dom Bosco) assistir produções lendárias como Karatê Kid 2, a Hora da verdade continua em 1987, ou Aliens, o resgate, de 1986, numa sessão matinê das 16:45 de um sábado com mais três amigos na sala do Cine Passeio; que foi um dos prazeres mais incríveis de minha pré-adolescência. Me fez amar imensamente a atriz Sigourney Weaver e a sua personagem Ripley, um grande filme de aventura e suspense, uma heroína forte e emotiva.

 Minhas idas as salas de cinema em São Luís passaram a ser mais frequentes nesses anos do meio da década de 1980. Com meus amigos a farra era imensa, mas a paixão pela sétima arte crescia intensamente em mim, os detalhes de cada cena amplificada na telona, os sons, as nuances da narrativa, os momentos de tensão, a festa de cores e de atuações de grandes personagens, o cinema me entretinha e me intrigava, me envolvia e me lançava a experiências únicas. Saia do Cine Passeio as 21 horas depois de uma sessão nos anos 90 da película Seven, os sete crimes capitais, de 1995, completamente chapado, desnorteado com o que acabara de assistir. O cinema era minha droga pessoal, me absorvia e fazia-me cair em transe. Apenas na saída da sala eu passava a me ligar na realidade e deixava para trás, aos poucos, as ilusões e fantasias das produções que me dominavam.

Durante toda a década de 1990, fui um assíduo espectador das estreias nas sextas-feiras nas salas de cinema ludovicenses. Infelizmente durante os anos Collor perdemos quase todos os cinemas de rua na cidade e apenas o Cine Passeio ficou sendo o refúgio para os filmes da temporada, foi um baque. Não havia mais as salas do shopping Tropical, no bairro do Renascença, não havia mais o Cine Éden, desde os fins dos anos 80, e fecharam as duas salas do Cine Alpha na área do bairro São Francisco, logo depois de cruzar a ponte que dá nome a localidade. Portanto os cinemas iam fechando e restaram dois, o guerreiro Cine Passeio no centrão da cidade e o cine Monte Castelo no local de mesmo nome, porém muito depreciado e sem condições para ir a uma boa matinê.

Era um momento triste para o cinéfilo da cidade. Eu sofria com essas condições, acompanhava os lançamentos dos filmes espetaculares pela mídia e revistas especializadas de início da década de 1990 e não podia vê-los. Um ou outro chegava ao cine Passeio e por lá ia matar minha vontade de ver filmes. De resto foi um início de década onde a videolocadora se sedimentou e virei um assíduo frequentador delas, sócio fundamental de umas três ou quatro, perto e longe de casa. Me tornei um amante das fitas vhs, um tresloucado alugador de fitas de todos os tipos, clássicos, produções europeias, filmes nacionais, lançamentos de Hollywood, filmes asiáticos, estranhas películas cult do leste europeu e do Japão. Tudo que podia existir em uma locadora eu pegava e via.

Era a forma de matar minha sede sem fim, eu era um vampiro das cinematografias e estava me educando firmemente entre fitas, idas ao cine Passeio e sessões da tarde ou do cineclube da rede Bandeirantes nos sábados e domingos durante a noite. Filmes a rodo, fitas aos montes, cinefilia na televisão todos os dias se possível, um aprendizado fílmico que foi iniciado nos supercine globais durante todo os anos 1980, e que se aprofundava cotidianamente pelos anos 1990 a fora. O cinema me calava fundo. E as curiosidades pela técnica, pelas atuações, pelas formas de dirigir e encenar, de fazer a mis en scene dentro da narrativa me inebriava e fazia despertar a necessidade de entender, de saber como se fazia e não apenas de ser um mero apreciador. A cinefilia me consumia e buscava me ensinar o que era o cinema e como se fazia essa paixão acontecer.

O que me salvou foi o meio dos anos 1990. A partir de 1995 o local onde havia o cine Alpha virou um primeiro multiplex maranhense chamado de Cinemas Colossal, que no seu auge, teve cinco salas de cinema em funcionamento. Foram anos incríveis até início dos anos 2000, eu, já adulto formado e apreciador de películas, indo todas as sextas feiras para alguma estreia nas salas do cine Colossal. Problemáticas salas aqui e acolá, porém sendo as primeiras a ter um estilo e esquema de formato salas multiplex, a modernidade chegando e os cinemas de rua acabando sem resquícios românticos nenhum. Foram todos virando lojas, templos religiosos ou virando ruínas. Depois os shoppings de São Luís vieram e o estilo multiplex engrenou com diversos complexos iniciando suas construções e inaugurando com dez, oito, seis salas em cada complexo.

Quanto ao cine Colossal, nosso primeiro multiplex, ele fechou logo depois do início do século XXI, o centro comercial onde funcionava, conhecido como Júnior Center, foi destruído, virou um estacionamento com promessa, feita antes, de ser um endereço comercial, entretanto continua sem nada construído por ali. O cine Passeio bem no centro movimentado da pólis maranhense se tornou uma loja de calçados, o cine Monte Castelo continua fechado, com o prédio em más condições, e os outros continuam lojas ou templos, apenas restando a memória de alegres e maravilhosas sessões nostálgicas de cinema.

As salas de cinema de rua me formaram na academia da cinefilia, a televisão moldou o gosto de ver, alugar fitas me permitiu ir a cinematografias distantes e inovadoras, porém no escurinho do cinema de rua me tornei o amante dessa arte. Sou dominado por esse amor, essa paixão, essa obsessão até hoje, um adorador, minha religião. Me condenem, eu mereço ardorosamente.

©Sergio Brandao é professor. Bacharel em Cinema pela UNESA-RJ, Pós graduado em Docência do Ensino Superior e em Tutoria de educação a distância pelo IESF.

DOCUMENTÁRIOS

“CARO FRANCIS” DE NELSON HOINEFF

Um jornalista emblemático, polêmico , inteligente, debochado, cênico e que faz uma falta imensa ao jornalismo e a televisão brasileira: Paulo Francis tem um pouco do seu legado registrado no documentário , Caro Francis de Nelson Hoineff.

 

Impossível tentar registrar em pouco mais de uma hora e meia todas as facetas de Francis ,bem como, todas as polêmicas que o mesmo criou no decorrer da sua vida, mas estão lá: sua pequena e conturbada vida de crítico de teatro , sua impulsiva saída da Folha de São Paulo , seus comentários ácidos no Manhattan Connection e no jornal da Globo (com direito a erros de gravações) e principalmente o caso do processo da Petrobras...

 

Tudo isso se soma a comentários de amigos, e outros nem tanto que nos ajudam a formar (ou pelo menos tentar) um pouco da complexa passagem dessa importante figura do jornalismo brasileiro. Francis deixou alguns seguidores (que jamais alcançarão sua performance), desafetos (alguns assumem no documentário serem até fã dele), mas pelo painel carinhoso que o diretor montou, sentimos, mesmo os que não conheceram a fundo sua obra, e nem tão pouco sabem da importância dele , ao vermos o documentário o quanto ele deixou de saudade, seja pela pessoa como pelo profissional.

 

Uma boa edição de imagens (assinada por Thaissa Castelo Branco), que não segue uma cronologia clássica e nos faz ir e voltar nas suas diversas facetas, se somam a essa obra que tenta de alguma forma fazer o impossível: traduzir Paulo Francis...

©José Viana Filho é Bacharel em Cinema pela UNESA(RJ) e Mestre em Políticas Públicas pela Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais.

 Email: [email protected]  Blog: www.josevianafilho.blogspot.com.br

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 16/11/2020

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Palavras-chave: CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

Fonte:

Big Systems
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