Agora Santa Inês - Uso de drogas e pendência  química, os desafios permanecem!

Uso de drogas e pendência química, os desafios permanecem!

No curso natural da dependência química (álcool e outras drogas), existem diferentes sintomas que, de conformidade com a evolução da doença, se destacam uns sobre os outros. Um deles é a compulsão, vulgarmente chamada de “fissura”, traduzida como um “desejo adente, irrefreável, incontrolável” para consumir consumi-las, é um dos mais importantes sintomas na clínica da dependência e que pode servir de marcador para orientar o diagnóstico e tratamento desses pacientes.

 

             Esse sintoma interfere, diretamente na clínica das dependências, bem como nas sucessivas recaídas que se observa no processo de tratamento e recuperação desses enfermos. Fissura e compulsão, são dois termos já largamente conhecidos pelo público, graças às centenas de artigos já publicados a seu respeito. Apesar de conhecidos, sabe-se que este fenômeno, não está ainda plenamente conhecido na totalidade, na fisiopatologia das dependências.

 

              Fissura, é um termo popular em nosso idioma. Entre os ingleses é conhecida como “craving”, que nada mais é do que um desejo ardente, incontrolável, irrefreável de consumir droga da qual a pessoa dependa. Em princípio, só se pode falar de fissura em quem é dependente, seja de drogas ou de outras coisas. É um sintoma que pode estar presente em outros transtornos psiquiátricos, portanto não é exclusivo dos dependentes de drogas. O alcoólatra, portanto, apresenta esse sintoma sempre que não bebe ou reduz a dose da quantidade de álcool ingerido habitualmente. O tabagista, sente o mesmo; o dependente de cocaína e de outras substâncias também sentirá fissura e assim por diante. Do ponto de vista médico e clínico a fissura apresenta as seguintes características:

 

1 – Está presente na síndrome de dependência;

2 – Surge quando o consumo da droga é interrompido;

3 – A ânsia (compulsão) de consumir é quase sempre superior ao seu controle;

4 – Favorece sempre a recaída;

5 – A obtenção da droga cessa os sintomas;

6 – É classificada como leve, moderada ou grave.

7– Sua intensidade está associada à intensidade da dependência;

8 - É involuntária, evolutiva e envolve mecanismos neurobiopsicossocial

9 – Há drogas que aliviam os sintomas do “craving”;

10 – Interfere na decisão de se tratar;

 

              Estes 10 itens acima mostram, que em geral se apresentam em bloco, demonstram, claramente, a gravidade deste problema e sabe-se que todos são importantes em sua caracterização, a dificuldade de aderir a um tratamento e as recaídas são indiscutivelmente as mais importantes consequências do “craving”, justamente por interferir no diretamente na recuperação desses enfermos.

 

               Do ponto de vista da neurobiologia do “craving”, já temos acumulado um vasto conhecimento sobre como ele surge e sobre os mecanismos biológicos a ele envolvidos. O fato é que tudo se passa em determinadas áreas e funções do cérebro, intermediadas por reações neuroquímicas relevantes, envolvendo os neurotransmissores cerebrais: dopamina, serotonina, acetilcolina e outros.

 

               Estudos de neuroimagem utilizando técnicas como a tomografia por emissão de pósitrons (PET) têm permitido a identificação de tais anormalidades neurofuncionais criando condições favoráveis para que em um futuro próximo se possa manejar melhor com este sintoma. Além do mais, graças aos recentes avanços nos conhecimentos originários da ressonância magnética (RM) funcional, já se pode vislumbrar as áreas afetadas pela compulsão, fato que certamente favorecerá uma maior compreensão da sua fisiopatologia.

 

                Do ponto de vista do tratamento e reabilitação das dependências químicas, os últimos 25 anos foram muitos importantes, sobretudo no controle clínico e farmacológico dessas doenças. Nessa área especificamente os avanços foram expressivos, sobretudo, com o surgimento de drogas denominadas de anti-compulsivas, antifissura ou anticraving, as quais impedem ou reduzem drasticamente a busca incessante e incontrolável pelo álcool ou por outras drogas, impedindo o mal estar físico, psicológico e emocional, ocasionado pela falta da droga. Os medicamentos indicados para esse controle cínico são considerados atualmente como fundamentais para o manejo adequado dos dependentes de drogas.

 

                Entre os transtornos que mais se beneficiaram com o tratamento medicamentos foram o alcoolismo e o tabagismo. Outras drogas que estão sendo usadas para o tratamento de dependentes de cocaína, maconha êxtase, etc., estão sendo testadas e deverão ser lançadas em breve para o uso clínico.

 

                Outros avanços significativos estão ocorrendo na área de terapia ocupacional e intervenções psicoterápicas, através de técnicas avançadas no tratamento e reabilitação destes enfermos, as quais possibilitarão diretamente maior adesão aos tratamentos propostos, impedindo os altos índices de recaídas que ocorre frequentemente nessa população.

 

                 É lamentável, que não se possa falar o mesmo, quanto á medidas de prevenção ao uso de álcool e outras drogas em nosso estado em nosso país. Isto é, no âmbito de políticas públicas essa área é a que menos as autoridades dão ênfase. O poder público tem um débito social enorme com a população brasileira nessa área, dando a impressão que os governantes não se preocupam com a situação que está aí muito menos com as populações futuras. As propostas de prevenção são ineficientes, mal acabadas e acima de tudo mal delineadas metodologicamente, fatos que comprometem sua efetiva aplicação. Percebe-se que há um desinteresse institucional muito grande nesse sentido apesar de falarem, abundantemente, sobre o assunto. Deveríamos ter políticas preventivas mais abrangentes, consistentes e consequentes para fazer face à tão complicado problema, considerado por todos como um dos mais importantes problemas de saúde do mundo.

 

                Portanto, já passamos até da hora, de arregimentarmos forças na área pública, social e em muitas outras áreas da vida associativa, para elaborarmos políticas públicas mais consistentes, efetivas e duradouras e darmos um salto grandiosos a partir de nossas contribuições como seres humanos e como cidadãos, no enfretamento desses problemas quanto ao uso de álcool, tabaco e outras drogas e sobre o tráfico de drogas.

 

Postado por: Redação Agora 03

Categoria do Post: Entretenimento

Data: 20/11/2021

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Palavras-chave: Uso de drogas e pendência química, os desafios permanecem!

Fonte:

Big Systems
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