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Agora Santa Inês - Compaixão em época da pandemia - II

Compaixão em época da pandemia - II

Compaixão, é um sentimento nobre, embora raro, nos tempos modernos. Se caracteriza como uma disposição interior de alguém para ajudar à outras para superarem suas dificuldades, seus problemas, suas dores ou seus sofrimentos. É a capacidade de compreender o estado emocional de outra pessoa ou de si mesmo. A compaixão, pode ser confundida com a empatia, mas o elemento fundamental no compadecimento é o desejo de aliviar ou reduzir o sofrimento do outro. A compaixão está sempre atrelada às necessidades pois os que se compadecem se dispõem em ajudar, portanto outro ponto alto do compadecimento é a solidariedade através da qual se revela o desprendimento, o despojamento, benevolência e o amor de um pelo outro.

Compaixão, é compreensão, é ir além de si, é ajudar, ardentemente, alguém a superar perdas, fracassos e angústias da vida. É ajudar alguém a superar seus problemas é se dispor a fazer algo por alguém. Compadecer-se é solidarizar-se com o sofrimento do outro, é antecipar-se, é chegar antes que a dor e o sofrimento aumentem ou o destrua. Em essência, a compaixão se manifesta em um ambiente sem visar retornos ou dívidas. Quem se compadece o faz por si mesmo, não visa lucros, retornos ou ganhos, a ação é da natureza de quem se compadece esses não esperam que venha ganhar algo com seus gestos ou atitudes.

O amor, a compreensão e a piedade são também elementos chaves, quiçá as bases das atitudes de compadecimento. Uma e outra se dirigem pelo altruísmo, pela vontade de colaborar, pela caridade. O maior exemplo que se têm de compaixão na história da humanidade foi o de Cristo que se sacrificou e morreu por nós. Evidentemente, que existem muitas demonstrações de compaixões e de amor de alguém por alguém ou mesmo pelos animais pela vida a fora, porém, lamentavelmente, como dissera antes, é raro encontrarmos criaturas no presente momento de nossa história que se compadeçam uns pelo outro.

A sociedade da modernidade, antes da pandemia, vinha adotando, fortemente, atitudes contrárias à compaixão e a solidariedade. Predominava atitudes de indiferença afetiva, de egoísmo desvairado, de interesses pessoais predominantes, interesses pecuniários, corrida pela posse das coisas, egocentrismo, vaidades, distanciamento social, frieza emocional e insensibilidade à dor e ao sofrimento dos outros, descompromisso sociais, anomia ética, isto é, vivíamos em uma sociedade, verdadeiramente, sem compaixão.

As bases referenciais sociais se baseavam, predominantemente, no materialismo, no mercantilista e no utilitarismo. Colaborando dessas formas para o império do egoísmo, do egocentrismo, fatos que por si sós, nos afastávamos uns dos outros maculando, destarte, as relações humanas.

 Na realidade, a vida moderna, vem transformando o homem em um ser mais frio, desconfiado, indiferente e com o coração duro. Por se conviver em um mundo cruel e banal, o homem tem se tornado insensível aos sofrimentos alheios, indiferentes à solidariedade, à bondade à indulgência e ao altruísmo, portanto, sem compaixão. As relações humanas demonstravam que o outro é, potencialmente, seu inimigo, ou alguém que não se pode confiar e desmerecedor de nossos encômios, carinho e atenção. Essas particularidades socioculturais, psicossociais e antropológicas passaram a ser marcas indeléveis dos tempos modernos as quais se distanciavam, enormemente, dos preceitos éticos e de compaixão, do amor e da solidariedade um pelo outro.

Do ponto de vista biológico, a prática da bondade, do amor e da compaixão, refleti positivamente em nossa saúde física, mental e em nossa vida social. Essas afirmações, atualmente, são incontestáveis, atribuindo-a aos avanços do conhecimento neurocientíficos sobre a repercussão desses sentimentos de amor e de bondade, em nossa biologia e em nosso comportamento. Talvez esteja aí o paradoxo da vida moderna, onde as pessoas atuais vivem sob desconfiança, de ódio e sob a égide da violência, ao mesmo tempo reconhece-se a nossa incapacidade de vivermos em os outros, especialmente, do ponto de vista da nossa saúde afetiva, emocional e comportamental.

Outra particularidade, do ponto de vista comportamental é que atitudes de bondade, caridade, de amabilidade, de desprendimento e de compaixão, nascem predominantemente, de pessoas sensíveis, capazes de amar, pessoas que estão em conformidade consigo mesmo que desfrutam plenamente de sua saúde mental e social e que tem a grandeza de fazer o bem. São pessoas que tem a preservada a capacidade de se sensibilizar pelo que se passa com outras pessoas ou animais em condições de dor e de sofrimento. Porém, condições psicopatológicas com diferentes níveis de gravidades, podem interferir no desempenho dessa capacidade.

Doenças cerebrais graves, portadores de malformações congênitas, AVC, esquizofrênicos em diferentes condições clínicas, autismo, alguns tipos de transtornos de personalidades, distúrbios afetivos, personalidades antissociais (psicopáticas), podem ter prejudicados, em distintos níveis, a capacidade de sensibilizarem com a dor e o sofrimento dos outros. Todavia, não estão absolutamente, impedidas de fazê-lo.

Observa-se, que diante da pandemia, onde a vida humana está ameaçada, considerando que a mortalidade é gigantesca e o sofrimento de todos é enorme, tem havido isoladamente, maiores demonstrações de solidariedade por parte de alguns, muito embora, paradoxalmente, haja muitas demonstrações, em bloco, do contrário, quando muitos não seguem as normais sanitárias para impedir o agravamento dessa pandemia revelando, entre outras coisas, indiferença à dor e ao sofrimento dos outros.

Evidentemente, que esse indiferentismo, pode ser explicado por vários motivos, mas passa, obrigatoriamente, pela falta de solidariedade e de compaixão de uns pelos outros. Evidentemente, que privações sociais prolongadas, gestores públicos incompetentes, frios e insensíveis, stress situacional, sofrimento, tristeza e perdas de todos os tipos que vem ocorrendo, sistematicamente, no mundo atual, pode contribuir para esse descompromisso social ante a pandemia, provocando essa insensibilidade social em massa.

Espera-se, portanto, que haja mais compromisso social, mais solidariedade, mais zelo pela vida, especialmente pelos gestores públicos, para que mudemos os rumos dessa pandemia. Nós somos os responsáveis por ela, somos nós que transmitimos esse coronavírus e ele não foi trazida de nenhum outro planeta. Sendo assim, seremos nós que teremos que enfrentar tudo isso e devolver à todos nós um mundo melhor.

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 22/03/2021

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Palavras-chave: Compaixão em época da pandemia - II

Fonte:

Big Systems
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