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Agora Santa Inês - LITERATURA LITERALMENTE

LITERATURA LITERALMENTE

“VIVER A DIVINA COMÉDIA HUMANA ONDE NADA É ETERNO”

Por Georgiana Lima (Para D. Vitalina, com carinho)

 

Pouco importa se o mundo Está ficando velho Em nosso coração. O amor torna tudo novo De novo. Tudo certo. Tudo perto Tudo natural... (Flávia Wenceslau) 16 de fevereiro, manhã de sol e de carnaval. Enquanto a bandinha cantava nas ruas “Eu sou a filha da Chiquita bacana nunca entro em cana porque sou família demais...” mamãe sentia as primeiras dores do meu parto. Começaram como se fossem uma simples dor de barriga. No entanto, como a professora Marly já não era uma mãe de primeira viagem, não se preocupou. Continuou executando as tarefas doméstica normalmente. A barriga não havia crescido tanto quanto as outras, pensava ela, acariciando-a lentamente. Depois, as contrações vieram mais fortes. Ela sentou-se, então, no sofá mais próximo. Mas continuava sem querer alardear o povo da casa. Resolve esperar um pouco mais. De repente, sentiu um tremor nas pernas. E chama sua irmã mais nova para deixá-la de plantão caso precisasse. Não adiantou nada, pois a moça saiu gritando pela casa num misto de histeria e alegria: “Corre que a Marly vai parir”. Foi realmente um corre, corre em casa. Um Deus nos acuda!!Primeiro, porque meu pai- Seu José- não estava na cidade. Àquela época ele trabalhava na empresa Mendes Junior e não contava que eu nasceria nessa data. Segundo, porque era uma manhã de carnaval. As ruas cheias de gente bêbadas. E carros fechando as ruas. Por isso também o povo em casa estava alvoroçado ao redor da parturiente. Todo mundo querendo falar ao mesmo tempo. Mas, muito serena, D. Marly-já se dirigindo ao quarto- disse com tom de voz forte: “Chamem D. Vitalina e troquem os lençóis da cama”. O povo do lado de fora, indiferente ao que vivia-se na casa, cantava mais alto: Nunca entro em cana porque sou família demais...Sim, eu nasci de parto normal humanizado. Nasci pelas mãos ágeis e seguras de D. Vitalina. Uma enfermeira/parteira muito reconhecida na região do Vale do Pindaré. Mas que diante de tanto obstáculo, demorou a chegar em casa dessa vez. Isso para o desespero da minha tia Raé. No entanto, minha mãe já havia deixado a cena toda preparada: lençóis limpos, toalhas quentes, bacias esterilizadas. Tudo prontinho. Não havia necessidade para alardes maiores. Portanto, quando D. Vitalina -toda de branco-adentrou no quarto apressada com sua maletinha de instrumentos, não demorou muito para nascer. Com pouco choro. E numa rapidez espantosa para um parto normal. Minha mãe sempre diz que eu deslizei. Ela não sentiu quase dor. Eu deslizei para ver a vida lá fora. Gosto de pensar assim. Cheguei ao mundo já sentindo o cheirinho de alfazema dela. Não sei como, mas eu nunca esqueci esse cheiro. A ciência já explica isso. Sim, bebês guardam lembranças e pronto. Meu pai foi avisado do meu nascimento. Dias depois, chegou preocupado em casa. Pegou-me nos braços. Beijou minha cabeça e disse: “Seja bem-vinda, minha branquinha. Minha fogoió”.  Até hoje ele me chama assim. Não sei exatamente o porquê. Só sei que é lindo escutar esse apelido vindo só dele. Porque logo me remete àquela época em que nasci.  E emana-me a sensação do cheirinho da minha mãe bem pertinho. Tudo de novo. Adoro ouvi-los contar esse enredo da minha história de vida. Isso sempre acontece no dia do meu aniversário. Antigamente, quando eu já não mais morava com meus pais, era pelo telefone que eles teciam essa história. Um completava o outro. Eu, do outro lado, fingia não saber os detalhes. Não tem melhor presente para mim até hoje. Meu nome foi decidido depois que eu nasci. Meu pai, muito leitor de Vinicius de Moraes, disse que queria que fosse Georgiana. Porque uma das filhas do poeta tinha esse nome. Minha mãe gostou muito. E achou diferente, forte. Assim, com essa responsabilidade nos ombros, fui registrada com esse nome que a mim sempre me encantou. A poesia, posteriormente, saiu do nome e veio morar definitivamente comigo. Nascer sob o signo de aquário e em pleno mês de carnaval deve significar alguma coisa. Ou pelo menos gosto de pensar assim. Isso certamente quer dizer muito sobre mim. Como por exemplo, ser extremamente bem-humorada. De vez em quando, tenho um lampejo ou odéjà vu, como dizem, em que “emalguma vida, devo ter sido uma ave porque gosto de guardar memória de paisagens espraiada e de escarpas em voo rasante”, como fala o poeta Mia Couto. Adoro AméliePoulain ( filme francês de Jean Pierre Jeanet).Não esqueço duas frases que ela diz e com as quais concordo plenamente "esses são tempos difíceis para os sonhadores” e “não tenho ossos de vidro posso suportar os baques da vida”. Sigo sonhando e acreditando sempre. Apesar de saber que “O preço do feijão não cabe no poema. O preço do arroz não cabe no poema. Assim como não cabem no poema (grifo meu) o gás a luz o telefone... coisas do Ferreira Gullar. Concordo com o que minha irmã Rosana diz sobre mim:"-Quando Geor quer, ninguém a segura. "E como acho que até as alcachofras tenham coração, acredito no ser humano e no lado bom dele. Quero o mundo com mais Améliese Dons Quixotes. Certeza que seria bem melhor assim. Amo pessoas que sorriem com os olhos. Afinal gentileza gera gentileza. Adoro escrever, pois “em quanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever”. Concordo com Clarice também nesse ponto. E, porque sei que ninguém chega a viver mais da metade da vida sem cicatrizes, cheguei até aqui com inúmeras. Mas como diz Clarice, novamente ela,“A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver”. Parafraseando Belchior eu completaria ainda dizendo que amar e mudar as coisas me interessam muito mais...porque “enquanto houver espaço, corpo e tempo e algum modo de dizer não eu canto... pois, “não existe estrada velha. Nem será rotina o que você já fez. Se você sentir que ama, tudo tem o gosto da primeira vez”. Avante!

#históriadevida #nascimento #biografia #memóriaafetiva #aniversário

 

Georgiana Lima: Formada em Letras pela UFMA. Pós-graduada em Inglês pela Universidade do Alabama (BAMA U) e Doutoranda em Ciências da Educação pela Universidade Nacional de Rosario (Argentina). Email para contato: [email protected] Instagram: @georlima

MÚSICOS SÃO ANJOS

Por Elson Araújo*

Sonhei que anjos desciam à Terra e que num final de tarde, de Céu azul anilado, empunhando liras e harpas, executavam uma canção que nunca ninguém tinha ouvido.

 

Os filhos da Terra ficaram encantados com todos os sentidos vidrados no infinito azul e conectados àquela ária, ornada pela filarmônica de anjos, e naquele instante ouvida em todo o Planeta.

 

Ao final, vendo que aquilo era bom para os ouvidos e a alma, nem todos os anjos retornaram para o Céu. Alguns permaneceram aqui para continuar a encantar a alma da gente com acordes celestiais.

 

*Elson Araújo/ Jornalista, Advogado, Escritor, Poeta, acaba de ser eleito para ocupar a cadeira nº 2 da Academia de Letras de Imperatriz que era ocupada pelo saudoso também Jornalista, Escritor, Advogado e Poeta Sálvio Dino.

EMOÇÕES E REAÇÕES

Por Clélio Silveira Filho

 

Não sei como reagir a tantas emoções

Muitas me fazem descer lágrimas,

Outras sorrir de orelha a orelha,

E há àquelas, que como verdadeiros bordões

 

Me iludem no dia a dia da vida

Curam misteriosas e doídas feridas,

Me animam a conversar, cá com meus botões

E até a viver dias alegres, e noites entristecidas

 

Fácil lidar com emoções de um quase nada?

Ledo engano! Mesmo sendo uma singela parada

No fundo do tempo, um tropeço, uma topada

 

Um elogio ou um comentário insensato,

Pode me levar a uma reação emotiva

Que tanto me fará sorrir ou chorar

 

Ou pode ser que tão “inexpressiva” emoção

Me faça chorar de tanto sorrir

Ou me faça sorrir de tanto chorar,  até rolar pelo chão.

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 22/03/2021

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Palavras-chave: LITERATURA LITERALMENTE

Fonte:

Big Systems
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