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Agora Santa Inês - Automutilação II

Automutilação II

Permanece crescente o número de pessoas jovens que se automutilam. Acredita-se, que devido a pandemia, o isolamento e distanciamento social, os medos intensificados de se adoecer pelo Covid-19 e outras restrições psicológicas e sociais, estejam, atualmente funcionando como fatores agravantes para o incremento de casos de automutilação na população mais jovem.

Ao longo dos meus quase 40 anos como Psiquiatra, lidando com doentes todos os dias e ás vezes o dia todo, me surpreende a quantidade dessas queixas, atualmente, em meu consultório. E, não é só comigo que isso vem ocorrendo, em conversas com colegas psiquiatras, psicólogos e outros profissionais da área comportamental, relatam também achados semelhantes. O fato, é que tem aumentado muito, nesses últimos 10 anos, o número de adolescentes que se autoflagelam.

Também denominada de autoflagelo ou autolesão, a automutilação na prática ocorre, predominantemente, entre adolescentes e entre adultos jovens e, mais raramente, entre pessoas de maiores idades. O fato é que essa prática predomina em adolescentes entre 13 e 18 anos.

 É definida como sendo qualquer comportamento intencional, envolvendo agressão direta ao próprio corpo, sem que haja intenção consciente de suicídio. Portanto, em se tratando de suicídio, haveria outras bases psicopatológicas para se explicar esse comportamento.

A automutilação, portanto, é diferente da tentativa de suicídio, pois aqui nesse caso, a pessoa sabe que ao cortar-se, ou se machucar, não vai morrer por causa disso, além do mais dizem que a principal motivação para sua atitude é aliviar sensações ruim ou desagradáveis: sensação de vazio, angústia, raiva de si mesmo, tristeza, com ou sem motivo, e até para relaxar são outros motivos comumente apresentados.

As formas mais frequentes de automutilação são cortar a própria pele, queimar-se, bater em si mesmo, morder-se e arranhar-se, beliscar-se. Os locais em geral escolhidos, são face interna do antebraço, coxa, braço e tórax. As lesões podem ser superficiais e profundas. Alguns pacientes apresentam rituais de automutilação e passam muito tempo pensando em como executá-la, lembrando sintomas compulsivos, porém com intenso componente de impulsividade, é o que nos diz Jackeline S. Giuste, em sua tese de doutorado sobre automutilação.   

O comportamento de autoagressão é repetitivo e as lesões são superficiais, na maior parte dos casos. Os cortes na pele são mutilações mais frequentes, especialmente, nos braços e pernas, justamente por serem de fácil acesso, e essas partes do corpo serem fáceis de se esconder dos pais, amigos, professores, etc., em geral esses adolescentes não querem ser descobertos.

A pesquisadora diz ainda, que o critério de diagnóstico da Associação Psiquiátrica Americana – APA, em sua quarta edição (DSM-IV), a automutilação estava classificada como um dos critérios de diagnósticos para transtornos do controle dos impulsos, não classificados em outro local ou Transtorno de Personalidade Borderline.

Já o DSM-V, edição atual, a APA, propõe que a automutilação seja uma entidade diagnóstica à parte, ganhando mais autonomia diagnóstica e não se tratando, somente, de um sintoma de um transtorno. Porém, a falta de homogeneidade na descrição da automutilação dificulta as pesquisas, tanto epidemiológicas como clínicas. Portanto, faz-se necessário, a busca de uma melhor caracterização clínica e psicopatológica do comportamento de autoflagelar-se é, absolutamente, indispensável, e fundamental para que se evolua no tratamento dessa condição médica e psicológica, incluindo novas abordagens psicofarmacológicas.

Do ponto de vista clínico, esses comportamentos auto lesivos, estão frequentemente associados a outros transtornos mentais tipo, transtorno de ansiedade, quadros depressivos relevantes, stress, bullying, e ao Transtorno de Personalidade Boderline, onde nesses casos, essas personalidades já são adultas, portanto, acima de 18 anos. A autoagressão, pode também, estar associada a outras doenças mentais.

Clinicamente caracteriza-se, entre outras coisas, por um padrão difuso de instabilidade das relações interpessoais, da autoimagem, de afetos e de impulsividade. O transtorno aparece no início da vida adulta e está presente em vários contextos das relações dessas pessoas. Esses pacientes tentam de tudo evitar abandono real ou imaginado. São vulneráveis a separações e sentimento de rejeição. São muito sensíveis às circunstâncias ambientais e apresentam muito forte de se auto agredirem.

Apresentam medos intensos de abandono e experimentam raiva inadequada mesmo diante de uma separação de curto prazo, quando ocorrem mudanças inevitáveis de seus planos.

Quanto ao tratamento, recomenda-se, combinação de diferentes abordagens. Por um lado, farmacoterapia, através da utilização de medicamentos que impedem o descontrole dos impulsos de se automutilarem. Entre esses fármacos, temos os alguns antidepressores, antpsicóticos e ansiolíticos, em geral utilizados em baixas doses. O uso de estabilizadores de humor, também pode ser indicado. Por último, as psicoterapias, são ferramentas indispensáveis para o tratamento desses enfermos, especialmente, a Terapia Cognitivo Comportamental – TCC, um grande recurso terapêutico na abordagem desses pacientes.

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 06/02/2021

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Palavras-chave: Automutilação II

Fonte:

Big Systems
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