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Agora Santa Inês - CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

DOCUMENTÁRIOS

©José Viana Filho

  “SENNA” DE ASIF KAPADIA

 

 Quem tem mais de quarenta anos, deve se lembrar de quantos e quantos domingos passamos ouvindo a bandeirada, o tema da vitória, o hino nacional e o pódio com champanhe. O futebol, nosso esporte predileto, passava em alguns finais de semana para coadjuvante. No começo dos anos 90 tínhamos (o Brasil) exatos, 08 títulos mundiais de fórmula 1.

Ayrton Senna (Tricampeão Mundial) contribui, e muito, para aumentar essa nossa paixão por esse esporte de motores velozes em pistas de corrida pelo mundo afora. O documentário Senna de Asif Kapadia, só vem ilustrar em imagens compiladas de corridas e acervo pessoal do piloto, o que já estamos careca de saber: que Senna era um gênio ...

Para os fãs do esporte e principalmente de Ayrton, não poderia ter um presente melhor: o diretor monta, na medida certa, voz off do próprio Senna, Reginaldo Leme e sua irmã (Viviane Senna) em contraponto com as imagens da fórmula 1. Estão lá:  as vitórias, as derrotas , a sua ascensão, sua rivalidade com Allan Prost (o principal antagonista do documentário), seus três títulos mundiais até sua morte precoce em 1994.

Para um gênio, que morreu nas pistas, teimando contra um carro que não se acertava(da equipe inglesa Willians) ,que já era uma grande personalidade do Brasil antes da morte ,e que se transformou em mito depois dela; o documentário cumpre com sua função.

Assif Kapadia não cai na mesmice de entrevistas e nem tão pouco no erro de santificar um grande atleta como Senna. O documentário registra, para os fãs de Senna, uma grande lembrança em imagens e sons. E para aqueles que não o acompanharam nas suas corridas e vitórias pelo mundo, uma grande oportunidade de vê-lo brilhar nas telas do cinema.

 

©José Viana Filho é Bacharel em Cinema pela UNESA(RJ) e Mestre em Políticas Públicas pela Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais.

      Email: [email protected]  Blog: www.josevianafilho.blogspot.com.br    

 

NA CÂMERA COM SÉRGIO

©Sergio Brandao

EM UM ANO NO QUAL ESTANCAMOS E CHORAMOS POR CONTA DA TERRÍVEL PANDEMIA É SEMPRE BOM RELEMBRAR FILMES DE NATAL. OU COMO AMO VER CINEMA NO NATAL POR CAUSA DE MEU PAI.

 

 

Noite da véspera de Natal, década de 80, televisão ligada na rede Globo, estamos próximos da meia noite e o clima de festa é total na casa do Senhor Odon. Sua família está em alegre confraternização, seus filhos estão todos em casa, sua mulher, sua cunhada e tia dos meninos está ali, sempre solicita e em sincera alegria, a namorada e futura mulher do seu filho mais velho também está por lá. O filho caçula luta para não dormir, mas aos três anos quase não consegue, já o terceiro de seus filhos, ainda um jovem de 12 anos está na espera do filme após a missa do Galo tradicionalmente rezada a meia noite pelo papa João Paulo II.

A produção que vai passar é um clássico de 1970, filme inglês, dirigido pelo acadêmico e bom realizador Ronald Neame e refaz como uma adaptação para as telas o conto de Charles Dickens, Um Conto de Natal, no original da produção intitulada pelo nome Ebenezer Scrooge, e na tradução para o Brasil nomeada como Adorável Avarento, simplesmente a película mais querida e maravilhosa, tratando de Natal e do espírito natalino, já vista por esse que vos escreve. Cuja paciência era profundamente testada na espera do fim da missa do Galo, naquela véspera de natal com todos em regozijo e gritando feliz natal!

Adorável Avarento é um musical que adapta Dickens e seu conto inesquecível, com um grande elenco, onde brilham Albert Finney, Alec Guinness, Suzannah York dentre outros, uma produção tipicamente inglesa, com apuro visual, cenários que emulam a Londres vitoriana de Dickens e o clima de Natal e de mensagem sobre solidariedade, segunda chance e perdão que comove genuinamente. O filme não manipula sorrateiramente, a história nos ganha por completo respeitando as ideias e o que Charles Dickens pensava sobre temas como miséria, sordidez humana, egoísmo, segundas chances, mudança de vida, perdão e empatia. Uma obra prodigiosa.

Ronald Neame era um diretor bem ao estilo britânico, sabia dirigir em grandes cenários e com efeitos mecânicos especiais em cena. Logo depois comprovou esse fato ao realizar a direção de O Destino do Poseidon, em 1972. E nessa produção de 1970 faz uso de engenhosos efeitos de cena para compor as visitas dos três fantasmas e do sócio de Scrooge, O´malley, ao avarento na noite da véspera de natal. A cada visita e lembranças do passado, do presente e do futuro sombrio do personagem bruto e egoísta, temos mostras de efeitos que impactam para a época em que a produção foi lançada. E, pessoalmente, vendo pela primeira vez a película na tv também fiquei impressionado.

Na mesma época, ou um ano depois, creio eu, no SBT, a emissora do Silvio Santos, vi uma produção natalina, cuja força visual me deixou espantado, porém em termos de narrativa envelheceu muito atualmente, mas vale relembrar; Foi Santa Claus, a lenda do Papai Noel, um filme de meio dos anos 80, produzido pela dupla Alexander e Ilya Salkind, que haviam feito Superman, o filme em 1978 e Superman II e III, em 1980, e 1983. Era garantia de qualidade visual e bons efeitos visuais pelo menos. E assim foi... a representação desse filme em minha memória afetiva se mantém, muito por conta da ideia de contar a “verdadeira história de Papai Noel”, no entanto a modernização do tema da lenda do bom velhinho e o aproveitamento do ator comediante Dudley Moore como um antagonista cômico e desastrado não funcionou tão bem, como dito envelheceu demais, mas vale a lembrança por ter sido uma suave diversão na noite de Natal.

Para um jovem cinéfilo como eu a época natalina era ansiosamente esperada na busca de obras cinematográficas de natal, sejam as clássicas na tv ou as estreantes na sala de cinema. Em 1984, por exemplo, eu tinha nove anos de idade, e me lembro como se fosse hoje que fiquei muito triste por perder o lançamento no cinema de Gremlins. Para mim o filme de Natal mais anti-natal já realizado e uma das películas transgressoras mais criativas já feitas, merecedora de uma resenha a parte. O trailer de Gremlins passava na televisão Difusora local, em São Luís, e eu queria muito ir assistir, porém ninguém me levou... e eu não tinha idade para ir sozinho, a censura naquele tempo era uma realidade, e a produção era apenas para os maiores de 14 anos. Até hoje me bate um certo ressentimento por não ter visto Gremlins na sala de cinema.

Entretanto voltando aquele Natal feliz na casa do Senhor Odon, mal sabia o jovem Sergio que seu pai iria ver o filme com ele. Logo após a missa do Galo, a residência foi serenando, se acalmando, todos se recolhendo, os namorados indo para casa da namorada e futura esposa do irmão mais velho e somente a mãe, o pai e Sergio foram ficando para o filme que se iniciava. Logo depois apenas Seu Odon e seu fiel e leal parceiro de noites vendo fitas de cinema ficaram na sala e curtiam Adorável Avarento; a noite findava, o musical continuava, as canções agradavam, a atmosfera de Dickens adaptada por Neame e conduzida pelos hábeis atores britânicos, não deixava a peteca cair e Seu Odon, junto com seu filho, embevecidos, admiravam e sorriam com a película.

Sem dúvida era um bom Natal, que deixou saudades. Alguns pais jogavam bola com seus filhos, alguns pais liam para seus filhos, com meu pai eu via filmes, assistia de tudo nas noites na televisão, e no clima natalino essa experiência de ver Adorável Avarento com meu velho foi inesquecível, era a forma dele se divertir junto comigo, meu Pai, seu Odon Alves Ferreira, me dava alegria profunda ao ser meu companheiro de noitadas cinematográficas... que falta você ainda me faz.

 

©Sergio Brandao é professor. Bacharel em Cinema pela UNESA-RJ, Pós graduado em Docência do Ensino Superior e em Tutoria de educação a distância pelo IESF.

 

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 16/12/2020

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Palavras-chave: CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

Fonte:

Big Systems
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