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Agora Santa Inês - CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

É UMA QUESTÃO DE OPINIÃO...

Cercada de grande expectativa a Globoplay lançou em março de 2020 “Marielle - O Documentário. Uma série de 06 episódios com cerca de 1 hora cada um, que investiga o caso da vereadora que foi assassinada junto com seu motorista, Anderson Gomes, quando voltava para a sua na casa no Rio de Janeiro.

A obra dirigida por Caio Cavechini possui uma linguagem bem jornalística. Ele se utiliza do grande número de imagens já produzidas anteriormente, e imprime uma estética muito semelhante com os produtos jornalísticos do Grupo Globo.  As entrevistas e imagens produzidas para esse produto, não tem a mesma sofisticação fotográfica de produtos de mesmo gênero em outras plataformas de streaming, como o filme “13° Emenda” de Ava DuVernay, por exemplo.

Isso não desqualifica a obra, muito pelo contrário, a linguagem fotográfica da obra contribui para atrair um público acostumado a consumir programas jornalísticos na TV. Muitas das imagens já são conhecidas do grande público e isso, junto com jornalistas do Grupo Globo, criam um ambiente amistoso e familiar para o espectador da série.

Foi feita a opção de uma montagem bem mais lenta do que é feito nos jornalísticos, e também, em grandes sucessos de documentários policiais como “Bandidos na TV” e “Lorena”. O episódio que fala da relação de Marielle Franco com a sua companheira Monica Benício, tem uma sequência de fotos bem lenta e longa, só para citar um exemplo.

A obra deixa bem clara que seu foco é a investigação sobre o assassinato da vereadora e seu motorista. O objetivo é apresentar quem assassinou e investigar porque Marielle foi morta, do ponto de vista jornalístico. Contudo, mesmo apresentando a família no primeiro episódio, e mostrando aspectos não apresentados cotidianamente, faz falta uma apresentação mais humana da personagem principal da série.

A personagem principal é homossexual e mãe solteira. São dois temas efervescentes na sociedade atual, que poderiam ter sido abordados na série. Dessa forma conheceríamos melhor a personagem título criando mais intimidade e consequentemente mais emoção na experiência do espectador. Além disso, faltam curiosidades e histórias sobre a Marielle. A série cita uma história sobre a ida dela a um baile funk, há também um relato da sua viúva sobre a festa de casamento que já estava organizada. São histórias ricas e emocionantes que poderiam ter sido acompanhadas de outras durante os seis episódios.

Para finalizar, a série traz uma linha lógica e cronológica da investigação do assassinato até os dias de hoje com uma riqueza intensa de detalhes. Porém, falta uma contextualização histórico/político para entender melhor o contexto político do Brasil, e principalmente do Rio de Janeiro. Não são citados os secretários de segurança, chefes de polícia e outros adversários.

A série Marielle - O Documentário, foi lançada na semana de aniversário de dois anos do crime. Além de contar a lembrança de militantes, apoiadores e adversários, a campanha de lançamento se aproveitou das reportagens sobre o caso nos mais diversos veículos da imprensa e das redes sociais.

A rapidez na produção e o lançamento em um curto espaço de tempo se mostraram uma estratégia acertada, principalmente tendo em vista a quarentena instalada no Brasil por conta da pandemia do COVID-19. Acredito que a quarentena tenha impulsionado o número de espectadores da obra, fazendo com que ela tivesse boa repercussão orgânica.

O recorte escolhido para essa série, possibilita a realização de outras temporadas. Além da investigação que (ainda) não foi concluída, há diversos aspectos políticos e familiares que não foram abordados nesta primeira temporada.

Fica muito claro pela linguagem e pelo momento de lançamento, que o mercado principal dessa obra é o mercado brasileiro. Contudo, pela repercussão mundial do caso, acredito que essa obra tenha potencial de vendas internacionais em mercados específicos voltados para a exibição de documentários.

©Eduardo Lurnel é bacharel pela UNESA-RJ. Trabalhou na implantação da Lei municipal de incentivo à cultura (ISS) na cidade do Rio de Janeiro. Foi assessor da Diretoria Colegiada da Ancine durante 10 anos. Hoje é sócio da Pé de Moleque Filmes.

O FILME DA SEMANA

©Felipe Fernandes

Sem sombra de dúvidas o britânico Christopher Nolan é um dos maiores cineastas do cinema mainstream desse início de século. Desde o suspense 'Amnésia" lançado em 2000, o diretor chamou a atenção do grande público e dos grandes estúdios com um suspense inventivo, que trabalhava o conceito de tempo baseado na condição de seu protagonista. De certa forma, pode-se dizer que o filme praticamente acontece de trás para frente.

 

 Observando sua filmografia, o tema do tempo é recorrente, seja de forma subjetiva como em 'A origem", em um conceito mais científico abordado em 'Interestelar" ou em sua forma fílmica, como visto em 'Dunkirk". Seu novo filme 'Tenet", volta a usar o tempo como ferramenta, mas aqui de uma forma mais linear, como um conceito mais tradicional com direção e cruzamentos, sendo o artifício para construir uma história complexa, um pouco confusa e repleta de possibilidades.

Na trama um agente secreto interpretado por John David Washington (Infiltrados na Klan) é integrado a um grupo secreto, que trava uma guerra misteriosa onde ele precisa reunir artefatos para impedir uma catástrofe sem precedentes e sua única pista é a palavra Tenet. É difícil tentar explicar sobre o que se trata o filme, e grande parte dele é usado com isso. Essa é uma característica da filmografia de Nolan que costuma ser criticada, são filmes complexos que às vezes pesam a mão no didatismo e isso ocorre em Tenet.

O filme abre com uma sequência tensa que prende o espectador e traz conceitos e o clima que vamos encontrar durante toda sua exibição. Escrito pelo próprio diretor, a película faz uso da dinâmica de filmes de ação, ao introduzir Macguffins, que são artefatos desconhecidos e narrativamente sem importância, que tem a única função de promover a sua busca e não necessariamente interferir diretamente na trama.

Se trata de um filme de espionagem internacional com muitos elementos de ficção científica, uma mistura interessante, que o diretor já havia utilizado em 'A origem", mas aqui ganham novos elementos que lembram em diversos momentos os filmes da franquia 007, o que não é de se estranhar, já que Nolan é um fã confesso da franquia. No primeiro ato temos o protagonista ganhando pistas, e seguindo sua jornada buscando compreender exatamente onde está se metendo. Misturada a diversas explicações, esse início acontece de forma muita corrida e pode incomodar o espectador mais preguiçoso ou impaciente, já que a introdução de diversos conceitos cansa, e só vão começar a fazer mais sentido já para o meio da produção, quando a utilização deles na prática permite sua melhor compreensão.

Outra característica do cinema do diretor presente no longa é o apuro técnico. Contando com uma mistura de efeitos práticos com digitais, que dão uma sensação orgânica ao filme e fazem das sequências de ação um belo espetáculo. Os efeitos reversos são esteticamente muito interessantes (mesmo que cansem um pouco em alguns momentos) e se mostram como a grande razão de existir da obra.

Desde o momento em que passamos a compreender a dinâmica do filme, sua estrutura se mostra simples, mas ele tem problemas narrativos. O excesso de explicações acaba causando momento expositivos e alguns diálogos bem ruins, tendo seu pior momento em seu clímax, em uma cena que lembra negativamente os filmes mais antigos do espião mais famoso do cinema.

O vilão Sator é de longe uma das piores coisas do filme: o roteiro não ajuda o personagem e a atuação caricata do experiente Kenneth Branagh tornam algumas cenas insuportáveis. Todo o núcleo envolvendo o vilão é problemático, sua relação com sua esposa Kat (Elizabeth Debicki) ganha demasiada importância dentro da história, e a relação dela com o protagonista têm uma motivação que funciona em um primeiro momento, mas não consegue sustentar algumas atitudes do personagem principal.

Sem falar nas motivações do misterioso grupo que causa todo conflito, o próprio roteiro questiona o sentido da situação. A motivação e o ego de Sator, novamente remetem aos vilões dos primórdios da franquia James Bond e quero frisar que sou um grande fã da franquia 007, mas naturalmente alguns elementos ficaram datados, e Tenet resgata alguns deles e não fica claro se como homenagem ou como referência, fato que não funciona das duas formas.

Tirando o problemático núcleo mencionado acima, o elenco funciona bem, John David Washington mostra carisma para levar um filme desse porte e sua parceria com Robert Pattinson (em uma de suas atuações mais sóbrias) realmente funciona. Menos inventivo que se supunha, mas ambicioso como sempre, 'Tenet' traz todos os elementos que fizeram de Christopher Nolan um dos diretores mais queridos do mainstream.

Mesmo que não seja um de seus melhores trabalhos, é inegável que o filme funciona como entretenimento (a cena do conflito final por exemplo, é impressionante). Acredito que a longo prazo o filme será mais lembrado por ter sido o primeiro blockbuster a chegar aos cinemas após a paralisação da pandemia, do que por suas qualidades. Talvez ele perca força comparado aos outros trabalhos do diretor, um fato que diz mais sobre a qualidade de sua filmografia, do que sobre a qualidade do filme.

Felipe Fernandes é Bacharel em Cinema pela Universidade Estácio de Sá (Rio de Janeiro). Formado em Direção cinematográfica pela New York Film Academy (Los Angeles). Formado em Roteiro pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro. Vídeomaker, publicitário e crítico de cinema.

E-mail para contato: [email protected]

Instagram: @moviola.insta

 

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 19/12/2020

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Palavras-chave: CINE MIX : A coluna de cinema do AGORA SANTA INÊS

Fonte:

Big Systems
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