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As inúmeras possibilidades da seleção brasileira no "vão" entre Casemiro e Neymar

Dezenas de candidatos para quatro vagas determinarão como e com quem o Brasil vai atacar na Copa do Mundo. É o desafio mais interessante para Tite e sua comissão

Os cinco anos de Tite no comando permitem imaginar que a seleção brasileira disputará a Copa do Mundo de 2022 com um (excelente) goleiro, uma linha de quatro defensores, Casemiro à frente dela e Neymar comandando o ataque. O setor defensivo está bem encaminhado, tanto no formato quanto nos atletas.

Mas, neste espaço entre o volante do Real Madrid (substituído por Fabinho nesta data Fifa) e o atacante do PSG, a quantidade de possibilidades, a diversidade de características individuais e os inúmeros arranjos coletivos que se pode construir transformam cada jogo desta fase atual no desafio mais interessante desta comissão técnica. Assim será também o Brasil x Uruguai desta quinta-feira.

A busca é pela melhor harmonia entre o modelo ofensivo e os jogadores escolhidos para executá-lo. Nas últimas três partidas, a Seleção jogou no 4-1-3-2. Como se chegou até ele?

Depois da Copa do Mundo de 2018, os atacantes de lado – pontas, externos, extremos, como quiserem – rarearam. Neymar se transformou, no PSG, num gerador de jogo de enorme influência, que se movimenta por um espaço muito mais amplo do que a ponta esquerda. Douglas Costa não sustentou sequências em alto nível, Willian perdeu protagonismo e Everton Cebolinha, elemento já deste atual ciclo pós-Copa, não evoluiu ao trocar o futebol brasileiro pelo europeu.

A solução foi escalar, pelos lados, atacantes de força, que, em seus clubes, são utilizados tanto por dentro como por fora: Gabriel Jesus e Richarlison. Ora um, ora outro, ora ambos. Assim, obteve-se algumas boas atuações, especialmente na Copa América de 2019, mas, aos poucos, uma série de novas conjunturas minou a criatividade da equipe e isolou esses jogadores, de modo que suas características passaram a não se encaixar tão bem na função.

Tite, mais recentemente, tem construído a Seleção com uma linha de três jogadores à frente do volante e dois atacantes de movimentação por dentro. Na vitória sobre a Venezuela, de atuação abaixo da média, essa linha de três tinha Everton Ribeiro na direita, Gerson pelo meio e Paquetá na esquerda. No empate com a Colômbia, em que, apesar de oscilações, a equipe se mostrou mais competitiva em alto nível, Gabriel Jesus e Fred substituíram Ribeiro e Gerson.

Essas mudanças dão o tom da busca pelo encaixe entre modelo e peças. Gabriel Jesus é completamente diferente de Everton Ribeiro. Tite trocou um meia por um atacante. Um jogador majoritariamente de construção por outro de definição. E nenhum dos dois se destacou tanto quanto Raphinha, que, em ambos os jogos, saiu do banco para se transformar no maior perigo ofensivo do Brasil.

Raphinha é ponta. Canhoto que joga pela direita, poderia ser previsível, cortar sempre para o meio e usar seu pé melhor. Mas Raphinha foi além. Teve desenvoltura para ir à linha de fundo – como na assistência para o gol de Antony e na brilhante jogada que Neymar não conseguiu dominar para concluir. Usou o repertório que Marcelo Bielsa e o Leeds conhecem bem.

A carreira de Tite contempla títulos conquistados em diversas formações táticas – todas construídas a partir do equilíbrio entre as fases defensiva e ofensiva –, determinadas também pela evolução do jogo. Seus grandes momentos mais recentes, no Corinthians e na Seleção, tiveram, pelos lados do campo, ou atacantes velozes e dotados de habilidade para desequilibrar sistemas defensivos com dribles e jogadas de fundo, ou meias criativos com leitura de espaço apurada para se movimentar em direção ao meio e gerar superioridade e aproximação.

Na primeira categoria, encaixam-se Raphinha, Antony, Vinicius Júnior, Rodrygo, Cebolinha, Douglas Costa, Malcom, e o antigo Neymar. Na segunda, Everton Ribeiro, Philippe Coutinho, Claudinho, Jadson... Também Paquetá, embora essa movimentação ainda não pareça um elemento tão presente e natural em sua ascensão.

Gabriel Jesus tem um início de temporada entusiasmante como ponta-direita no Manchester City e teve boa performance na Copa América de 2019, mas há ponderações sobre seu futuro neste posicionamento na Seleção. Para receber a bola mais próximo da área adversária, outros mecanismos do jogo posicional precisariam estar mais ajustados, como a condução da bola até o campo ofensivo, por parte dos zagueiros, e uma distância menor dele, Jesus, para o lateral.

No City, a presença de um trio de meio-campistas costuma favorecer a circulação de bola mais veloz e isso também permite que um passe o encontre em condições melhores, diante de uma marcação menos equilibrada. Essa é outra questão a ser resolvida por

Tite neste espaço entre Casemiro e Neymar: a composição do meio-campo.

 

Vale muito a pena ver o que vai acontecer com Raphinha titular neste Brasil x Uruguai.

Fonte: ge.globo.com

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Regional

Data: 14/10/2021

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Palavras-chave: As inúmeras possibilidades da seleção brasileira no "vão" entre Casemiro e Neymar

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