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Agora Santa Inês - CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

RECORDAR É (RE)VER

©José Viana Filho

"CASSINO"

DE MARTIN SCORSESE

Girando a roleta no brasil, e voltando um pouco no tempo, lembrei de um grande filme do mestre do cinema: Martin Scorsese. Cassino (1995), retrata, pela visão de um testa de ferro de um administrador de cassino,  o glamour dos anos setenta nos cassinos de Las Vegas.

O trio, vivido por  Robert De Niro (Sam Rothstein ), Sharon Stone (Ginger M.-Rothstein ), Joe Pesci(Nicholas Santoro Sr.), dão o tempero necessário para um trama longa e bem escrita. Sam, o narrador e testa de ferro da máfia se apaixona por Ginger, típica prostituta de cassino. Essa paixão como não poderia deixar de ser, joga de pernas para ar a rotina do durão Rothstein, que ainda tem que se preocupar com os métodos, nada convencionais, de proteção do seu amigo de infância Nick.

Uma boa parte do filme vale pela atuação de Sharon Stone, sua personagem personifica bem o glamour fake da época. Suas ações são pano de fundo para uma narrativa bem tramada, violenta e de nos deixar vidrados do início ao fim do filme.O filme também marca a segunda parceria de Martin Scorsese com o escritor Nicholas Pileggi (a primeira foi em Bons Companheiros), e como não poderia deixar de ser, temos mais um excelente filme desse mestre da narrativa fílmica.

Para quem gosta de filmes com temáticas de cassino, uma boa escolha, para quem quer conhecer um pouco desse mundo, eu costumo dizer , que vendo diversas vezes , você se torna um grande administrador  como De Niro no filme. Scorsese sempre será uma boa pedida.

  

©José Viana Filho é Bacharel em Cinema pela UNESA(RJ) e Mestre em Políticas Públicas pela Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais.

 

Email: [email protected]  Blog: www.josevianafilho.blogspot.com.br       

NA CÂMERA COM SÉRGIO

©Sergio Brandao

O CINEMA DE FEDERICO FELLINI: sonhos, pesadelos, fantasias e muito lirismo ao estilo italiano; o maestro das histórias que me fizeram companhia nas noites do cineclube da Televisão Bandeirantes.

  Noite de sexta dentro de casa, programação do verão vivo da rede bandeirantes de televisão, começa a passar, com legendas e som original Satyricon, de Fellini, filme de 1969. Emudeço e entro em êxtase, completo. Assistia uma produção tão andrógina, sexy, bestial e crua, que me deixava calado. Sem pedir nenhuma explicação apenas me deixava envolver pelo carnaval orgíaco e narcísico que o diretor me apresentava, uma lenda, uma história da Roma antiga, pagã, sexualizada e carnal até o limite. Satyricon me mostrou um Fellini novo no início dos anos 90 dentro desse especial de sexta do verão vivo da Band.

Em verdade já conhecia o cinema de Federico Fellini, havia visto na Rede Globo Amarcord, dublado, uma realização dele de 1974, e tinha adorado. Mas ali vi uma crônica familiar italiana afetiva, política (com atenção direta a crítica ao fascismo e a idolatria de certa parte da população a Mussolini) sincera e divertida, um adorável festival de reminiscências da infância do cineasta e uma declaração de amor a sua cidade Rimini, e a seus tipos quase cartunescos, porém tão vívidos e sempre impressionantes.

Foi com Amarcord que me apaixonei pelo realizador italiano, e ali dei minhas primeiras risadas e tive emoções variadas. Nesse filme eu tive uma descarga de empatia quase que instantânea, por conta da trilha sonora inebriante e afetuosa ao extremo composta por Nino Rota, colaborador constante do mestre, e nada me impediu de depois do filme sonhar com Fellini e falar com ele em meu sonho, dizendo ao mestre que o tio da família que subiu na árvore e passou a gritar que queria uma mulher foi uma escolha arriscada de alívio cômico, exagerada até, e, após dizer isso, obter como resposta do maestro somente o seguinte: “Vá dormir Sérgio que já está tarde...” um recado direto do diretor para mim, que já não sabia se dormia ou sonhava, porém me deliciava.

Fellini passou por minha vida inúmeras vezes. Foi um diretor que acompanhei de forma ávida a carreira e filmografia. Vi tudo que estava lançado em vídeo e quase sempre tentava assistir seus filmes na tv. Sempre revia Amarcord e corri para vê A Estrada da Vida, La Doce Vita, Oito e meio, Casanova de Fellini, E la nave va etc... O que não alugava em videolocadora via nos horários nobres das noites nos cineclubes da vida.

Dessas tantas películas algumas, em especial, mexiam comigo; E la nave va, de 1983, foi um espetáculo surreal sem igual, uma produção que ressaltava a beleza de cenários e situações farsescas, fantasiosas e que de forma fluída passavam a ideia da beleza construída do cinema, de um set de filmagem. Era um filme que não tinha medo de se mostrar ser um filme, uma obra cinematográfica estilizada, emoldurando sóis de mentira, mares inflados por bolsões de ar, céus pintados, cores falsas que nos encantavam, e ainda assim, arte, maiúscula.

Outra experiência fílmica que tive com o maestro foram duas de suas obras mais robustas La Doce Vita, de 1962, e Oito e Meio, de 1963. Estrelados por Marcelo Mastroianni, e com belo elenco internacional, essas produções lançaram para mim um manual de tudo que tinha, ou que deveria aparecer em um filme de Fellini: crítica clerical, visão pagã do cristianismo dentro de Roma, crítica de costumes, comédia della arte clássica, elogio as mulheres, como uma regra, certa misoginia, ou um machismo as antigas típico do homem italiano, crônica da vida burguesa italiana e romana, fetiches mil, imagens de sonho numa variada salada que carregava afetos, distâncias, vazios existenciais e uma enorme crítica ao sonho burguês do modo de vida italiano ,urbano dos anos 50 e 60, como já mencionado, entretanto nessas duas produções com uma decisiva visão pessoal do cineasta (ainda mais forte em Oito e meio, que destacava a crise criativa de um autor, denotando a própria falta de ideia de Fellini aquele momento de sua carreira, o que foi material genial do próprio diretor para esse filme, um feito extraordinário). Por essas produções pude perceber que o maestro também era um esperto cronista crítico do estilo de vida de seu país.

Depois vim a descobrir que já em 1957, com a produção de Os boas vidas, a crítica de costumes era um dos motes da cinematografia felliniana, e junto a isso, notei que o adjetivo que acompanhou seu nome lhe fazia justiça porque toda vez que via um filme ou cineasta contar histórias farsescamente, ou utilizando sonhos em metáforas variadas, observava que tal diretor emulava, ou imitava diretamente Fellini e seu jeito de narrar histórias, ou seja era um cineasta felliniano.

Com o passar dos anos, a cada filme que saia cópia em vídeo, ou mostra de seus filmes que se anunciava no cinema, corria e tentava assistir aquela película especifica que ainda me faltava de sua coleção. Dessa vivência vieram Roma, de Fellini, produção de 1972, que recontava em episódios, fatos, ideias, histórias e sonhos compostos por uma visão pessoal da Roma que povoava a mente do maestro, em especial quase ao fim do filme a cena do desfile de moda no Vaticano, com as roupas dos padres, bispos e do papa foram hipnóticas e uma vistosa crítica a opulência do clero.

Um dos fatos que mais me emocionam dentro da filmografia felliniana são as participações de sua musa inspiradora e esposa adorável Julieta Massina, atriz formidável que dá vida a personagem lendária da produção Noites de Cabíria, de 1958, uma obra prima, mais realista, dura, com rápidos e certeiros lampejos de fantasia onírica ,que Fellini colocou apenas para disfarçar a narrativa quase impiedosa, que fez sobre a rotina e vida de uma prostituta. Uma das coisas certas em se dizer é que Julieta Massina brilhava sobre a batuta do maestro, também em A Estrada da Vida, de 1954, sua personagem Gelsomina era afeto, dor e sofrimento dentro da história sentida que ele desenhou, com uma brutal participação de Anthony Quinn.

Em minha contínua paixão pelo cinema o maestro italiano sempre teve um lugar no meu coração, sempre me alegrou, me permitiu sonhar, me balançou em furioso movimento de imagens e fantasias, quase sempre regados ao som de Nino Rota. Em detalhe me lembro de um filme episódico, no qual ele dirigiu um dos segmentos. Era Bocaccio 70, de 1962, e o segmento era A Tentação do Senhor Antônio, onde Fellini com o fervoroso uso da música de Nino Rota nos apresenta uma gigantesca Anita Ekberg a perseguir o devoto e conservador Senhor Antônio, que luta para proibir um outdoor de propaganda de leite, que traz a figura de Anita provocante e enorme em um terreno da Roma urbana da década de 60. Senhor Antônio é perseguido por Anita que “sai” do outdoor e passa a ir atrás do coitado do senhor, retrógado que tenta escapar ante a dura e extasiante visão constante de uma Anita monumental. Obviamente essa tentação deixa o conservador senhor caído e entregue a imagem de Lady Ekberg.

Por diversas vezes me senti assim, extasiado e caído em ver uma película de Fellini. É um prazer, é uma experiência, é cinema imortal.

 

©Sergio Brandao é professor. Bacharel em Cinema pela UNESA-RJ, Pós graduado em Docência do Ensino Superior e em Tutoria de educação a distância pelo IESF.

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post:

Data: 12/12/2020

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Palavras-chave: CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

Fonte:

Big Systems
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